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Dom Máximo e Padre Ives Terral observando os acabamentos finais da catedral
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O ano de 2019 se passou e deixou a marca dos 100 anos de história desde o lançamento da pedra fundamental das obras de construção da Catedral São Luiz. Em 1919 foi o pontapé inicial de uma das mais deslumbrantes catedrais de Mato Grosso, a qual se tornou um dos principais cartões postais da cidade.
De estilo gótico, projetado pelo engenheiro francês Leon Joseph Louis Mounier, a ideia a princípio era ser construída no Largo da Jacobina, hoje Praça Major João Carlos, onde havia uma obra em andamento de uma igreja. Mas, essa possibilidade foi rejeitada pelo engenheiro.
Leon Mounier tinha em mente construir uma catedral com arquitetura gótica que imitava as igrejas da Idade Média. Ele projetou com três naves e duas torres frontais, medindo 58 metros de comprimento, 20 metros de largura, 22 metros na abóboda e dois campanários com 48 metros de altura. Com um projeto dessa envergadura, a localização no Largo da Jacobina não seria favorável.
O local escolhido e considerado ideal por Mounier foi a Praça Barão do Rio Branco, onde se encontrava a igreja Matriz, bastando apenas ampliar a área para atender as dimensões da futura catedral. Porém sua estrutura estava bastante degradada, já não suportava a população que frequentava as missas.
A igreja Matriz, defronte ao Marco do Jauru. Esse foi o local escolhido pelo engenheiro francês Leon Mounier para ser construído a Catedral
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Dom Luiz Maria Galibert, o primeiro bispo de Cáceres, requereu junto ao município, a permuta da área da igreja no Largo da Jacobina, que seria demolida e revertida ao patrimônio municipal, pela complementação da área da igreja Matriz para levantar a futura Catedral São Luiz. O pedido foi aceito e aprovada a autorização legislativa.
Todos aceitaram com entusiasmo a planta do novo templo a ser construída na Praça Barão do Rio Branco, mas também ficaram relutando diante do tamanho investimento. O professor e comerciante, Alfredo José da Silva, tinha sua preocupação que o povo não conseguiria assumir a despesa da obra. O francês, convicto da importância do projeto para a cidade, chegou a afirmar que, até onde o povo de Cáceres conseguisse realizar, ele assumiria o resto com seus próprios rendimentos. Assim, foi aceito por todos.
O frei, João Luiz Bourdoux, que tomou conta do início dos trabalhos da construção, em junho de 1919, foi surpreendido com as autoridades municipais, notificando a igreja a pagar impostos de duas carroças que utilizava na construção. O intendente municipal (prefeito) era Antônio João da Costa Marques que argumentara que o município cedeu, apesar da permuta, quase a metade de sua melhor praça, deixando-a amputada com a doação.
No dia 6 de outubro de 1919, fez-se a solene benção e colocação da Pedra Fundamental, localizada na sétima coluna, contada da primeira torre do lado do Evangelho, nave central, a 70 cm de altura, em uma cavidade previamente preparada, numa urna de cristal, contendo um exemplar da ata escrita em pergaminho, uma cópia da ata da sessão da Câmara Municipal, cedendo o terreno a título de permuta pela área do Largo da Jacobina, uma fotografia do bispo diocesano, de um grupo de padres da Missão Franciscana, das senhoritas da comissão promotora para a construção, presidida pela irmã do Colégio Imaculada Conceição, além da planta da catedral, documentos com 35 assinaturas, de impressos, moedas e outros objetos da época.
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Infelizmente, o engenheiro Leon Joseph Louis Mounier morre no dia 24 de outubro de 1919, após uma moléstia suportada com edificantes sentimentos de resignação e de fé. A morte do francês foi a primeira dificuldade encontrada pela igreja, quando a obra estava apenas nos alicerces, colocada parte dela com a pedra canga retirada da igreja inacabada do Largo da Jacobina.
