21/06/2021 - 07:00

Por: Antonio Costa / Zakinews

Seu Zé da Mercearia Enildes, próspero comerciante que marcou época em Cáceres



O homenageado da semana curte a vida na ponta do lápis


Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews

O destaque da semana fica sendo o levergense José Santana da Cunha,(Seu Zé), 89 anos, de uma família de doze irmãos, onde atualmente somente dois são vivos, um deles, é o próprio seu Zé que ficou ao lado da irmã Alcina Rodrigues da Cunha, moradora em Cuiabá-MT para contar a própria história.

A rica vida deste ilustre cidadão que adotou Cáceres para constituir família, e, aqui se vão 48 anos, está sendo abordada pelo site nesta oportunidade, atendendo sugestão do filho Rogério Cunha (Roggê).

 

JOSÉ SANTANA DA CUNHA
“Zé da Mercearia Enildes”

 Natural de Santo Antonio do Leverger
Data nascimento: 07/08/1932
Pai: Severo Rodrigues da Cunha
Mãe: Sebastiana Costa e Cunha.
O casal Severo e Sebastiana teve 12 filhos. Dois ainda estão vivos: José Santana e Alcina Rodrigues.
Esposa: Enildes Alves Pedroso (falecida em 2001)
Filhos: O casal teve cinco filhos.

 

Trabalhou desde cedo

A infância foi vivida com os pais no sítio em Santo Antonio. Desde muito cedo aprendeu a trabalhar pesado na roça na lida com a enxada, bem como plantando e cortando cana para abastecer a Usina Maravilha, que fabricava açúcar e aguardente, empreendimento este que pertencia ao empresário do setor Palmiro Paes de Barros, primo do ex senador Antero de Barros.

José Santana na companhia do pai e irmãos mais velhos comandavam grupo de índios bororos no corte da cana. Os feixes eram organizados da roça para a beira da estrada onde eram recolhidos e carregados em carro de boi e conduzidos até a usina.

A família ainda plantava arroz, feijão, mandioca, criava porcos e galinhas para o consumo do próprio sítio. Ainda tinha uma plantação de fumo para comercialização. “Era uma época de muita fartura, de vida simples e feliz”, ressalta o homenageado.

Após o período no sítio, com 11 anos, ele muda para Cuiabá e passa a morar na casa de Dona Ninfa esposa do conhecido José Ceguinho, fiscal do Iapi, órgão ligado ao antigo Inamps.

Nessa época estudava no Colégio Salesiano São Gonçalo onde o padre Raimundo Conceição Pombo Moreira da Cruz, o padre Pombo era diretor. Recorda Seu Zé, dessa época das animadas partidas de futebol com a participação do padre.

Além de estudar ele trabalhava vendendo doces de laranja, pêssego, mamão, mangava, leite que sua mãe fazia para ajudar na manutenção de sua estadia em Cuiabá.

Ele também vendia revistas que pegava na Livraria Santa Terezinha na Avenida Rubens de Carvalho. Colocava uma caixa na cabeça com as revistas e percorria as ruas e avenidas da antiga Cuiabá.

Como se observa, desde muito cedo ele convivia com o trabalho, o trabalho fazia parte de sua vida, mesmo quando ainda criança.

Aprendeu a profissão de alfaiate

Alguns anos conseguiu se formar na profissão de alfaiate, recorda da data: 20-01-1949, aluno que aprendeu a profissão de manusear a tesoura e o tecido na famosa Escola Industrial, isso com 17 anos. Passou então a trabalhar com José Bomdespacho, a alfaiataria localizava na conhecida Rua do Meio (Ricardo Franco). Após dois anos, muda-se para Corumbá-MS no ano de 1951.

O tio Inocêncio Costa Viana residia na Cidade Branca, e o acolheu em sua residência o jovem ávido e disposto vencer na vida através do trabalho.

José Santana tinha 18/19 anos quando decidiu casar-se. O casamento durou quase 20 anos, o casal teve quatro filhos, dois homens e duas mulheres.

Após a separação, o personagem central desta matéria retorna à Cuiabá em 1970 e começa a trabalhar de vendedor na Cerealista Rio Preto. Dirigindo um jipe ele percorria Cuiabá oferecendo diversos produtos aos comerciantes da época, tinha uma considerável clientela.

Foi quando um trágico acidente de trânsito quase lhe tira a vida. Ficou internado no hospital alguns dias até que totalmente recobrou os sentidos.

