Memórias e Histórias

Mamedes de Lacerda Cintra, empresário que durante 50 anos contribuiu com Cáceres

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Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews

 

Mamedes a frente de sua Kombi da Beneficiadora de Cereais São Paulo Ltda.

Entre os empresários que nasceram em outras localidades, e que aqui chegaram decididos a vencerem e trabalharem para o desenvolvimento da cidade que passaram adotar, está na história de Cáceres o nome de um cidadão nascido em Poconé-MT, que muito contribuiu para o desenvolvimento desta terra, seu nome:

MAMEDES DE LACERDA CINTRA

Local de nascimento: Poconé-MT
Data de nascimento: 17/08/1932
Pai: Lauro de Lacerda Cintra
Mãe: Alzira Paes Cintra (Dona Sinhara)
Esposa: Odete Rocha de Oliveira Cintra
Filhos: Rosiane Márcia de Oliveira Cintra, Rosiva Mara de Oliveira Cintra, Franciane Aparecida de Lacerda Cintra.
Data de falecimento: 15/12/2016

 

Mamedes de Lacerda Cintra
Álbum de família
 
Os pais do homenageado, dona Alzira (Sinhara) Paes Cintra e senhor Lauro de Lacerda Cintra
Álbum de família

No ano de 1962 decide mudar-se para Cáceres, ele, a mulher e a primeira filha, Rosiane. A cidade era comandada pelo prefeito José Esteves de Lacerda, e as primeiras famílias de migrantes começavam a chegar para ocupar as férteis terras da região Oeste.

Empreendimentos

Mamedes então começa a montar seus empreendimentos: Armazém São Paulo, Máquina de Arroz, Beneficiadora de Cereais, Padaria, Bar, Lancha e Rebocador São Paulo, Chata Santo Antonio, Distribuidora de Bebidas Brahma.

A vontade de vencer aliada a visão e tino comercial, somada também a uma fase esplendorosa que Cáceres atravessava com o surgimento das chamadas glebas, impulsionava cada vez mais o jovem empreendedor que aos 32 anos experimentava sucesso nos negócios e o estimulava cada vez mais na inauguração de outros empreendimentos contribuindo assim para o desenvolvimento da cidade que acabara de escolher para prosperar.

Foi eletricista

Ouvido pela reportagem, a viúva do antigo empresário, Dona Odete Rocha de Oliveira, 84 anos, revelou que quando solteiro na cidade de Corumbá-MS, Mamedes trabalhou de eletricista iluminando fachadas de estabelecimentos comerciais. Tinha uma equipe de profissionais que atendia uma vasta clientela na conhecida Cidade Branca.

Ela conta que nessa época o conheceu como por acaso. Numa festa em residência de família, encontrou aquele que seria seu companheiro por toda vida. Os dois jovens dançaram várias vezes, e, desde que a viu pela primeira vez, Mamedes demonstrou interesse em namorar com ela.

Um determinado dia, estava ele subido na escada instalando a iluminação na fachada de um estabelecimento comercial, e, ela passava pelo local, quando o mesmo jogou um pedaço de fio elétrico e taxativamente disse: “você vai namorar comigo! ”.

O casamento entre Odete e Mamedes
Álbum de família


Desde então ele passou a seguir os passos da pretendente e acabou por prevalecer aquilo que ele desejava. Namorar e se casar com aquela moça que nasceu em Cáceres, mas, que foi criada em Corumbá.

Após o casamento, Mamedes Cintra começou a pensar na possibilidade de trocar de profissão, pois segundo ele afirmava para a jovem mulher, não teria como criar os filhos que planejavam a continuar na profissão de eletricista.

Decidiu então enveredar-se por Cáceres na tentativa de conseguir um trabalho que lhe garantisse melhores possibilidades de crescer financeiramente.

 

Carga de banana da terra com destino a Corumbá
Álbum de família


Tudo começou com a banana-da-terra

Ao chegar em Cáceres, Mamedes encontrou o produto que iria lhe impulsionar ao sucesso comercial e financeiro. A banana-da-terra produzida em grande escala na região da morraria e fruto que crescia naturalmente nos grandes quintais na Cáceres de antigamente.

De imediato ele não teve dúvida em levar uma carga de banana para vender em Corumbá ainda pertencente ao Mato Grosso. Mamede se viu impressionado com a qualidade do produto bem superior àquele que ele conhecia, e que os corumbaenses estavam acostumados consumir.

