Crônicas

Tardes de Domingo

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Quem, daqueles apaixonados pelo esporte rei do nosso país, não se lembram com saudade daquelas memoráveis tardes de Domingo no Estádio Alfredo Dulce, quando o futebol era praticado por amor à camisa, e essas recordações ficaram mais fortes quando fomos surpreendidos pela noticia da queda de um dos protagonistas daqueles espetáculos que neste momento quero perpetuar colocando no papel escrevendo mais com o coração, pois como diz Antoine Saint-Exupéry; “ só se vê bem com o coração, pois o essencial é invisível aos olhos,” Alberto Zattar nos deixa materialmente, mas ficará perenemente seu nome associado ao esporte cacerense, principalmente ao seu time que não poderia ter outro nome que não fosse o mais querido da cidade, o “Cacerense,” responsável por espetáculos que levantavam a torcida apaixonada, os jogos eram freqüentados por cidadãos de todas as idades, pessoas conhecidas de nossa cidade, Edgar Rondon, Aurélio de Campos e Gregório seu irmão, Foad Gatass, D. Máximo, nosso Bispo torcedor ferrenho do Cacerense, que tinha como seu opositor o time chamado “Rei” dirigido pelo Capitão Murilo, do qual o vigário Padre Elias era torcedor e era motivo de discussão entre os dois, eu assisti o casamento do nosso amigo carinhosamente chamado Rico, o Zattar da Rádio Clube FM, D. Máximo no inicio da celebração, dizer textualmente estas palavras, “é com o maior prazer que realizo este casamento do filho do Alberto Zattar do meu querido “Cacerense,”

Alberto Zattar tinha o seu modo de ser, austero às vezes confundido com durão, mas tudo isso era feito para disfarçar o seu bom coração.

Há alguns anos atrás, conversando pelo telefone com meu tio Miguel Saab que mudou para São Paulo nos anos 40, ele me perguntou pelos Zattar, foi quando ele me disse que em 1938, quando meu avô Jorge Saab faleceu, a primeira pessoa que chegou em sua casa foi o seu compadre e conterrâneo, pois eles eram árabes, foi Miguel Zattar pai de Alberto e Nhoca e Odenir.

Eu costumo dizer que prezo muito as amizades que eu faço, mas tem outras que me são valiosas, são aquelas que eu recebi de herança dos meus “maiores”, por isso a minha estima pela família Zattar se estende a todos os seus membros, aqui em Cáceres ficaram Nhoca e Alberto, seus filhos e netos de quem eu me orgulho de ser amigo.

Pedro Paulo Pinto de Arruda Filho
Membro do Instituto Histórico de Cáceres
E-mail: [email protected]
Escrito para Correio Cacerense em 19/05/04

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