Memórias e histórias

Bares e pizzarias da Praça Barão através dos tempos

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Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews

Na edição anterior, estampamos cenários que ao longo da história identificaram vários aspectos pelos quais passou a tradicional e histórica Praça Barão, desde a época em que era o Largo da Matriz. 

Agora, faremos um apanhado das lanchonetes, bares, pizzarias, restaurantes e outros comércios que marcaram tempo através do trabalho que os proprietários empreenderam em prol do setor comercial e de prestação de serviço na Cáceres de outrora até os dias atuais. Onde o referido local continua sendo o principal setor atrativo da cidade.

Inauguração do Bar do Jucão – Acervo de Fernando Homem de Melo

Bar do Joaquim Dias inaugurado nos anos 30

Remanescente de um bar inaugurado em 1937, de uma sociedade entre os irmãos Joaquim Cavalcanti Dias e Villar Cavalcanti Dias, que durou pouco tempo, e, funcionou onde é hoje a Loja Marisa. Desfeita a sociedade ficou conhecido como Bar de Joaquim Dias.

O bar era administrado por sua esposa, Ana Maria Barros (dona Catu), “uma senhorinha muito trabalhadeira, administrava o referido bar enquanto os filhos cresciam…”, revela a sobrinha e afilhada Suelena Gattas, professora aposentada.

Dedicação, amizade e referência no atendimento ao público, ganharam ao longo dos anos a preferência dos frequentadores, principalmente autoridades da época, visitantes, etc.

O local privilegiado também ajudava aglutinar a movimentação muito boa ao comércio, afinal, até hoje a Barão é a área preferida dos habitantes locais como de turistas e visitantes.

Joaquim Dias comandou o empreendimento por vários anos. O tino comercial do pai foi seguido pelo filho José Dias, o Jucão, que o substituiu no empreendimento e deu continuidade ao sucesso do bar até hoje referenciado pelos cacerenses mais antigos.

Jucão, como era conhecido, granjeou uma legião de amizades através de sua existência. Com isso, conseguiu manter o sucesso comercial do bar por vários anos até encerrar as atividades na década de 70.

Ele teve um período que contou com a parceria do irmão Felinto Dias, até que este decidiu montar o seu próprio negócio.

A foto datada de 1937, aparece em primeiro plano aquele cidadão que se tornou posteriormente o coronel Austregésilo Homem de Mello; ele está ao lado do influente José Dulce, ambos sentados na mesa do bar. Frei Ambrósio ao fundo; Jucão ainda criança…

“Da partilha dos bens do casal Joaquim Dias e esposa, o bar ficou para o filho José Dias, e assim ficou conhecido como Bar do Jucão. Assumiu o bar com vinte e poucos anos, tendo falecido na flor da idade, aos 40 anos”, revela o primo, Waldir Fanaia Dias.

Nos anos 50, era comum chegar cavaleiros montados, apear, adentrar ao recinto, e deixar o cavalo encilhado amarrado nas árvores próximas.

Uisque importado, cerveja, picolé, sorvete, salgados, suco de frutas, conhecido na época como refresco, e o famoso sanduíche de pernil de porco. Servido no pão francês.

Na calçada do lado de fora eram colocadas mesas e animadas partidas de truco, bozó aconteciam.

No salão da frente, um balcão grande onde ficava rodando uma máquina de fazer sorvete e picolés.

Aos fundos mesas de sinuca para aficionados a exemplo de Nélio de Campos, Ciralli,  Délio de Miranda, davam show na arte do taco.

O local sempre era visitado pelo Inspetor de Menores, Luiz dos Santos Garcia, que vistoriava para impedir que algum menor burlasse a vigilância e tentasse jogar partidas de sinuca. Algumas vezes levava o menor que se encontrava no local proibido ao conhecimento do pai…

Sobre a Praça Barão, o aposentado Ruse Torres recorda da existência de um posto de combustível próximo de onde hoje está localizada a agência Sicredi. O referido posto funcionou durante vários anos no local. Segundo ele, pertencia ao Sr.Ulisses de Lacerda.

Bernardino Sene da Silva, o Pelé, ou Gina Marquesa, quando chegou em Cáceres trabalhou de garçom

Gina Marqueza Garçom

Recém chegado de Poconé-MT, Bernardino Sene da Silva, 79 anos, o Pelé, Gina Marqueza, trabalhou alguns anos de Garçom no referido bar. Brincalhão como sempre, figura marcante nos carnavais de outrora quando vestia de baiana e sambava nas ruas e avenidas de Cáceres, Pelé dizia que tinha vindo de Poconé para representar os “homens poconeanos”…em Cáceres.

Isso incomodava e muito o abastado fazendeiro Lício de Aquino Nunes, poconeano de nascimento, que ficava “arara” com a declaração do extrovertido Garçom, figura muito conhecida na cidade.

Sobre o local, o conhecido Pedro Sapateiro, tem saudade da cachaça fabricada na Usina Ressaca. “Um perigo, pois era muito saborosa, e a gente não se contentava somente com um gole”, recorda ele que frequentava o ambiente na companhia de colegas da época da juventude.

Jamil Atala sentado na mesa e ao fundo, atendendo na sorveteria o Germano Atala – Acervo da família Atala

Sorveteria dos Atala e o famoso picolé de coco queimado

Falar da Barão é relembrar também da Sorveteria dos Irmãos Atala, sob o comando do Germano, Davi, Jamil e Emília Atala, se localizava bem na esquina da praça com a Rua Comandante Balduíno onde justamente hoje está localizada uma ótica.

Por mais de 30 anos o empreendimento atendeu a clientela de Cáceres com verdadeiras delícias tipo picolés, sorvetes, sucos, vitaminas, etc, produtos artesanais cujos sabores representavam os diversificados frutos da época. Desde tamarindo, cajá manga, bocaiuva, milho verde, etc. O carro chefe era o famoso picolé de coco queimado.

Após a missa dominical no período noturno, a sorveteria ficava cheia, assim como após as exibições dos filmes no Cine Copacabana. Muitos apreciavam o solicitado bauru. Tinham aqueles que compareciam no local para um animado bate-papo e o tradicional cafezinho.

O empreendimento dos Atala tem muito a ver com parte da história de Cáceres. Eles por exemplo, foram pioneiros na fabricação de pão. Hoje só saudade desses tempos de outrora.

Bar do Américo do Valle

Comerciante que se destacou na Cáceres do passado com o serviço de bar. Inicialmente onde hoje está o prédio da Caixa Econômica. Posteriormente Américo levou o bar para as esquinas das Ruas Comandante Balduíno com a Tiradentes. Ali permanecendo até encerrar as atividades por volta de 1966.

Um fato marcante ocorrido no Bar do Américo e que chamou atenção à época, foi o discurso inflamado do cacerense filho de família tradicional, Honor do Couto, que subindo numa mesa de bilhar no dia que chegou aqui a notícia da morte de Hitler, 01.05.1945.

A revelação vem do leitor Paulo César Homem de Mello, que segundo ele, por coincidência, a data é a mesma do seu nascimento. “Este fato me foi relatado por pessoa presente, tio José da Lapa, e que ficou impressionado com isso durante toda a vida”, revela.

Curtição também marcou época e boas lembranças. Hoje está instalado a Caixa Econômica Federal
Foto: Acervo Museu Histórico de Cáceres Professora Emília Darci de Souza Cuyabano

Curtição do Luiz Brum

Luiz Carlos Maia, o Luiz Brum, foi outro comerciante do antigo centro de Cáceres, por mais de 20 anos este cacerense ofereceu serviços de bar e restaurante com comidas típicas onde hoje está o prédio da Caixa Econômica.

O badalado point do Luiz Brum (Curtição) reunia políticos, a nata cacerense, jovens, etc.

Costumeiramente nos finais de semana o local se tornava pista de dança com animados bailes madrugada à dentro.

Muito popular, o proprietário gostava de um bom papo especialmente político com os seus habituais frequentadores.

Por volta do ano de 1977, a cantora Gretchen no auge com seu rebolado, fez uma apresentação no local que atraiu uma multidão. Ela, mandou ver com o tal “melô do piripipi, conga, conga, conga…, e haja rebolado.

Luiz Brum costumava se apresentar no período carnavalesco como Rei Momo.

Pizzaria Bicão

Bicão, primeira pizzaria de Cáceres, que fez a  verdadeira pizza, point na época.

Pertencia ao irmão do conhecido comerciante Neves. Ademar e sua esposa Margô, já falecidos, tocaram o empreendimento por vários anos.