Redação coloca novo amor em sua vida

Eis que Seu Zé vai à luta em busca de um novo amor. Foi quando apareceu em sua frente uma morena natural de Chapada dos Guimarães na casa da tia Senhorinha Alves de Oliveira (ex-secretária estadual de Educação), que era justamente amiga do nosso personagem central.

Enildes e José Santana


Imediatamente a beleza da morena lhe chama atenção. Esta diz pra tia que estava preocupada com uma redação que valeria ponto como nota do mês. Ao ouvir a conversa, o pretendente oferece para fazer a redação cujo tema era: “o que você faria se fosse rico”.

A moça topou imediatamente a ajuda. Seu Zé fez a redação e noutro dia entregou a tarefa à moça e a orientou copiar com a própria letra para não causar dúvidas à professora. Assim foi feito.

Moral da história: a redação obteve a nota maior de toda sala. Era o início de um relacionamento que só terminou com a morte de Enildes Alves Pedroso, após mais de 30 anos de relacionamento e que originou cinco filhos.

Mas, nem tudo foram flores. Seu Zé teve que convidar a moça para fugir. Seu pai não aprovava o relacionamento.

Apaixonada ela topou. Os dois se encontraram na antiga rodoviária de Cuiabá, e, só ficaram sabendo pra onde iriam, quando Seu Zé indagou ao motorista. Este informou que era o ultimo dia da exposição agropecuária de Cáceres, e o ônibus levava festeiros para aquela que era tida como uma das melhores exposições do interior mato-grossense. A data: 18-07-1972.

Em Cáceres, o casal foi conduzido pelo taxista conhecido por Totó Tripa. Ele coincidentemente levou os dois passageiros até o comerciante Mamede Lacerda Cintra, que foi pego de surpresa, pois já havia conhecido antes o Seu Zé no tempo que ambos moravam em Corumbá.

Mamede contactou com Zé Otávio dono de uma pensão na Rua dos Operários, e, este recebeu o casal.

Já estabelecido em Cáceres, José Santana começou a buscar uma forma de trabalhar para manter-se na nova morada. Como era alfaiate, acabou comprando a alfaiataria do conhecido Licínio e tentou confeccionar peças de roupas, mas não obteve sucesso.

Após analisar o mercado, partiu para montar um comércio de secos e molhados.

Foi quando conheceu Pedro Vieira, o conhecido Pedro Mota. Seu Zé organizou um barracão que estava totalmente bagunçado com mercadorias espalhadas pelos cantos. Mota tinha um restaurante e nos fundos um depósito abarrotado de mercadorias para manutenção do restaurante.

O casal  Zé Santana e Enildes, no interior da mercearia

Mercearia Enildes

Ao ver a organização que passou a imperar no local, Pedro Mota incentivou o amigo recém conhecido a montar um comércio. Assim foi feito. Cedeu a título de aluguel um imóvel de sua propriedade nas imediações onde mais tarde surgiu o Posto do Dito, ali então passou a funcionar a mais nova mercearia de Cáceres.

Detalhe: a primeira compra para abrir o negócio, foi feita com o comerciante atacadista Noé de Melo. Mesmo querendo comprar à vista, ganhou três meses de prazo para quitar a primeira compra, Seu Noé como era conhecido o comerciante, disse-lhe que mesmo não o conhecendo, tinha nele total confiança, pois essa confiança era demonstrada com a sua disposição em abrir o negócio.

Tino comercial, atendimento de primeira, disposição para o trabalho, foram fatores preponderantes para impulsionar o negócio rumo ao sucesso.

Pedro Mota tornou-se grande amigo. Tanto é que recebeu uma das filhas do Seu Zé como afilhada. Os dois tornaram-se compadres.

Posteriormente os investimentos ocorreram. Foi adquirido nas imediações o ponto comercial da Dona Maria, imóvel que pertencia a conhecida Simplícia.

Posteriormente outra aquisição, uma vila numa das laterais onde hoje acontece a feira livre, pagou à vista o proprietário Honor do Couto. O local foi totalmente modificado para melhor.

Foram utilizados 150 caminhões de cascalho pra aterrar toda área e imediações. Enormes valas e buracos tomavam conta do amplo espaço que antes cedia todo o barro para as olarias produzirem tijolos. Assim era onde hoje se localiza a feira livre de Cáceres. Recuperada a recém adquirida área, no local surgiu um bem montado bar e lanchonete.

Com a Mercearia Enildes a todo vapor, bar e lanchonete, e a venda de produtos na feira, definitivamente o levergense trilhava o caminho do sucesso comercial em terra cacerense.


 


Trabalho muito trabalho. Revela que visitava as glebas de outro lado da Ponte Marechal Rondon para adquirir porcos, galinhas, queijo, que eram comercializados na feira livre. Semanalmente eram limpos mais de 150 frangos e entregues aos consumidores.

Enildes Alves Pedroso a companheira de quase 30 anos, teve morte súbita em 17 de dezembro de 2001. Deixou cinco filhos: Elisângela (advogada e servidora publica), Rogério (contador e comprador em grandes empresas), Eliane (professora Cic e da prefeitura), Edil (contadora e Servidora publica), Renan (enfermeiro Hospital Regional).

Zé Santana recebendo o carinho dos filhos
O artista plástico Rafael Jonnier retratou a família em uma de suas telas

 

Outras atividades

Prestes a completar 90 anos, o homenageado da semana goza de uma memória privilegiada. Ele foi nos repassando a sua rica história de vida pelo celular e num único contato pessoalmente, guardando as devidas proporções e cuidados por quanta da pandemia, mesmo tendo recebido as duas doses de vacina. Além da (gripe).

Após ficar viúvo, nos últimos anos ele vive no convívio com uma das filhas e dos netos. Sempre rodeado do carinho e da atenção dos filhos que veem visita-lo.

No fechamento da matéria ele contactou com a reportagem para informar que também trabalhou por 11 anos como entregador de móveis da antiga Radiomáquinas, Lojas Ponto Certo. Foi ainda por um bom tempo entregador de carmes nos açougues de Cáceres. Trabalhava para o pecuarista Luiz El Chamy.

Ele teve também o seu próprio comércio, Casa de Carne Eliane, à Rua Costa Marques.

Seu Zé passa o tempo colorindo cadernos de pintura

Terapia com as cores

Seu Zé da Mercearia Enildes, como é até hoje conhecido em Cáceres, passa o tempo colorindo desenhos impressos nos cadernos que ganham cores através dos lápis que ele manuseia com habilidade e   perfeição. Verdadeira terapia para os seus bem vividos 89 anos.

Ele deixou sua marca na Praça da Feira com o trabalho que no local desempenhou por vários anos. Como recordação, está ali até hoje oferecendo sombra uma enorme figueira por ele plantada há mais de 40 anos.

Inspirado, ele apresenta os versos com o tema “saudade”.

A saudade expressa em versos

“Saudade que nem sei mais de quem...
Sei que sinto muita falta de você!
Você foi e sempre será uma luz em minha vida.
Eu me sinto longe de tudo que eu queria...
Hoje sem mais amor para viver o resto de minha vida.
Passo os meus dias lembrando do meu passado muito feliz.
Saudade trás muito sentimento para o presente que eu sempre quis.”

 

Esta a síntese da história de um cidadão simples, honrado e trabalhador que venceu na vida. Prestes a festejar seus 90 anos, ele está lúcido, feliz e com a consciência tranquila de ter feito o melhor pra si e pra sua família.

Uma das árvores que se encontra ao lado do banheiro público da praça da feira, foi plantada pelo Seo Zé Santana

 

 

Comentários: ( 18 ) cadastrados.
Por: NELSON SINZATO
CUIABA
Parabéns Sr. José. Homem simples e cordial. também me lembro do mercado citado pelo Sr. José Marcos Cardoso. Ficava na região da Rua Rangel Torres e Rua 31 de Março.
24/06/2021 05:26:15

Por:

Parabéns primo que Deus o abençoe sempre com saúde e felicidades, João R Viana.
23/06/2021 09:58:23

Por: Patricia Rabecchi
Cáceres
Parabéns Sr. Zé, pela bonita história de vida. Em pouco tempo de convívio com a família, como nora, aprendi a admirá-lo como um homem íntegro, simpático, alegre, de bem com a vida e carinhoso com a família. Que Deus o abençoe com muita saúde, paz e muitas alegrias!
22/06/2021 10:03:41

Por: Michelle Griggi
Cuiabá
Linda história de vida do seu José .
Tive a oportunidade de ouvi-la pessoalmente, e me encantou a riqueza de detalhes e a memória que ele ainda possui .
Parabéns a todos pela lindíssima e merecida homenagem.
21/06/2021 20:01:44

Por: Adriano Lopes
Cuiabá
Nem sei descrever o amor que sinto pelo meu sogro. Um homem cheio de alegria, sempre disposto a fazer o melhor inclusive em seus desenhos coloridos. Parabéns Sr. JOSÉ pela sua trajetória e linda família.
Obrigado Antonio Costa / Zakinews pela matéria.
21/06/2021 19:59:09

