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Em outubro de 1999 o Núcleo de Documentação de História Escrita e Oral – NUDHEO da Universidade do Estado de Mato Grosso – Unemat, lançou um informativo especial em comemoração ao centenário de nascimento de Alexander Solon Daveron. A ZAKINEWS, com objetivo de difundir cada vez mais os fatos que marcaram a história de Cáceres, reproduz este informativo sobre a vida de Alexander Daveron.
Neste mês de outubro o Informativo Nudheo está comemorando o centenário do nascimento de um personagem ao mesmo tempo especial para uma época e marcante para a história cacerense: o cientista Alexander Solon Daveron.
Especial porque ele pode muito bem representar uma figura do final de uma
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época romântica e aventureira, onde o que mais valia era a necessidade de conhecer regiões retotas, desbravar sertões e “fazer a sua própria história”. As décadas de vinte e trinta deste século marcam o fim de uma fase imperialista que começou na segunda metade do século XIX; a era de viajantes como o casal Agassiz, de naturalistas como Charles Darwin, repórteres como Stanley e Caçadores como Búfalo Bill. O Marechal Rondon, Luis Carlos Prestes e Lampião também pertencem a essa época que alguns consideram de ouro. Como todos estes personagens, Daveron sintetiza muito bem esse espírito ao mesmo tempo aventureiro e intelectual. Sua hisória de vida poderia muito bem servir de roteiro para um filme como o “Paciente Inglês”, ou um romance, como “Cel. Fawcet”, o homem que inspirou o personagem de “Indiana Jones”.
Por sua vez, Daveron escolheu Cáceres para viver, e acabou tornando-se um personagem da história local pois, além de empreender vários trabalhos científicos, realizou diversas viagens e fez contatos com índios. E o fez sem perder o tino de cientista, registrando tudo em cartas e fotografias. Fica difícil escrever a história de Cáceres neste século sem falar ou utilizar o arquivo “Daveron”. É por tudo isso que lançamos este número para comemorar o nascimento deste grande homem e da existência do seu rico acervo
Romyr Conde Garcia
Coordenador do NUDHEO
A vida de Daveron
“Alexander Solon Daveron nasceu em Oakland, Califórnia, E.U.A., no dia 26 de outubro de 1899. Após formar-se pela Universidade da Califórnia, Berkeley, em 1922, ele trabalhou como gerente de uma plantção de bananas da United Fruit Company the Costa Rica. Quando trabalhava na dregnagem de uma plantação de cacau numa área chamada Zent, contraiu uma forma maligna de malária. Com saúde debilitada voltou a Inverness, Califórnia para tentar a recuperação. Na Califórnia, em 1927-1928, fez cursos de pós-graduação em Berkeley na Escola de Medicina da Universidade johns Hopkins como estudante especial de patologia. Em dezembro de 1930 foi convidado a fazer parte de Mato Grosso Expedition (uma expedição científica norte americana ao oeste brasileiro e à Bolívia) como seu médico. A expedição escolheu como local para o acampamento principal a cidade de São Luiz de Cáceres. Daveron separou-se por conta própria, acompanhado de índios, pelo Gran Curichi, onde começou um estudo de morcegos vampiros. Em 1932 Daveron voltou a Baltimore onde trabalhou como9 patologista. No ano seguinte fez nova viagem ao Brasil onde passou quatro meses, trazendo de volta aos Estados Unidos um “lobo fantasma” para o zoológico de Washington. Assim começou uma década de coleta de animais para museus e zoológicos.
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Em 1935 Daveron veio ao Brasil pela terceira vez, a fim de fazer um estudo aprofundado, para a firma de Crosse & Blackwell, da indústria de mate no Brasil, Paraguai e Argentina. Quando estava na Argentina, foi avisado pela Crosse & Blackwell, eles haviam desistido da idéia de comercializar o mate nos Estados Unidos depois d uma decisão severa do governo americano contra uma firma de Chicago, cujos comerciais exageravam as qualidades benéficas do mate.
