Crônicas

BIBLIOTECA “HÉLIO TAKESAWA”

publicidade

O ano era 1969, 1º ano do Científico no Colégio Estadual “Onze de Março”, o nosso majestoso e glorioso CEOM, sob a competente batuta do Ilustre e Ilustrado Professor Natalino Ferreira Mendes. Tínhamos um excelente laboratório para o estudo de Química, Física e Biologia, era realmente completo e propiciava aos professores melhor qualidade de ensino e aos alunos melhor qualidade de aprendizado, mas nós sentíamos falta de uma biblioteca…

Éramos jovens, cheios de idéias e ideais, dentre os colegas, lembro-me, destacavam-se o Maurinho (Mauro Jorge da Cunha Filho), Zé Maurício (José Maurício Jorge da Cunha), Bilac Jorge da Cunha, Hélio Takesawa, Romero Salomé, AMPA (Augusto Mário Pinto de Arruda), Zezinho – de chapéu no curral – (José Lacerda Filho) e muitos outros que me fogem da memória…

O nosso grêmio estudantil era a União dos Estudantes Secundários de Cáceres – UESC, mas como os estudantes eram vistos com olhos de poucos amigos, pelos militares, resolvemos mudar os Estatutos e assim, criamos a Sociedade Beneficente dos Estudantes Secundários de Cáceres – SBESC. A beneficência era um ardil para tornar as nossas atividades estudantis aceita, entretanto nunca foi necessário a utilização de nenhum recurso financeiro para aquisição de uniforme ou livro didático, para ajudar a algum aluno hipossuficiente.  A instalação da SBESC se deu no Boliche, na Praça Duque de Caxias esquina com a rua Casalvasco, presentes o Prefeito, o Presidente da Câmara Municipal, o Bispo, o Comandante do 2º B Fron, o Juiz de Direito e nós, a Diretoria da SBESC: Presidente Maurinho – 1º Vice Presidente ……. – 2º Vice Presidente …… – 1º Secretário …… – 2º Secretário ….. – 1º Tesoureiro Emilson – 2º Tesoureiro ……  Orador Zé Maurício. Nos discursos das autoridades, o Coronel Flávio Hugo Lima Rocha, disse, dentre outras coisas:

– Toda sociedade vale a sua elite. Aqui temos a elite da sociedade cacerense, representada por suas autoridades, portanto, vejo com bons olhos a instalação dessa Sociedade Estudantil.

Não fez menção a palavra “união”.

Bom, como nos faltava uma biblioteca, iniciamos uma campanha para dotar o nosso Onze de Março de uma. Reaparece aqui em Cáceres, um livreiro (vendedor de livros) chamado Edmundo e, como era o seu metiê, procurou a Diretoria da SBESC, para fazer uma parceria: Faríamos um bingo, sorteando um carro usado mas em excelente estado de uso e conservação. Para tanto, a pessoa comprava uma cartela ao valor de Cr$ 30,00 (trinta cruzeiros) e concorria ao dito prêmio. Nós mesmos, da diretoria nos incumbimos da venda das cartelas… Antes do dia marcado para o sorteio do carro, um cacerense, talvez por inveja da nossa realização, entrou com um processo para embargar o sorteio. O Juiz aceitou. Foi um vexame geral, a SBESC estava a ponto de ser desacreditada no meio social… Zé Maurício pede ao Dr. Jacques Souto Faria (in memorian), que elaborasse uma petição ao Governador Dr. …… que foi aceita, e podemos destarte, realizar o bingo. Outro incidente de desgosto, aconteceu comigo. Estava tomando um cafezinho no Bar do Hispano Hotel, do Seu Duca Castrillon, quando ele olhou prá mim e disse:

– Vocês deram um golpe bonitinho aqui na cidade com esse tal bingo… o Edmundo até hoje não me pagou a hospedagem dele aqui no hotel…

Respostei:

– Quando o senhor o acolheu no seu hotel, não nos procurou para garantirmos a estada dele… portanto vá reclamar com outro, comigo não !

Para garantir que os livros seriam entregues a nossa biblioteca, o Seu Edmundo pediu que um de nós, da diretoria, o acompanhasse até São Paulo, para a aquisição dos livros. o Escolhido fui eu. Lá fui eu com Seu Edmundo, na sua Rural Willys prá São Paulo. Lá, ele me levou a Editora “Melhoramentos” e a uma outra que não me lembro o nome. Escolhi uma Enciclopédia e tantos outros livros que o dinheiro dava prá comprar, inclusos romances, ficção e outras literaturas.

Nesse mesmo tempo, o proprietário e fundador do Jornal “Correio Cacerense”, José Wilson de Campos, nos ofereceu um espaço para editarmos o “Jornal da Juventude” que era publicado todos os Domingo. Os editores éramos eu, Maurinho e Zé Maurício.

Num trágico acidente de Jeep, quando trafegava do centro para a Máquina de Arroz “São Paulo”, localizada na Av. São Luis (BR 070), de seu irmão Alfredo Takasawa, faleceu o nosso colega Hélio Takesawa, então, por unanimidade da Diretoria da SBESC, resolvemos dotar a nossa biblioteca como nome de Biblioteca “Hélio Takasawa”, em homenagem póstuma àquele colega. Éramos orgulhosos da nossa criação.

Todos os meses, fazíamos a prestação de contas com a elaboração de uma “Demonstração das Receitas e das Despesas”, que era afixada na porta da sala que usávamos. Transparência absoluta.

Depois que deixamos o Colégio, tudo se perdeu. Acabou. Não houve continuidade das atividades estudantis. Saudade.

(*) Emilson Pires de Souza

Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres – 2018

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade