21/06/2022 - 06:00

Por: Antonio Costa / Zakinews

Vera Maquêa: “Cáceres é um lugar onde a vida tem uma memória em cada canto”


Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews

Vera Lúcia da Rocha Maquêa, Reitora eleita para a Gestão 2023 a 2026 da UNEMAT

 

A professora Vera Maquêa, eleita recentemente com o professor Alexandre Porto, para ocupar respectivamente os cargos de reitora e vice-reitor no período de 2023 a 2026, é a entrevistada por Zakinews nesta semana.

Numa conversa franca a professora revelou os motivos que levaram sua família deixar o interior do Paraná, para vir morar na longínqua cidade de Araputanga na década de 70.

Seus pais segundo ela, mesmo com poucos estudos, viam na educação dos filhos uma oportunidade de transformação, sendo assim, consideravam a modesta escolinha onde ela começou no caminho das letras, como se fosse um verdadeiro templo...

O tempo passou, a menina que gostava muito de ler, pôde alçar voos maiores, até experimentar o comando de uma sala de aula na própria instituição onde começou a estudar. Ela não parou e hoje é a reitora escolhida para comandar a Universidade do estado de Mato Grosso (Unemat).

Posse

A cerimônia de posse de Vera Maquêa e de Alexandre Porto, será no dia 16 de dezembro próximo através de publicação do Decreto de nomeação pelo governador do Estado de Mato Grosso.

O mandato da chapa eleita terá início em 01 de janeiro de 2023 e vai até 31 de dezembro de 2026.  Acompanhe a seguir a entrevista.


 "... a universidade precisa fazer as pessoas acreditarem que o conhecimento transforma"

Zakinews: Sua apresentação....

Meu nome é Vera Lúcia da Rocha Maquêa, mas uso apenas Vera Maquêa, nome pelo qual as pessoas em geral me conhecem e me chamam. Questão prática, o primeiro e o último nome, e não se fala mais nisso. Por erro de cartório, ficou no final e em bom português o Maquêa, da minha mãe, o que pode dar a falsa ideia de que fui uma exceção na linhagem patriarcal da formação nacional. Nasci em Araruna, Paraná, como a grande maioria das crianças no Brasil daquele tempo, aparada por mãos de parteira, em casa, sem nenhum recurso e muita reza. Do resto a natureza se ocupou, que meu pai e minha mãe tinham trabalho demais.

Arquivo pessoal da professora Vera Maquêa, em 2012, quando era Pró-Reitora do professor Adriano Silva, juntamente com Ana Di Renzo e Áurea Regina


Zakinews
: Como e quando a sra. descobriu Cáceres....