Daveron foi então, para o Rio de Janeiro onde pretendia estuadr durante dois anos, a leishmaniose, com Dr. Evandro Chagas, filho de Carlos Chagas. Seu trabalho seria financiado pela Fundação Rockefelwer, e levaria pela bacia do alto Paraguai, pelo rio Guaporé, antigo Guajará-Mirim, prosseguindo para o Porto Velho, descendo o Madeira e depois o Amazonas, até Belém. Quando se preparam para uma longa viagem, Dr. Chagas foi morto num acidente de avião.
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Daveron voltou para Descalvados, no alto do rio Paraguai, onde a Brasil Land and Cattle Companhy havia permitido que mantivesse laboratório e equipamentos para viagens. Em Descalvados suas pesquisas sobre tripanossomíase equina e morcegos vampiros, população local vinha ao seu laboratório para que ele os tratasse, enquanto amigos que trabalhavam em companhias farmacêuticas brasileiras e norte americanas o supriam com medicamentos necessários.
A cidade mais próxima de Descalvados era Cáceres, com aproximadamente 5.000 habitantes em 1937. Tinha várias lojas que vemdiam mercadorias gerais, medicamentos, e roupas. Barcos `vapor traziam mercadoria de Corumbá (500 milhas ao sul de Cáceres). A cidade também tinha um bom nú8mero de carpinteiros e mecânicos. Daveron alugou uma chácara (que mais tarde compraira) ao norte da cidade, na margem do rio, que serviria de base para expedições por território indígena.
Nudheo![]() Acampamento no meio do mato. |
Durante esses anos Daveron coletava material biológico para o Smithsonian Institution como também para o Museu Nacional brasileiro. Ele capturou vários animais selvagens, muito para o U.S. National Zoological Park em Washington, D.C. Inevitavelmente, teve alguns problemas com as autoridades brasileiras por motivo dessas atividades.
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Com a notícia do ataque à Pearl Harbor, e a participação dos Estados Unidos na segunda guerra mundial, Daveron partiu para o Rio com a intenção de voltar aos Estados Unidos e servir a seu país nesse tempo de guerra. A embaixada americana no Rio, entretanto, o convenceu de que seu conhecimento do interior do Brasil seria muito útil aqui, Daveron, então, fica os anos da guerra na selva brasileira onde liderou expedições para o transporte de material aos seringais do Alto Amazonas. Ele detalhou rotas de transporte por território indígena, e criou um plano para testar a possibilidade de levar 10.000 muares do sul do Brasil à Bolívia, e depois ao norte pelas florestas da Bolívia e do Brasil até chegar à bacia do alto Amazonas. As mulas seriam utilizadas por seringueiros que procuravam meios mais eficientes para transportar a borracha (de extrema importância no esforço bélico dos aliados). Durante três anos Daveron conduziu 181 mulas até o Acre, perdendo apenas um animal à picada de cobra. No Acre teve uma recaída de malária, dessa vez muito pior do que na Costa Rica. Escapou da morte quando um missionário lhe deu uma pílula de cloroquina que havia recebido dos Estados Unidos. Como a malária precipitou sintomas de beriberi, Daveron teve que retornar à Califórnia para tratar-se em 1949.
Em Inverness, a Sra. Brown, viúva de um professor de filosofia da Stanford University, cedeu-lhe os aposentos de hóspede de sua casa. Com a ajuda desta senhora, Daveron recuperou a saúde e começou a dar palestras, ilustrdas com fotografias tiradas no Mato Grosso, para grupos Universitários na Califórnia. O interesse dos americanos em conhecer o Mato Grosso foi tanto que Daveron começou a pensar em construir um centro turístico no alto Paraguai. Em 1951 discutiu o projeto com o Cônsul Sr. Adolpho Bezerra de Menezes, que o incentivou a levar tais planos à frente. Daveron voltou ao Brasil, e começou a importar equipamento para expedições de caça.
