Crônicas

VOU LHE DAR UM MURRO, VOCÊ VAI CAIR… E TODA VEZ QUE VOCÊ SE LEMBRAR, VOCÊ CAI !!!

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Era Prefeito de Cáceres, o homem que preparou a Princesinha do Paraguai para o século XXI: Ivo Cuiabano Scaff, grande prefeito, um verdadeiro visionário, no bom sentido, no sentido de acreditar na utopia, nas possibilidades…

Dentre os secretários municipais, ocupava a Secretaria de Fazenda o meu amigo Mauro Jorge da Cunha Filho, o Maurinho de saudosa memória; a Secretaria de Obras estava a cargo do competente Engenheiro Civil Walter Pedroso e a Secretaria de Educação era ocupada por Ivo Ambrósio, o Ivinho como era chamado prá distinguir do Prefeito, Ivo.

O Prefeito dispunha de um veículo oficial para seu deslocamento no município e viagens rápidas à capital e Ivinho também dispunha de um veículo para visitação às escolas rurais, o motorista do Prefeito era o amigo, já no andar de cima, Felipão. Um excelente motorista. Andava sempre com uma capanga, era costume, na época, os homens portarem a tal capanga, uma pequena bolsa em que se colocava documentos talão de cheque, chaves etc… A capanga do Felipão, já surrada pelo tempo de uso, tinha um pequeno furo no lado de baixo, que deixava aparecer a ponta do cano de seu revolver 32, que ele sempre arrumava e bicho sempre teimava em sair. O motorista do Ivinho era o Gaúcho, não me lembro do nome dele…

A Prefeitura Municipal funcionava ali na Rua Cel. José Dulce esquina com a Rua Gal. Osório, no Palácio do Governo Municipal, construído por Dr. Nito em 1938, majestoso edifício que abrigava o Executivo e o Legislativo, até a gestão Ivo Scaff.

Certo dia, está Felipão, em frente do prédio, de pé, com um dos pés dobrados para trás em posição de descanso, aguardando as ordens do Prefeito quando desce os degraus em passos rápidos o Gaúcho e lhe diz:

– Felipão, pega o carro e me leva ali na Delegacia da Educação que eu tenho que entregar essa documentação que o Secretário mandou…

Felipão olha profundamente nos olhos do Gaúcho e já de saco cheio e meio brabo, argumenta:

– Gaúcho, presta atenção, eu sou motorista do Prefeito, não sou do Secretário não…

o Gaúcho não deixa por menos:

– Rapaz você é empregado que nem eu, me leva logo ou você vai se ver com quem manda…

Aí o bicho pegou, Felipão saiu da posição de descanso, arrumou a capanga debaixo do sovado e disse em voz alterada:

– Gaúcho, vou lhe dar um murro na sua cabeça, onde pegar não nasce mais cabelo e você vai cair e toda vez que você se lembrar disso, cai!

Esse era o Felipão, originário de Vila Bela da Santíssima Trindade, que contava ter participado do concurso para eleger o mais feio de lá. Ele ganhou concurso, mas quando ele riu, cancelaram o resultado e começou tudo de novo…

(*) Emilson Pires de Souza
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres
04/08/2015. Um abração aos compadres “Pídio Véi”

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