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Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews
Uma viagem no tempo especialmente um sobrevoo sobre as densas matas, rio, baías e corixos que cortam o pleno Pantanal Mato-grossense nas décadas de 1950/70, traz na lembrança os pilotos das aeronaves, profissionais estes que prestaram um valioso serviço aos fazendeiros das grandes fazendas criadouras de gado daquela época.
Entre aqueles profissionais de outrora a reportagem foi buscar pistas que falassem sobre a história de um piloto alagoano que chegou em Cáceres contratado para trabalhar nas aeronaves do empresário e também piloto de avião, Nelson Martins Dantas, cuja parte de sua história está nas páginas que no ano passado o Zakinews registrou sobre a nonagenária Gracinda Dantas, sua mulher.
Mas o foco nesta oportunidade é o Itamar Piloto que morava em Maceió-Alagoas posteriormente foi para o Rio de Janeiro onde frequentou o aeroclube, e, de lá, veio parar em Cáceres e por aqui escrever a sua história como um dos mais experientes profissionais de voo que se tem notícias por estas bandas do pantanal.
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ITAMAR DA ROCHA BARROS
Nasceu em São Miguel dos Campos, distrito de Maceió Estado de Alagoas em 12 de outubro de 1916; filho de Artur da Rocha Barros e Francisca Vieira Mota; faleceu em Cáceres-MT em 15 de janeiro de 1977, vítima de derrame cerebral. Está sepultado no cemitério São João Batista.
Itamar fez curso de pilotagem pelo aeroclube do Rio de Janeiro onde também foi Instrutor de Pilotagem.
Nos idos da década de 40 o empresário Nelson Dantas na carência de mão-de-obra especializada para condução de suas aeronaves sai à busca desse profissional, com um conhecido seu carioca capitão do Exército que estava nas fileiras do 2º. Batalhão de Fronteira.
O militar coincidentemente, conhecia Itamar da Rocha Barros, Instrutor de Pilotagem e Piloto Civil do Aeroclube do Rio de Janeiro.
Itamar largou o Rio de Janeiro para enveredar-se no início da década de 50 nos rincões mato-grossense, “sabe-se lá como conseguiu se deslocar e chegar neste torrão Oeste, mas chegou, e chegou como evento social de destaque na então sociedade cacerense, indo estabelecer-se no então renomado Líder Hotel localizado na Rua Cel. Farias de propriedade do Sr. Hugolino Corbelino e Dona Fifia”, conforme revelações do filho Elias Rocha, o Garboso.
Passou então a desempenhar o seu ofício de pilotagem patrocinado pelo empresário Nelson Dantas e Dona Gracinda. Prestava serviço principalmente aos pecuaristas da região, levando insumos e passageiros para diversas fazendas pantaneiras. Não só aos pecuaristas, mas também ao Exército Brasileiro na assistência logística aos destacamentos militares bem como em exercício de guerra.
Foi parceiro do EB nesta faixa de fronteira. Sobrevoava a tropa em estado de defesa enquanto outros militares de dentro da aeronave lançavam pequenas sacolas com cal, simulando ataque aéreo inimigo, ao final do exercício, o militar que por acaso, estivesse respingado pela cal, estaria teoricamente alvejado.
Veio para trabalhar com o empresário Nelson Dantas. Mas também atendeu os fazendeiros Natalino Fontes, Luiz Esteves Pinheiro de Lacerda (padrinho do Garboso), Alfredo Sales Graça (último patrão).
Constantemente realizava viagens até as fazendas Tremedal, Santa Rosa de Lima, Água Verde, Barranco Vermelho, Paratudal, Descalvados.
Elias Garboso ainda se lembra quando criança das férias que passava na maior charqueada do pantanal, a Descalvados que funcionava em pleno vapor.
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Encantou-se com a beleza cacerense
Enquanto desfrutava da hospitalidade da Dona Fifia (Líder Hotel) conheceu a afilhada dessa senhora, a menina moça Ruth Menacho, filha do Sr. Olimpio Menacho e Dona Ercilia Lemes Menacho, casal morador da região do Aguapeí, Fazenda Capão Preto, Município de Porto Esperidião que à época mandou a sua filha Ruth para estudar na cidade e morar com seus padrinhos (Hugolino e Fifia).
Mas a beleza cacerense contagiou o coração do piloto alagoano, com quem se casou, nascendo desse enlace Itamar da Rocha Barros Filho (Mazinho) Policial Rodoviário Federal e Elias da Rocha Barros Sobrinho (Garboso) Oficial de Justiça do Poder Judiciário de Mato Grosso.
Itamar, além de piloto de aeronave, em Cáceres no ano de 1967 ocupou o cargo de Auxiliar de Delegado Regional da Polícia Civil, onde desempenhava os seu novo trabalho em conjunto com o Delegado Regional Dr. Luiz Pouso, Capitão Queiroz e Tenente Miranda.
Com militares do Exército Brasileiro em vistia ao local onde foi instalado o Marco de Fronteira – Acervo de família
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Depoimentos
Alguns depoimentos de pessoas que conheceram o referido piloto, chegam para enriquecer o referido material agora produzido. A exemplo do ex-piloto e bancário aposentado, Bilac Jorge da Cunha.
