19/07/2021 - 07:00

Por: Antonio Costa / Zakinews

50 anos de fé e oração da Comunidade Nossa Senhora do Carmo


Foto: Wilson Kishi 
 

Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews

O Bairro do Junco, que hoje se constitui num dos mais populosos de Cáceres, passou a ganhar o necessário impulso ao seu crescimento e desenvolvimento, a partir da década de setenta, quando teve início aos trabalhos religiosos através da Boa Nova, tempos em que o saudoso e respeitável Bispo Diocesano Dom Máximo Biennés, estava à frente da Igreja Católica em Cáceres.

Zakinews foi buscar pistas deste valoroso trabalho, com antigas Filhas de Maria que nos idos de 1969/1970, deram início ao trabalho evangelizador na referida comunidade que se localiza após a BR 070, do outro lado da cidade, onde hoje se localiza o progressista Bairro do Junco.

Convite para a inauguração da Capela Nossa Senhora do Carmo, publicado no Jornal Correio Cacerense de 15/07/1971

Foram as religiosas que carregaram o bastão inicial para depois passarem o mesmo para Renato Widal Garcia que se tornou o grande líder da comunidade.

Revela a costureira aposentada, Maria Ferreira da Costa, que por volta dos anos de 1969, ela, a sua irmã Adair Ferreira da Costa, professora aposentada que vive no interior do Paraná, as amigas Auta, Adenir, Creuza Lara, etc, sob a liderança da dupla da Boa Nova, Alcina e Marta, deram início aos trabalhos de evangelização no distante bairro. “Nessa época as moradias eram em pequeno número. Uma casa alí outra lá”, resume Maria Costa.

Recorda que aos domingos um pequeno grupo de filhas de Maria se dirigia por volta das duas horas da tarde à Rua Antonio Maria onde se encontravam Marta e Alcina que ali residiam. Elas pegavam a condução que as levaria até o bairro que estava sendo fundado. Os motoristas eram os religiosos Padre Amadeo, Ives Terral, e, algumas vezes, até mesmo o bispo Dom Máximo.

Os encontros aconteciam embaixo de frondosas árvores. Inicialmente a catequese seguida de oficinas de corte e costura, bordado, pintura em tecidos, etc. A ideia inicialmente era de se construir um barracão onde pudesse abrigar as catequistas, Filhas de Maria e a comunidade.

Dessa ideia inicial, surgiu a planta oficial da edificação da capela. Maria e Adair recordam das vezes que saíram para conseguir prendas e doações de valor para as primeiras quermesses.

Cita as doações dos fazendeiros Lício de Aquino Nunes, que doou uma potranca; Natalino Fontes, novilha; família Lara, novilha. E, muitas outras doações menores, a exemplo de galinhas, patos, etc. Doações que se transformaram em rendas para o início das obras de construção da capela.

Maria recorda de ter limpado várias galinhas que posteriormente foram preparadas na residência de Dona Elizena, e à noite viraram prendas no leilão.

As duas irmãs recordam dos tempos de dificuldades, mas de enorme gratidão em darem suas parcelas de contribuição, juntamente com outras amigas do grupo das Filhas de Maria, para o início das obras que transformaram o Bairro do Junco que orgulhosamente abriga a Comunidade Nossa Senhora do Carmo. Elas plantaram as primeiras sementes. O registro fica para a posteridade, a exemplo da determinação, trabalho, amor e fé, do líder Renato Widal Garcia, como se pode ver a seguir.

Reconhecimento do bispo Dom Máximo Biennés ao grande líder da comunidade do bairro do Junco
 


Nossa Senhora do Carmo: A Virgem do Monte Carmelo

Em 16 de julho comemora-se uma grande festa: a de Nossa Senhora do Carmo ou Nossa Senhora do Monte Carmelo, mais um dos inúmeros títulos consagrados à Virgem Maria. Essa bela história da Igreja Carólica tem origem no século XII, quando um grupo de eremitas começou a se formar no monte Carmelo, na Palestina, iniciando um estilo de vida simples e pobre, ao lado da fonte de Elias, que se estendeu ao mundo todo.

