Paulo Roberto Garcia Leite, o conhecido Paulo Pescadô – Foto: Wilson Kish
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Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews
As pescarias nas águas do rio Paraguai continuam ainda atualmente sendo uma das diversões preferidas de uma considerável parcela da população cacerense, como também de um considerável público em circulação dado um determinado período do ano, são os turistas que acorrem para estes lados ávidos pela fama que o pantanal ostenta como local de natureza exuberante e de pesca garantida.
Se os dias atuais a efervescente pescaria pelas águas do Paraguai chama atenção, antigamente isso não acontecia em grande escala, mas uma coisa todos podem acreditar: era tempo de pescaria farta e garantida, dava para escolher que espécie o pescador iria capturar.
Fartura de peixes que após capturados, eram doados
Foto: Acervo Paulo Garcia |
É o que garante o entrevistado da semana nas páginas do Zakinews. Seu nome: Paulo Roberto Garcia Leite, o conhecido Paulo Pescadô.
Cacerense de nascimento, 70 anos incompletos, filho de Heitor Pinheiro Leite e de Esther Garcia Leite; aposentado do Serviço Público Estadual.
Ele começou ter gosto pelas pescarias ainda com 7 anos de idade quando costumava acompanhar o pai na orla e pelas baías que formam o rio Paraguai. Canoa de um tronco e lá ia os dois na predileta diversão que marcou o divertido passatempo dos cacerenses.
Pescava para se divertir. O peixe era farto e não se vendia… pescava para o consumo próprio e distribuía de graça, principalmente para as lavadeiras que ficavam em grande extensão da baia desde o Porto da Manga próximo da Capitania dos Portos – até o Porto do Luiz Chamy.
O interessante é que o leitor possa estar indagando o porquê de se entrevistar um personagem que não foi pescador profissional ou não teve essa atividade como a que garantia o seu sustento e a da família. Pois bem: Paulo Garcia, o Paulo Pescadô, como é reconhecido, desde os primórdios da infância conhece o rio e as suas baías. Assim, ele tem profundo conhecimento das águas pesqueiras que banham a histórica cidade de Cáceres, ele aprendeu como ninguém amar o rio e fazer dele a sua principal diversão de dia, noite ou de madrugada…
Paulo e os amigos de pesca – Foto: Acervo Paulo Garcia
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Ele, o pai Heitor e algumas vezes a mãe Esther, pescavam no lugar conhecido como Julião, outras vezes nas Três Bocas, onde revela “saía muito bagre”.
Se lembra também na época da cheia quando estava na Baía do Chiqueiro capturando pacus. Molinete nem pensar, era mesmo a linhada de mão que entrava em ação, a isca era coração de boi. Costumava encomendar com antecedência nos poucos açougues existentes na cidade. Uma metade ficava guardada na geladeira enquanto a outra metade era a isca preferida para fisgar um “pacu dos criados”.
Paulo conta que o pai costumava capturar farta quantidade de isca utilizando uma peneira grande com atrativo de pedacinhos de toucinho de porco. Essas iscas eram usadas nas capturas de bagres, cabeçudo, jurupensen.
Jiripoca ele afirma que “cansou de pegar” de saco no Porto do Luiz Chamy onde costumeiramente estavam no local os amigos de Justino de Almeida, Osires Fanaia e outros.
Cada local da margem da baía que banha a orla da cidade era ponto de pescaria de determinada espécie, a exemplo do pintado que saía com frequência no rio em frente a caixa dágua velha. Muita fartura da espécie nobre com iscas de sairú, sardinha, ximburé e cambatá.
Jorge Kawai e Paulo Garcia com os Pintados fisgados na localidade do Morro Pelado
Foto: Acervo Paulo Garcia
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Esses relatos são dos anos 60/70, quando Paulo Garcia iniciou na atividade como sua diversão cotidiana. Inicialmente levado pelo saudoso pai Heitor Pinheiro, posteriormente passou a pescar sozinho, mas, teve um certo tempo em que ele tinha a sua equipe formada por Jorge Kawai, Vitorinho Lara, Joaquim (Surdinho), e nos últimos tempos antes de parar com a atividade pelo amigo Romeu Costa Arruda. Bons tempos esses recordam o hoje aposentado servidor estadual.
Nelson Nakamura e Paulo – Foto: Acervo Paulo Garcia
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A fartura de peixe ele assegura que era reflexo de uma pequena população que habitava Cáceres nos anos 60 com pouco mais de oito mil pessoas no perímetro urbano. Tempo em que não existiam tantos motores no rio, era um ou outro da marca Archimedes, depois rabeta e só. Barco hotel nem sabia o que era, turistas, idem…A pescaria dessa época tinha que ser mesmo um grande sucesso!
