O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) caminha para uma transição de comando marcada pela busca por unidade. O desembargador José Luiz Leite Lindote, atual corregedor-geral, será o próximo presidente da Corte para o biênio 2027/2028. Lindote foi o único magistrado a se inscrever para o cargo, consolidando um cenário de consenso raro nas últimas gestões. A chapa de liderança contará ainda com o desembargador Gilberto Giraldelli, candidato único à vice-presidência.
A ascensão de José Lindote à presidência do TJMT é também um marco histórico para sua terra natal. Natural de Cáceres, ele alcançou o cargo de desembargador, um feito que simboliza a perseverança de sua trajetória. Filho da Dona Giroca e do memorável Professor Lindote, o magistrado carrega o legado de uma família estimada na região, tendo trilhado seu caminho educacional em escolas públicas até a formação superior na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Com uma carreira iniciada precocemente aos 14 anos como estagiário, Lindote acumulou décadas de experiência na magistratura, atuando em diversas comarcas, de Pedra Preta a Várzea Grande. Sua competência o levou a esferas nacionais, onde auxiliou ministros no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e destacou-se em temas complexos, como a reformulação do sistema de precatórios e decisões impactantes na saúde pública. Agora, ao assumir o comando da Corte Estadual, ele consolida uma história de dedicação que serve de inspiração para o interior do estado.
Se no comando do TJMT o clima é de convergência, o cenário para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) apresenta maior movimentação. Três nomes oficializaram candidatura: os desembargadores Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, Mário Kono e Hélio Nishiyama. Nos bastidores, Jorge Luiz é apontado como o favorito, gozando de quase unanimidade entre os pares para liderar a Justiça Eleitoral a partir de 2027.
Já para a Corregedoria-Geral da Justiça, o embate será entre a desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos e o desembargador Rui Ramos. A tendência atual favorece Helena Maria, impulsionada por um movimento interno que defende a representatividade feminina na diretoria do Tribunal.
A escolha de Lindote interrompe um ciclo de três eleições consecutivas marcadas por disputas intensas. O Judiciário mato-grossense busca superar um período de desgaste institucional após investigações policiais e disciplinares envolvendo magistrados nos últimos anos. A postura rigorosa de Lindote na Corregedoria é vista como o perfil ideal para recuperar a confiança da população e promover a austeridade necessária diante dos recentes afastamentos e apurações de irregularidades.
A eleição também definirá a nova composição do Órgão Especial, instância que centraliza decisões administrativas e disciplinares complexas. Nove desembargadores disputam as vagas abertas: Deosdete Cruz, Hélio Nishiyama, José Zuquim, Luiz Octávio Saboia Ribeiro, Marcos Regenold, Mário Kono, Sebastião de Arruda Almeida, Serly Marcondes e Wesley Sanchez.

