A ordem dos carmelitas venera com carinho o profeta Elias, que é seu patriarca, e a Virgem Maria, venerada com o título de Bem Aventurada Virgem do Carmo. Devido ao lugar, esse grupo foi chamado de carmelitas. Lá, esse grupo de eremitas construiu uma pequena capela dedicada a Senhora do Carmo. Posteriormente os carmelitas foram obrigados a ir para a Europa fugindo da perseguição dos muçulmanos. Aí se espalhou ainda mais a Ordem do Carmelo.

Com a expulsão dos carmelitas de Israel, a devoção a Nossa Senhora do Carmo começou a se espalhar por toda a Europa. Também foi levada para a América Latina, logo no começo de sua colonização, passando a ser conhecida em todos os lugares. E não somente no Carmelo. Foram construídas várias igrejas, capelas e até catedrais dedicadas a Senhora do Carmo.

Imagem de Nossa Senhora do Carmo colocada em frente a Igreja no bairro do Junco


São Simão, um dos mais piedosos carmelitas que vivia na Inglaterra. Vendo a Ordem dos Carmelitas ser perseguida até estar prestes a ser eliminada da face da terra, sofria muito e pedia socorro a Nossa Senhora do Carmo. Sua oração, que os carmelitas usam até hoje, foi a seguinte: Flor do Carmelo, vide florida. Esplendor do Céu. Virgem Mãe incomparável. Doce Mãe, mas sempre virgem. Sede propícia aos carmelitas. Ó Estrela do mar. Então Maria Santíssima, rodeada de anjos, apareceu para São Simão, entregou-lhe o Escapulário e lhe disse: Recebe, meu filho muito amado, este escapulário de tua ordem, sinal do meu amor, privilégio para ti e para todos os carmelitas. Quem com ele morrer não se perderá. Eis aqui um sinal da minha aliança, salvação nos perigos, aliança de paz e amor eterno. A partir desse milagre, o escapulário passou a fazer parte do hábito dos carmelitas.

A palavra escapulário, vem do latim, escápula, que significa armadura, proteção. O escapulário é uma forma de devoção a Maria Santíssima. O uso do escapulário é um sinal de confiança em Nossa Senhora do Carmo. A pessoa que o usa, é coberta com a proteção e as graças da Virgem Do Carmo.

Comunidade de Nossa Senhora do Carmo – Bairro do Junco

De fato, a difusão da Virgem Maria com o título de Nossa Senhora do Carmo na América Latina foi uma realidade, pois muitas igrejas e capelas foram construídas e a devoção a Virgem do Carmo aumentou consideravelmente.

Em nossa Diocese, além da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Pontes Lacerda, há uma capela na Comunidade de Nossa Senhora do Carmo do Taquaral, localidade distante 30 km da cidade de Cáceres e ainda em Cáceres, está a capela de Nossa Senhora do Carmo, no Bairro do Junco, fundada há 50 anos pelo Senhor Renato Widal Garcia, com indicação e aprovação na época, do vigário da Catedral São Luiz Frei Ives Terral e do Bispo Diocesano Dom Máximo Biennés.

 
Padre Geraldo e Renato Garcia, durante uma das milhares de celebrações realizadas na igreja de N. S. do Carmo - Foto: Acervo de família


Tudo começou após a realização do Cursilho

A história da Capela de Nossa Senhora do Carmo se inicia após o encerramento de um dos Cursilhos, onde todos os participantes escolheram e adotaram um bairro da periferia para promover o serviço de evangelização.

Renato Widal Garcia com mais alguns irmãos cursilhistas optaram pelo Bairro do Junco e foi escolhida por todos como padroeira do bairro, “Nossa Senhora do Carmo”. Desde 1971 a evangelização tem acontecido de forma efetiva, e no dia 16 de julho de cada ano ocorre a grandiosa festa de Nossa Senhora do Carmo, em que se realizam a novena, a procissão, a festa social e a festa religiosa - ápice do evento, com alvorada festiva, missa solene, batizados e casamentos, oportunidade esta que se reúne centenas de devotos.

