Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews
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Uma volta ao final da década de 50 pelas bandas onde é hoje a movimentada Avenida Sete de Setembro, iria se deparar com um ponto comercial de bastante movimento onde a família do proprietário recebia fregueses, parentes e amigos em sua acolhedora residência, e, ele, diariamente sempre atencioso no balcão do seu comércio de secos e molhados, a exemplo de outros que se destacaram na Cáceres do passado.
Nesta oportunidade, as páginas do Zakinews são ocupadas pela história de vida do simples e próspero comerciante cacerense que começou a atender no balcão do seu estabelecimento ao final dos anos 50, seu nome:
João Freire de Souza, que todos o conheciam como João de Jorge. O Jorge foi incorporado ao nome deste personagem numa referência ao nome do seu conhecido pai, Jorge Sotero de Souza, casado com Lourença Sotero de Souza.
Da união deles nasceram os filhos: João Freire, Izaura, Neréia, Jorge Freire (bancário aposentado que mora no Rio de Janeiro).
João de Jorge, como era conhecido, casou-se com a também cacerense Dona Romana (14 de abril de 1950), e tiveram 7 filhos: Neide Freire de Souza, José Eriberto, Gilberto, Nerí, Agildo, Ediberto, Alberto.
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O casal viveu junto durante 52 anos numa vida de união, compreensão e harmonia no relacionamento e na criação dos filhos, a família toda merecedora da consideração e do respeito de uma vasta legião de pessoas da época.
A Dona Romana era filha de Feliciano Pires de Jesus e de Agostinha Gomes. Morava no sítio, na comunidade conhecida como Fumaça, na região da Barranqueira. Veio para Cáceres estudar, época em que passou a morar na residência da Dona Lúcia, quando conviveu com as filhas dessa senhora, Carmelita e Matilde, professoras aposentadas.
Ainda sobre a família de João de Jorge, a prole viveu numa aprazível chácara às margens do Córrego Sangradouro com a hoje Avenida Sete de Setembro. Na época da cheia as águas ainda límpidas do córrego invadiam grande parte da propriedade para deleite da criançada que diariamente se banhava no quintal de casa.
Um bem cuidado laranjal se destacava entre as plantações muito bem tratadas pelos proprietários. Laranjas essas que eram saboreadas pelas visitas principalmente as do domingo à tarde, a exemplo da Dona Lia Gattass e outras.
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Carroças para fazer fretes
João de Jorge, o personagem central desta história, foi um dos primeiros ou o pioneiro em oferecer os serviços de frete e transportes em carroças. Ele possuía dois veículos puxado por animais sob a responsabilidade dos carroceiros Luki e Daniel que ganhavam porcentagem nos fretes realizados diariamente. Os dois chegavam cedo para o trabalho. Antes, porém eram convidados para o tradicional quebra torto, café reforçado que fazia parte do primeiro alimento do dia dos peões das fazendas do pantanal.
Enquanto isso, João de Jorge estava apto para mais um dia de trabalho no atendimento da freguesia. Grande parte dos produtos para a comercialização eram adquiridos dos sitiantes da localidade da Ponta do Morro. Desde toucinho, banha de porco, rapadura, feijão, peixe seco, abóbora, melancia.
Após ter abastecido o amigo e comerciante João de Jorge, os proprietários que traziam as mercadorias em carros de boi, se deslocavam ao lugar de costume, a parada no antigo figueirão da hoje Praça Major João Carlos, onde por sinal, estava instalado o Mercado Municipal.
As preciosas informações foram repassadas à reportagem por dois filhos do saudoso comerciante, Neide Freire e Gilberto, solícitos, eles voltaram no tempo para recordar das inesquecíveis passagens que tiveram na rica convivência da distinta família.
Revelaram eles que além dos mantimentos originários da localidade da Ponta do Morro, o pai contava também com produtos fornecidos pelo compadre Joaquim Costa, forte comerciante que durante anos marcou o centro comercial de Cáceres.
