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Refletir as questões climáticas nos remetem a pensar em como reduzir os impactos no solo nas cidades: construções, ruas e calçadas mais ecológicas

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A forma como construímos nas cidades é uma das principais causas de degradação do solo. Quando cobrimos tudo com concreto e asfalto, a terra perde sua capacidade de respirar, filtrar água e sustentar a vida. Mas existem alternativas práticas, acessíveis e eficientes que podem mudar esse cenário, desde a escolha dos materiais até o desenho das ruas e calçadas.

Começando pelas moradias, o uso de materiais naturais como o barro é uma das soluções mais antigas e eficazes. Técnicas como adobe, taipa de pilão e tijolos de solo-cimento exigem muito menos energia para serem produzidas do que o tijolo cerâmico ou o bloco de concreto, reduzindo a extração de recursos e a emissão de poluentes. Esses materiais também ajudam a manter a temperatura interna das casas mais estável, diminuindo o uso de energia elétrica. Para que o impacto seja ainda menor, é importante fazer fundações leves, evitando escavações e aterros excessivos que desestabilizam o terreno, e sempre deixar áreas livres ao redor da casa com solo descoberto ou vegetação, permitindo que a água da chuva se infiltre naturalmente.

Os telhados também têm um papel fundamental. Telhas de barro, além de durarem muito tempo, são mais frescas e têm menor custo ambiental. Uma opção ainda mais completa são os telhados verdes, cobertos com plantas: eles absorvem parte da água da chuva, reduzem a temperatura da casa e da cidade, abrigam polinizadores e ainda retêm parte dos poluentes do ar. Quando não for possível usar vegetação, telhas de cor clara ajudam a refletir a radiação solar, amenizando o calor das ilhas de calor urbanas. Complementando, sistemas de captação de água da chuva com calhas e cisternas evitam que grandes volumes de água escorram pelas ruas, causando enchentes e levando poluentes para os rios.

Já nas ruas e estradas, o grande problema é a impermeabilização total do solo pelo asfalto comum. Uma alternativa eficaz é o uso de pavimentos permeáveis — blocos intertravados, pedras ou misturas de asfalto poroso — que permitem que a água da chuva passe pelo pavimento e chegue ao solo, recarregando os lençóis freáticos e reduzindo enchentes. Além disso, é possível adotar valetas gramadas, canteiros com vegetação nativa e bacias de retenção ao longo das vias, que funcionam como sistemas de drenagem natural. Reduzir a largura excessiva das ruas também é uma medida importante: quanto menos área pavimentada, mais espaço sobra para árvores e áreas verdes, que seguram o solo e refrescam o ambiente.

Nas calçadas, o erro mais comum é cobrir toda a área com concreto impermeável. A solução é usar pisos permeáveis, que podem ser blocos com espaços entre eles ou materiais porosos que permitem a infiltração da água. O ideal é reservar uma parte da calçada para canteiros com árvores e plantas, usando espécies nativas que se adaptam bem ao clima local e exigem menos manutenção. As árvores, quando plantadas com espaço suficiente para o desenvolvimento das raízes, seguram o solo, absorvem a água das chuvas, dão sombra e melhoram a qualidade do ar. Também é possível usar materiais reciclados ou de resíduos de construção tratados nos pisos, reduzindo a extração de novas matérias-primas.

Todas essas medidas têm um efeito cumulativo: quando adotadas juntas, elas devolvem ao solo urbano sua função natural de absorver água e sustentar vida. Não se trata de abrir mão de conforto ou de segurança, mas sim de construir de forma mais inteligente, aproveitando o que a natureza já oferece e reduzindo desperdícios. Pequenas mudanças no tipo de piso, na escolha do material de construção e no modo como planejamos as ruas podem transformar as cidades em lugares mais frescos, seguros e resilientes para todos.

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