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Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews
As cidades têm suas praças como pontos centrais de eventos que marcam a história de determinado lugar. Assim que em Cáceres, não poderia ser diferente. Há pessoas…logo surgem também as praças, e, a principal delas, a Barão do Rio Branco, que anteriormente era o Largo da Matriz, é repleta de histórias, fatos, comércio, bares, restaurantes, pizzaria. É o point nevrálgico da cidade.
Ao atender as reivindicações dos leitores, surgiu a pauta sobre os bares e lanchonetes encravados na histórica Praça Barão do Rio Branco. Zakinews então buscou um dos seus parceiros/consultores para a necessária introdução acerca do tema.
As recordações se sucederam num total romantismo dessa época de pura magia, muito bem relatada pelo professor e historiador Antonio Miguel Senatore.
As revelações pipocaram: o professor trouxe à lembrança do tempo que na esquina da Barão quase em frente ao Colégio Imaculada Conceição, o Rotary Clube instalou um parque infantil para diversão e deleite da criançada, isso na década de 60, e, o ano seria entre 61/62.
Os pais levavam os filhos para desfrutarem dos brinquedos… uma confraternização surgia entre os familiares ali reunidos por várias horas.
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Marco do Jauru em andanças pela praça
O professor recorda das andanças que as autoridades fizeram com o Marco do Jauru, mudando-o de local pelo menos umas quatro vezes. O monumento da Foz do rio Jauru foi transladado para à Rua Comandante Balduíno bem em frente a Catedral. Posteriormente o então prefeito José Monteiro da Silva levou o marco para próximo ao Cais do Porto Mário Correa. O monumento foi assentado sobre desenho do mapa do Brasil. Passados anos outra mudança da localização do marco foi feita; agora para o meio da praça onde está erguida uma pira e mastros de bandeiras. Mensalmente acontecia uma solenidade cívica com acendimento da pira sob acordes da Banda do 2º. Befron.
Imagem que retrata a posição do Marco do Jauru, período em que existia a Igreja Matriz no Largo da Matriz, antes de ser denominada de Praça Barão do Rio Branco – Acervo do Museu de Cáceres Emília Darci de Souza Cuyabano
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Posteriormente o marco voltou a ser removido, agora, sob determinação do Coronel procedente do Rio de Janeiro, Antonio Carlos Zamith, que comandou o 2º. Batalhão de Fronteira no período de 23 de abril de 1982 a 26 de abril de 1984. O Marco voltou para próximo de sua primeira morada, local onde permanece até os dias atuais.
Na década de 20, ainda em frente às obras iniciais da Catedral São Luiz e, ao fundo dessa imagem, o antigo prédio do Colégio Imaculada Conceição
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A história crava que o Tratado de Madrid, assinado em 1750, delimitava a posse das terras entre Portugal e Espanha. “Desse tratado resultou um dos mais importantes monumentos da cidade de Cáceres, o Marco do Jauru assentado em 18 de janeiro de 1754, na foz do rio Jauru. Marco de mármore de lioz, gravado por artífices europeus em forma de uma pirâmide quadrangular, com 20 palmos de altura. Apresenta, em duas de suas faces, as armas dos reinos de Portugal e Espanha e é encimado por uma cruz.”
Com a mudança da linha de fronteira, o Marco perdeu a sua finalidade e, em 1883, o tenente-coronel Antônio Maria Coelho. Herói da retomada de Corumbá na Guerra do Paraguai, então comandante do Distrito Militar de Cáceres, transferiu o Marco para o centro do Largo da Matriz, atual Praça Barão do Rio Branco. Essa parte da história está inserida no livro da antropóloga Bernadete Durães Araújo, Cáceres -Vila Maria do Paraguai.
O Marco do Jauru, em 1978, se encontrava no mio da praça, ao lado da pira olímpica e do mastro da bandeira
Foto: Revista Cáceres Bicentenário ![]() Posição atual do Marco também é local preferido para apresentação dos grupos de capoeira
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Os coretos
Ao continuar o desfile-memória sobre a praça, Senatore traz o lindo Jardim Público idealizado por Oswaldo Cícero de Sá no ano de 1937, cercado com três fios de arame liso, tendo ao centro um coreto que recebia às quintas-feiras e domingos uma animada retreta patrocinada por músicos do exército.
Posteriormente, o prefeito José Monteiro da Silva constrói outro coreto próximo de onde está encravado o Marco do Jauru, sob pretexto que o antigo coreto estava pequeno para os eventos que constantemente recebia. A inauguração ocorreu no dia 20 de janeiro de 1961.
O coreto mais antigo (esquerda) foi construído em 1937 e o coreto, da direita, foi inaugurado em 20 de janeiro de 1961 pelo então prefeito Dr José Monteiro da Silva
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No final da década de 60 o então prefeito Ernani Martins promoveu a revitalização da Praça Barão, e no local do coreto antigo, construiu um tanque que posteriormente deu lugar a uma fonte luminosa.
Por ocasião do bicentenário de Cáceres, 1978, Ernani determina que os engenheiros da Secretaria de Obras da prefeitura – Luiz Plácido Pinto Jr, e Paulo César Homem de Mello construam a Praça da Cavalhada com um coreto idêntico aquele histórico que havia na Barão. O que foi executado e que até hoje permanece no local.
Quanto ao coreto que restou na Barão, foi demolido na gestão Antonio Fontes, para por fim ao dormitório de hippies, desocupados e pé fofos que tomaram o local e no período noturno promoviam bagunças e até brigas.
