Carnaval de 1965: entre os jovens estão Antonio Carlos Fanaia, Paulo e Fernando Homem de Melo, Joaquinzinho Fontes, Adilson Mendes… Acervo: Paulo Cesar Homem de Melo
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Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews
O ano iniciava com carnaval. O de 1945 registrado pelo jornal A Razão. Acervo: Wilson Kishi
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![]() Sede dos carnavais do passado |
O período é carnavalesco, porém, por conta do momento de exceção em que se vive, a folia em Cáceres ficou para outros anos. Mas já que o "Memórias e Histórias" é este espaço aberto para registrar os principais acontecimentos da cidade, desta vez, a matéria vai aproveitar o embalo do feriado para relembrar um pouco dos carnavais de antigamente. Os blocos, cordões, escolas e os personagens centrais desta tradicional festa que em Cáceres teve seus tempos áureos.
![]() Irene Arruda Homem de Melo no carnaval de 1938 – Acervo: Paulo Cesar Homem de Melo |
A história carnavalesca de Cáceres remete por volta de 100 anos, é o que imagina os mais antigos que viveram esses tempos de intensa folia e animação, e outras gerações que ouviram essa história.
Os carnavais do Esporte Clube Mato Grosso, onde hoje se encontra a Fundação Cultural, na esquina das Ruas Antonio Maria com a Comandante Balduíno, foram marcantes.
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Eram os tempos do lança perfume que corria solto no salão da forma mais natural possível. Carnaval que reunia uma outra classe da cidade e que tinha o seu clube, a União Operária Cacerense à Rua Marechal Deodoro.
Bloco Carnavalesco Unidos da Cavalhada (Saíco, Júlio Maciel e profa. Rosália) que aos domingos se reunia na antiga sede dos escoteiros e no improvisado local ensaiava para o desfile na Praça de Eventos.
Organização esta que conseguiu dois títulos, e na avenida, em uma das exibições, seus integrantes homenagearam o imortal professor Natalino Ferreira Mendes, "Lá na Ponte Branca despontou a Cavalhada”, composição da professora Rosália Maciel.
Ainda também a Turma do Agito (Toninho Cabeleireiro), o pessoal do Micarregue (Luciano), Papaléguas, os Solteirões, Em Cima da Hora, sob o comando do sargento Aniceto, Os Assombrados, As Pacupevas, Os Canabravas e tantos outros.
O cacerense Mauro fou um entusiasta dos carnavais de rua de Cáceres e desfilou inúmeras vezes na década de 90, quano os blocos se apresentavam na Praça Barão do Rio Branco. Nesse período o famoso cozinheiro Agdo organizava lindos e luxuosas fantasias para abrilhantar os carnavais de Cáceres – Foto: Acervo Maribel
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Os carnavais de outrora…
A saudade é grande dos carnavais. Certamente alguém se lembra do sargento Paulino no comando do samba pra levar a folia às ruas e avenidas de Cáceres. Ele era muito animado, deu a sua parcela de contribuição para motivar a festa popular na cidade.
Na lembrança, também as fantasias e o capricho do saudoso Ágdo. Dava um show de bom gosto e se orgulhava com os aplausos que lhe eram dirigidos. O mesmo se pode dizer do Bernardino Sene, Pelé ou simplesmente Gina Marquesa. Hoje se orgulha ao exibir algumas fotos da rica época de ouro do samba cacerense. Pelé rodava a baiana como só ele era capaz.
Os carnavalescos Piná, Odózio integrantes da Unidos da Cohab Nova. Belas fantasias e a alegria de ambos em contagiar o público em suas apresentações nas avenidas de Cáceres.
Cohab Nova dirigida pela diretoria presidida por João Bosco Aniceto. Até desfile de escolas de samba existiram. A Unidos da Ponte Branca, Emacorus, sob a batuta do carnavalesco Sebasticha, Luciano Curvo, Fernanda Martins. Come Água, na direção de Felinto Dias, os amigos Sebastião Capim, Saulo Faria, Zé Alfredo Zócoli, Antonio Hughes, Dona Suza, Ágdo, Andrezinho, Chiquinho da Cocar, Bozo, Suelena, Alcione Zattar, Zé Carlos da Zoom, Emilson e Elson Pires, Aparecida Pires, Dona Gertrudes, Celso, Max, César, Aranha, os irmãos Parreira, e tantos outros.