Joaquim Costa ajudou durante anos o compadre a se firmar no referido comércio, até que um determinado dia, conforme o filho Gilberto, João de Jorge foi agradecer o compadre e disse a ele, que “a partir de agora caminharia com as próprias pernas”.
Em seu estabelecimento, as mercadorias eram vendidas por João de Jorge quase sempre a prazo e marcadas no caderno do fiado. Interessante que os fregueses eram reconhecidos nas anotações pelo apelido que ele mesmo dava aos clientes. Tempo que calote praticamente não existia. Valia a consideração e a palavra de quem estava pedindo fiado ao proprietário do estabelecimento.
Foi assim por aproximadamente 40 anos que ele esteve no balcão do seu sempre abastecido e diversificado comércio de secos e molhados. Ele faleceu em 10 de março de 2002.
Os fregueses
Na freguesia fiel estavam sempre as famílias que residiam no Bairro do DNER na antiga estrada velha na saída para Cuiabá. Major Ribeiro e os policiais militares, Dona Chiquinha de Mané Fó, ela trabalhava com restaurante, posteriormente abrigou crianças num orfanato que manteve por anos em atividade.
Existia também a turma da cerveja, caso de João Minervine, Tito de Juvina, João Parreira, Jony de Oliveira Fontes, Arnaldo de Pinho, João de Pinho, Otávio Coelho, Seu Juquinha, Guilherme Paraguai, Nami Ourives. Outros amigos visitavam o local para animadas conversas, José Rodrigues Fontes, Luiz Ambrósio, Ernani Martins e Dona Lourdes, molhavam a palavra com o famoso refrigerante produzido por Diomedes de Carvalho e Dona Diná.
O pão de cada dia era fornecido pelos padeiros Seu Dito, Jessé. Posteriormente coube ao casal Odilon Viegas e Ana Maria que tiveram uma padaria bem equipada fornecer o produto.
A residência dos Freire, diariamente era frequentada por vários amigos. A acolhedora casa onde Dona Romana e filhos recebiam as amizades sempre com petiscos e deliciosas refeições feitas no fogão à lenha.
Acolhida que ela também fez com amor e cuidado aos carentes a exemplo de Pica Osso, Charrufa, Mané Bobo, além de crianças carentes que recebiam alimentação diária no local até se tornarem adultos e ter condições de trabalhar e ganhar o próprio sustento.
O comerciante João de Jorge só deixava o balcão quando acontecia a Exposição Agropecuária. Nessa época ele se divertia com as montarias e touradas, suas modalidades preferidas.
Por sinal, a expo-agro nessa época se constituía na maior e principal festa de Cáceres e região, por que não ser uma das melhores do Estado, como justamente era reconhecida. Nesse tradicional festejo era costume do abastado fazendeiro Lício de Aquino Nunes contratar músicos instrumentistas paraguaios para tocar durante a semana, em volta de sua mesa quando se reunia com familiares e os seus convidados oportunidade que o melhor uísque do mercado “rolava” abundantemente.
Também o comerciante João de Jorge, se divertia por outro lado, quando algum circo estava armado na grande área onde hoje se localiza a Praça da Sete de Setembro. Dava gargalhada com a apresentação dos palhaços.
João de Jorge curtiu ainda o carnaval do Rio de Janeiro, para onde foi levado por um dos filhos que residia na Cidade Maravilhosa.
Devoto de São João a família realizava anualmente a festa do santo, que por sinal, era uma das mais animadas de Cáceres. Fogueira, baile de sanfona, farta comilança reunia centena de festeiros da cidade e da região. Foi por longos anos reconhecidamente uma das melhores festas cacerenses da época.
Assim este próspero comerciante da Cáceres de antigamente, marcou de maneira destacada a sua atividade comercial que ajudou bastante o desenvolvimento do setor comercial da sua cidade natal por aproximadamente cinco décadas de trabalho.






























Uma resposta
Nosso agradecimento ao lindo e correto relato do sr. Toninho Costa. A familia agradece Zakinews pelo lindo trabalho /pesquisa