VERA MAQUÊA - Cheguei em Cáceres no início de 1970, tinha menos de 4 anos de idade. Meu pai e minha mãe deixaram a família em São Paulo e Paraná e vieram se instalar em Mato Grosso. No início, moramos em um lugar que é onde hoje localiza-se o município de Araputanga. Ali, meu pai trabalhou em madeireira, em uma serraria. Ele sempre foi um bom carpinteiro e me conta até hoje, com satisfação, que foi contratado e construiu a primeira casa de madeira quando ainda tinha menos de 20 anos. Eu mesma o vi construindo as casas de madeira onde morei na infância e na adolescência. Minha mãe sabia fazer muitas coisas diferentes e junto com meu pai não conhecia tempo de folgar. Os dois vieram para Mato Grosso com um tio do meu pai, para quem trabalharam por mais de 20 anos. Depois nos mudamos para um lugar próximo ao município de Figueirópolis D’Oeste. Fui bem tarde para a escola, já com oito anos. Naquela época não havia escola acessível na zona rural. Os anos 70 eram um outro Brasil, embora a configuração do país, nas suas conformações regionais se mantenham quase iguais até hoje. Se o milagre econômico da propaganda do governo autoritário chegava aos lares de muitos brasileiros pelas rádios oficiais, essas eram uma das raras tecnologias modernas que adentravam suas casas. Só muito mais tarde fui saber que grande parte da população brasileira morava no campo e, como eu, passava às voltas do que ocorria no país. Na fazenda do meu tio muitas famílias viviam e trabalhavam, e tinham as crianças. Certo dia, meu tio encomendou um professor e o contratou. Contratou também, mais tarde, uma professora para ensinar o beabá para a meninada em uma escola rural mista, com três fileiras de cadeiras, que a cada ano iam sendo preenchidas pela promoção à série seguinte. A escola era um espaço sagrado naquele lugar e meu pai e minha mãe, mesmo quase analfabetos, consideravam a escola um templo, um lugar que, na visão deles, mudaria a vida daquelas crianças, que não sofreriam como seus pais e mães, que teriam uma vida menos difícil. Mas a professora só podia ensinar até a terceira série, porque ela mesma só tinha a quarta. As crianças se dispersaram e muitas delas terminaram ali sua experiência escolar. Minha mãe se mudou com a gente para uma vila ao lado, mas lá também chegou o dia em que já não tinha mais escola para nós. No início da década de 80 minha irmã e eu fomos morar em Cáceres, em casa de parente, para trabalhar e continuar estudando. Meu pai e minha mãe nunca perderam a fé na escola. Chegaria o tempo em que eu aprenderia que aqueles foram os anos de chumbo e que o milagre econômico era uma promessa para aspirar a esperança do povo. O Brasil moderno, a construção de Brasília e tudo que se dizia existir nos anos 70, que eu ignorara enquanto morava no campo, eram assunto das primeiras estórias, de João Guimarães Rosa, que eu aprenderia muitos anos mais tarde no curso de Letras em uma instituição nascida em 1978, quando o Brasil começava a olhar para um horizonte de liberdade. Comecei o curso de Letras em 1989, nessa instituição. Cáceres foi sem dúvida o lugar do mundo onde vivi mais tempo e hoje, quando me perguntam “de onde você é”? Fico parada, pensando: se fosse para ser de algum lugar nesse mundo, certamente seria essa cidade, mas seria também uma que já não existe, com suas ruas e becos, suas pessoas e experiências, que nem que se passem mil anos poderão se apagar em mim. Cáceres é esse lugar onde a vida tem uma memória em cada canto.

Vera Maquêa foi uma das âncoras da TV Taiamã
Em 2000, no Arraiá da Unemat, fazendo a festa com outras colegas da reitoria
Acervo pessoal de Vera Maquêa


Zakinews
: Sua trajetória na universidade...

VERA MAQUÊA - Iniciei o curso de Letras na Fundação de Ensino Superior de Mato Grosso em 1989 e concluí em 1992. Em 1993, comecei a lecionar no mesmo curso de Letras as disciplinas Literatura brasileira e Literatura latina. Encontrei pessoas que foram muito importantes para definir os rumos da minha vida. Acredito que cada uma de nós tem aquelas pessoas que atravessam a vida da gente e muda tudo o que havia sido imaginado. E como a instituição era muito pequena àquela época, havia uma convivência muito próxima. Na faculdade, cresci com essas pessoas. Era uma aluna acima da média, como diziam meus professores. Tudo isso advinha do fato de que eu gostava de ler, a única coisa que fazia a mais que os outros. Sempre sonhava com as grandes universidades. Naquela época não existia, evidentemente, internet. Meu pai e minha mãe não podiam comprar a Barsa, a google da época e eu, portanto, não tinha a menor ideia de onde ficavam a UFPR, a USP, a Sorbonne, Cambridge ou Harvard. Mas os nomes dessas universidades soavam como música aos meus ouvidos. E eu lia, estudava e pensava “um dia vou estudar em todas elas”.  Certamente perdi muito tempo lendo bobagens que não me levaram a nada, mas pelos poros avisados e também pelos desavisados, possivelmente muitas coisas absorveram-se por si mesmas e talvez isso tenha me ajudado a estudar na maioria das grandes universidades com as quais eu sonhava enquanto estudava em uma instituição onde não havia salas de aula,  energia elétrica ou qualquer coisa que nos permitisse dizer, aqui é a minha faculdade. Mas essa instituição, que a ver pelas condições materiais de existência, era mais uma ideia do que uma realidade, foi a instituição que me formou e me permitiu todos os voos. Porque foi essa instituição e aquelas pessoas, que ainda não tinham mestrados e doutorados, que me ensinaram que não há fronteiras ou limites para o conhecimento, que me ensinaram a sonhar o sonho-ação. Fiz mestrado na Universidade Federal do Paraná. Doutorado na Universidade de São Paulo. Estágio de doutorado na Universidade de Lisboa. E dois pós-doutorados na França, um na Sorbonne-Paris 3 e outro na Université Lumière – Lyon 2. O que digo para todas as minhas alunas e alunos? Que como professores precisamos ensinar uma coisa principalmente, e essa coisa é o sonho-ação. Uma pessoa que não sonha já não tem nada. E a escola ou a universidade precisa ser capaz de fazer as pessoas acreditarem que o conhecimento transforma, pode mudar as pessoas e o mundo.