O transporte dessa primeira carga que serviria de teste, ocorreu através de lancha do conhecido comerciante Seu Isaque pelo rio Paraguai.

A gostosa novidade foi de fato aprovada pelos consumidores do outro lado do estado que na feira livre conheceram e adquiriram a famosa banana-da-terra de Cáceres. Logo o produto estava esgotado, e Mamede estava de retorno à Cáceres num dos voos que a extinta Viação Cruzeiro do Sul fazia entre as duas cidades, motivado para fazer outra carga de banana.

Foi assim durante vários anos. Logo ele passou a comercializar também cereais a exemplo do arroz, feijão que com o surgimento das chamadas glebas, começaram a ser produzidos em grande escala.

A lendária Lancha São Paulo (1966)
Álbum de família

A Lancha São Paulo

Algum tempo depois, o tino comercial do homem nascido em Poconé determinava que estava surgindo um próspero empresário de sucesso nestas bandas do pantanal. Ele então adquire a Lancha São Paulo no ano de 1966, que após passar por uma reforma, estava apta a singrar as águas do Paraguai para transportar banana, arroz e feijão.

Na volta da embarcação vinha para atender a praça de Cáceres produtos como cimento e posteriormente também a cerveja Brahma.  Foram vários anos que o agora já bem-sucedido empresário manteve a atividade de navegação comercial ente Cáceres e Corumbá.

Propriedade adquirida pela família
Acervo de família


Com a evolução do negócio, Mamedes inaugura o Armazém São Paulo, Beneficiadora de Cereais, padaria, etc. O armazém foi durante anos um dos mais abastecidos de Cáceres. Atendia em grande escala os agricultores das glebas. Foi nessa época que o empresário implantou a pesagem dos cereais que até então eram vendidos por litro, além de inovar também com pacotes de arroz de 5 quilos.

Chegada do motor de luz, vindo da cidade de ;Corumbá. Foi uma ato  presenciada por grande público cacerense
Na foto atrás estão: Sidney Garcia Maia, João Deluque e Márcio Lacerda. Na frente: Mamedes, Eliane Martins, prefeito Ernani Martins, Dr. Adolfo de Barros, José Marinho, Didi Profeta, José Benedito Canellas, Dr José Monteiro da Silva.
Arquivo: Museu Histórico de Cáceres Profa Emilia Darci de Souza Cuyabano

Transportou o motor de luz

Segundo a viúva Odete Rocha, desde que aqui mudaram, eles estranhavam e muito a iluminação de lampiões nos postes espalhados pela área central de Cáceres. Era o único meio de iluminar a pequena cidade de outrora, um período de pura magia, tanto é que mereceu uma poesia do imortal Natalino Ferreira Mendes no seu livro Anhuma do Pantanal intitulada O Lampareiro.

Mamedes, cada vez mais entrosado com a cidade, passa a desfrutar da amizade e da confiança dos dirigentes políticos locais e até mesmo estaduais. Foi assim que ele revelou ao prefeito Ernani Martins que em Corumbá havia um gerador que não estava sendo utilizado pela prefeitura. O prefeito então procurou o governador Garcia Neto e manifestou o seu desejo de trazer para Cáceres o benefício da energia elétrica gerada pelo gerador à diesel que estava encostado lá em Corumbá, de imediato o governador autorizou a vinda do motor.

Coube então a Mamedes Cintra contratar os serviços de uma chata e o empurrador São Paulo transportaram para Cáceres o gerador que passou então a ser o responsável pela geração de energia na cidade. Muita comemoração das autoridades locais com a modernidade que viria substituir os lampiões nos postes.

Revendedor da cerveja Brahma

Nas vindas de Corumbá a Lancha São Paulo vinha também carregada com caixas de cerveja. Inicialmente a bebida era para consumo do empresário principalmente nas festas que costumeiramente dava com familiares e amigos próximos. Depois ele passou a comercializar a bebida entre os proprietários dos bares de Cáceres, a exemplo do Jucão na Praça Barão do Rio Branco. Naquele tempo recorda a viúva do Mamedes, que os bares serviam bebidas destiladas…Cerveja por esses lados era uma raridade.

Assim que o empresário homenageado nesta oportunidade tinha a seu favor uma praça comercial totalmente disponível. Foi então que ele soube muito bem aproveitar a demanda favorável.

