Memórias e Histórias

Luiz Jorge da Cunha: Cirurgião Dentista e honrado cidadão cacerense

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Dona Ecila e Dr. Luiz Jorge da Cunha

Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews


Nos anais da história aparece a figura do cidadão ilustre e respeitado Cirurgião Dentista, que por mais de 40 anos exerceu em Cáceres a sua profissão. Formado no Rio de Janeiro, este cacerense foi vereador, professor e empresário de sucesso na Cáceres de antigamente.

A sua história, bastante rica por sinal, só está sendo contada nesta oportunidade nas páginas do Zakinews, graças a pronta disponibilidade de um de seus filhos em fazer tais revelações. De antemão, a reportagem agradece ao professor Luiz Salvador Jorge da Cunha em conceder a entrevista. Salvador,65 anos, Engenheiro Civil, pós-graduado em Gestão de Negócios, professor de Física por 45 anos, sócio fundador do Colégio Isaac Newton (CIN) em Cuiabá e atual Diretor Pedagógico e Administrativo do CIN.

Vamos à história:

LUIZ JORGE DA CUNHA

Pai: José Jorge da Cunha
Mãe: Benedita de Oliveira Jorge      
Nascido em 1909 (registrado em 20/12/1912)
Esposa: Ecila Rondon Jorge da Cunha por 37 anos.
Filhos: Carmem Lúcia Jorge da Cunha
          Luiz Salvador Jorge da Cunha
          Luiz Fernando Jorge da Cunha
          Maria Angélica Jorge da Cunha Carneiro
Faleceu em 1985 aos 76 anos
Foi o 2º Cirurgião Dentista de Cáceres

 

Nasceu em uma fazenda no município de Cáceres (MT), em 20 de dezembro de 1912. Devido ao registro de nascimento ter sido feito anos após o nascimento, provavelmente, a data correta seja 1909.

Luiz Jorge da Cunha (terceiro da esquerda para direita), e seus irmãos
Foto: Acervo de família
 


Viveu a infância na Fazenda Cachoeira, de propriedade de seus pais, na época essa fazenda pertencia ao município de Cáceres. Seu pai, José Jorge da Cunha, era um desbravador e a Fazenda Cachoeira tornou-se uma referência no município, chegando a ter fábrica de açúcar e aguardente, com maquinário vindo da Inglaterra.
 

Desde cedo mostrou-se inclinado com a área da Saúde

De uma família de 12 irmãos, foi o único que, desde criança, já demonstrava o interesse pela área da saúde e religiosa.

Em Cáceres só tinha escola até o quarto ano primário. Esperou completar a maioridade e, contra a vontade de seus pais, partiu para a cidade de Campo Grande (MS), na época ainda parte de Mato Grosso, em uma longa viagem pois, além da distância, as condições de transporte eram bastante precárias.

E lá, ficou estudando num seminário e tornou-se seminarista, até completar o segundo grau. Voltando à Cáceres, apenas no final do 2º grau, para rever seus familiares. 


Dia da formatura em Odontologia, no Rio de Janeiro
Foto: Acervo de família

Formandos da turma de 1945
 


Faculdade no Rio de Janeiro

Depois dessa visita, foi para o Rio de Janeiro para dar continuidade aos estudos. Ingressou na antiga Faculdade Fluminense de Medicina e Odontologia. Inicialmente, cursou dois anos de Medicina e devido à necessidade de trabalhar para seu sustento, transferiu-se para o curso de Odontologia. Formou-se em 1945 e retornou a Cáceres, sendo recebido com um baile de gala no Salão Nobre da Prefeitura Municipal.

Solenidade de casamento de Luiz Jorge e Ecila

 

Chegava em Cáceres o segundo Doutor Cirurgião Dentista LUIZ JORGE DA CUNHA, onde exerceu a profissão por 42 anos e, durante todos esses anos, foi o representante do CRO – Conselho Regional de Odontologia na cidade.

Além de Cirurgião Dentista, era protético, fazendo no seu próprio consultório as próteses dos clientes.

O casal Luiz Jorge e Ecila, com filhos e netos
Foto: Acervo de família


Casou-se com a Jovem Ecila Rondon, com quem teve quatro filhos, sendo dois casais.