No dia 30 de dezembro de 1919, Dom Galibert chegou a escrever para o governador do Estado o seguinte texto: “Depois das águas, vamos começar os trabalhos. O povo toma interesse pelo projeto e, creio, ajudará bem. Mas, trata-se de uma catedral que conviria saísse regular e pudesse, de um certo modo, honrar a cidade e o Estado. Para isto, todos aqui contam com o seu apoio”.
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A complexidade da obra foi a maior dificuldade para os operários daquela época. A arquitetura de estilo gótico somada com as dificuldades de encontrar materiais de qualidade para suportar o tamanho da obra. A falta de técnicos, engenheiros e profissionais competentes também foram determinantes para a solução dos numerosos problemas de uma obra altamente técnica. Somado a tudo isso, a falta de dinheiro também contribuiu para a lentidão da obra.
Nessa imagem aérea, percebe a parte superior já construída, aguardando a cobertura. Na frente da construção está o Marco do Jauru assentado dentro da via pública da Rua Comandante Balduíno
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Do início das obras até 1949, passaram como responsáveis pela construção os padres vigários, frei João Luiz Bourdoux, frei Sebastião Reynaud, frei Ambrósio, frei Henrique Maynadier e o frei Severino Rouquette. Este último fechou o canteiro de obras após o desmoronamento do telhado e algumas colunas da catedral. O fato aconteceu numa noite de 1949 e não houve vítimas.
Em 04 de setembro de 1955, chega em Cáceres, o então frei, Máximo Biennès (Max André Paul Gaston Biennès, francês), recém nomeado para ser o Administrador Apostólico da Diocese São Luiz de Cáceres. O Monsenhor Máximo tinha apenas 34 anos, vindo da cidade de Guajará Mirim-RO e tinha duas promessas: concluir as obras da Catedral São Luiz e reabrir o colégio dos padres.
O frei Severino procurou o arquiteto de São Paulo, Benedito Calixto, para encontrar uma solução técnica que pudesse suportar o peso do telhado. Após longos estudos, decidiu que o telhado seria sustentado por grandes arcos de madeira e colocados em toda a extensão. Assim foi feito, arco por arco, imensamente pesados, foram sendo levantados, mesmo com as precárias condições.
Registro fotográfico do acervo de Dom Máximo Biennès e extraído do livro "Dom Máximo Biennès, Bispo Missionário". Na imagem, os andaimes utilizados na época para levantar os arcos de madeira que deram sustentação à cobertura da Catedral
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Naquele período, a madeira era abundante e relativamente barata, visto que a colonização de terras novas e ricas na região oferecia esse material. O Monsenhor Máximo tinha um caminhão F-3000 que fazia o transporte de toda a madeira utilizada na cobertura.
Além do arquiteto Calixto, também contribuíram na solução para a conclusão da obra um engenheiro lituano chamado Arnould M. Williuns, um carpinteiro, um pedreiro e um voluntário francês, Claudio Vernhes, que assumiram o restante do trabalho. Nessa altura, foi o frei Elias Mas quem estava a frente dos serviços.
Na noite de Natal de 1963, com o santuário coberto com os três primeiros arcos, o povo encheu o local e rezou feliz, já esperavam ansiosos pelo dia da inauguração da catedral. A obra teve continuidade e sempre houve dinheiro suficiente para pagar os fornecedores e operários.
A noiva Eunice Gomes adentrando na catedral no dia 22/07/1965. Percebe-se que a porta frontal encontrava-se fechada. Eunice entrou pela porta lateral (lado da rua 13 de Junho)
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Antes mesmo de ser finalizada, no dia 22 de julho de 1965, foi celebrado o primeiro casamento do templo, de Pedro Souza de Oliveira com Eunice Gomes. A noiva adentrou na Catedral São Luiz pela porta lateral, da Rua 13 de Junho, haja vista que a grande porta principal ainda não tinha sido instalada.
