Memórias e Histórias

Miguel Senatore, 38 anos de devoção ao Serviço Público

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Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews

O personagem principal desta semana nas páginas do zakinews, é o professor cacerense aposentado Antonio Miguel Faria Senatore, 70 anos, dos quais 38 dedicados ao Serviço Público. 

Quando criança gostava de vender jornal na cidade, pelo prazer de ter o seu próprio dinheiro; deu muitas aulas particulares em casa e foi locutor proprietário do Serviço de Alto-falante Comercial.

No Âmbito Político candidatou-se para vereador aos 26 anos de idade ficando como Suplente; presidente da “Arena Jovem” e trabalhou em diversas campanhas políticas procurando eleger o melhor para Cáceres “na medida do possível”.

Na Comunidade São João Batista participou do Curso Bíblico; catequista de adultos; auxiliou no curso para batismo; Ministro da Palavra; benfeitor por muitos anos no Seminário Menor o “Bom Pastor” e esteve presente em alguns programas da Rádio Comunitária, entre outras atividades.

Livros Publicados

Guia Informativo Multidisciplinar, Síntese da História e Memória de Uma Caminhada, Crônicas de Cáceres e coautor do livro Raid Fluvial e outras publicações nas colunas do Jornal “Correio Cacerense”. Foi coautor do “Hino do Museu de Cáceres”.  Em 2019 lançou o livro Bandeira Anhanguera.

ANTONIO MIGUEL FARIA SENATORE

Pai: Antonio Senatore
Mãe: Maria Faria Senatore
Natural: Cáceres/MT
Data de nascimento: 08/09/1950
Esposa: Maria de Fátima Carvalho Senatore
Data de casamento: 17/03/1979

17 de março de 1979. Dia da cerimônia religiosa que marcou a união entre Miguel e Maria de Fátima – Foto: Acervo da família


União com Maria de Fátima

A cerimônia religiosa do casamento de Miguel Senatore e Maria de Fátima, foi realizada na Igreja Perpétuo Socorro e foi celebrada pelos padres Zezinho e Geraldo José dos Santos.

Miguel Senatore e colegas do Instituto Santa Maria com a professora Maria Ninomiya – Foto: Acervo de Miguel Senatore

Estudou

A 1ª série do ensino primário na Escola Estadual “Esperidião Marques”, 2ª, 3ª, 4ª séries e o curso de Admissão no “Instituto Santa Maria”, a 1ª, 2ª, 3ª e a 4ª Ginasial na Escola Estadual “Onze de Março” (CEOM) e o Ensino Médio (Científico) também no “Onze de Março”.

Graduado

Em Gestão Ambiental pelo “UNOPAR”, período em que participou de diversos cursos de Extensão Universitária. Estudou outras disciplinas fora da Graduação como: Iniciação à Metodologia Científica I, Psicologia da Educação I, Estrutura e Funcionamento do Ensino do I Grau, Problemas Brasileiros, Sociologia da Educação II, entre outras.

Confeitaria Paulista, local onde hoje está o prédio do Bradesco. Era da família de Antonio Senatore. Foto: Acervo de família


Trabalhou no Serviço de Alto Falante

O professor homenageado desta semana, revela passagens interessantes das quais participou num distante passado, a exemplo, quando era responsável pela locução do Serviço de Alto Falante Comercial, que funcionava na Rua Comandante Balduíno, 254 na antiga Confeitaria Paulista.

Era o início dos anos 70, e o jovem fazia propaganda de pelo menos 30 empresas ou casas comerciais estabelecidas na praça de Cáceres. Cita as que ainda traz em sua memória pelo menos três delas: Casas Pernambucanas, Jaraguá, Posto Samurai…

O serviço ocorria sempre das 17 às 18 horas; além das propagandas também tinha alguns minutos de Utilidade Pública. No encerramento das atividades do dia se ouvia a Hora da Ave Maria, quando era executada a tradicional Ave Maria de Gounod.

Senatore recorda que o referido serviço de som era de grande valia no cotidiano da cidade de antigamente, por isso, bastante ouvido. Com o fechamento da Rádio Translíder em 1965, somente os serviços de som instalados na área central da cidade eram os responsáveis em produzir as informações e prestações de serviço à população.

