Sustentabilidade

A falsa solução de fora – Unidades de conservação e o desencontro com a realidade brasileira

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A lógica que apresenta as unidades de conservação como solução única para a proteção ambiental — muitas vezes impondo a retirada de populações — não nasce da realidade brasileira: é uma visão internacional que não compreende que, aqui, preservação e presença humana sempre caminharam juntas. Conforme análises publicadas na Revista IHU (Qualis A2), esse modelo frequentemente gera conflitos, marginalização e até criminalização de comunidades tradicionais, sem reconhecer que elas são, historicamente, as maiores guardiãs dos territórios .

No Pantanal, isso é evidente: apenas cerca de 4,6% da área está sob unidades de conservação formal, mas mais de 85% da vegetação segue preservada pelo cuidado de gerações de pantaneiros. Ignorar essa realidade é ignorar a própria essência da sustentabilidade — a relação entre eu, o outro e o meio. O caminho não é apagar quem já cuida, mas reconhecer a validade do seu saber, fortalecer as tecnologias sociais que eles mesmos criam e garantir que a conservação seja compartilhada, respeitada e devidamente recompensada.

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