Nas ruas e avenidas, o samba contagiava. O que dizer ainda dos salões? O Humaitá, o azul e branco da Coronel Dulce todo decorado. A participação da família cacerense brincando e recepcionando outras famílias que aqui vinham prestigiar o famoso carnaval cacerense, a exemplo as de Mirassol, Quatro Marcos, também da Capital, Cuiabá, Poconé. A quadra ficava pequena para tanta animação e gente fantasiada. Na lembrança, os blocos, o esmero dos participantes, a ala dos médicos, a cada noite uma fantasia especial.
Flávio Ávila, em 1997, um dos Reis Momos que comandava os carnavais de Cáceres – Acervo: Maribel
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O Rei Momo Sebastião, Celso Lara. Auge nos tempos que o clube era comandado pela diretoria de Renato Garcia, Reinaldo Fanaia, Leontino Magalhães, também sucesso com Sebastião Capim e outros da diretoria do Come Água, que pegaram o bastão para erguer ainda mais as estruturas do tradicional espaço.
Bons temp da folia no UBSSC. No comando do Clube da Duque de Caxias o sargento Aniceto, posteriormente o Silveira. Músicos do exército caprichavam nas marchinhas e os foliões se entregavam na animação e folia.
No Clube Nipo-Brasileiro
A Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Cáceres, o Clube Nipo, associação de famílias nissei aqui radicada, se desdobrava na organização e atendimento nos bailes e nos carnavais. No bar, a juventude nipônica tinha como carro chefe um pastel delicioso que rebatia o cansaço da noitada. Não podemos esquecer também do famoso escaldado servido pela Roselane e o Cleto Silva no quintal da residência nos fundos do Humaitá, que era disputadíssimo.
Carnaval de 1966, no salão do Esporte Clube Humaitá. – Acervo Suely Canellas
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Os carnavais do passado começavam um mês antes. Houve um tempo que o Renato Garcia começava a divulgar a Festa de Momo com os concorridos avanços carnavalescos que aconteciam aos sábados, no salão do Humaitá. A iniciativa contava com maciça participação da juventude especialmente daqueles que estudavam fora e ainda se encontravam de férias na cidade. A curtição era mesmo pra valer. A segurança bem-feita e a tranquilidade imperavam nos festejos e mesmo fora dos salões.
As concentrações aconteciam nas residências. Quem não se lembra da turma dos Canabravas? Biba Cuiabano assegura que esta agremiação chegou a contar com 800 integrantes. Os Assombrados; As Pacupevas "soltavam a franga" no desfile cujo ápice se dava no Calçadão da Praça Barão.
Bons tempos aqueles… “Quanto riso, oh, quanta alegria”, até o Neguinho da Beija Flor comandou a festa numa domingueira inesquecível.
A bandeira do bloco "Come-Água", guardada com carinho por antigos integrantes
![]() Felintho Dias guarda com carinho uma placa de participação no 2º Carnaval de Rua de Cáceres, em 1983, ofertado pelo prefeito Ivo Scaff |
Come Água chegou a desfilar com 400 integrantes
Nos anos 80, o Bloco Carnavalesco Come Água que tinha na presidência Felintho Cavalcanti Dias Filho, chegou a contar com 400 integrantes e 60 ritmistas que comandavam a bateria sob a batuta do Toninho Cavalinho.
Felintinho, como é conhecido, dirigiu a agremiação durante quatro anos e passou o bastão ao animado Chiquinho da Cocar.
Ele recorda de um dos desfiles cuja concentração acontecia na Praça Duque de Caxias, os carnavalescos percorriam a Comandante Balduino até chegar na Praça Barão do Rio Branco. No trajeto ocorria quebra dos saltos das sandálias das passistas, haja vista as ruas serem de bloquetes.
