Crônicas

Relato de memória das atividades da Comissão Pró-Asfalto Cuiabá X Cáceres

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Recebi do meu amigo e irmão Pedro Paulo Pinto de Arruda Filho, pra mim, Pedrinho, uma reminiscência, de sua lavra, sobre uma viagem que fizemos à Brasília, nos idos de 1977, no seu carro, quando ele era o Presidente da Câmara dos Vereadores de Cáceres. Participávamos da Comissão Pró-Asfalto, comissão essa, criada a partir de atividades do Rotary de Cáceres, sob a presidência do amigo Antônio Rodrigues Neves, que conseguiu, sensibilizar o Lions, a Igreja, a Maçonaria e os políticos da hora, o Prefeito Ernani Martins e o Deputado Federal Airton dos Reis e o Presidente da Câmara Municipal, Pedrinho, com caráter suprapartidária. Assim foi feita e foi exitosa. Tinha por finalidade o prosseguimento do asfalto de Cuiabá até Cáceres. Alguns nomes que compuseram a Comissão Pró Asfalto: Ernani Martins, Airton dos Reis, Pedro Paulo Pinto de Arruda Filho, Emilson Pires, Joaquim Castrillon, Antônio Mancuso Neto, Antônio Rodrigues Neves, Bento Porto, Durval Machado de Lima, Justino de Almeida e outros.

A Comissão Pró Asfalto, teve como presidente, o Prefeito Ernani Martins. As mensagens escritas às autoridades federais, teve a ajuda intelectual do Dr. Irênio Fernandes, então gerente do BASA, bem como do próprio Dr. Airton dos Reis. Tive a honra de secretariar a Comissão como representante da Loja Maçônica “Liberdade Cacerense”.

Dr. Airton dos Reis, conseguiu marcar audiências em Brasília, com o Ministro dos Transportes, General Dirceu Nogueira, com o Ministro da Agricultura, Dr. Alysson Paulinelli e com o Presidente da Caixa Econômica Federal. Aconteceram nos dias e horários aprazados. Lembro-me de ter pedido do amigo Pedrinho, que desse uma paradinha em Cuiabá, para que eu pudesse pedir ao Dr. Nilson Constatino, então Soberano Grão Mestre do Grande Oriente do Estado de Mato Grosso, uma Carta de apoio aos pedidos da Comissão. O Dr. Nilson determinou ao Dr. Amaziles, Grão Mestre Adjunto, que elaborasse esse documento do qual fui o portador e entreguei-o nas mãos do General Dirceu Nogueira. Ao final da Audiência no Ministério dos Transportes, o Ministro levantou-se, postou-se à porta estendeu a mão para as despedidas e disse:

– A BR 364 começa esse ano e passa por Cáceres!

Homem de palavra! Na verdade, é a BR 070. O DNER, procedeu a adjudicação da obra ao 9º BEC, foi, com certeza o melhor asfalto das BRs.

Após as cerimônias, fomos visita a Catedral, o Congresso Nacional e toda a Arquitetura monumental do gênio Oscar Niemeyer e, pedimos ao taxista que nos levasse para conhecermos o túmulo do maior presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek de Oliveira. Autorizado, transcrevo aqui o script de Pedrinho:

“Em 1977, quando vereador, fui a Brasília reivindicar, com uma comissão liderada pelo deputado Airton dos Reis, meu companheiro de viagem foi o meu amigo irmão Emilson Pires, saindo do Senado, tivemos a ideia de conhecer o túmulo de Juscelino, pegamos um taxi, e dissemos o destino para o taxista, ele se emocionou e ficou com a gente o tempo todo, pois ele era candango, nome dado aos operários e primeiros moradores de Brasília, no meio das suas histórias, ele nos contou que o JK, costumava às vezes à noite entrar nas barracas dos operários, pois o Catetinho, hoje museu, ficava ao lado do canteiro de obras, ele aparecia sozinho e comia com os operários e tomava cachaça com eles, contou o taxista muito emocionado, o caro Emilson poderia acrescentar na sua coletânea esse fato”.

Na visita ao túmulo do Grande Homem, percebemos, pela humilde simplicidade de sua campa e, em decorrência disso, da ausência total de qualquer manifestação de poder, força ou riqueza, com muita clareza, que o relato emocionado do taxista era verdadeiro. É quase uma assertiva filosófica e uma constatação existencial de que quanto mais importante e necessário, mais humilde é o home na vida e na morte.

A Comissão Pró Asfalto, cumpriu a sua missão e, deixou um legado de que é possível a realização e a concretização do bem comum social, quando os homens se desnudam de suas carapaças político-ideológicas e se entregam de corpo e alma à causa. Isso é bom, o difícil é acontecer.

Emilson Pires e Pedro Paulo Pinto de Arruda
Membros do Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres
Abraço aos Compadres “Pídio Véi”
Em 26/05/2025
Abraço aos Confrades Seresteiros da Tarde

Uma resposta

  1. Gostei deste relato já morava em Cáceres e lembro da dificuldade que era ir para Cuiabá de Ônibus “T. Baleia”, se corresse tudo bem era no minimo 6 horas de viagem. De 1975 a 1977 todo final de mês eu ia para Cuiabá , eu cursava Licenciatura Curta em Ciências na UFMT. Parabéns professor Emildon Pires , assim.voce vai trazendo reminiscências da história de Cáceres para nós. Tem.muita história boa para contar dos anos 60 a 90.

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