Quando em Inverness, Daveron também fez alguns investimentos imobiliários. Ele investigou a compra do sistema de abastecimento de água de Inverness e, com Charlie mel, começou comprar terras em Inverness (o negócio azedou no final da década de 1950, trazendo muita angústia à Daveron na década seguinte). Ele também negociou com a Sra. Brown a compra de uma casa, tomando posse apenas após o falecimento da dona.
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Em 1951, Daveron voltou ao Brasil, pretendendo fazer fortuna como guia de expedições para americanos no Rio Paraguai. Ele batalhou com as autoridades brasileiras para conseguir as devidas licenças de importação, conseguindo finalmente trazer bastante equipamento para Cáceres. Em 1956 a fraca saúde da Sra. Brown levou Daveron novamente a Inverness, onde passou os dois anos seguintes. Em dezembro de 1958 alugou sua casa em Inverness e voltou ao Brasil, esperando encerrar suas atividades e voltar de vez para Inverness.
Nos dez anos seguintes, Daveron enfrentou transformações na economia brasileira e sérios problemas de saúde que o levaram sempre a adiar sua volta à Califórnia. A correspondência na data do início da década de 1960 está repleta de descrições de problemas com inquilinos da Califórnia, com a saúde, e com os investimentos no Brasil. Daveron chegou a voltar aos Estados Unidos na década de 1980 para consultar médicos americanos, mas veio a falecer em Cáceres no dia 23 de março de 1987. Ele foi sepultado na sua propriedade as margens do rio Paraguai.”
Diretora do ICSA – Fundadora do NUDHEO
IMAGENS DAVERON
A coleção de imagens acumuladas por Daveron reportam-se ao período em que o mesmo viveu no Brasil (1930-1987). Este acervo reúne cerca de 250 fotografias das quais a maioria foram produzidas em preto e branco em tamanhos que variam de 8×8 cm (as menores) e 18×24 cm (as maiores).
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Uma das últimas fotos de Alexander Solon Daveron
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As imagens, riquíssimas enquanto fonte de pesquisa, registram vários momentos de Daveron: as expedições de cunho científico como o estudo sobre morcegos de lobos; tentativas de empreendimentos comerciais como os negócios com erva-mate e mulas; contatos com diversas nações indígenas; as caçadas; cenas cotidianas na mata e na cidade; os amigos e companheiros; a cidade e o rio Paraguai.
Destaca-se nesta coleção, as fotos de várias expedições realizadas no Alto Paraguai, próximo a Barra do Rio Bugres, onde Daveron encontrou-se com membros do grupo étnico Umutina. Hoje, esta coleção de fotos tem grande importância pois, além deste grupo indígena ter ficado bastante reduzido, saõ poucas as fontes de estudo disponíveis para estuda-los.
Fecha a coleção, as imagens do velório e sepultamento de Daveron nas margens do Paraguai, assistido por poucas pessoas.
Parte deste conjunto já é conhecido pelo público, por meio de exposições realizadas anteriormente pelo Prof. João Edson. Lamentavelmente, estas fotos tem despertado interesses que não vão além da mera curiosidade. Ignora-se, deste modo, o vasto campo de possiblidades que a fotografia propicia, se vista como fonte de informação, ou seja, enquanto documento, passivo de ser esmiuçado e investigado.
Professora do Departamento de História
E Diretora do Arquivo Municipal de Cáceres
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5 respostas
Visitei a casa de Daveron no dia 17/10/25. Fiquei apaixonada pela casa e o quintal. Muito linda!
Meu avô tinha terreno vizinho dele. na praia.
Será um imenso prazer ter a história ou biografia deste grande homem
Ajudei na abertura das glebas ao norte de Caceres de 1964-70. Conheci Daveron naquelles tempos. Estou, com meu sobrinho,escrevendo uma historia detalhado do expedicao que trouxe Daveron a Caceres. Tenho projectado despois uma biographia dele. Solicitou corespondencia no assunto e pretendo vistiar Caceres em outubre.
Obrigada Gisele, bjsssss