Eleições 2026

Excesso de candidatos em Cáceres ameaça mais uma vez a representatividade na Assembleia Legislativa de MT

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Com aproximação das convenções partidárias, a região sudoeste de Mato Grosso enfrenta um cenário preocupante nas eleições para deputado estadual: enquanto cidades vizinhas conseguem eleger representantes com poucas candidaturas unificadas, Cáceres lança um número excessivo de postulantes, fragmentando votos e deixando a população sem voz no parlamento estadual. Dados comparativos das eleições de 2018 e 2022, analisados em quadro anexo, revelam a desunião local como principal entrave à representatividade.

Nas eleições de 2018, a região sudoeste – composta por 20 municípios – registrou 15 candidatos a deputado estadual. Destes, impressionantes 10 saíram de Cáceres, isoladamente. As outras 19 cidades somaram apenas 5 postulantes, mas conseguiram dois eleitos: Valmir Moretto, de Nova Lacerda, e Dr. Gimenez, de São José dos Quatro Marcos (S.J.Q.Marcos). O excesso de candidaturas cacerenses diluiu os votos locais, impedindo qualquer eleito efetivo da maior cidade da região. Como consolo ao povo cacerense – ou mera ilusão para alimentar esperanças e o ego de políticos distantes do desenvolvimento local –, Cáceres foi “contemplada” com Túlio Fontes e Valdeníria na Legislatura 2019-2022, mas ambos com apenas um mês de mandato.

A tendência se repetiu em 2022, com 12 candidatos no total: 8 de Cáceres e apenas 4 do restante da região. Mais uma vez, só Valmir Moretto foi eleito – agora concorrendo por Pontes e Lacerda. O caso de Dr. Gimenez ilustra o custo da fragmentação: eleito em 2018 por S.J.Q.Marcos, ele perdeu a reeleição em 2022, em grande parte devido a outra candidatura lançada da cidade vizinha de Mirassol D´Oeste, que dividiu os votos e deixou o município sem representante na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Novamente, o “consolo” para Cáceres, veio na forma de Valdeníria e Francis Maris na Legislatura atual, de 2023-2026, também com apenas um mês de mandato, reforçando a percepção de que tais nomeações servem mais como paliativo do que como avanço real para a cidade.

Esse padrão histórico compromete a influência da região sudoeste nos debates legislativos sobre infraestrutura, saúde e desenvolvimento local. Cáceres, com seu potencial eleitoral, poderia liderar a representatividade regional, mas a falta de união perpetua o ciclo de derrotas e ilusões passageiras.

Para as eleições de 2026, o alerta soa alto: já circulam nomes de quase dez pré-candidatos a deputado estadual em Cáceres. Uma proposta de prévia partidária antes das convenções – para selecionar apenas dois nomes e concentrar forças – ganhou tração, mas enfrenta resistência da maioria dos próprios pré-candidatos. Sem consenso, a cidade arrisca repetir os erros do passado, enquanto vizinhas como Pontes e Lacerda e S.J.Q.Marcos avançam com estratégias mais coesas.

Especialistas em ciência política defendem que a proporcionalidade eleitoral exige união: candidaturas pulverizadas beneficiam coligações maiores, mas sacrificam regiões periféricas como o sudoeste mato-grossense. Líderes locais cobram diálogo urgente para evitar que Cáceres “fique para trás” mais uma vez.

A região sudoeste clama por mudança. Será que 2026 trará a lição aprendida?

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