Pizzas de vários sabores caiu no gosto dos cacerenses que frequentavam a casa religiosamente.

A guloseima o casal importou de centros mais adiantados especialmente o interior paulista. Aqui chegou como grande novidade, acabou se tornando a preferida dos cacerenses.

Kuka Lanches, instalado próximo a escadaria do cais, de propriedade de Abílio e Norma Piran

Abílio e Norma Piran:  sucesso do Kuka Lanches

Procedentes do Rio Grande do Sul, atendendo convite de amigos, o casal Abílio Juventino Piran e Norma Zancanaro Piran, vieram conhecer Cáceres no ano de 1984, gostaram e aqui permaneceram com atividade alimentícia durante aproximadamente dez anos.

O casal já tinha experiência e tino comercial com os alimentos, pois já havia trabalhado em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Então com a experiência no ramo alimentício, logo conquistaram a praça de Cáceres. Montaram algumas casas de lanches espalhadas pela cidade. Na Barão do Rio Branco eram duas; existiam outras na Duque de Caxias e na Cohab Velha.

Sucesso e a freguesia que só aumentava. Passados alguns anos, Abílio decide montar a Construtora Piran, enquanto Norma aposta todas as fichas no Chike-in onde hoje se localiza o Restaurante do Pipoca, e, posteriormente decide investir no Kuka Lanches, bem próximo ao cais.

A atração pelo lugar se dava em razão das proximidades do cais e da baía que margeia o centro de Cáceres. Mesas eram colocadas ao lado da mureta do Porto Mário Correa. Pratos deliciosos, ambiente sadio e a boa acolhida dos proprietários e atendimento cordial dos conhecidos garçons Arino e Bolívia, ajudavam manter a casa cheia. Foi assim por vários anos.

Até que com o falecimento de Abílio Piran no ano de 1993, e, a decisão do prefeito Antonio Fontes em retirar todas as casas de lanches dos canteiros das praças, o Kuka Lanches saiu da Barão. E, para continuar com a única atividade que garantia manter à família, Norma inaugura o Kuka Flutuante, até que decide definitivamente encerrar com locais fixos para servir comida, e, passa atender buffets festas.

A família marcou época no ramo alimentício e até hoje é lembrada em Cáceres pela comida saborosa e o primoroso atendimento à enorme clientela que possuía.


Rubens e Dalva,

Dalva e Rubinho também marcaram época na noite cacerense

Em continuidade aos empresários e donos de bares que marcaram época na noite cacerense, a reportagem foi ouvir um casal que se destacou durante pelo menos duas décadas: Rubens Francisco de Melo Aureswald Ranzani e Dalva dos Santos Ranzani.

O cacerense Rubinho, como é conhecido, casou com Dalva, natural de Paranaíba-MS, que viveu desde os dois anos de idade em Barretos-SP, no ano de 1973. Padre Chico foi o celebrante da cerimônia na Catedral São Luiz. Lá se vão 48 anos que estão juntos. Dessa união nasceram os filhos: Rubia, Rubens e Rudson.

Assim que chegou a Cáceres, ela que desde criança e adolescente, viveu em meio as movimentações dos bares e restaurantes, haja vista que seus familiares tocaram por décadas esse tipo de comércio na Praça São Benedito em Barretos-SP, imaginou abrir na praça de Cáceres.

Inicialmente foi trabalhar nas Casas Pernambucanas e em uma boutique. Assim que conheceu “a sua cara metade”, idealizou abrir o próprio negócio.

Então surgiu a oportunidade de comprar o antigo Society, cujo fundador Mendo já estava cansado e iria se aposentar com esse tipo de negócio, o ano 1975.

Na foto acima, Hispano Hotel, depois virou um restaurante – Acervo da família Castrillon
Na foto abaixo, o Society Bar, de propriedade do Sr. Mendo – Acervo de Cesar David Mendo

Na sequência, o casal estava mesmo disposto a continuar na atividade, e, acabou por adquirir também a parte térrea do Hispano Hotel, o ano de 1977, e no local comandar um bem montado bar e restaurante.

Negócio de vento em popa, Rubinho e Dalva se sobressaem ainda mais, compram também o Curtição do Luiz Brum, e, com o apoio do seu professor do CEOM Orivaldo Ramos Costa, músico de primeiríssima qualidade e reconhecido animador de fandangos, lança o Bailão aos finais de semana. Alegria e animação marcaram o ambiente durante vários anos.

