
O “Memórias e Histórias” de hoje é totalmente dedicado a uma personagem que conheceu Cáceres na década de 70, e por aqui permanece até os dias atuais, aliás, por aqui, ela reside já por longos 51 anos, ou seja, mais da metade de sua marcante, dinâmica e feliz existência.
A homenageada é mãe, avó, secretária, gerente, professora aposentada nascida em Passo Fundo-RS e uma das ferrenhas defensoras da Praça Benjamin Constante, a conhecida Praça da Cavalhada, o nome dela é Maria Sueli Vieira Mattiello.
Filha dos saudosos, Alzimiro Dàvila Vieira e Delvide Formighieri Vieira, nasceu em 04 de fevereiro de 1944. Uma família de cinco irmãos, dos quais só ela e um irmão estão vivos, o empresário Francisco Vieira, do Parque dos Ipês. Maria Sueli volta no tempo e num misto de imensa saudade e forte emoção recorda da infância e mocidade alegre e feliz na convivência dos pais e demais irmãos na sua cidade natal.
Até aos 10 anos, ela dividia o tempo entre a cidade e passeios nas fazendas de criação de gado dos pais, tios e avós. Recorda que o avô paterno, Osório Porto Vieira, foi um fazendeiro importante na região das margens do Rio Jacuí. Ela diz que foi no ano de 1955 que sua família mudou-se definitivamente para a cidade de Passo Fundo, quando seus pais viram a necessidade dos filhos se dedicarem aos estudos. Sueli e a irmã Noeli foram estudar na Escola Notre Dame; enquanto os demais frequentaram o Colégio dos Irmãos Maristas.


Posteriormente, o pai decide vender a fazenda e se torna empresário no ramo de transporte coletivo de passageiros em Passo Fundo, a empresa Vieira, uma das pioneiras nesse tipo de serviço no interior do Rio Grande.
Sueli começava a dar os primeiros passos no trabalho ao assumir o serviço de secretária na empresa. Aos finais de semana, sempre estava na companhia dos irmãos e das amigas participando das festinhas, brincadeiras dançantes, outros eventos como Rainha Estudantil, Rainha Carnavalesca, grupo muito animado e divertido, segundo ela. Alguns até hoje ainda mantem, e a turma passou a ser chamada de “Os Bengalas”, em razão da idade que já atingiram.
Passados alguns anos, o pai desfaz da atividade a empresa e a família decide se mudar para Clevelândia-PR, no ano de 1965. Sobre Passo Fundo, a homenageada afirma que obteve todo legado e a tradição das festas que marcam fortemente a tradição gaúcha. Os encontros, os bailes, os churrascos e as rodas de chimarrão.
Hotel e Restaurante Hispano
Em Clevelândia-PR, seus pais inauguraram o Hotel e Restaurante Hispano, ela ajudava muito no dia a dia do empreendimento (60 leitos). Aos 21 anos, era uma espécie de “faz de tudo” (gerente administrativa, garçonete, chefe de cozinha), e ainda conseguia tempo de ser atendente no posto de saúde da cidade onde foi funcionária por cinco anos seguidos.
Sueli, posteriormente, trabalhou por três anos como professora primária e de alfabetização de crianças na Escola Estadual Abílio Carneiro. Sobre o Hotel, um fato curioso segundo ela que perdura até os dias atuais: o nome Hispano lá do ano de 1965 em Clevelândia é a mesma denominação do restaurante que o seu genro, Mauro Miranda, casado com a Ana Lúcia, comanda em Cáceres na Praça Barão do Rio Branco.
Dos tempos de Clevelândia ela relembra da ativa movimentação social que levava. Foi Rainha do Carnaval em 1968, quando conheceu aquele que viria mais tarde ser seu esposo. Ilmo Luiz Mattiello quase sempre estava ajudando na organização das festas da cidade. Ela revela que na escola que trabalhava se dedicava bastante na preparação dos desfiles alusivos ao aniversário da cidade como também nos festejos cívicos do Sete de Setembro.

No ano de 1970, Sueli e Ilmo se casam na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Luz, logo em seguida o jovem casal se muda para Cáceres atendendo convite de um dos irmãos, Sueli passa a trabalhar com Francisco no Escritório de Contabilidade e Despachante Imco mais tarde Incoeste.
Posteriormente, Ilmo Luiz inaugura na Rua Coronel José Dulce- 229 (agosto/1973) o primeiro escritório direcionado para a formação de condutores de veículos, a Auto EscolaMotocar Ltda. Posteriormente, o empreendimento teve a sua denominação alterada para Auto Escola Ética Ltda com assistência também para as atividades de empreendimentos imobiliários.
Do casamento de Ilmo e Sueli nasceram os filhos: Lize, Ana Lúcia, Carlos Alberto, Juliana e Vivian. Carlinhos manteve a atividade lançada pelo pai, e até hoje trabalha com escola formadora de condutores.