Na administração da prefeita, Nana Faria, o desfile ocorreu na Avenida Sete de Setembro sobre asfalto novo. Um mês do desfile os dirigentes que faziam o carnaval local foram ao gabinete da prefeita reivindicar iluminação na referida avenida. Ela acatou a reivindicação e numa verdadeira força-tarefa se empenhou e iluminou a avenida por onde o desfile aconteceria.
Dessa época, o dirigente carnavalesco recorda que as fantasias foram confeccionadas praticamente pela sua mãe, a Dona Suza Gattas.
No esmero com a ala infantil sempre estava a dupla: Noeli e Roselane Carrelo.
Aliás, nessa época dos festejos de momo, a residência dos Gattass, na Rua Tiradentes, virava um verdadeiro reboliço com a reunião dos foliões e aquela expectativa incontida para a maior festa popular de Cáceres.
Gina Marquesa, um dos famosos do carnaval do passado, dando show durante o 4º Encontro dos Amigos da Princesinha do Paraguai
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Emacorus, três anos de sucesso inesquecível na avenida
No início da década de 80, surgiu como uma brincadeira de uma das filhas do saudoso prefeito Ernani Martins, a ideia de formar um grupo e assim participar do Carnaval de Rua de Cáceres que começava surgir com entusiasmo.
Era criado então o Bloco Emacorus, patrocinado pela Emaco Materiais de Construção, de Ernani e Lourdes Martins. As fantasias eram criadas com a criatividade dos foliões que ganhavam simplesmente sacos de estopa e haja criatividade para se apresentar na avenida.
Fernanda Martins na comissão de frente do bloco "Emacorus" – Acervo: Fernanda Martins
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Dado o marcante sucesso e o interesse das crianças, jovens e adultos em participarem, de brincadeira a coisa foi ficando séria dada à proporção que foi ganhando na preferência da população bastante carente de tais atrativos.
Então no ano seguinte, 1983, o segundo na avenida, o Emacurus veio bem mais estruturado. Com bateria, mais de 150 integrantes que ganhavam as fantasias, principalmente as crianças que demonstravam muita responsabilidade desde o assíduo comparecimento nos ensaios que aconteciam no Clube AABB. Dona Lourdes Martins comprou na Capital Paulista fantasias das escolas de samba e fez a doação. Sucesso total nas apresentações na Praça Barão, nas ruas e avenidas de Cáceres, e a coroação veio com a conquista do 1º. Lugar.
José Carlos Carvalho, proprietário da Zoom Publicidades, foi o idealizador do Carnaval Popular na Praça Barão do Rio Branco, em 1983
![]() Carnaval popular comandada pela Zoom Publicidade nos anos 80 – Foto: Facebook de José Carlos Carvalho |
Escola de Samba
Cada vez mais animados e impulsionados pelo entusiasmo da população, os dirigentes decidiram transformar o Emacorus em Escola de Samba (1982/83). Perto de 400 integrantes pediam passagem através de lindas fantasias em alguns destaques.
Na saudosa lembrança a rainha de bateria que infelizmente perdeu a vida de forma trágica meses depois num acidente de moto ocorrido na Avenida Sete de Setembro, que também ceifou a vida de um engenheiro que pilotava.
A Emacorus vinha forte na avenida. Seu samba-enredo criado pelo então deputado da oposição Ernani Martins que inclusive decidiu confeccionar a própria cartola e ir para a Comissão de Frente ao lado da filha caçula Fernanda Martins, falava do momento de instabilidade da economia nacional.
Delfin Neto era a figura central na condição de Ministro da Economia. Um enorme boneco de papel machê era a sua cara. No enredo a Emacorus satirizava: “Delfin corta o bolo sem rolo, Juruna dele não tasca; desse bolo de incerteza eu quero ao menos a casca”.
Foi então que aconteceu aquilo que jamais seus idealizadores esperavam e que a maioria acreditou que aconteceu naquele desfile: julgamento político.
Ernani era deputado da oposição que havia apoiado o Padre Pombo na disputa com Júlio Campos. No comando do município prefeita indicada pelo mesmo. A disputa entre os dois principais concorrentes – Emacorus e Come Água – foi sempre marcante na avenida. As duas agremiações se revezavam na obtenção dos troféus e das condecorações destinada aos melhores do samba cacerense.