Por pressões políticas o referido serviço não pôde mais servir aos cacerenses, haja vista que foi dada a autorização para o seu funcionamento somente por cinco minutos diários. Mesma pressão sofrida pelos empresários João Deluque e José da Lapa. Um dos pioneiros, Zé do Ouro, havia se mudado para Cuiabá.

Passada essa saudosa lembrança, ele passa a citar seus feitos e realizações, a exemplo de ser diplomado no 1º Concurso de Turismo promovido pela EMBRATUR e Ministérios: Industria, Comercio, Educação (MIC-MEC); pelo Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres (IHGC).

Ele também participou dos Cursos: O 1º em Educação Física com professores de Campo Grande/MS, em 1972; 1º da Didática da Linguagem e da Matemática, em 1973; Qualificação de Professores, década de 1970; Organização e Métodos, em 1982; Educação e Saúde, em 1983; 1º em Museologia, num período de três anos, a partir de 1984; Editoração, ministrado pelo Instituto Nacional do Livro, em 1988; 1º em Aperfeiçoamento sobre Reserva Técnica de Acervo museológico, num período de duas semanas, em 1988; Auxiliar de Biblioteca, em 1989; Qualidade no Atendimento ao Cliente, em 1994; 1ª Oficina de Preservação de Patrimônio Cultural, em 1997; Lixo e seus Impactos no Meio Ambiente, em 2008; 1º em Impacto Ambiental e Urbano na 1ª Jornada das Águas de Curvelândia, em 2013.

 

Participou de Encontros e Seminários

Do 1º Seminário de Estudos dos Problemas Municipais, em 1977; de Associações de Moradores de Bairros no Brasil, em 1983; da II Semana de Debate Sobre a Cidade de Cáceres, em 2006; do 1º Encontro de Gestão Ambiental, em 2008; da X Semana de Geografia “a Geografia a Serviço da Sociedade Mato Grossense”, em 2008; da XVIII a Mostra Cientifica e da 1ª Feira Cultural do Livro, em 2008; do III SEREX-ECO “Seminário de Extensão Universitária da Região Centro Oeste: Universidade Desenvolvimento e Inclusão Social; do II Fórum de Extensão da UNEMAT e 1º Simpósio Ensino-Pesquisa, em 2008; do III Encontro de Educação, Tecnologia e Economia Solidária no Século XXI, com a publicação do “Artigo sobre Aquecimento Global”, em 2010; da Semana de Artes na Biblioteca Professora Leonidia A. de Moraes em comemoração ao aniversário de Cáceres, Rodas de Amigos, em 2021.

Administrou palestras com os seguintes temas:

Alguns Aspectos Históricos, Geográficos e Culturais, em 2000; Estrutura e Funcionamento do Museu Municipal de Cáceres no III Encontro de educação, Tecnologia e Economia Solidária no Século XX, em 2008; Gestão e Educação Ambiental durante o II Congresso ECO-Pantanal Mato-Grossense e do II Passeio Ciclístico Ecológico, em 2012; Impacto Ambiental Urbano no III Congresso Eco-Pantanal Mato-Grossense de Gestão Ambiental, em 2013; Museu e Memória na 7ª PRIMAVERA dos Museus, em 2013; História de Cáceres, no 1º Concurso de Desenho e Redação, em 2015; Cáceres e Suas Memórias, em 2017; “240 Anos da Cidade de Cáceres”, na disciplina de Conteúdos e Metodologias da História para o inicio da Escolarização aos acadêmicos do curso de Licenciatura em Pedagogia da UNEMAT, em 2018, entre outros. 

Professor em sala de aula – Foto: arquivo de família


Agradecimentos

Da direção da “Escola Onze de Março”, através do Oficio nº 03/75 pelo apoio prestado ao estabelecimento; do “Comandante do 2º Batalhão de Fronteira” pelos relevantes serviços prestados a “Escola Castelo Branco”, em 1976; da “Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso” pela participação ativa na “1ª Campanha Nacional de Vacinação a Poliomielite”, em 1981; do “Coronel da Policia Militar” pelos relevantes ensinamentos transmitidos em Sala de Aula na “Escola Estadual Onze de Março”, em 2003; do “Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres” pelo sucesso da sua inauguração, em 2008; do Senhor prefeito por intermédio do Oficio nº 725/2010- GP/PMC- fls 02,“em nome da população cacerense, por tudo que representou e representa, a presteza com que desempenhou as funções por mais de trinta anos a Vida Pública”; do “Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres (IHGC)”, conferindo o Selo de Produção Cultural pelos relevantes trabalhos produzidos, em 2020.    