 


Zakinews
: A sra sonhou um dia vir a ser reitora...

VERA MAQUÊA - Na vida a gente constrói coisas. Desde que comecei a carreira docente me senti plena sendo professora e como sempre tive muito respeito pelas pessoas, pelas suas histórias e experiências. Sempre soube que, pelo fato de estar com minhas alunas e alunos, não podia haver outra profissão melhor que estar no meio de gente. Na gestão comecei mais tarde, me identifiquei pelos mesmos motivos, me permitiu trabalhar com pessoas. A gente aprende. Vai vivendo experiências e vai aprendendo. Vai descobrindo que pode fazer coisas. Gosto e vejo de forma positiva o fato de as pessoas serem diferentes. Sempre que saía de uma reunião pensava que não tinha sido da forma como eu queria, mas nunca sentia que havia perdido. Sentia sim que outros pontos de vista tinham prevalecido e isso não era ruim. E de repente, a gente se dá conta de que desenvolveu uma liderança, uma forma de trabalhar em conjunto que é positiva. Não existia um sonho a priori. Ser Reitora é uma função de extrema responsabilidade e não creio que seja legítimo se fosse um projeto individual. Assim, uma construção foi se fazendo, um pouco de encontro com pessoas que me conduziram a isso e depois muito trabalho. E há um momento na vida em que a gente, tendo construído um caminho, não sozinha, nunca sozinha, começa a perceber que pode conduzir processos, que aprendeu a navegar entre vontades, sonhos e desejos e que é importante estar a serviço de coisas que são maiores que nós. Estar na condição de reitora hoje só me confirma que a Unemat é uma instituição forte e consolidada e que o que represento é muito maior que a minha pessoa. Claro que todo dirigente imprime uma visão pessoal no trabalho que realiza, mas mesmo essa visão pessoal precisa ser validada pelo coletivo. Desde pequena meu pai e minha mãe me ensinaram de modos bem diferentes, raramente com palavras, que eu podia fazer o que eu quisesse na vida. Para isso tinha que merecer e para merecer tinha que trabalhar muito. Essas eleições concluídas, sei que a responsabilidade que temos, Alexandre Porto e eu,  é muito grande, mas que saberemos cumpri-la dignamente e com muito trabalho.

Maquêa com o saudoso professor Adriano Silva, na pró-reitoria de Extensão e Cultura
Foto: Wilson Kishi


Zakinews
: Como começou esse grandioso projeto....

VERA MAQUÊA - Trabalhei com Adriano e Dionei (2011-2014), com Ana e Ariel (2015-2018) e essas experiências de conduzir a pró-reitoria de Extensão e cultura e a de Ensino de graduação, respectivamente, me mostraram que lidar com a sociedade e com a formação inicial de pessoas seguiam sendo um papel da universidade, da mais alta relevância, pois uma ação estava diretamente relacionada com a outra. Um tempo em que aprendi muitas coisas, aperfeiçoei outras. Nos recentes oito anos em que ocupei funções de gestora, a universidade passou por muitos desafios, entre eles um movimento interno de criação, mudanças e alterações de cursos e de campus universitários. Nesse percurso todo, o professor Porto, meu vice, foi para mim um apoio firme e solidário e contribuiu muito para que a extensão, a cultura e o ensino pudessem melhorar na Unemat.  Em 2021, eu estava me preparando para fazer um estágio de pós-doutoramento fora do país, um projeto que eu vinha adiando desde o segundo semestre de 2020 por causa da pandemia, quando as pessoas começaram a me procurar para conversar sobre as eleições para escolha dos reitores da Unemat. Consegui sair do Brasil em meados de 2021 e retornei no início de março deste ano, quando efetivamente ações concretas começaram a ser articuladas na construção da minha candidatura. Nesse processo, a vivência e o conhecimento que eu tinha da instituição sempre apareciam como referenciais para a escolha do meu nome. Eu poderia dizer o dia e a hora em que tudo começou, mas isso seria esvaziar a importância dos acontecimentos, uma construção que foi crescendo e agregando pessoas em torno de um programa de gestão. Esse projeto, tenho a maior clareza, nunca foi um projeto individual, da professora Vera. Foi um caminho pavimentado pelo trabalho de muitas pessoas. Hoje, com a eleição ganha nos três seguimentos, com praticamente 54% dos votos (53,95%), tenho ainda mais certeza de que a comunidade acadêmica entende que só pode representa-la quem é capaz de comprovar uma atitude pelo bem comum, o que só se faz com uma história de muito trabalho e serviço prestado junto à instituição.