Com três empreendimentos em pleno funcionamento, o casal de empresários de sucesso não para. Abrem também a Lanchonete Pedutti na Praça Duque de Caxias, para aproveitar o público que circulava pelo local nas sessões de cinema, como também da movimentação dos bailes no clube UBSSC. Lanchonete com um bom público consumidor que se achava instalada ao lado do cinema, em prédio do antigo comerciante Alfredo Calix.

Na sequência os empresários da noite também adquirem o Restaurante Pilão no Calçadão da Praça Barão do Rio Branco. Onde mantiveram em atividade até o ano de 1996, quando decidiram de vez encerrar as atividades em Cáceres.

Artistas famosos como Nelson Gonçalves, Waldick Soriano, Cíntia, Duduca e Galvão, circularam pelos bares e restaurantes comandados pelo casal da noite. Outra famosa que apareceu também foi a Elke Maravilha. Modelo, jurada, apresentadora e atriz alemã naturalizada brasileira.

Entre políticos famosos, o Curtição por exemplo, recebia sempre o governador Júlio Campos marcava presença na companhia da amiga e prefeita Ana Maria da Costa e Faria (Nana).

Entre os não tanto famosos, mas que, no entanto, fizeram história nos bares de Cáceres especialmente naqueles do Calçadão, uma figura que muitos haverão de lembrar: Mané Campari, paulista, herdou o nome da bebida preferida. Tinha mesa cativa no Hispano.

No cardápio cuidadosamente preparado, os locais serviam: Society (galinha com arroz), Curtição (À la carte), Hispano (rodízio de carnes), Pilão (À lacarte).

Ao usar os “pés para firmar o corpo, mãos para agir, e a cabeça para pensar”, frase que faz parte da vida da empresária Dalva Ranzani, ela e o marido Rubinho trilharam uma época de empreendedorismo e sucesso em Cáceres.

A juventude daquela época marcava presença no Pilão agitando o Calçadão, muitas vezes, era o aquecimento para os bailes no Humaitá e Iate Clube – Foto arquivo pessoal de Juvenal Pedroso 

Juvenal Pedroso (Pelezinho)

Durante 1 ano o Pilão foi arrendado, por Rubinho, ao conhecido Juvenal Pedroso, o Pelezinho. Ouvido pela reportagem, ele é taxativo em afirmar que tem boas lembranças dos agitos e das amizades que faziam acontecer nas noites cacerenses. Por outro lado, dada a sua vasta legião de amigos, o caderno de fiado só aumentou as folhas, sorri com a costumeira e estridente gargalhada. Nesse mesmo local, hoje funciona o restaurante Kitai, com a culinária japonesa a disposição dos frequentadores.

Famosos na praça

Nos bares da praça, Zakinews foi à cata de pérolas, e descobriu por exemplo, que o famoso escritor Antonio Callado (Quarup) passou pelo Bar do Jucão; o  compositor da bossa nova Billy Blanco, à serviço do BB , saiu do Jucão e foi até à loja do Zé da Lapa (Casa Ideal). Também a reportagem tomou conhecimento que a  famosa atriz do cinema francês da Nouvelle Vague, e seu marido grande empresário italiano do ramo fábrica de automóveis visitaram o Jucão.

Sem esquecer o dueto Waldick Soriano e o falecido e popular Passarinho num bar ao lado do Copacabana. O popular cantor da música “eu não sou cachorro não”, após a tarde toda no conhecido  Mini Praia, do outro lado da baía, tinha show no domingo tarde noite no Cine Copacabana.

Waldick ao entrar no recinto, reclamou com o saudoso Sr. Aroldo Fanaia Teixeira, gerente, que não havia na parede do cinema foto dele, “somente de Charlton Heston e de Sophia Loren”.

Fatos verídicos registrados na memória daqueles que um dia, uma noite, estiveram na praça. Sem esquecer que Theodore Roosevelt, ex-Presidente dos EUA, hospedado em Cáceres no início do século, na residência do Ten. Lyra, foi à Praça principal a noite, conforme o livro Rio da Discórdia, sobre essa viagem, Expedição Roosevelt-Rondon.