Atividades desenvolvidas
As dificuldades na vida são inerentes ao ser humano. A homenageada do dia passou por muitas dificuldades principalmente após a separação. Porém foram desafios que contribuíram para que a professora do antigo Colégio dos Padres se tornasse ainda mais forte, determinada e vencedora.
Na área política, sempre trabalhou defendendo o fortalecimento dos partidos políticos (foi do PDT) como fator básico da Democracia, membro da executiva no período de 90-94 como 2ª Tesoureira.
Na Educação – desenvolveu atividades como professora, coordenadora e supervisora por mais de 10 anos. Defendendo a formação do indivíduo como parâmetro fundamental da cidadania.
Na Igreja- ajudou na construção da Igreja Imaculada Conceição no Bairro da Cavalhada quando foi presidente daquela comunidade por dois anos. Atuou como coordenadora e palestrante no Movimento de Cursilho de Cáceres por mais de oito anos. Representou a Diocese de São Luiz de Cáceres em várias assembleias, congressos estaduais e nacionais.
Na Área Social – seu principal trabalho foi ter participação direta na conquista da Delegacia do Cioff (Conselho Internacional de Organização de Festivais Folclóricos e Artes Tradicionais) para o Mato Grosso onde já realizou grandes festivais folclóricos.
Sócia fundadora do CMTG onde atuou como secretária. Com os professores Luiz Tolloti e Zelma Assunção marcou presença de Cáceres em Passo Fundo com o Grupo “Caliandra”, numa mostra do folclore e dança mato-grossense. Sucesso absoluto que impulsionou o surgimento do hoje reconhecido internacionalmente, Grupo Chalana, de projeção artística e com várias participações e destaques internacionais. Foi Delegada do Conselho Regional de Corretores de Imóveis na região da Grande Cáceres.
Um breve resumo de sua atuação pelos caminhos do Sul até vir definitivamente parar em Cáceres, fazer amigos, ganhar o respeito e admiração de uma grande maioria de amigos, ver seus filhos encaminhados e trabalhando cotidianamente para ajudar no crescimento dos diversos setores onde atuam.
Com isso podemos concluir que a mística do carisma da professora Maria Sulei está na força do seu interior que é: “a presença constante de Deus em quaisquer circunstâncias”.
Cidadania Cacerense
Todo o reconhecimento e trabalho ao longo desses anos vividos na cidade lhe garantiram o Título de Cidadã Cacerense, homenagem do ex-vereador, Edmilson Tavares, na gestão do Presidente, Márcio Paes da Silva Lacerda, em 09 de dezembro de 2016.
Seus 80 anos foram comemorados numa marcante festa na noite do dia 03 de fevereiro deste ano. Familiares, amigos e parentes vindos de várias partes do Sul estiveram presentes para celebrar esse grande dia, e alguns prestaram lindas homenagens a aniversariante.
Em defesa dos tarumeiros da Praça da Cavalhada

Entre tantas bandeiras levantadas em prol das causas na cidade que aprendeu amar, se destaca a histórica mobilização que ela levantou para impedir que motosserra dos trabalhadores da prefeitura cortasse os tarumeiros da Praça da Cavalhada, sob falso pretexto de que as centenárias árvores poderiam cair e assim ameaçar a integridade física nas proximidades do local onde estão plantadas.
Felizmente, a atitude da professora impediu o assassinato dos tarumeiros. Eles até hoje estão ornamentando e dando sombra ao local tradicional de Cáceres. Uma das espécies ainda tem a marca da motosserra em seu tronco.
Lá se vão mais de 35 anos desse fato que a professora impediu que viesse manchar negativamente o já tão desgastado meio ambiente. “O nosso movimento em prol dos tarumeiros da praça reuniu a criançada, vizinhos, familiares, autoridades. Até hoje está na memória a faixa estendida no local e que foi publicada no jornal com os dizeres – VIVI CEM ANOS ME DEIXEM MORRER EM PAZ”.



































4 respostas
Puxa! Muito legal e curioso… Lendo essas linhas, entrei num outro mundo, repleto de lindos e intéressantes fatos que fazem e farao a nossa historia.
Obrigado professora por ter me dado a honrra de poder ter sido teu aluno… Alias, eterno aluno.
Santa ” Inteligência Artificial ” – A querida máquina que sempre comanda, sim estou observando e, sempre surge algo mais, as vezes que fui rainha de carnaval foi em CLEVELÂNDIA PR, quando encontrei o Sr. Ilmo. Luiz Mattiello,- A foto acima foi num baile de Carnaval no antigo Humaitá em Cáceres,MT. – Obs. quem é o grande Cacerense, que aparece no cantinho da foto. – Será que alguém irá lembrar e dizer ??
Parabéns pela rica história de luta em prol da sociedade cacerense.👏👏👏
AMIGOS DE LONGAS DATA:, Wilson Kishi e Toninho Costa,-: -Li e reli, o material jornalístico de vocês, não tiro nem uma palavra dele, TONINHO que me conhece a muito tempo, sabe bem da minha trajetória o que foi e o que é hoje . – Kishi deve ter ainda nos velhos arquivos de seu pai velhas fotografias como mostrou em uma delas eu e o Ilmo dançando num baile no antigo Humaitá- PENSAR na festa de 80 anos, fui mais longe ,sonhei….imaginei….aqui, nesta PRAÇA DA CALHADA, endereço oficial até hoje. juntinho dos meus vizinhos, parentes , amigos que sempre. – Meu endereço oficial sempre foi este ,Praça da Cavalhada ,grande parte de minha HISTÓRIA , está por aqui. – Gratidão amigos e muito obrigada pelo presente.