"A universidade precisa incluir, ampliar o acesso"
Foto: Wilson Kishi


Zakinews: Quais os maiores desafios a partir do ano que vem?

VERA MAQUÊA - A universidade hoje enfrenta desafios diferentes daqueles do passado. A sociedade muda e os desafios mudam. Antes a universidade tinha o desafio de formar pessoas e a qualidade dessa formação estava diretamente relacionada à empregabilidade de seus egressos. Hoje, além da qualidade que continua sendo um farol, a universidade precisa incluir, ampliar o acesso, garantir a permanência, aspirar a universalização, ser para todos(as). Não se pode admitir hoje que a universidade pública seja apenas para uma elite, para pessoas privilegiadas ou para atender interesses de alguns grupos de poder. Tudo isso se traduz em inclusão e quando a Universidade inclui, ela traz para dentro uma série de desafios que antes não lhe pertenciam. Há cerca de 20 anos, quem podia ir para a Universidade? A universidade era para poucos. Era para formar a classe dirigente. Quando o ensino superior se torna mais democratizado, a universidade absorve a realidade social na sua completa composição, com suas rasuras, contradições, injustiças e divisões. E então muitos dos nossos estudantes chegam procurando onde morar, onde comer. Antes, a universidade oferecia conhecimento. Hoje precisa oferecer também auxílio-moradia, auxílio-alimentação. Se há muitas demandas de ordem material, no entanto, há também muitas de ordem simbólica, tão ou mais desafiadoras, e que podem ser propagadas em novos sentidos para a formação pessoal e profissional. O mundo da técnica e da tecnologia nunca foi tão exigente e está claro para todas as pessoas de espírito que o domínio técnico de determinado campo, apenas, não responde às necessidades do nosso tempo. A universidade, sendo por natureza o espaço da diversidade, da investigação e da inovação precisa, mais do que nunca, possibilitar que as pessoas que a constituem possam se desenvolver, múltiplas e criativas, para oferecer soluções concretas aos problemas da sociedade.

Pauta prioritária, concurso público
Acervo pessoal

Zakinews: Quais ações já estão delineadas para serem executadas em prol de Cáceres e do MT?

VERA MAQUÊA - A Unemat hoje é a maior universidade pública do estado de Mato Grosso, constituindo-se de uma comunidade acadêmica de mais de 20 mil pessoas entre discentes, servidores técnicos e docentes. A instituição atende o ensino de graduação e de pós-graduação, a pesquisa, a área da extensão e da cultura e atividades de gestão com um quadro de servidores, tanto técnicos como docentes, muito enxuto. O que quer dizer que esses servidores se desdobram para atender as demandas que estão em curso e ainda se dispõem a abraçar novas frentes de trabalho visando a democratização das ações da universidade. Nesse sentido, uma pauta prioritária da nossa gestão será a realização de concurso público. A cidade de Cáceres, sede da Universidade, possui cursos dos mais antigos, como são o caso da Letras e da Pedagogia, cursos que tem um volume grande de professores que já se aposentaram. Além disso, por serem as áreas pioneiras da Instituição, são as que possuem programas de pós-graduação que também necessitam profissionais para atuar no ensino e na pesquisa, mas isso ocorre em muitas outras áreas também. Outra prioridade é a melhoria das condições de formação dos nossos alunos, tanto no que diz respeito a aspectos materiais, quanto de abrangência pedagógica e social. Para isso, em todas as áreas, faremos um grande empenho em estreitar relações com o ambiente de trabalho dos futuros profissionais, promovendo um maior envolvimento da sociedade no processo formativo dos alunos. Quando qualificamos a formação, qualificamos a sociedade. Situada em 13 (treze) câmpus, que são municípios-polo em todo o estado de Mato Grosso, a Unemat é hoje uma instituição fundamental para o desenvolvimento do nosso estado. Nesse sentido, uma das nossas ações primordiais será o aprimoramento das relações institucionais com a sociedade e com os governos do estado e municipais.

