PL elege a maior bancada da Câmara desde 1988 e redesenha o mapa de poder da Casa

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Partido elege 121 deputados — 22 a mais que em 2022 — e também terá o maior grupo no Senado. Federação PT-PCdoB-PV fica em segundo, com 88 cadeiras; União-PP aparece em terceiro, com 87. Renovação é a menor em quatro eleições, e 20 siglas terão representação na legislatura 2027-2031

O PL saiu das eleições de domingo (4) com a maior bancada individual da história da Câmara dos Deputados desde a promulgação da Constituição de 1988. Com a totalização praticamente encerrada, o partido elegeu 121 deputados federais para a legislatura que começa em 1º de fevereiro de 2027 — 22 a mais do que em 2022, quando elegeu 99, segundo levantamento da CBN sobre os dados do TSE. No Senado, a sigla também terá o maior grupo, com 28 cadeiras.

O desempenho consolida o PL como a principal força política do Congresso eleito e supera, em números absolutos, tudo o que qualquer partido alcançou na Câmara desde o fim do regime militar — na eleição de 1986, o então PMDB chegou a 260 cadeiras, patamar que nenhuma legenda voltou a atingir.

O novo mapa da Câmara

A segunda maior bancada será a da federação PT-PCdoB-PV, com 88 deputados — dentro dela, o PT elegeu 70 nomes, segundo o UOL. Na sequência vem a federação União-PP, com 87 cadeiras combinadas. Entre os partidos isolados, completam o grupo de frente: PSD (44), Republicanos (40), MDB (36) e Podemos (27).

Na parte intermediária do quadro, PSB e a federação PSOL-Rede elegeram 15 deputados cada, e a federação PSDB-Cidadania ficou com 11. Novo (10), a federação Solidariedade-PRD (7), PDT (6), Avante (5) e Missão (1) fecham a lista. Ao todo, 20 siglas terão assentos na Casa a partir de 2027.

Renovação é a menor em quatro eleições

Apesar da vitória folgada do PL, a Câmara que se instalara em 2027 será pouco renovada. Segundo levantamento do g1, 183 dos 513 eleitos (35,7%) nunca exerceram mandato de deputado federal — a menor proporção das últimas quatro eleições. Em 2018, os estreantes eram 47,4% da Casa; em 2022, 39,4%. Pela contagem da Agência Câmara, o índice de reeleição chegou a 58,6%, com 301 parlamentares reconduzidos.

O PL é também o partido com mais novatos: 46 dos 183 estreantes, seguido pelo PT, com 22. São Paulo concentra o maior número absoluto de primeiros mandatos (26), à frente do Rio de Janeiro (22) e de Minas Gerais (14).

Recordes de votação e nomes novos

A eleição teve marcas históricas individuais: Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) superaram 3 milhões de votos cada e se tornaram os deputados mais votados da história da Casa, conforme o g1. Entre os estreantes que assumirão em fevereiro estão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SC), a ex-ministra Nísia Trindade (PT-RJ) e a cantora e ex-ministra Anielle Franco (PT-RJ), além de Maria Marighella (PT-BA) e Edinho Silva (PT-SP), ambos do PT.

O pleito também foi marcado pela abstenção: 33,4 milhões de eleitores deixaram de comparecer, o maior número desde 1998, segundo a CBN.

Câmera centrada no segundo turno

O resultado da Câmara passa a operar como variável decisiva na disputa presidencial, que será decidida no segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com a bancada bolsonarista ampliada e um bloco central formado por União, PP, PSD e MDB somando mais de 160 cadeiras, a governabilidade do próximo governo dependerá das negociações com o centro — cenário que tende a pautar a eleição da Mesa Diretora da Câmara, marcada para fevereiro de 2027.

Antes disso, partidos e federações ainda vão passar pelo crivo da cláusula de desempenho, que nesta eleição exigiu ao menos 2,5% dos votos válidos distribuídos em nove estados, ou a eleição de 13 deputados federais em ao menos nove unidades da federação — requisito que define acesso ao fundo eleitoral e ao tempo de TV.

Fontes: Agência Câmara, CBN, g1, UOL e TSE.

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