Miguel Senatore ao lado da Irmã Terezinha Faria de Oliveira, autora da letra do Hino do Museu de Cáceres – Foto: Acervo de família

Homenagens

Hóspede Ilustre de San Matias por ter mantido o Intercambio Cultural juntos aos jovens da Amiga Nação, em 2002; Moção de Aplausos concedida pela Câmara Municipal de Cáceres por realizar efeitos nobres sem colocar antes os holofotes da vaidade pessoal, em 2004; Moção de Aplauso concedida pela Câmara Municipal de Cáceres, pela profissão que exerce junto a Educação, em 2009.

Professor

Na 1ª turma do “Ensino Supletivo”, em 1971; 2ª série do Ensino Primário, "Escola União e Força”, em 1972; 3ª do Ensino Primário, “Escola Dr. Leopoldo Ambrósio Filho”, em 1973 (quando era administrada pelo DNER); Matemática, Técnica Comercial, Biologia, ‘Escola Onze de Março”, em 1975 a 1976; Matemática, “Escola Rodrigues Fontes”, em 1977; Geografia, Matemática e Religião, “Escola D. Gaçibert”, em 1979.

Casal Miguel e Maria de Fátima – Foto: acervo de família


Outros Cargos no Serviço Público

Secretário na “Escola Estadual União e Força”, em 1973; Coordenador na “Escola Estadual Onze de Março”, em 1976 e na “Escola Estadual Dom Galibert”, em 1979; na “Escola Estadual Esperidião Marques”, assistente administrativo, em 1979; 1º Diretor da “Escola Municipal Ana Joana Borges Nunes”,em 1980, hoje “Desembargador Gabriel Pinto de Arruda”; membro da “Comissão Municipal do MOBRAL de Cáceres”, de 1981 a 1982; diretor do “Museu Histórico de Cáceres”, de 1983 a 2010, hoje Museu “Professora Emília Darci de Souza Cuyabano”.

O homenageado com o então deputado federal Ivo Ambrósio – Foto: arquivo de família


Criatividades no Trabalho Público

Escolas “União e Força”, a prática do Ato Cívico nas sextas-feiras com sistema de sonorização, apresentação Teatral em datas oportunas, como, por exemplo o “Filho Pródigo”; “Onze de Março”, revitalização dos canteiros internos com plantas ornamentais (roseiras), restaurou a passarela de entrada, assim como do pedestal onde as Bandeiras eram hasteadas, reposição de centenas de vidros das janelas e reorganizou a Biblioteca; “Rodrigues Fontes”, colaborou na compra de alguns instrumentos para a Fanfarra; “Esperidião Marques”, estabeleceu Ato Cívico nas sextas-feiras; “Ana Joana B. Nunes”, aquisição de medicamentos doados, para os primeiros socorros, não somente para os estudantes como também para todos da Comunidade devido o difícil acesso na época com o “Centro Urbano”, reivindicou pessoalmente ao prefeito a ampliação da escola onde foi diretor, pois em um ano o numero de alunos que era de 145 passou para mais de oitocentos; empenhou, para que a Biblioteca Pública Municipal “Professora Leonídia A. de Moraes” renascesse em 1987, apesar de não ser da sua alçada, com a “Campanha Junte a Nós”, na conquista de um bom acervo que pudesse atender quem quer que fosse; “Museu Histórico” foram diversos concursos, como, por exemplo, de Redação Sobre a História de Cáceres, Revitalização dos Presépios Natalinos (vários anos), ampliou a Exposição Permanente e Temporária na forma temática de acordo com cada categoria, foram criados a Reserva Técnica de Acervo Museológico, a Biblioteca (do museu), o Arquivo (do Museu), as Salas de: Administração, História Regional, Comunicação, do Auditório, assim como o Palco para eventos e os “Amigos do Museu”. Cada ambiente teve nome de pessoas dignas de serem homenageadas, assim como o da Cantina.

