12/04/2021 - 07:00

Por: Neuza Zattar

Miguel Ibrahim Zattar, um imigrante libanês em Cáceres no início do século XX


 

Neuza Zattar, EXCLUSIVO ao Zakinews

 

Quando criança, adolescente e até mesmo na fase adulta, eram vagas as informações sobre a minha descendência árabe, o lugar em que meus bisavós nasceram, o tipo de trabalho que faziam para sobreviver e por que apenas meu avô Miguel Ibrahim e sua irmã Sara decidiram deixar a família, a terra natal e imigrarem para São Paulo, depois para Mato Grosso (Cáceres) no final do século XIX. Essas questões fluiram para mim ao escrever sobre perfis de duas mulheres (mãe e filha) da fazenda Jacobina, e me transportaram para as minhas raízes.

Conversando com parentes, pois o meu melhor interlocutor, meu pai Alberto Zattar, não está mais presente, pesquisando trabalhos que tratam das imigrações sírio-libanesas para o Brasil, bem como retirando do baú (acervo do meu pai que organizei) raríssimas fotos e documentos, eis-me aqui a prestar uma homenagem a meu avô, costurando algumas memórias que me fizeram conhecê-lo melhor, desde a sua imigração até a escolha da cidade de Cáceres-MT, onde se estabeleceu e construiu família.

Pelos caminhos das descobertas vou deixando vestígios para sinalizar as idas e vindas do meu avô.

A origem

Meu avô, Miguel Ibrahim Zattar, natural da pequena cidade de  Zahlé  (pronuncia-se Zarle),  localizada no  vale da Bekaa,  no Líbano, era filho de Ibrahim Jorge Zattar e Faride Zattar, e viveu com a família até a idade de 20 anos, aproximadamente, na terra natal, de onde partiu em companhia de sua irmã Sara Zattar Chami e Rachid Ebaid Chami, seu cunhado, para o Brasil, no início do século XX. Anterior à viagem, trabalhava com os pais no cultivo de uvas e de outras plantações, pois, à época, a cidade de Zahlé, embora localizada numa região agrícola, não oferecia perspectivas de trabalho para os jovens.

A cidade de Zahlé

Localizada no centro do vale da planície da Bekaa, Zahlé é banhada pelo Rio Bardauni e tem uma população, em sua maioria, cristã. Os antigos moradores de Zahlé eram libaneses vindos do Durzul e de Ablah (localidades próximas à cidade) fugidos da perseguição dos emires feudais dessas localidades(1).

A cidade de Zahlé, por muito tempo, foi palco de destruição pelos conflitos político-religiosos locais e de violentas lutas. Elevada à condição de cidade em 1860, foi reconstruída pelos zahliotas com a ajuda de uma parte do exército francês acampado em Qab-Elias.(2) Toda a luta interna entre drusos e zahliotas pela ocupação e defesa da cidade de Zahlé, respectivamente, ocorreu sob o domínio dos turcos otomanos, que só deixaram o Líbano em 1918.  

Dado o fluxo imigratório intenso de libaneses dessa cidade para o Brasil, à principal rua da cidade foi dado o nome de Rua Brasil.

A localização de Zahlé na  fronteira  entre o Líbano e a Síria.(3)


A viagem

Dentre as mais prováveis rotas de imigração à época, é possível dizer que Miguel Ibrahim, Sara e Rachid partiram da cidade de Beirute (Líbano) para o porto ocidental de Marseille (França) e depois para a América (Brasil). Viajaram pela primeira vez de navio, viram o mar nunca antes navegado, deixando para trás os pais, o irmão Assad Ibrahim, parentes, amigos e a rotina de trabalho.

Na Grande Síria, onde nasceu Miguel Ibrahim, o domínio turco durou quase quatro séculos, de 1516 até o fim do Império Otomano no final da Primeira Guerra Mundial, em 1918. Segundo Truzzi (2001, p. 25 in ANDRADE, 2005, p. 15), “Após a derrota dos turcos nessa guerra, o Líbano, que antes pertencia à Grande Síria, ficou sob o regime de protetorado francês e ganhou autonomia em relação à Síria”. Até se tornar independente em 1943, a França assumiu o controle político da região durante 25 anos.

A vinda dos jovens libaneses Miguel Ibrahim, Sara e Rachid faz parte das primeiras Imigrações sírio-libanesas, ocorridas no final do século XIX (1870 - 1880) e início do século XX (1900), motivadas “pela conjunção de fatores econômico-demográficos e políticos”. (TRUZZI,  2009, p. 31).

