Memórias e Histórias

Professor Gonçalo Poquiviqui e as suas lembranças de antigamente

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Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews

 


Ele nasceu em 10 de janeiro de 1956, no Hospital São Luiz em Cáceres, justamente no Dia de São Gonçalo, daí a sua saudosa mãe Dona Francisca de Assis Poquiviqui ter-lhe dado o nome de Gonçalo, na Pia Batismal, feito comum nos tempos de outrora quando o filho ganhava o nome do santo do dia. Dona Francisca era filha do pantaneiro Seu Xito, meeiro na criação de gado com o dentista Bráulio Silvares Espíndola.

Este cacerense, professor aposentado, que deixou cedo Cáceres para se aventurar e mais tarde vencer na capital, Cuiabá, é o personagem principal das páginas do zakinews nesta oportunidade.

Gonçalo de Assis Poquiviqui morador na antiga Rua da Manga, filho de Dona Francisca e do croata Marijan Bernobic trazido em 1950 da imigração do Rio de Janeiro pelo dr. José Rodrigues Fontes para ser seu chofer (motorista) e mecânico particular. Etimologicamente, a palavra “chofer” foi integrada à língua portuguesa através do francês chauffeur, que significa “operador de máquinas a vapor”.

Marijan, hoje residindo em Campo Grande-MS, quando morou em Cáceres manteve uma estreita amizade com o fotógrafo Akio Kishi, e também com o empresário Gico Carvalho, que o levava para conhecer vários lugares do Pantanal Mato-grossense.

Marijan Bernobic, o pai do professor e seus netos
Acervo de família

Criado na Rua da Manga

Mas, voltando ao personagem principal desta história, Gonçalo Poquiviqui foi criado bem próximo da Baía do Malheiros, quando na época da cheia, as águas vinham até a Rua da Manga (Quintino Bocaiúva) para deleite da criançada que brincava à vontade e se refrescava no local. A confirmação desse tempo de cheia que invadia a rua naquele local, é verificada através do alicerce da antiga moradia de Onor do Couto e Dona Glicéria, todo ele elevado em pedra canga, moradia que da parte antiga só restou o alicerce.

Registro da Ponte Branca em época de cheia
Acervo da família Poquiviqui

Gonçalo foi criado pela Dona Antoninha, devota fervorosa de Santo Antonio, benzedeira especialista em levantar arca caída, mulher de Alfredo Maria de Assunção, pais do sargento do exército, João Batista Minervini.

Dessa época de criança ele recorda que a professora Leonídia Avelino de Morais, que se tornou diretora da Escola União e Força, era uma das melhores amigas de Dona Antoninha, “ela não saia lá de casa”. Gonçalo também se lembra com saudade dos tempos de banco escolar e, até hoje está em sua memória no dia em que o maçom sr. Vanini mostrou o interior do grande templo aos melhores alunos da última série do primário; “foi inesquecível”.

Além de frequentar a União e Força, quando foi alfabetizado pela professora Ana Gayva mãe de sua madrinha Rodin Ciralli casada com o italiano Vitório Giuseppe, ele guarda recordações também dos professores do magistério no Onze de Março: Tuteline, Lindote, Deise Tedesco, e outros.

Dona Antoninha, rezadeira e benzedeira. Era a devota de Santo Antônio
Acervo da família Poquiviqui

O fervor da Dona Antoninha nas rezas de santo

Sobre as rezas de santo, a data de 13 de junho – Dia de Santo Antonio – também coincide com o aniversário de sua segunda mãe, a Dona Antoninha. Anualmente os familiares e amigos se reuniam na residência da Rua da Manga para celebrar o santo casamenteiro. As festanças tinham início com a tradicional novena, para no dia do santo padroeiro acontecer a reza e a farta comilança.

Página marcante na vida do homenageado. Ele volta no tempo e recorda dos melhores amigos: Jonas Garcia Marinho, Hudson Furtado de Mendonça, Vitório de Lara Quintino (Vitorinho) era também quem organizava as pescarias.