Mas o resultado final desse julgamento foi considerado “uma injustiça muito grande”, e desde então seus dirigentes não mais se sentiram motivados em continuarem na promoção do carnaval. Saudosos tempos de uma acirrada disputa que ficou na história 40 anos passados.
Sem concorrentes a disputa perde a graça e a motivação vai embora, como o próprio Felintinho admite quando volta ao tempo para relembrar da união e do trabalho de seis a oito meses que a diretoria do Come Água empreendia com vistas a fazer o melhor carnaval possível.
A filha do saudoso Sessé faz dupla com a animada foliã Gislaine Barbiere – Acervo de Gislaine
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Personagens
Relembrar do carnaval do passado é fazer jus aos que ajudaram a promover essa marcante história da maior festa popular cacerense, quer na organização ou mandando ver com o samba no pé.
Como não lembrar do fôlego e da alegria de foliões a exemplo de Murilo Curvo e família, Sebastião Gomes de Arruda, o popular Touro, algumas vezes merecidamente ganhou o troféu de folião mais animado.
Luciano Buá, Luiz Ribeiro o popular Três Nariz, Ovidil Marques Garcia, Pedro Júlio, Renato Fidélis, Juvenal Pedroso Pelézinho… Foram tantos.
Consuelo Pinto de Arruda, Anália Pinto de Arruda, Ivana Fanaia, Suelena Dias, Ligia Helena Fanaia e irmãs, Ione Garcia, Rosana Carrelo, Inês Barbieri, Gislaine Barbieri, Katia Dantas, Maria José de Lara (Jejeca), as irmãs Ângela e Gisele Rondon, Taisa e Tatiane Fontes, Janaína Carrelo, Vânia Sacramento…a lista é bem grande. Usem a página dos comentários e faça o seu registro: “também ajudei a fazer o carnaval cacerense”.
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“Terezas de Benguela na Marquês de Sapucaí”
No Carnaval de 1984 o carnavalesco Joãozinho Trinta, da Unidos do Viradouro, resolveu homenagear a história de luta da escrava negra Tereza de Benguela que viveu em Vila Bela da Santíssima Trindade (primeira capital de Mato Grosso) ao levar para a avenida sete mulheres negras.
Entre elas três mato-grossenses, sendo que duas delas construíram sua história de vida em Cáceres, hoje são professoras aposentadas: Tereza Geraldes e a sua Irmã Inês. Elas tiveram seus dias de glória ao participar do desfile na Sapucaí como integrantes da encenação de pura magia “Tereza de Benguela – Uma Rainha Negra no Pantanal”.
As cacerenses, Terezas de Benguela durante o Carnaval na Sapucaí, no Rio de Janeiro
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Neuliane Rondon, em 1975 se preparando para o Carnaval infantil no Humaitá Acervo: Kishi |
| Carnaval de 1980 no Clube Nipo, o presidente Akio Kishi entregando troféu a uma das foliãs, acompanhado pelo repórter da Rádio Jornal de Cáceres, Paulo Rocha – Acervo: Wilson Kishi
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No Bar do Juracy França (antigo Jucão), os jovens Jonyzinho, Marlon, Pelezinho, César,
Valfredo e ao fundo Pino, nos dias de carnaval de 1976 – Foto: Lindote |
A juventude cacerense sempre foi presença marcante nos carvanais de Cáceres. Acervo: Gislaine Barbiere
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Dito Gato (a direita no cavalo branco) com amigos durante o carnaval de 1959 no
Bloco "Xavantes da Fronteira", integrantes do 2º Befron Foto: Acervo Luizinho Dito Gato
Carnaval no Esporte Clube Humaitá, 1966
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5 respostas
Saudades desses momentos maravilhosos! Pena que agora ficamos com as saudades….
Obrigado Kishi e Toninho Costa.
Muito bom relembrar.
adorei kishi!!! 👏👏👏👏
Foi para brilhar os olhos! Saudades.
“Velhos tempos, belos dias”, disse o poeta