Agronegócio

Famato vê integração com a Bolívia como chance de reduzir custos, melhorar logística e ampliar mercados para o agro de MT

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A integração com Santa Cruz, na Bolívia, pode abrir ao agronegócio de Mato Grosso uma combinação estratégica de fertilizantes mais competitivos, acesso mais direto aos portos do Pacífico e novas áreas para expansão produtiva. A avaliação é do presidente da Famato, Vilmondes Tomain, que participou nesta quarta-feira (29), no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, da reunião entre o governador Otaviano Pivetta e o governador eleito de Santa Cruz, Juan Pablo Velasco.

A agenda foi voltada à aproximação econômica entre Mato Grosso e Santa Cruz, departamento considerado a principal região produtiva, empresarial, financeira e agroindustrial da Bolívia. A reunião reuniu autoridades, representantes do setor produtivo e empresários bolivianos interessados em conhecer o modelo de desenvolvimento mato-grossense.

Para a Famato, a aproximação tem impacto direto sobre dois pontos sensíveis para o produtor rural, a logística e os insumos. Vilmondes afirmou que Santa Cruz pode se tornar uma parceira estratégica para Mato Grosso, tanto pela possibilidade de fornecimento de fertilizantes quanto pela construção de rotas capazes de encurtar o caminho da produção até mercados internacionais.

Um dos principais interesses do setor produtivo está nos nitrogenados, especialmente a ureia. “A Bolívia tem disponibilidade mineral e uma demanda interna menor que a nossa. Pela distância, esses produtos podem chegar com valor mais acessível para os produtores de Mato Grosso”, afirmou.

A redução do custo com fertilizantes é vista como uma oportunidade relevante em um estado altamente dependente de insumos importados. Além da ureia, as discussões também envolveram a possibilidade de parcerias em potássio, fosfatados, boro e outros micronutrientes usados na produção agrícola.

Outro ponto considerado decisivo é a infraestrutura de ligação entre Mato Grosso e Santa Cruz. Entre os projetos apresentados está a rota entre Vila Bela da Santíssima Trindade e San Ignacio de Velasco, tratada como uma das principais alternativas para aproximar o oeste de Mato Grosso dos portos do Pacífico. A conclusão da ligação permitiria reduzir distâncias, cortar custos de frete e criar uma nova opção para o escoamento de grãos e outros produtos agropecuários.

Também foram discutidas alternativas pela MT-265, via Porto Esperidião, que poderiam diminuir a necessidade de pavimentação em território boliviano. A avaliação é de que pequenos trechos estratégicos de asfalto podem mudar a dinâmica logística da fronteira e beneficiar diretamente municípios como Cáceres, Porto Esperidião, Vila Bela da Santíssima Trindade e Comodoro.

Essa região já tem peso importante na produção agropecuária estadual. De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os quatro municípios produziram juntos, na safra 2024/25, 1,03 milhão de toneladas de soja e 774,3 mil toneladas de milho de segunda safra. Na pecuária, o rebanho somou 3,32 milhões de cabeças em 2025.

O oeste de Mato Grosso passa por um processo de expansão agrícola, com áreas de pastagem sendo convertidas em lavouras. Segundo o presidente da Famato, os investimentos recentes em rodovias estaduais melhoraram as condições de produção e escoamento, mas a ligação com a Bolívia ainda é uma peça importante para consolidar a fronteira como nova plataforma produtiva.

“Produtores mato-grossenses já vêm adquirindo áreas no país vizinho em busca de ampliação de escala na produção de grãos. A topografia e os solos de Santa Cruz despertam interesse do setor produtivo”, pontuou.

Ao receber a comitiva, o governador Otaviano Pivetta afirmou que a visita de Juan Pablo Velasco marca o início de um novo ciclo de relacionamento bilateral. Ele lembrou que Mato Grosso tem mais de 700 quilômetros de fronteira com a Bolívia e defendeu que essa proximidade seja aproveitada para gerar desenvolvimento econômico.

“Mato Grosso está de braços abertos. Queremos cultivar esse relacionamento e formalizar todas as parcerias necessárias entre os dois estados”, declarou Pivetta.

O governador eleito afirmou que Santa Cruz tem forte potencial agropecuário e vê no modelo de Mato Grosso uma referência para ampliar a produção, atrair investimentos e enfrentar a pobreza no departamento boliviano.

“Santa Cruz tem um potencial enorme, mas o grande inimigo hoje é a pobreza. No curto e no médio prazo, o agro e o setor produtivo são o que podem nos tirar dessa crise. Queremos aprender com Mato Grosso, copiar o que deu certo e adaptar à nossa realidade, à nossa terra e à nossa cultura”, afirmou Velasco.

Também acompanharam as discussões sobre logística, insumos e oportunidades de integração entre Mato Grosso e Santa Cruz, o diretor de Relações Institucionais da Famato, Ronaldo Vinha, e o presidente do Sindicato Rural de Cáceres, Aury Paulo.

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