O El Niño já provocou impactos significativos em Mato Grosso em diferentes períodos da história, especialmente nos eventos fortes de 1997/1998, 2015/2016 e 2023/2024.
Durante o forte El Niño de 1997/1998, pesquisas da Universidade Federal de Mato Grosso e da Universidade de São Paulo registraram redução de até 50% das chuvas em algumas regiões do estado, temperaturas extremas entre 40°C e 42°C e índices de umidade do ar entre 20% e 30%, especialmente no inverno e na primavera.
Já no ciclo mais recente de 2023/2024, o portal.inmet.gov.br registrou um dos maiores déficits hídricos dos últimos anos. Em algumas áreas de Mato Grosso, a diferença entre a chuva observada e a média histórica ultrapassou 1.500 mm. A agricultura foi diretamente afetada, contribuindo para perdas expressivas na produção nacional.
No Pantanal, os efeitos foram ainda mais preocupantes: atraso das chuvas; redução das cheias; aumento da seca; crescimento dos incêndios florestais; elevação das temperaturas; pressão sobre rios, fauna e vegetação.
O que pode acontecer agora?
Se o novo El Niño realmente se consolidar em 2026, Mato Grosso poderá enfrentar: calor acima da média; ondas de calor mais longas; chuvas irregulares; aumento dos incêndios florestais; redução da umidade do ar; dificuldades para agricultura e pecuária; impactos no Pantanal e nos recursos hídricos.
Como minimizar os impactos?
A ciência aponta que não é possível impedir o El Niño, mas é possível reduzir seus efeitos por meio de adaptação climática: Gestão da água; proteção de nascentes; recuperação de matas ciliares; reservação de água da chuva; uso racional da água na agricultura.
Prevenção de incêndios: evitar queimadas; criar aceiros preventivos; monitoramento de áreas críticas; educação ambiental comunitária.
Agricultura resiliente: diversificação de culturas; sistemas agroflorestais; plantio adaptado ao clima; conservação do solo.
Cidades mais preparadas: arborização urbana; ampliação de áreas verdes; planejamento hídrico; campanhas de prevenção ao calor extremo.
Educação ambiental: A informação passa a ser uma das ferramentas mais importantes. Quanto mais a população compreende os ciclos climáticos, maior é a capacidade de adaptação e prevenção.
Reflexão final: O Pantanal sempre conviveu com ciclos naturais de cheia e seca. O desafio atual é que o El Niño ocorre em um planeta mais quente do que décadas atrás. Isso faz com que secas, ondas de calor e incêndios tenham potencial de se tornar mais intensos. Por isso, proteger rios, áreas úmidas, vegetação nativa e fortalecer a educação ambiental deixou de ser apenas uma questão ecológica: tornou-se uma estratégia de proteção econômica, social e territorial para Cáceres, para o Pantanal e para todo o estado de Mato Grosso.
Fernanda Machado
Doutora em Sustentabilidade


