Existiram outros locais instalados na famosa praça. Caso de Zero Grau, do Cheiro Verde Restaurante, do casal Nilton Barbosa e Eloísa. Bom gosto e requinte no ambiente servindo variados e esmerados pratos… Com reconhecido gosto pela cozinha, o proprietário servia no Festival de Pesca, peixe assado na telha sobre a folha de bananeira.

Dito Benditoatualmente este restaurante ocupa o lugar onde antigamente o Cheiro Verde funcionou.

A Boate Tri-Lance foi outro local frequentado pela juventude. Um dos sócios proprietários costumava dormir após as atividades da casa, dentro do Ford Galaxi branco estacionado nas proximidades…

Chicknin, do saudoso Mendo. O estabelecimento sucedeu ao famoso Restaurante Bicão.

Imagens acima forram publicadas no jornal Diário de Cuiabá, final da década de 90

Bar Xô Paulo… que depois chamou de Choppaulo, também marcou de maneira significativa a vida noturna de Cáceres. O local era muito frequentado pela juventude que tinha consideração e respeito pelo proprietário. Ele veio do interior paulista com sua família e aqui se radicou até os últimos dias. Parte dos familiares viraram cacerenses. Na década de 90 muitos políticos marcaram presença nas mesas espalhadas no calçadão. Juliane Toni, a filha caçula do Paulo e Sônia, tem grandes recordações daquela época. “Foram momentos inesquecíveis da minha vida. Conheci grande parte da nata cacerense naquele período”, relembra Juliane.

Família do Cel. Darci, e a identificação com a Praça Barão do Rio Branco através dos tempos, por longos anos seus integrantes eram vistos em animadas reuniões e rodas de bate papo. O site ouviu uma das filhas do coronel, Luciene Pestre Liso; ela revela que a casa da praça próximo onde atualmente está instalada uma sorveteria, foi construída para os tios de sua mâe, Humberto Dulce e a Tia Sotinha. O casal teve uma filha: Ana Dulce, a Noca.

A casa dos Pestre durante anos foi ponto da moçada que fazia acontecer. Luciene, revela que no Carnaval o bloco da juventude saia do local pra folia no Humaitá. Aqueciam com a batidinha que o seu pai, o coronel Darci aprendeu no Rio de Janeiro, a famosa batida de coco do Osvaldo da Barra. Cita as foliãs da época: Angélica Monteiro, Tetela Pinho, Márcia Palmiro, Elina Figueiredo, Gisela Rondon, Liane Castrillon, Virgínia Rezende…”Hoje restou saudade”…

Silvio Simões, proprietário do Novo Casarão, o point mais agitado da cidade – Foto: Wilson Kishi

O Novo Casarão servia a exótica carne de jacaré

Há 28 anos no prédio que um dia abrigou o Cine Copacabana idealizado pelo saudoso João Deluqui, o Novo Casarão tem o comando do casal: Silvio Donizete Simões e Gesiane Simone Simões, ao lado dos quatro filhos, eles se revezam em fazer aquilo que mais gostam: oferecer um variado cardápio entre lanches, carnes, massas, pizzas, etc.

Num passado recente o local servia também a exótica carne de jacaré, apreciada por turistas que curiosos desejavam conhecer e saborear a carne de um dos maiores répteis do Pantanal.

Infelizmente o exótico prato não compõe mais o cardápio do Casarão, com a desativação do frigorífico da extinta Coocrijapan, que mantinha a criação da espécie em cativeiro, revela Simone.

Agora ganhou ainda mais força na preferência dos seus frequentadores a peixada cacerense, constituída de pacu ensopado, pacu frito, pintado ao molho, peraputanga frita, arroz, pirão, mandioca e vinagrete.

Famosos no local

Nesses anos de atividade na principal praça de Cáceres, visitaram o Casarão famosos artistas caso dos cantores Sérgio Reis, César Menotti e Fabiano, Victor e Léo, Kelly Key. Políticos a exemplo do saudoso deputado Osvaldo Sobrinho, ex-Governador Júlio Campos, e outros mais recente como o Senador Carlos Fávare. Revelam os proprietários.

Com a pandemia da Covid, o local teve que baixar as portas por uns dias. Fato inusitado para os proprietários e a fiel clientela, que no restaurante viveram grandes e festivos momentos, desde o desfile das Pacupevas nos carnavais de outrora. Passando pelos jogos da Copa do Mundo, Festival Internacional do Folclore, Festival de Pesca, Festa do Padroeiro São Luiz, etc.