Rótulos das bebidas fabricadas por Luiz Jorge da Cunha 

Empreendedor nato

Era um empreendedor nato, pois além de exercer a profissão de dentista, foi pecuarista e empresário. Construiu uma fábrica de refrigerantes e uma fábrica de cerveja. Produziu o Guaraná Cacerense, Laranjada, Soda Limonada, entre outros. Também produziu a Cerveja Guaicuru.

Em 1953, imagem de Nossa Senhora de Fátiva fez a festa na Cáceres de antigamente

Como sempre foi ligado à religião, quando houve a visita da imagem de Nossa Senhora de Fátima à Cáceres, vinda de Portugal, conseguiu, com doações de fiéis, fazer uma grande chave de ouro e doou à comitiva da imagem peregrina, para ser colocada no altar de Nossa Senhora de Fátima, na catedral de Portugal, com o nome da cidade de Cáceres. 

Outra lembrança relevante refere-se à visita do Presidente da República – General João Batista de Figueiredo em nossa cidade, ocasião na qual foi convidado pelo prefeito para recepcionar a autoridade.


No Humaitá, ilustres cacerenses convocados para recepcionar o então presidente da República, João Batista de Figueiredo, entre eles estava o dentista Luiz Jorge da Cunha

Foto: Acervo da Prefeitura de Cáceres

Desenvolveu forma eficaz contra o diabetes

Dentre tantas lembranças, não podemos deixar de fora a sua vontade de ter sido médico. Mesmo como Dentista, através de várias pesquisas e informações com antigos da época, ele conseguiu desenvolver uma fórmula de remédio que contribuía bastante para o tratamento do diabetes.  Contou com a ajuda de sua sobrinha médica homeopata que morava em Portugal, em uma visita ao Brasil, ela o ensinou com detalhes como fazer infusões com folhas. Inicialmente, ele distribuía o remédio gratuitamente. Como a notícia se espalhou por muitos estados, com ótimos resultados, e ele não tinha condições financeiras para doar grande quantidade, passou a pedir em troca de um litro do remédio, 3 litros de álcool, para atender os que não tinham condições.

Luiz Jorge e Ecilia fantasiados para o carnaval no salão do Humaitá
Foto: Acervo da família


Folião de primeira

Como morou no Rio de Janeiro por muitos anos, era apaixonado por Carnaval.

Durante alguns anos, mandou buscar na cidade maravilhosa a sua fantasia e da sua esposa. Na época, o Carnaval era ao som do piano e uns instrumentos de sopro.

Como era estudioso e pesquisador, ainda muito jovem, antes de partir para os estudos, na fazenda do seu pai, saiu em busca de insetos, construindo um rico acervo com centenas de insetos catalogados com nome cientifico, preservados com formol, em dezenas de quadros, alguns deles ainda preservados.

Luiz Jorge e Ecila, num retorno de viagem Chegando em Cáceres em um DC3 – anos 1940
Foto: Acervo da família

Era autodidata, estudava latim e esperanto, e ainda pesquisava sobre pirâmides.

Entrou para a política, sendo eleito vereador na 2ª Legislatura (1951/1955), aí mesmo fazendo seu encerramento, decepcionado com a política.

Em família, era um contador de histórias, gostava de falar sobre a vida de alguns de seus ídolos – Getúlio Vargas, Rui Barbosa, e Machado de Assis.

Foi professor de Biologia e Química durante muitos anos. Como professor de Biologia, devido aos poucos recursos pedagógicos ele, que era um exímio desenhista, fazia em cartolina branca e pintava com lápis de cor, o desenho de partes do corpo humano para dar aulas, numa perfeição de se admirar.

Um dos momentos de discursos feitos pelo dentista Dr. Luiz Jorge da Cunha
Foto: Acervo da família


Era comum em Cáceres de antigamente, quando tinha uma festa de aniversário ou casamento, alguém fazer discurso. 

Até mesmo para pedir a mão da moça em casamento, sempre tinha uma outra pessoa para discursar.

E sempre estava ele recebendo convites e fazendo discurso nas famílias cacerenses.

Este o resumo da história de vida de mais este ilustre filho de Cáceres. Com garra e dinamismo ele foi vencendo etapas por etapas e, assim, deu a grande parcela de contribuição para o desenvolvimento de sua Terra, bem como melhores condições de saúde aos seus conterrâneos. Uma vida de luta! Um exemplo que fica!

 

Foto da família registrada no estúdio do Foto Kishi, início dos anos 80

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