Vera: "A Unemat pode contribuir ainda mais com questões relacionadas ao meio ambiente"
Foto: Wilson Kishi

Zakinews: Quais problemas locais foram elencados e o que a universidade pode implementar com outros órgãos em prol dessa efetivação?

VERA MAQUÊA Um dos papeis da universidade hoje é formar pessoas em um projeto formativo contextualizado, para que essas pessoas tenham como contribuir para o desenvolvimento regional. Esse papel da Unemat é muito forte pela forma como a instituição está organizada nos vários locais do estado e tem sido reafirmado como um princípio de sua ação desde que foi criada há 44 anos (a Unemat vai completar 44 anos daqui a pouco).  Nós temos no Brasil uma previsão constitucional de pacto federativo, que pressupõe a parceria entre as várias esferas públicas, mas que na prática é muito difícil de se efetivar. A Unemat é uma instituição que tem perseguido essa ideia em várias áreas, na saúde, educação, produção agrícola entre outras. Esse exercício não é fácil, é constante e exige resiliência e muita disposição para o diálogo. Parcerias com as secretarias de estado de Ciência e tecnologia, de Saúde e de Educação são alguns exemplos de como a Unemat já construiu importantes redes de colaboração e que podem ser melhoradas e expandidas. O mesmo vale para as esferas locais, em termos de município e da sociedade civil organizada. A universidade tem contribuído e pode contribuir ainda mais com questões relacionadas ao meio ambiente, à valorização da vida e da cultura, aos direitos humanos, à ampliação dos setores produtivos e de serviços e à redução das injustiças sociais. Em todas essas áreas a Unemat já oferece cursos de graduação e de pós-graduação, realiza pesquisa, participa de investigação em conjunto com outras instituições, nacionais e estrangeiras, e estabelece contatos com a sociedade por meio da extensão, além de ser uma referência em inovação no estado. O compromisso meu e do prof. Alexandre Porto é ampliar e melhorar essa intervenção social da universidade.

"Se sonharmos grandes, seremos grandes"
Acervo pessoal

Zakinews: Qual a mensagem que deixaria para todos que compõem o corpo estrutural da instituição.

VERA MAQUÊA Durante a nossa campanha nessas eleições para a Reitoria fui elaborando, no encontro com muitas pessoas da comunidade acadêmica, uma ideia que penso ser de fato aquilo que nos move na vida. Somos do tamanho do nosso sonho, já dizia um poeta português. Se sonhamos grande, seremos grandes. Se sonhamos tacanhamente, seremos medíocres. Esse sonho, no entanto, nada tem a ver com aquele contemplativo, em que as pessoas sonham enquanto ficam esperando milagres ou cair do céu aquilo que desejam. Esse sonho é um sonho-ação. A UNEMAT é esse sonho que não cessa. Um dia foi uma ideia no grande mapa de Mato Grosso. Uma ideia que estava na cabeça de algumas pessoas, pessoas que enxergavam além da curva, pessoas que projetavam lugares e acontecimentos no futuro, que imaginavam aquilo que ainda não existia. Há quem chame isso de utopia. Há outros que preferem, movidos pela tristeza, pela desesperança ou pela preguiça, olhar e ver apenas o que falta, desconsiderando a história e as experiências que foram vividas e compartilhadas por tantas pessoas até que chegássemos aqui. Em geral, essa visão sacrifica a estética e a beleza da força humana, não alcançando nenhuma imagem no horizonte que convide a lutar, construir e seguir adiante. Entre um e outro há apenas um fio tênue, transparente, quase irreal separando a “sonhação” daquela outra esfera que é a das distopias que invadem nosso tempo. E assim, a imaginação do futuro e o que nos move em sua direção pode ser engolida pelo comodismo e pelo fatalismo. A comunidade acadêmica hoje da Unemat é, na sua grande maioria, composta de pessoas que trabalham muito e compreendem que não se pode construir nada sozinho. A essas pessoas quero fazer um brinde. Porque é com elas que vou trabalhar com afinco cada dia como reitora para melhorar ainda mais a nossa Unemat. E vamos fazer isso como servidores, como uma obrigação pela confiança que a sociedade deposita em nós, que fomos os selecionados em concurso público e que somos pagos pela sociedade, não apenas para prestar um serviço, mas para mudar o estado das coisas e contribuir para que o nosso estado seja um lugar para viver com dignidade para todas as pessoas. Sem que ninguém seja insultado, constrangido ou mutilado no seu ser e na sua forma de habitar o mundo.