Padre Grignion em celebraçao comemorativa dos 50 anos de vida do pioneiro do bairro do Junco e da Comunidade de Nossa Senhora do Carmo - Foto: Acervo de família

Pioneiros

Além de Renato Widal Garcia e seus companheiros de cursilho; Ernani Martins, Edgar Rondon, Senhor Sabino, Senhor Targino, Luiz e Isaías Garcia, todos estes optaram pelo Bairro do Junco e iniciaram a evangelização do povo, em 1971 de devotos, posteriormente, muitas outras famílias vieram somar na evangelização, como: Osiris e Joana Fanaia, Senhor Tino e Izabel Pinheiro, Senhor Calazans e Eremita, Senhor Francelino e Benedita, Senhora Francisca Assis e esposo, Senhor Inácio e Sofia Sonaque, Senhor Agnaldo e Dona Branca, Senhor Boava e Dona Antônia, Senhor Adenair Bezerra, Senhor Erondino e Silvia, Senhor Manoelito e Lídia, Senhor Vitorino, Senhor Manoel Eraldo e Dona Lurdes, Senhor Manoel da Cruz e Vitalina, Senhor José Dorileu e Amélia, Senhor Benedito e Maria, Senhor Manoel e Sabina, Luiz Garcia e Elza Freitas, Senhora Laurinda, Senhor Antenor e Isaura, Senhora Sofia, Senhor Caetano e esposa.

A Comunidade de Nossa Senhora do Carmo foi uma das primeiras comunidades a ser implantada na cidade de Cáceres. A partir dela, com o apoio expressivo de muitos leigos engajados, inúmeros outras comunidades foram constituídas: Nossa Senhora da Guia (Santo Antônio), São Sebastião (Cidade Nova), Santa Luzia (Vila Real), São João Batista (Garcês) e Espírito Santo (Rodeio) e, por fim, com maciço apoio de todas criou-se a Paróquia Nossa Senhora Aparecida.

 
Dona Izabel da Cruz Pinheiro foi a primeria professora do bairro do Junco e esposa do Justino da Cruz Pinheiro, o 2º presidente da comunidade. Em breve o nome de dona Izabel ficará eternizada com o nome da Creche que será inagurada no bairro.

Osires Fanaia recorda daquele tempo

O tintureiro Osires Fanaia, que já foi tema de uma matéria neste site, esteve com a família participando das festividades comemorativas do cinquentenário da comunidade na sexta-feira pela manhã.

Ouvido pela reportagem ele revelou que ao lado de companheiros como Isaías Garcia, Douglas Lopes Ribeiro, eles participaram durante anos dos cultos na comunidade. O trio seguia de bicicleta na estrada com iluminação de lanterna, religiosamente três vezes na semana: segunda, quarta e sexta-feira par comandar o culto religioso.

Osires viu tijolo a tijolo a capela ser erguida. Se lembra dos leilões de prendas com fins de arrecadar recursos para a obra. Ele e o Pedro Paulo Pinto de Arruda, o Pedrinho da Casa Rio Branco eram os leiloeiros oficiais.

Diz ser testemunha do trabalho e dedicação do amigo Renato Garcia em prol da comunidade. O Bairro do Junco, segundo ele, sempre demonstrou através de seus moradores, “fé, união e entusiasmo. Por isso, cresceu desse tanto”.

Na festa da padroeira, emocionado, Ozires tocou o hino em louvor à Nossa Senhora do Carmo, na sua velha companheira, a gaita, de longos anos. Ele revela que estava com muita dor no joelho às vésperas do grande dia, foi quando pediu que Nossa Senhora do Carmo desse condições de participar da missa. Acordou sem nenhuma dor no local. Contente e agradecido ele novamente se fez presente nesta que é tida como uma das maiores festas religiosas de Cáceres.

Devoção

Renato Widal Garcia, que faz aniversário no dia de Nossa Senhora do Carmo, 16, sempre demonstrou total devoção à Santa. Sua dedicação ao bairro foi decisiva para a sua expansão e crescimento. Renato com apoio da comunidade, amigos próximos, familiares, além de estar à frente da construção da igreja, fundou a equipe de futebol São Vicente, que disputou vários anos o campeonato da Liga Esportiva Cacerense.

Seu amigo, Pedro Paulo Pinto de Arruda Filho, recorda da viagem que ambos fizeram à Poconé para participar do Cursilho da Cristandade, exatamente 50 anos passados. Época em que o conhecido Pedrinho era goleiro da equipe do São Vicente. Posteriormente perdeu a titularidade para Formigão, um dos melhores goleiros do amadorismo cacerense. São Vicente que revelou ainda o centroavante Geraldão, o meio campista Quequé, e tantos outros.