Cada vez mais trazia de Corumbá a cerveja. Isso possibilitou não tardar para que viesse ser contemplado com a exclusiva revenda do produto em Cáceres. Foram vários anos na comercialização do produto Brahma, inclusive, atendendo outras praças que começavam a surgir com as chamadas glebas. Pronto, estava solidificado mais um empreendimento com a chancela Mamedes de Lacerda Cintra.  

Mamedes patrocinou o primeiro carnaval de rua de Cáceres
Acervo de família


Carnaval de rua, presidente de clubes, filantropia…

Cada vez mais ligado na vida de Cáceres, o empresário teve uma participação fundamental também na área social. Como folião ativo, ele trouxe do Carnaval de Corumbá, um dos mais agitados do interior brasileiro, bagagem e conhecimento para patrocinar na década de 70 o primeiro Carnaval de Rua de Cáceres. Grande sucesso da época e uma novidade bastante curtida pela sociedade e população local.

Logo ele foi escolhido para presidir o EC Humaitá. Promoveu uma ampla reforma no prédio e logo a seguir lançou os bailes de carnaval desde os avanços, réveillon, debutantes. A Dona Odete visitava as casas das famílias cacerenses e convidavam as jovens para debutarem na inédita festa do Clube azul e Branco.

No Natal a família de Mamedes e funcionários de suas empresas costumavam distribuir roupas e alimentos aos carentes da cidade. A viúva revela saudosa que no dia 24 eles saiam cedinho e só retornavam a noite bastante satisfeitos em terem ajudados os mais necessitados dos mais diversos locais da cidade. As roupas das doações  eram confeccionadas pelo alfaiate Carmelito, um dos mais requisitados de antigamente.

Mamedes também integrou os quadros do Rotary Clube de Cáceres e assim pôde participar ativamente do lado filantrópico em prol dos carentes da cidade.

Festa com amigos e familiares era o que ele mais gostava
Acervo de família

O destacado empresário que ajudou muito no desenvolvimento de Cáceres ao longo de cinco décadas, gostava das festas onde reunia os amigos na sua chácara localizada na localidade de Bom Jardim. Era um trabalhador dinâmico e de aguda visão comercial, mas também na hora da diversão, sabia como ninguém aproveitar as horas de folga ao lado das pessoas que estimava.

Gostava também das corridas de cavalo. Tinha dois animais prediletos: Canário e o Ouro Preto.

Ele deixou aos familiares e amigos que com ele conviveram, um legado de força, garra, determinação, honestidade e muita luta. Desistir jamais. Amor e carinho que até hoje estão vivos com a mulher e as três filhas. “Tenho muita saudade do meu velho; me alegro quando sonho com ele”, revela a Dona Odete.

Mamedes faleceu aos 85 anos. Está sepultado no Cemitério São João Batista nesta cidade, afinal Cáceres era a sua grande paixão.

A viúva Odete Cintra com suas três filhas
Acervo de família

8 respostas

  1. Que linda homenagem, conheci Mamedes meu amigo, pois eu e meu avô viajamos inúmeras vezes em sua lancha para o nosso sitio pra frente da fazenda descalvados. Parabéns!

  2. Meu tio querido! São tantas as lembranças que voltaram agora,os passeios nas cachoeiras,os carnavais! Onde estiver que receba nosso amor! E foi através dele que o meu pai começou a trabalhar com a Brahma ❤️❤️

  3. Primeiramente temos que dar os parabéns ao Sr. Mamedes e também a Dona Odete.
    Depois ao popular Toninho Costa.
    Mensagem histórica maravilhosa ocorrida em nossa cidade.

  4. Que linda homenagem, biografia onde mostra a força e coragem de um pioneiro. Meu tio querido merece, eu criança, admirava muiiiiito sua alegria, sempre sorrindo cativava todos a sua volta.
    Que Deus o abençoe ✨✨✨✨

  5. Eu tenho a honra de fazer parte dessa ilustre história que família maravilhosa, que para mim em particular teria que todos cacerense ter orgulho do meu tio junto com actua e suas filhas, que tanto fez por essa cidade eu sou apaixonada por essa família que Deus me proporcionou e sempre será o meu orgulho bjos

  6. Agradeço pela maravilhosa homenagem ao meu querido pai que realmente amou muito essa Princesinha do Paraguai….sei que onde ele estiver vai estar sentindo a felicidade e emoção que neste momento como sua primeira filha estou sentindo… Obrigada meu querido pai pelo seu legado deixado a todos nós…
    Te amarei par todo sempre….

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