Obrigada.
Vera Maquêa

Comentários: ( 4 ) cadastrados.
Por: Maria Sueli Vieira Mattiello
Cáceres Mt.
Como não brindar !!! Quando o sonho é "Grande"- Brindo não só o Passado e o Presente mas o grande Futuro de nossa querida UNEMAT, que surgiu e hoje ressurge com SONHOS....SONHOS.. ...Todos como nasceu, lá em 1978 , tenho um grande orgulho por ter sido caloura da primeira turma de vestibular ,lá no antigo IESC, Formada em Estudos Sociais . - Lá , o primeiro grande SONHO, era a formação dos Professores, para que estes , não só fossem beneficiados , com títulos ,mas que realmente contribuíssem na transformação da nossa sociedade. - Tudo isso aconteceu, nosso ESTADO, mudou na área da Educação, hoje 13 Municípios estão integrados a nossa UNEMAT .Brindo ao nosso Governo do MT por participar não só nos Sonhos ,mas ajudá-los a se realizarem. - Brindo aos velhos GUERREIROS, que retiraram as "pedras do caminho " -Brindo a todos que estão a frente dos cargos da Instituição, que acertando ou errando , não perdem o ânimo de acertar sempre .-E, A VOCÊ VERA MAQUÊA, QUE DEUS TE DÊ MUITA LUZ E DETERMINAÇÃO NA LUTA PELAS BOAS CAUSAS DA EDUCAÇÃO ACADEMICA DE NOSSO QUERIDO MATO GROSSO. - Aqui no meu humilde cantinho terá sempre um cafèzinho para nossa querida REITORA a partir de Janeiro de 2023.
21/06/2022 22:08:38

Por: Suely Canellas
Cuiabá Mt
Ao ler essa entrevista da Vera Maquêa fiquei muito feliz em ver toda a sua vida contada com muita singeleza e humildade, trazendo-nos uma rica história de sonhos e realizações. Quero, portanto cumprimentá-la por tudo e principalmente pela escolha de seu nome para futura Reitora.
Não só Caceres mas todos nós ganhamos com isso.
Meus cumprimentos à equipe do zakinews.
21/06/2022 21:25:51

Por: A. Carlos VianaCosta
Cáceres mt
Que bela história da Futura Reitora Vera Maquêa, belas palavras digna de uma pessoa que passou por vários processos de lutas e vitórias na vida, a UNEMAT é o orgulho de nós Cacerenses, com certeza deve ser conduzida por pessoas que conhecem e viveram todos os requisitos necessários da instituição, tenho o maior orgulho de sempre que posso dizer que o meu sábio pai Natalino Anacleto da Costa, foi um dos colaboradores do grupo que articularam sabiamente o início da Universidade, na época IESC, e também meu pai foi um dos que concluiu o primeiro curso de letras da UNEMAT, sei que passaram vários Reitores ótimos que conduziram um bom trabalho para que a nossa UNEMAT chegasse a este grande nível e respeito que é hoje, gostaria de Parabenizar a toda a sua equipe e a Prof. VERA MAQUÊA que é praticamente uma Cacerense e Mato-grossense que com toda a sua sabedoria e inteligência, fará mais um excelente trabalho em todas as áreas da UNEMAT. (Espero mais empenho na Cultura e Turismo).
"SOMOS DO TAMANHO DO NOSSO SONHO"
A UNEMAT é um sonho que não cessa. Visão vista além da Curva.
CARLOS VianaCosta
Artista Plástico
Cáceres MT
21/06/2022 08:29:47

Por: Olga Castrillon
Cáceres-MT
Um brinde ao tempo de pensar grande e agir com os pés na complexidade do mundo. Uma Reitoria q continuará a contribuir com açoes contínuas e eficazes. A UNEMAT escreve sua história com o sangue e o coraçao dos seus servidores. E é pública!! Parabens, Vera/Porto pela forma como pensam a instituição e o mundo!!!
21/06/2022 08:18:47

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