Por: Virginia

Parabens 👏👏👏👏👏
21/06/2021 17:11:22

Por: Ricardo Jorge da Cunha
Campo Grande/MS
Merecida homenagem, parabéns pai. Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. Dai Honra a quem merece honra.
21/06/2021 17:11:21

Por: marco antonio
caceres
grande seu ze, familia boa, sempre sorridente... bom saber que o senhor esta bem e ainda desfruta de tanta saude e alegria.. parabens toninho costa por trazer essa homenagem mais do que merecida.
21/06/2021 16:44:39

Por: Denize
Cáceres
Que exemplo de vida...que sentimento bom conhecer histórias como a do seu Zé, chegar na melhor idade colorindo a vida é o que todos nós queremos. Parabens pela homenagem!
21/06/2021 16:09:40

Por: José da Costa viana
Corumbá
Zézinho, como tio seu, sinto muito orgulho dê tê-lo como meu sobrinho, assim como mana Sebastiana ficaria. Justa homenagem a um honrado trabalhador. Que venha os 90 anos cheio de muita saúde. Um abraço do seu tio pantaneiro.
21/06/2021 15:12:17

Por: Carmen Lúcia da Cunha Moraes
Cuiabá
Meu titio Zezinho é merecedor de todas honrarias, por ser um homem íntrego em todos esses anos vivídos.
Um sábio ser humano, persistente , guerreiro, como todos da Família Cunha.
Um titio brincalhão, respeitador, alegre, muito alto astral.
Um exemplo de luz e ternura; fé e caridade; vida interior e doçura, a ser seguido.
Uma eterna criança brilha e salta de seus olhos, todas as manhãs, para sentir a vida e viver o sol.
Deus o abençoe e o mantenha firme conosco, por muito mais anos ainda, meu amado titio Zezinho ( das meninas, né meu galã, rrrrsss).
Amo você!

Carmen Lúcia da Cunha Moraes ( a sobrinha poetisa )

Por amor e gratidão,
Eu solicito que essa praça ganhe o seu nome Praça José Santana da Cunha,
ainda em vida e seu busto e placa sejam postados sob a linda figueira, com direito a um banquinho onde possa ir se sombrear.
21/06/2021 14:17:59

Por:

Que alegria ver o meu tão querido tio Zezinho, ser homenageado e lembrado ainda em vida....ele e mamãe ainda os únicos existente de 13 irmãos...vida longa para eles. Um exemplo de vida, de vitalidade e de um bom viver para todos nós. Parabéns ao Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres. 👏🏻👏🏻
21/06/2021 12:38:50

Por: José Marcos Cardoso
Várzea grande
Seu Zé gde homem vcs esqueceram ele também teve um mercado ali perto da minha casa no bairro da ponte lembro até hoje homem bom
21/06/2021 11:56:48

Por: Daniel Cunha
Cuiabá
Meu tio Zézinho, assim eu serei pergunto ao meu querido primo
Vida longa ao meu tio Zézinho , são os desejos de seu sobrinho que o ama Daniel Cunha
21/06/2021 11:48:34

Por: Alvasir Ferreira de Alencar
cáceres MT
Apesar de eu ter feito vários comentários, alusivos ao meu particular amigo Zé, tem uma brincadeira que eu chamava ele, por ter uma sombrancelha grande, eu o chamava de sombrancelha de Taturana
21/06/2021 11:04:48

Por: Alvasir Ferreira de Alencar
cáceres MT
O Sr Zé trabalhou comigo de 1982 a 1987 nas lojas ponto certo, grande amigo, muito brincalhão, contador de anedotas, foi pra mim um aprendizado, eu muito jovem pude aprender muito com este guerreiro, só sei de uma coisa o tempo passa muito rápido, isso parece que foi ontem, parabéns Wilson Massahiro kishi, por lembrar e mostrar para a população o valor e os ensinamentos de nossos amigos mais antigos, pra mim foi muito gratificante mesmo
21/06/2021 10:16:08

Por: Antonio Carlos
Cuiabá
Que lindas as pinturas do seu Zé, incrível ter essa noção das cores, está de parabéns.
21/06/2021 09:16:49

Por: Lúcia S
Caceres
Que homenagem linda, pra uma pessoa merecedora, tantas histórias maravilhosas nesse jornal, uma verdadeira relíquia. Como não sentir emoção em tantas vidas de esforço e superação, e de grande exemplos, parabéns seu Zé Santana e família, e o senhor pinta muito bem, amei suas pinturas e cores.
21/06/2021 08:58:38

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