Renato Garcia, reconhecido farmacêutico da Farmácia Nossa Senhora do Carmo, por décadas ao lado da mulher Neuza, prestaram valoroso serviço à população de Cáceres Também na  área da saúde.

O casal e filhos estiveram à frente do E C Humaitá, que na sua gestão de trabalho, alcançou verdadeiro auge nas festas de réveillon, debutantes, carnaval. O Humaitá atraía público também da região. Era destaque no interior mato-grossense.

Muitas histórias deixadas pelo patrono e construtor da Comunidade Nossa Senhora do Carmo. Hoje o bastão é levado adiante pela viúva Neuza, filhos a exemplo da Neuliane e o esposo Jair Cestari. A devoção à Santa continua.

Programação das solenidades dos 50 anos da padroeira do bairro do Junco
No primeiro plano, Ozires Fanaia e Joana Fanaia, e ao centro, Neuza Garcia, durante a solenidade comemorativa ao 50 anos da Comunidade de Nossa Senhora do Carmo, no último dia 16 de julho de 2021 - Foto: Neuliane Cestari
 
Ozires apresentando sua arte na gaita, tocando o hino de louvor à Nossa Senhora do Carmo - Foto: Argélia Fanaia
Fotos que registram a presença dos fiéis na celegração, todos obedecendo às restrições sanitárias devido ao Covid-19
Bispo Dom Jaci
Padre Evandro
Padre Sandro
O casal Jair e Neuliane Cestari mantém, na comunidade, toda a tradição iniciada pelo saudoso Renato Widal Garcia
Depois da procissão, chegada da imagem de Nossa Senhora do Carmo



 

Comentários: ( 10 ) cadastrados.
Por: Olga Castrillon
Caceres
Comunidade de fé. Rogai por nós Santa Mãe!!!
26/07/2021 09:37:40

Por: Ageo Villanova
Cáceres
Justa homenagem 👏👏👏👏👏👏👏
24/07/2021 06:49:54

Por: Marlene
Caceres
Parabens pela linda homenagem.
19/07/2021 16:49:28

Por: Edileuza L. Pinto
Cáceres
Mesmo na pandemia a comunidade conseguiu realizar a homenagem da nossa nossa senhora do Carmo de um jeito muito bonito e especial, sempre respeitando a saúde de todos. A uniao da comunidade renova a nossa fé.
19/07/2021 15:44:39

Por: dirce
caceres
rogai por nos santíssima virgem maria
19/07/2021 15:30:39

Por: Ana Lucia Santana
Cáceres
Uma tradição que não pode nunca morrer, Nossa Sra. do Carmo atrai muitos fieis com sua força e poder de transformar as angústias em alegrias. Ela é nossa mãe protetora.
19/07/2021 14:08:40

Por: Claudia
Cáceres
Que linda homenagem a nossa Santa mãezinha, Nossa Senhora do Carmo! Que ela proteja sempre todos os seus filhos do Junco em especial a família do senhor Renato Garcia. Que Nossa Senhora do Carmo ilumine o caminho de todos os seus filhos🙏
19/07/2021 13:45:19

Por: Maria Sueli Vieira Mattiello
Cáceres MT
Que HISTÓRIA e lembranças lindas Toninho Costa, mais uma vez fiquei emocionada com seus relatos. lembrar dos tempos dos primeiros CURSILHOS , das preocupações de Dom Máximo com a EVANGELIZAÇÃO de nossa grande Cáceres, sua irmã Maria que o diga - Sr. Renato Vidal Garcia: - "SOU MUITO FELIZ, 70 ANOS SERVINDO A DEUS E A NOSSA IGREJA CATÓLICA" ( frase em registro 16/07/2008). - DEUS, FAMILIA E COMUNIDADE, sempre será o grande MARCO para se viver em paz e feliz.
19/07/2021 12:25:23

Por: diogenes
caceres
parabens toninho pela homenagem a comunidade do junco nossa senhora do carmo, anos de um trabalho em conjunto de muita solidariedade e amor em cristo.
19/07/2021 10:35:18

Por: Valeria
Cáceres-MT
Admiro o povo cacerense por ter um grande reforço cristão, precisamos sempre fortalecer nossa base em Deus, porque só ele é capaz de nos salvar. Parabéns a todos os envolvidos da comunidade N.Sra do Carmo.
19/07/2021 10:00:57

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