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Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews
Num determinado período de tempo, os trabalhadores de Cáceres puderam se reunir em confraternizações e animadas festas no clube especialmente construído e idealizado para ser dele, do trabalhador, era a União Operária Cacerense – UOC – que permaneceu em atividade pelo menos durante 40 anos.
Construído em 1947 o clube tinha o seu ápice no Dia do Trabalhador, o 1º de Maio era festejado nas primeiras horas do dia com uma animada Alvorada Festiva sob os acordes da solicitada Banda do 2º. Batalhão de Fronteira. Na sequência era celebrada Missa Solene; muita música, para ao meio-dia ocorrer o tradicional churrasco de sete a dez vacas abatidas e servidas de graça aos trabalhadores e familiares associados.
A saudosa lembrança dos tempos áureos do clube está muito bem guardada na memória de Pedro Quintino de Campos, 77, o conhecido Pedro Sapateiro que até hoje tem a sua sapataria estabelecida na Rua Marechal Deodoro na casa que foi de seus pais. Quintino Antonio de Campos – Mestre Quintino – um dos fundadores da UOC.
O Mestre Quintino era marceneiro naval e tocador de sanfona e violão. Muito requisitado nas festas que costumeiramente aconteciam nas residências das famílias cacerenses. Ele foi durante 44 anos funcionário da Casa Castrillon da época, teve 13 filhos e se tornou uma lenda viva da Cáceres de antigamente.
Missa organizada pela União Operária Cacerense, dedicado as comemorações do dia do Soldado na Catedral de São Luiz – 25 de agosto de 1966 – Foto: Acervo Walter Pedroso e archivodamemoria.blogspot.com
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Fundadores
O Clube do Trabalhador Cacerense foi fundado especialmente para que os trabalhadores de Cáceres pudessem ter o seu local próprio de festas, lazer e confraternizações.
A sociedade tinha as suas divisões. O Esporte Clube Mato Grosso era dos abastados, o EC Humaitá, era o Clube da Elite, o UBSSC dos Militares. Então o operariado era deixado à margem desses locais de diversão e que verdadeiramente “bombavam”.
Com isso, os idealizadores decidiram pela construção e do surgimento de um clube onde o trabalhador fosse recebido e se sentisse bem, afinal, estava em sua casa.
Os idealizadores da UOC conforme a história, foram: Mestre Quintino, Benedito Ponce Pedroso, Benedito Tomé, Tomaz Elias Antunes, Venâncio, Guilherme, Manezinho Carroceiro, Juvenal, Oracimil Cipriano de Carvalho (Nenê Bizongó), Tarcílio, Gregório Pedreiro, Leonardo Claro Cardoso, Francisco Santana (Chicão), Milton Santana, José Rosauro, Antonio Senatore, José Mariano e outros.
Sentados da esq/direita: Elson Silva,____________,Mestre Tomaz Elias, Mestre Quintino, Benedito Ponce, José do Rozauro, Sr Leonardo. Atrás em pé: Sr Mestre Ramão, Milton Santana, Sr Otacilio, Sr Cardoso, Manuelico Cabral. Acervo: Walter Pedroso e archivodamemoria.blogspot.com
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Fundação data de 1947
Após uma assembleia realizada em novembro do ano anterior, homens e mulheres trabalhadores de Cáceres resolveram fundar uma associação que congregasse a família operária de Cáceres.
Foi assim que na data de 1º. de janeiro de 1947 surgia a União Operária Cacerense. A primeira diretoria estava assim constituída:
Presidente – Mestre Quintino Antonio de Campos, Octávio Santos, Tomaz Elias, Dário dos Santos Rosa, Herculano de Araújo, João Corbelino, Alcebíades Camilo da Silva. (fonte. Blogspot do Historiador Sandro Miguel de Paula).
Sobre essa histórica data, o cacerense bancário aposentado, Antonio Mello, o Tutú, guarda em sua memória as festividades que marcaram a criação do novo clube de Cáceres, assim como o eloquente discurso proferido pelo saudoso Raimundo Cândido dos Reis na oportunidade, parabenizando os trabalhadores por tão bela iniciativa e desejando inúmeras realizações em prol da vida social e recreativa de todos os filiados e, da própria população cacerense.
Em se falando em discurso de saudação aos trabalhadores, o renomado advogado cacerense Ladislau Ramos, hoje morador de Campo Grande-MS, recorda das vezes em que esteve nas comemorações do Dia do Trabalhador. O seu discurso era muito aguardado na oportunidade pelos trabalhadores, familiares e autoridades presentes por ocasião dessa festividade.
Carnaval no Clube União Operária, fevereiro de 1967, momento de coroação da Rainha do Carnaval
Acervo: Walter Pedroso e archivodamemoria.blogspot.com |
Regularização
Entre aqueles que passaram pelo comando do clube, está o barbeiro Juventino Pedroso da Silva, que no ano de 1986, substituiu o presidente Nenê Bizongó que havia falecido.
Juventino era o seu vice, e, entre os trabalhos realizados, ele aponta a regularização do clube junto ao ECAD –Escritório Central de Arrecadação e Distribuição – direitos autorais das músicas aos seus autores, cujo representante nesta cidade era o conhecido Sargento Aniceto.
Juventino também tirou pela primeira vez segundo ele, o Alvará de Licença da UOC, e promoveu diversas melhorias, entre as quais cita a reforma, a ampliação da parte dos fundos do clube, a aquisição de ventiladores, reforma da parte elétrica, sanitária e a compra de freezer e geladeira, eletrodomésticos adquiridos junto ao conhecido Chico da Brahma.
Permaneceu durante o resto do mandato e diz ter deixado na conta que o clube mantinha no Banco da Amazônia uma boa importância em cruzados. A sua gestão ele acredita que foi uma das últimas que comandou a hoje saudosa União Operária Cacerense. Ele se orgulha de poder ter dado a sua contribuição ao local que recebia festivamente o operariado cacerense. Na sua gestão os bailes aconteciam três vezes na semana, ou seja: sexta, sábado e domingo sempre contando com casa cheia e o seu fiel público frequentador.
Desativada há mais de 30 anos, a UOC marcou uma época de muito sucesso e eventos marcantes na vida de Cáceres. Hoje ficaram as saudosas lembranças e o que restou do clube em suas velhas e malcuidadas instalações, o local, que por sinal, está à venda.
Sobre os clubes de antigamente na mesma situação está o EC Humaitá, o Azul e Branco da Cel. José Dulce, tido como o Clube da Elite. A imponência do prédio que abrigou durante anos a nata da sociedade cacerense está desbotada pelo tempo, porém ainda conserva os detalhes de uma edificação de valor histórico na inigualável marca do seu criador o português Mestre Bexiga.
O Clube dos Militares do Exército Brasileiro, o UBSSC também faz tempo que baixou as portas pondo fim a sua tradicional discoteca aos domingos e o tradicional baile aos sábados, o local que causava aquela movimentação em torno da Praça Duque de Caxias onde está construído vai aos poucos se deteriorando pelo tempo.
Tempo que também se encarregou de pôr fim ao histórico Clube Mato Grosso. Cuja estrutura inacabada foi assumida pela prefeitura na gestão Antonio Fontes, para se transformar na Fundação Cultural de Cáceres.
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2 respostas
Nossa que história vivi nesse clube do qual meu avô foi um dos fundadores, muitos dias do trabalho, carnavais, e outras festividades. Também foi escola.
bons tempos… boa leitura… obrigado kishi