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A construção do Calçadão
Professor Miguel Senatore recorda da revitalização proposta pelo prefeito Ernani Martins, que resultou na construção do Calçadão. No período noturno cavaletes eram colocados para impedir a passagem de veículos na lateral. O local então se transformava numa movimentada passarela por onde desfilava gente bonita, à espera da sessão de filme no Cine Copacabana começar. Então uma grande maioria adentrava a sala de espetáculos e, a movimentação no local diminuía, pelo menos até a próxima noite quando o espetáculo se repetia.
| Calçadão da Praça Barão, ponto de encontro dos amigos
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Ele também se lembra do alto falante do cinema tocando músicas em sua maioria melodias que eram oferecidas às pessoas que circulavam pela praça. Ai certamente era um convite para as paqueras e o início de um compromisso mais sério com determinada pretendente… quantos casamentos assim certamente surgiram.
No serviço de som se revezavam o Dito locutor procedente de Corumbá-MS, e, posteriormente, José Carlos de Carvalho, que mais tarde tornou-se o Zé da Zoom.
Ainda sobre a praça, um pouco mais à frente, o Porto Mário Corrêa, inaugurado em 1929, que possuía uma rampa para carga e descarga das embarcações que vinham de Corumbá e vice versa pelo rio Paraguai, foi enterrada pelo prefeito José Monteiro da Silva. A antiga rampa apresentava sinais de erosão, e a solução de imediato foi a sua interdição definitiva. Aterrada a rampa desapareceu definitivamente. Posteriormente surgiu a escadaria que permanece até os dias atuais. Escadas que anteriormente já existiam nas proximidades dos empreendimentos dos Irmãos Castrillon.
Os dois leãozinhos ornamentavam as escadarias de acesso à baía. Consta que uma certa noite foram atingidos por disparos de arma de fogo de um determinado hóspede de uma das embarcações atracadas, que ao chegar alcoolizado, resolveu atirar num dos leões. Triste fim daquela ornamentação que ficou na lembrança dos mais antigos…
Os comícios, futebol, voley…
Também na praça aconteciam as reuniões, encontros políticos e famosos comícios de antigamente. Os candidatos falavam do coreto. Posteriormente em cima de caminhões, e, mais tarde, de palcos montados nas proximidades da Catedral.
Usava-se a torre da igreja em construção, para de lá soltarem fogos de artifício nessas ocasiões.
Como se pode observar, a Praça Barão foi ao longo de sua história passando por diversas transformações, o que é natural. Basta lembrar que o então Largo da Matriz sediou o mais antigo Campo de Futebol da história dos 242 anos de Cáceres. Isso mesmo! Campo de futebol na Praça Barão. Craques do passado ali disputavam acirradas partidas para vibração das fanáticas torcidas de outrora.
Oriente Futebol Clube, time de Antonio Senatore, em 1930 – Acervo: Miguel Senatore
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Num passado não muito distante, a mesma praça, todas as tardes recebiam os jovens para animadas partidas de voleibol. Saudoso João Deluqui incentivava a referida prática ao patrocinar redes e bolas para a juventude se exercitar no local. Ali quase sempre estavam reunidos para animadas disputas Adilson Reis, Jonizinho e Leonardo Fontes, Juvenal Pedroso, o Pelezinho, Luciano Curvo, seu irmão Boca, Milton Enrolado, Gringo, Nino e outros. Época que o vôlei passou a destacar Cáceres nas competições à nível estadual.
A Praça Barão do Rio Branco foi o local das paradas cívicas militares nos dias 07 de setembro e 06 de outubro, das festividades oficiais de aniversário de 200 anos de sua fundação e também sediou vários torneios de pesca. Em toda a sua extensão as barracas serviam comidas típicas, artesanatos, etc. Muita animação que adentrava a madrugada. Toda decorada com plantas ornamentais e vários canteiros, a praça era um atrativo à parte.
Desfile de Aniversário de Cáceres
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Manhã de 06 de outubro de 1978, aconteceram as solenidades comemorativas ao Bicentenário de fundação da cidade, com presença de várias autoridades locais, estaduais e federais
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Festival de Folclore
A mesma praça sediou de 22 a 24 de junho de 2012, o FIFOLK – Festival Internacional de Folclore de MT, com a presença de dançarinos do Chile, China, Eslovênia, Uruguai e o Brasil representado pelos Estados do Mato Grosso, Pará, Paraná, e Rio Grande do Norte. Foram várias atividades com os grupos trajados tipicamente, dançando ao som de suas músicas e instrumentos típicos.
Cáceres foi representada pelos grupos Chalana, Tradição, Guató e Vitória Régia.
A Gloriosa Banda do 2º Befron se apreserntando na Praça Barão do Rio Branco, em 2019
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Como se observa, além das variantes apresentadas ao longo da história, a Barão sempre foi considerada o point de Cáceres. Os bares e restaurantes até hoje ocupam a preferência dos habituais frequentadores especialmente turistas, que no local apreciam as delícias da culinária local, especialmente à base de peixes e da exótica carne de jacaré.
Os bares e as lanchonetes serão o próximo tema abordado por Zakinews em continuidade a matéria sobre a tradicional e histórica Praça Barão do Rio Branco. Um dos primeiros bares a se instalar no local, consta que foi da família do saudoso Joaquim Dias, o famoso Bar do Jucão, principal atrativo de Cáceres inaugurado em 1937.
Hispano Hotel, Supermercado Stella, O Pilão, O Laçador, Cheiro Verde, Pipoca, Chop Paulo, Casarão…
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Uma resposta
Parabéns pela reportagem uma recordação linda da saudades.