A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres nasceu de um sonho antigo, o de transformar o extremo Oeste de Mato Grosso em um polo de desenvolvimento industrial e logístico voltado para o comércio exterior. Idealizada no final da década de 80 e criada em 1990, a proposta enfrentou um longo percurso de mobilização política, articulações locais e entraves burocráticos até finalmente se tornar realidade, mais de trinta anos depois.
As ZPEs foram criadas no Brasil em meados de 1987, no governo de José Sarney, com o propósito de incentivar a industrialização voltada à exportação. Em Cáceres, o movimento pela criação da ZPE ganhou força a partir de 1988, mobilizando lideranças políticas, empresariais e comunitárias determinadas a colocar o município no mapa do desenvolvimento econômico.
No início de 1990, uma comitiva cacerense seguiu para Brasília com uma missão clara, convencer o presidente José Sarney a assinar o decreto de criação da ZPE de Cáceres. O grupo, formado por representantes da sociedade civil e autoridades locais, entregou ao presidente o título de cidadão cacerense, um gesto simbólico que selou o apoio presidencial à causa. Entre os presentes estavam os vereadores Roosevelt de Barros, Rubens Macedo e Germano Bianchini, que representaram oficialmente o Legislativo municipal.
Duas fotografias guardam esse momento marcante. Em uma delas, aparecem Elvis Klauk, Orfélia Michels, Geraldo Fidelis, Maria Dulce Belic, Roberto Belic, Márcio, Pedro Henry, Roosevelt Barros, Germano Bianchini, Rubens Macedo, Márcio Lacerda (senador) e José Esteves de Lacerda Filho (deputado estadual). Na outra, o então prefeito Walter Fidelis posa ao lado do presidente José Sarney, o chefe do Executivo federal que oficializou a criação da ZPE durante a gestão de Fidelis, entre 1989 e 1992.

O vereador Rubens Macedo relembra com emoção a estratégia que marcou aquele dia. “Eu, o presidente da Câmara Roosevelt de Barros e o vereador Germano Bianchini entregamos o título de cidadão cacerense ao presidente Sarney e dissemos, “Agora o senhor é cacerense, pode assinar a criação da nossa ZPE’. E deu certo”, recorda Macedo.
O juiz Geraldo Fidelis, filho do ex-prefeito Walter Fidelis, também guarda viva a lembrança. “Eu era muito jovem, mas pude acompanhar meu pai e testemunhar aquele momento histórico para Cáceres”, afirma Geraldo.
Para o médico e ex-deputado Pedro Henry, a criação da ZPE foi um movimento que simbolizou a união do povo cacerense em torno de um objetivo comum, a luta pelo progresso da cidade e da região.
Atualmente, a ZPE é motivo de orgulho e esperança para as novas gerações. A prefeita de Cáceres, Eliene Liberato Dias, destaca o significado desse marco para o futuro do município. “Temos vocação para o desenvolvimento, somos o maior produtor bovino do Estado, mas ainda enfrentamos desafios que precisam ser superados. A ZPE é uma porta aberta para novas oportunidades, empregos e investimentos. Esse momento só está acontecendo porque o governador Mauro Mendes acreditou no projeto e investiu para torná-lo realidade. Também é justo lembrar de Adilson Reis, que levou o nome da ZPE de Cáceres para o Brasil e o mundo e hoje empresta seu nome para a ZPE”, afirmou.
Eliene ainda fez questão de homenagear todos os ex-prefeitos que, ao longo dos anos, mantiveram viva essa luta: Antônio Fontes, Walter Fidelis, Aloísio de Barros, Masato Nakahara, Ricardo Henry, Túlio Fontes e Francis Maris, cada um contribuindo, à sua maneira, para que o sonho da ZPE deixasse de ser promessa e se tornasse um legado de desenvolvimento para Cáceres.


