Jau na Caixa Dágua Velha
O entrevistado conta que certa vez fisgou um jaú na companhia do amigo Rubão filho do Pastor Benedito, da Assembleia de Deus. A maior espécie de couro que habita os rios do pantanal deveria ter 60 quilos, foi pesado numa balança de carga que o comerciante Mamede Lacerda Cintra tinha em seu comércio ao final da Rua Boa Vista. A surpresa dos dois foi constatar que na barriga do jau estavam acomodados dois dourados um em estado de decomposição. Paulo explica que na verdade, ele havia fisgado um dourado e o jaú achou de tomar a espécie nobre antes dele retirar ela da água. Assim ele, o jau capturado, tinha em seu interior três dourados, o último atravessado em sua garganta…
Os dois pescadores de chapéus: Paulo Garcia e Rubão, ao lado de militar do Exército, registrando um jaú de 60 kg
Foto: Bertolino Luiz Sobrinho (Foto São Luiz)
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A foto foi batida pelo saudoso fotógrafo Bertolino Luiz Sobrinho que tinha sua loja (Foto São Luiz) na Rua Comandante Balduíno. Na pose aparece um personagem desconhecido, Paulo Garcia explica que nesse momento que a fotografia ia ser batida, passava pelo local um militar da Banda 2º. Batalhão de Fronteira, pede para ser enquadrado também pois estava de retorno ao Rio de Janeiro e gostaria de levar consigo essa lembrança…. Assim foi feito.
Ainda com relação a localidade da Caixa D’água Velha, existiam alguns poços…Ele relembra que costumava amarrar peixe espada pelo rabo e soltar nas locas e aí vinha puxando, só pra ver o jaú sair na flor da água para tentar abocanhar o peixe.
Divisão dos peixes com os amigos de pescaria
Foto: Acervo Paulo Garcia |
Baía Comprida… Morro Pelado
Outro local de fartura de peixe era a localidade da Baía Comprida. Antigamente aquela imensidão de água e o local limpo o que facilitava a entrada das canoas. Hoje totalmente modificado com “mato entupindo as entradas” o que torna praticamente impossível adentrar o farto lugar de peixe no passado.
O antigo pescador traz na memória as pescarias realizadas na região do Morro Pelado no local que pertencia ao abastado fazendeiro Paulo Costa Marques e Dona Bugrita. Com a autorização deles, os amigos da equipe de pesca passavam horas no local fisgando belas espécies nobres.
Tempo em que não existia essa multidão de pessoas no rio. Muita barulheira que segundo ele, “afugenta” o peixe. O silêncio era total e invadia noite e madrugada adentro nas barrancas do rio e das baias.
Sobre o Festival Internacional de Pesca, que retornará em julho deste ano após dois anos consecutivos sem ocorrer em virtude da pandemia, ele garante que os primeiros festivais eram muito mais animados. Participou uma única vez na companhia dos amigos Aristides Romeiro e Paulo Japonês. Revela que pegou alguns “piranhão”.
Os primeiros festivais de pesca – Foto: Acervo Paulo Garcia
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Espécies capturadas que se tornariam uma grande peixada no encerramento do principal evento pesqueiro de MT
Foto: Acervo Paulo Garcia |
…Só recordações restaram
O saudoso aposentado vai soltando ricas histórias de um passado magnífico onde ele esteve inserido como personagem…Assim recorda da hoje região do Empa quando antigamente existiam o extinto Posto Agropecuário e a Leiteria do conhecido e saudoso Bugre Garcia, como um dos seus locais preferido para a pesca. São tantas as recordações do passado. Todas elas asseguram que foram ótimas, e, hoje, são como um bálsamo, até mesmo consegue aliviar as dores como explica a milenar sabedoria chinesa. “Se você estiver sentindo alguma dor, e, tentar lembrar momentos incríveis vividos em algum período da vida, o incômodo desaparecerá”.
Assim, Paulo Pescadô leva atualmente sua vida ligada as marcantes passagens que só uma boa pescaria do passado lhe trouxera.
Como tudo na vida passa, o antigo pescador que pescava como hobby, tem ótimas lembranças da época do peixe farto. Assim ele é feliz, pois como diz o poeta: “feliz aquele que tem história pra contar…”.






