Aparecido (Cidão) e Suzana Joceli, casal que ficou a frente do Canto A por mais de 27 anos – Foto: Acervo pessoal de Suzana

Canto A, só saudade!

O Bar e Pizzaria Canto A, foi por 25 anos o ponto da família cacerense na Barão do Rio Branco. No comando do conhecido Aparecido Cidão e da mulher Suzana Joceli da Silva, abriu as portas no começo dos anos 80 e recebia diariamente a sua vasta clientela num ambiente agradável onde todos podiam sentir em casa, dada o carinho e a atenção dos proprietários e equipe de garçons.

Suzana, a antiga proprietária, vive hoje na capital paulista, mas precisamente na Penha. Revelou na conversa com a reportagem que entre os fregueses mais assíduos do local estavam: Sílvio Simões (do Casarão), Luciano da Bip Sorveteria, Eni Lacerda, Eder Guedes, e outros.

Um evento idealizado em Cáceres por Suzana do Canto A foi a Corrida dos Garçons que aconteceiam anualmente no Calçadão da Barão – Fotos: Suzana Joceli

Momento de articulação política do PMDB, período das Eleições de 1988. Sentado à mesa do Canto A estão entre eles: Hamilton Gurjão de Brito, Ademir Krugger, Germano Bianchini e João Filgueira 

Políticos que estavam constantemente no ambiente, ela lembra dos ex-prefeitos Antonio Fontes, Walter Fidélis, deputado Zé Lacerda, governador Dante de Oliveira, este, por sinal, a ajudou muito quando do acidente sofrido pelo seu filho.

Suzana diz que não saiu de Cáceres. Seu pensamento está constantemente ligado na cidade. Ela tem vários amigos e 70 afilhados. Isso mesmo!

Após a mudança para São Paulo, Suzana lembra que deixou, o Canto A, por sete anos sob o comando de Adriana e Marcos Godoy. Hoje, no mesmo local, funciona a sorveteria Chiquinho´s Sorvetes.

Depois de trabalhar por mais de 20 anos no Canto A, Pipoca montou seu próprio restaurante – Foto: Wilson Kishi

Bar e Pizzaria do Pipoca

Na Barão também faz parte da vida noturna, o Bar e Restaurante do Pipoca, bem próximo da tradicional Vila do Zé da Lapa. Pipoca, como é conhecido o referido dono do estabelecimento, começou na vida noturna no trabalho de Garçom no Canto A. Lutou até conseguir ser dono do próprio negócio, uma bem montada pizzaria e restaurante localizado na outra parte da praça e tem sua freguesia cativa. É outro point da vida noturna cacerense e lá se vão mais de 25 anos em atividade.

Com certeza, ao longo do tempo, existiram outros estabelecimentos no entorno da Barão, que foram lembrados por alguns durante as entrevistas, tais como:Cocus Drinks, Fliperama, Zero Grau, Chaparral, La Estância, Saloon, Carioca…

Nadir Macedo e Nego Macedo, proprietários do Bar do Nego e posteriormente montou a Sorveteria Xodó

Bar do Nego: sabores para uma clientela cativa 

Os leitores recordaram e a reportagem foi atrás das informações que dizem respeito ao Bar do Nego, que funcionou nos anos 60 até 1973, onde hoje está a Credi Cáceres na Praça Barão ao lado do Cine Xin.

O cirurgião dentista aposentado, Nilson Macedo, filho dos proprietários do antigo Bar do Nego, – Nilton Félix de Macedo e Nadir Cunha Macedo – atendeu à reportagem, e, passou a contar preciosidades dessa marcante época:

“Meu pai tinha no bar, nos anos 60 a cafeteira expresso de marca italiana, GAGGIA, famosa por fazer um excelente café. Some-se a isso o fato do meu pai ter na época uma torrefação de café, o Café Cacerense, que era muito apreciado pelas pessoas”, relembra o filho.

Diz ele que a sua mãe, sempre estava no bar, fazendo salgados e doces para vender no local. O Bar do Nego, no início se chamava Bar e Café Cacerense, depois era conhecido por todos apenas como Bar do Nego, seguramente funcionou com absoluto sucesso durante 10 anos.