Logo em seguida, uma carta escrita por Monsenhor Máximo, em 1º de agosto de 1965, anunciava que a Catedral São Luiz seria inaugurada no dia 25 daquele mesmo mês. Os últimos detalhes para a festa de inauguração estavam sendo preparados pelos freis Amadeu e Paulo Cabrol.
Enfim, chega o tão aguardado dia 25 de agosto de 1965, quando, na presença do arcebispo de Cuiabá, Dom Orlando Chaves, Monsenhor Máximo Biennés, vários padres que vieram da França e outros vigários da paróquia, a Catedral São Luiz finalmente foi inaugurada. A cerimônia lotou com a presença do povo cacerense e dos 130 seminaristas, de Cuiabá, que vieram especialmente para cantar. Durante a solenidade, Máximo relembrou a luta dos que antecederam na construção da catedral, desde o bispo Dom Galibert e todos os freis que estiveram na frente dos serviços.
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Missa de Inauguração da Catedral São Luiz em 25 de agosto de 1965. Foto extraído do livro "Dom Máximo Biennès, Bispo Missionário"
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Frente da Catedral logo após a inauguração em 25 de agosto de 1965. Foto extraído do livro "Dom Máximo Biennès, Bispo Missionário"
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Assim configurada, pela história e pelo caráter particular, a Catedral de São Luiz representa um ato de comunhão e de solidariedade entre a igreja e sociedade civil, traduzindo o esforço conjunto de um povo, liderado, em sua última etapa, pelo bispo D. Máximo Biennès que marcou, com obras profícuas e duradouras, sua presença na Diocese de Cáceres. É ali que se encontra também sepultado.
Da inauguração em 1965 até hoje, 54 anos se passaram e a catedral continua magnífica, funcional e em perfeito estado de conservação. É comparada às belas catedrais da França pela sua arquitetura e estilo gótico.
Em janeiro de 2013, o cacerense Mariano Leal de Paula, que hoje reside em Cuiabá, manifestou neste site, trecho do livro do escritor Alex de matos “Templos Secretos: história e arquitetura sagrada das igrejas neogóticas de Mato Grosso”, que aponta detalhes e semelhança que faz da Catedral São Luiz como réplica da Notre Dame de Paris e não a igreja Bom Despacho de Cuiabá.
“… A Notre Dame tem duas torres não agulhadas e a Bom Despacho uma. Melhor teria sido terem considerado a Catedral de Cáceres como réplica da Notre Dame de Paris, pois, além de ser maior, e ter o estilo à semelhança, tem duas torres não agulhadas como a Notre Dame. E, ainda, está às margens de um Rio, como a Notre Dame de Paris está à beira do Rio Sena”, diz trecho do livro.
Fotografia de Akio Kishi, registrada em agosto de 1973, 8 anos depois da inauguração. Essa imagem foi estampada em Selo Postal comemorativo aos 50 anos de inauguração da Catedral São Luiz em 25 de agosto de 2015
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A prefeitura de Cáceres, juntamente com a Diocese São Luiz, registrou o aniversário de 50 anos da inauguração da Catedral São Luiz com um Selo Postal comemorativo à data, estampando uma fotografia da igreja com o ipê roxo florido, captada, em agosto de 1973, pelas lentes do fotógrafo Akio Kishi.
A obliteração do Selo Comemorativo aconteceu na missa, comemorativa à Bodas de Ouro, em 25 de agosto de 2015 e contou com a presença de várias autoridades e do advogado Jonel, que foi um dos 130 seminaristas que marcaram presença na inauguração do grande templo.
Advogado da Diocese São Luiz, Dr Jonel. Ele foi um dos 130 seminaristas presentas na missa de inauguração da catedral e presetigiou a missa de 50 anos e da Obliteração do Selo Comemorativo dos 50 anos de inauguração da catedral
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| Prefeito Francis Maris Cruz entre os representantes dos Correios durante a solenidade de Obliteração do Selo Comemorativo
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| A missa dos 50 anos da inauguração da catedral foi celebrada pelo bispo Dom Paulo
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