“Quando comecei a voar, 1974, o Itamar já voava. Lembro quando criança, várias vezes ao passar um avião no sobrevoo na cidade, e eu pegava a bicicleta e corria para o aeroporto. Em algumas vezes dava sorte e avistava o comandante Itamar ainda fazendo alguma coisa por lá”.
Bilac também recorda que Itamar Piloto voava muito para o fazendeiro Natalino Fontes em suas fazendas no pantanal, bem como para o empresário da poaia Luiz El Chami, para a fazenda São José.
Bilac Jorge ainda traz na lembrança um caso que julga interessante: O piloto foi contemplado num consórcio e adquiriu uma Belina II, branca, e todas as vezes que chegava no aeroporto ele abria o capô do carro e, com um espanador, abanava a poeira do motor.
Itamar Piloto e o conhecido Paraguaizinho (também piloto), eram os especialistas em voar os aviões convencionais (os que possuíam 2 rodas na frente e 1 na cauda), um desses era o Cesna 172, verdadeiro terror dos manicacas, reconhecidamente eram as aeronaves tidas como as mais difíceis de pousar, somente profissionais experientes com muitas horas de voo como os dois aqui citados possuíam essa habilidade.
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Experiente e cuidadoso
Foi como se fosse realizar uma viagem e voltar no tempo, o convite feito ao ex-piloto Weverton Cláudio Filho, o conhecido “Pife” para que ele relatasse sobre o Piloto Itamar. Com 43 anos de aviação, este cacerense também conviveu ao lado do homenageado por vários anos.
Itamar segundo ele, “era gente boa demais…Um pouco sistemático principalmente quando chegou a esta cidade para trabalhar a convite do empresário Nelson Dantas”.
Pife revela que o experiente piloto era muito cuidadoso com o tempo. “Se existiam algumas nuvens no céu, ele dificilmente voava. Mas se estivesse fora de Cáceres e tinha que retornar, independentemente do tempo, ele vinha posar mesmo na cidade”.
Época em que não existiam as ferramentas modernizadas nas aeronaves. O piloto se orientava pelo mapa ou a bússola, e Itamar se mostrava bastante cuidadoso em meio a comprovada experiência. “Pife” revela ainda que o fazendeiro Natalino Fontes adquiriu um avião considerado moderno para a época, pois era constituído do piloto automático. Nos voos que fazia, Itamar não confiava em deixar no modo automático…
Outras vezes a aeronave possuía 4 tanques de combustíveis espalhados pelo corpo da mesma, o piloto agora homenageado fazia de tudo para não utilizar nas viagens os tanques localizados sobre as asas do avião…
“Pife” prossegue com as revelações e garante que Itamar até podia posar ou levantar voo numa pista considerada ruim nas fazendas, mas uma única vez. Ele fazia de tudo para evitar retornar ao determinado lugar onde não aprovou a pista de pouso de determinada fazenda.
Com muitas histórias ele ainda se lembra de uma vez em que o piloto estava em uma das fazendas de Vitório da Silva Lara. No momento de levantar voo com dois tripulantes da família – cada qual com aproximadamente 100 quilos – a aeronave sentiu o peso e enfrentou muita dificuldade para alçar o voo.
Muitas histórias nas lembranças daqueles que conviveram com o famoso piloto que costumava seguir à risca a cartilha da aviação por estas bandas do pantanal.
Elias Garboso e seu irmão Itamar, filhos do homenageado Itamar da Rocha Barros – Foto: Elias Garboso
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Aviador socorrista
O funcionário estadual aposentado, ex-vereador Ruse Torres, se empolga ao falar do Itamar Piloto principalmente do seu lado humanitário. Oportunidade que revela que sempre que voava para as fazendas na região fronteiriça, na volta, o piloto tinha um traçado que passava por diversas fazendas da área pantaneira.
Nessas ocasiões ele prestava socorro aos peões acidentados, picados de cobra, criança doente, etc. Bastava que um pano branco ou um lençol fosse abanado para que o piloto baixasse a aeronave para prestar socorro trazendo os doentes para serem medicados na cidade. Ele foi testemunha das várias vezes que o piloto prestou esse tipo de atendimento nas fazendas.
O ex-vereador quando esteve na Câmara Municipal, apresentou projeto de lei denominando de Rua Itamar Piloto uma das artérias urbanas localizadas nas imediações da cabeceira da pista de pouso do antigo aeroporto no conhecido bairro do Lobo. “Uma forma de prestar uma simples homenagem de reconhecimento a esse grande profissional que contribuiu com nossa cidade tempos atrás”, justifica Torres.
Homenagem também se faz nesta oportunidade aos pilotos aqui citados e outros que trabalharam na aviação, cujo exercício dessa atividade, contribuiu significativamente na prestação de um serviço essencial na Cáceres de antigamente. São eles: Mário de Castro, Sandoval Tedesco, Gulininho, Totó Garcia, Tutu Carvalho e outros.



































4 respostas
Feliz homenagem a Seo Itamar
Justa homenagem.
Orgulho de ter sido filho do Comandante-piloto ITAMAR. Deixou-nos muitas experiências de vida!
merecida homenagem👏👏👏👏