Desde cedo aprendeu o caminho da igreja quando às quintas-feiras era levado pela Dona Antoninha para assistir as celebrações na Capela do perpétuo Socorro, do Padre Paulo. O religioso posteriormente o convidou para ser coroinha, missão que cumpriu durante 10 anos com responsabilidade e fervor em que pese a pouca idade.

Gonçalo também foi presidente da Jucaca – Juventude Católica Cacerense, tempo que esteve trabalhando com a amiga Aparecida Stefani Rocha. Foram momentos marcantes em meio da juventude católica da época.

Da esquerda para direita: Ilara Lacerda, Ana Leni, Maria Sueli Mttielo, Maria Guida, Gonçalo Poquiviqui (Professores do CEOM)
Acervo da família Poquiviqui

O romantismo das serenatas

Em se falando em juventude, vem na lembrança as costumeiras serenatas que aconteciam na companhia dos amigos Vitorinho e Beraldo, da Cavalhada. Violão e o aparelho de som sonata, o preferido da época, que tocava discos movido por 10 pilhas, era uma carga por noite, segundo Poquiviqui, um dos jovens românticos da Cáceres de antigamente.

Por indicação do vizinho e amigo de seus pais, sr. João Marinho, chefe da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) ele pôde desempenhar a sua primeira atividade de trabalho como Aprendiz dos Correios.

Casou-se cedo, exatamente aos 20 anos, com Sirlene sua colega professora, e, o casal teve três filhas. A cerimônia do casamento foi proferida pelo Padre Geraldo José dos Santos, por sinal, seu colega do curso de Magistério. Do seu segundo casamento ele tem um casal de filhos.

Aos 21 anos, Gonçalo Poquiviqui se muda para Cuiabá para fazer faculdade. Na época foi ser professor no Colégio Salesiano São Gonçalo. Formou-se em História pela Universidade do Estado de Mato Grosso; Pós-graduado em Linguística e Didática do Ensino Superior pela Universidade de Cuiabá. É indigenista.

Na militância como professor pôde participar ativamente de várias greves, e também desempenhar atividades como secretário da Associação Mato-grossense de Professores.

Professor dos cursinhos pré-vestibular

Poquiviqui reconhece que o Colégio Salesiano São Gonçalo foi como se fosse uma porta que se abriu para ele entender a importância do ensino particular, principalmente o cursinho preparatório do vestibular. Tornou-se professor do Curso de História, Objetivo, Anglo e Press. Se lembra que no São Gonçalo foi ser professor do então aluno Sérgio Eduardo Cintra, mais tarde seu sócio juntamente com o cacerense e amigo Paulo Fanaia no Colégio Master.

O professor tornou-se bastante conhecido entre a cuiabania e praticamente em todo estado. Assim foi convidado para assumir a Secretaria de Educação da Prefeitura de Campo Novo do Parecis, onde conseguiu imprimir uma dinâmica de sucesso no setor.

Ele também ainda desenvolve atividades em projetos elaborados e que tem o seu acompanhamento e execução tanto na iniciativa pública como também na privada.

Na condição de servidor público federal aposentado e professor, ele ainda costumeiramente é convidado para dar palestras e fazer aquilo que mais gosta, de conversar e estar no meio do povo, justamente como se destaca um cacerense nascido nestas bandas do Pantanal bem perto do Rio Paraguai.

Gonçalo Poquiviqui vê as mudanças nestes mais de meio século na sociedade e cultura cacerense, mas afirma: “Você percebe que essas manifestações continuam vivas no ambiente da sociedade cacerense “raiz”. Isso é importante para as próximas gerações de cacerenses-pantaneiros. Cáceres e o rio Paraguai são o corpo e a alma pantaneira, jamais vai existir uma dicotomia nesta dupla maravilhosa que forma o nosso berço de cidadania pantaneira”.


O pai posa no Marco do Jauru

Gonçalo, como Secretário de Educação em Campo Novo dos Parecis

Projeto da Batata Doce

Gonçalo com esposa e filhos
 

 

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