Depois, recorda Nilson, que seu pai  vendeu o bar para Nélio de Campos que trocou todas as máquinas e montou uma espécie de lanchonete, mas por pouco tempo, talvez uns 2 anos. 

Bar do Nego servia bebidas em geral, na época a consagrada Brahma, uísque estrangeiro como Chivas, Cavalo Branco, Old Parr.  Tinha também Gin e outras bebidas importadas.  Para comer tinha salgados, como pastéis, bolo de queijo, pernil de porco, mortadela, sanduiche de queijo com presunto, etc.  Tinha também o muito apreciado bauru, um sanduíche feito com pão de forma onde ia queijo prato, presunto, tomate, bacon e ovo cozido fatiado. 

“As pessoas adoravam o bauru.  Também funcionava no bar a parte de sorveteria onde meu pai e minha mãe faziam excelentes sorvetes de milho verde, ameixa, coco, creme, abacaxi, chocolate, manga e posteriormente, bocaiuva.  Eram colocadas mesas na rua e no meio fio, e também algumas na praça, perto da rua.  As pessoas saíam da missa no domingo e sentavam nas mesas, geralmente pais de família com os filhos e tomavam sorvetes na taça com xarope de groselha”.

O bar era muito bem frequentado, eram quase sempre as mesmas pessoas. Gico Curvo não ia para casa depois que saía da farmácia sem antes tomar uma Brahma bem gelada no bar, antes do almoço.  Dr. José Monteiro da Silva, médico e ex-prefeito de Cáceres, fazia quase a mesma coisa.  As pessoas, enquanto tomavam umas, jogavam bozó e nos sábados era bozó e truco espanhol.  O bar virava um pandemônio aos sábados e domingos. Durante o dia o “pau quebrava” no truco e bozó. 

 As mesas do truco eram quase sempre compostas por Edgar Rondon, Murilo Curvo, Ovidil Garcia (Vidica), entre outros.  A turma do bozó eram: Gico Curvo, Gico PG (pai do meu amigo Zé Carlos da Zoom), João Pinheiro Leite, Dr. Airton Pinheiro Leite, João Ramires (pai do Nei Ramires), o grande "senador" Curvinho, Murilo Curvo, José Lacerda (ex-prefeito), José Souto Faria, o Zefão (ex-prefeito) e o Capitão Cláudio Carvalho (Nonô). 

“O capitão do Portos, que ficou em Cáceres durante muitos anos no comando da Capitania era uma pessoa muito querida e não saía de lá. O bispo Dom Máximo ia tomar sorvete e tomar uma cerveja de vez em quando. Uma pessoa que se tornou praticamente "moradora" do bar era o inesquecível Mack, engenheiro da prefeitura.  Ele chegava todos os dias às 16 h e ficava até 9 ou 10 da noite.  Ficava sempre sozinho em uma mesa tomando cerveja e meu pai sempre fazia companhia a ele, assim como João Ramires, Gico Carvalho (PG) e João Pinheiro”.

Esse foi o relato saudoso mas muito revelador e precioso do filho do seu Nego, Nilson Macedo, que finalizou informando que seu pai até antes da pandemia, mesmo com 90 anos de idade, caminhava até o Casarão para tomar uma bem gelada. Hoje está recluso, em segurança, na sua residência.

 

 
 

6 respostas

  1. Faltou o Bar Pinguim, em frente ao Grupo Escolar Espiridião Marques… À epoca administrado por Chico Sanches e família…
    Também marcou duas gerações… Anos 70 e 80….

  2. De todo o exposto, lembro do Bar do Nego…eu era muito amigo do filho dele em 1965…lembro que ele tinha uma irmã que em 1978 fui encontrar na Faculdade de Direito da PUC de Campinas/SP…..Eu era muito amigo do Fernando Homem de Mello e apaixonado pela sua prima Natia que veio a se casar com o Paulo…bons tempos..

  3. De todo o exposto, lembro do Bar do Nego…eu era muito amigo do filho dele em 1965…lembro que ele tinha iluma ir na que em 1978 fui encontrar na Faculdade de Direito da PUC de Campinss/SP…..Eu era muito amigo do Fernando Homem de Mello e apaixonado pela sua prima Natia que veio a se casar com o Paulo…bons tempos..

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