Nome estranho para uma crônica, mas quem me inspirou a escrevê-la desta vez, não foi ninguém do gênero humano.
No dia 18 de fevereiro completei quatro anos da minha jornada Cáceres Cuiabá e vice-versa, são 210 fins de semana, ou seja, mais de cem mil quilômetros rodados, duas voltas e meia no planeta Terra, alguns me perguntam: como você agüenta? Pois os sessenta anos já ficaram para trás, mas tudo que você faz por amor e com amor não te cansa e nem aborrece.
Dizem que a distancia esfria e a ausência faz diminuir o amor e afeição, ledo engano, pois quando se ama de verdade, além das fronteiras da matéria, essa distancia e essa ausência só faz aumentar o amor que eu sinto por minha esposa e minhas filhas.
Já falei muito e até agora não disse nada sobre a ultima gota. Quando cheguei a Cuiabá, na área da minha kitinete, encontrei uma bela goiabeira, na qual os sabiás, bem-te-vis e rolinhas, vinham saciar a sua fome com os seus suculentos frutos.
Passado algum tempo, a velha goiabeira foi acometida de uma sei lá como se chama essa doença das arvores, acredito que alguém espetou um cravo no seu tronco, e com o passar do tempo ele foi sendo corroído, hoje só resta uma pequena parte dele, a goiabeira não caiu porque ela está apoiada em um moirão. Mas pasmem senhores, apesar do seu tronco ser só um caquinho, ela continua a produzir frutos e sombra, onde as aves ainda encontram alimentação e descanso.
Que o exemplo dessa goiabeira sirva para mim e para todos, assim como o Divino Mestre, nos deu até a sua ultima gota de sangue na cruz para nos salvar. Nós também, devemos fazer como essa velha goiabeira, pois nós só temos o dia de hoje, e por mais que esteja dura a luta, nós temos que continuar produzindo frutos de amor e de boas ações até a nossa ultima gota de vida.
Pedro Paulo Pinto de Arruda Filho
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres
18 de fevereiro de 2007
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