Uma das salas denominadas de "Auditório Antonio Senatore", entre tantas outras exposições temáticas permanentes e temporárias do antigo museu – Foto: Wilson Kishi 


Outros trabalhos voltados à sociedade

Trabalhou quatro meses no Cartório 1º Oficio, em 1978. Participou do Programa “Raízes Cacerenses” na Radio Jornal de Cáceres, em 1999.

Os verbos revitalizar, restaurar, reorganizar, colaborar, estabelecer, empenhar, reivindicar, criar, ter, participar foram o lema dos “Amigos do Museu”.


No antigo prédio onde funcionou o Museu Histórico de Cáceres, estava estampada nas paredes os "Amigos do Museu" – Foto: Wilson Kishi

Por quê “Amigos do Museu”

O professor responde, ele que ao se dedicar ao Museu de Cáceres, contribuiu sobremaneira para dar a necessária visibilidade ao local onde está guardada grande parte da história de Cáceres. Ele não concorda como hoje se encontra o casarão histórico na Rua Antonio Maria que por longos anos foi sede do museu, atualmente fechado pela atual administração municipal, e aos poucos corroídos pelo tempo.     

Prédio histórico que durante anos abrigou o museu – Foto: Wilson Kishi


“Para que tivéssemos Ação Museológica compartilhada com pessoas físicas e jurídicas, sendo uma das formas de alavancar com ênfase a História Bicentenária no Oeste Mato-Grossense. Somente ama quem se conhece, porém amar incondicionalmente”, explica ao se referir aos “Amigos do Museu”.

Foram doados pelos “Amigos do Museu” ao Museu: para o Auditório (dezesseis cadeiras confeccionadas na marcenaria e personalizadas, um lustre, duas arandelas, três ventiladores, um DVD, duas cortinas, um tapete persa, uma mesa pequena com pés torneados, bandeiras do Brasil, de Mato Grosso e de Cáceres; para o Palco (doze arandelas externas, oitenta cadeiras de PVC e três holofotes pequenos; para o Sistema de Sonorização do ambiente: Micro-sisten, CDs, microfone, pedestal, amplificador e uma estante; para área aberta quatro vasos para plantas; para biblioteca do Museu quatro prateleiras de aço, mesa fórmica com seis cadeiras estofadas, uma escrivaninha, uma cortina e o acervo; para Exposição Temática quatros pinturas sobre telas, galeria dos vereadores Constituintes; para a Cantina(mesa, fogão, armário, cadeiras, vasilhas; para a Sala de Imprensa um jogo de sofá, um lustre e duas cortinas; para o Arquivo do Museu três prateleiras de aço, uma cortina e um arquivo de madeira.

Todos os eventos eram patrocinados pelos “Amigos do Museu”, após sua criação, assim como a conservação do prédio que foi restaurado em 1998, pelo Ministério de Cultura, conforme contrapartida que constava no projeto da Administração Municipal de Cáceres.  

Na sua despedida do serviço público, Miguel é homenageado pela prefeitura de Cáceres, através do então secretário de Esporte e Cultura, Sandro Miguel. Hoje, ambos são integrantes do Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres (IHGC), como membros efetivos. Foto: Acervo pessoal

Parceria de sucesso

Como se observa, o professor durante os anos que foi diretor do Museu, contou diretamente com o apoio da sociedade local. Ele a convidou para que viesse conhecer, sensibilizar e dar as mãos às causas da instituição. Desse modo foram muitas as doações e patrocínios que dinamizaram os trabalhos cotidianos do órgão público, deixando de sobrecarregar à prefeitura.

Os Amigos do Museu fizeram e aconteceram para o bem da referida instituição. “Verdadeiro orgulho e saudade dessa parceria que só deu certo nas conquistas e realizações que fizemos no Museu. Uma pena que isso tudo ficou no passado!”, disse Miguel Senatore.

 

Miguel na sua juventude – Foto: acervo da família

O casal, Miguel e Fátima, nos dias atuais ainda esbanja saúde e simpatia – Foto: Wilson Kishi

Miguel Senatore, mesmo aposentado, mantém o seu cantinho especial reservado ao seu trabalho diário

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