Para Truzzi (Idem), além desses fatores, a imigração dos filhos significava também para a família a melhoria financeira e a  manutenção do  prestígio  social no lugar  de  origem. Assim,

Enviar um ou mais filhos à América, por norma, era uma decisão tomada no âmbito da família, coordenada pelo seu chefe, num cálculo destinado a melhorar ou, pelo menos, manter a situação do núcleo familiar na sociedade. (TRUZZI, 2009, p. 33).

Eu acrescentaria que meu avô e parentes vieram para o Brasil também em busca de liberdade e de um mundo melhor para se viver, trabalhar e adquirir independência econômica.

A chegada a São Paulo e a perspectiva de trabalho

A vinda dos sírio-libaneses para o Brasil não era aleatória, ao contrário, era planejada. Conforme Truzzi (2001, p. 299-300), a maioria desses imigrantes

não chegou sozinha, desamparada. Eles haviam imigrado com base em decisões razoavelmente bem informados sobre onde ir, onde encontrar trabalho e que tipo de trabalho os esperaria na nova sociedade. [...] havia uma clara noção fornecida pelos que chegaram antes, de por onde deveriam começar, do tipo de mobilidade a ser perseguida, de qual era o nicho onde a colônia havia se entrincheirado com sucesso, de onde portanto, existia uma rede de conterrâneos funcionando efetivamente: provendo emprego, treinando e socializando o recém-chegado.

A primeira grande aventura de Miguel Ibrahim, Sara e Rachid foi deixar Zahlé, atravessar o país de leste a oeste até chegar ao porto de Beirute, onde embarcaram com destino ao Brasil, numa viagem que durou mais ou menos 04 (quatro) semanas, e depois de chegarem pelo porto de Santos, ainda tiveram que fazer um longo percurso de trem até a cidade de São Paulo, ponto final da viagem, sem falar uma palavra em português. Nessa longa travessia, vieram também muitos sírio-libaneses provenientes de várias regiões da Grande Síria como “população rural (cristãos)  e Monte Líbano, de  Zahle, do Vale  do Bekaa e do Sul do Líbano.” (GATTAZ, 2005, p. 77).

Diferente dos italianos que vinham subsidiados pelo governo brasileiro para trabalhar nas fazendas de plantação de café, os sírio-libaneses vinham por conta própria e pagavam as próprias despesas de navio e de trem. No caso de Miguel Ibrahim e seus parentes foi assim e, com o pouco de recursos que trouxeram, deu para pagar os primeiros meses em pensões baratas nas proximidades da Rua 25 de Março, onde já havia uma colônia de conterrâneos que os recebia e os orientava sobre os primeiros passos na cidade de São Paulo.

Embora trabalhasse com os pais no cultivo de uvas, Miguel Ibrahim optou pelo trabalho urbano, demonstrando vocação para a mascateação, e foi na condição de mascate, mercador ambulante ou caixeiro-viajante, que meu avô começou a trabalhar na cidade de São Paulo. Inicialmente, comprava os mais variados produtos de atacadistas, geralmente um sírio ou libanês imigrado da mesma região. A atividade comercial de mascate era desgastante, pois passava o dia vendendo de porta em porta as mercadorias, entre elas tecidos, que carregava em malas ou caixas e, ao final de cada dia, acertava com o “patrício”, o fornecedor. Apesar do desgaste físico, a atividade de mascate, ao colocá-lo em contato diário com brasileiros, ajudou-o a falar o português do Brasil, inicialmente, de forma rudimentar. Era também o resultado desse trabalho diário que o mantinha e o ajudou a acumular recursos para novos investimentos.

Os imigrantes sírio-libaneses que vieram para São Paulo possuíam passaporte turco, como se fossem oriundos da Turquia e não dos lugares de origem. No Brasil, por desconhecimento da ocupação otomana, passaram a ser chamados de turcos, uma designação que os incomodava muito, visto que, durante quatro séculos, o Líbano viveu sob o domínio dos turcos.

Truzzi (2005, p. 53) diz que os principais aspectos “da imagem mais comum, mais popular a respeito dos sírio-libaneses, eram o idioma característico, a identificação com o comércio ambulante e o modo peculiar de regatear para fazer negócios”. Outra marca que também os identificava eram os bigodes longos e pretos.

Abaixo, algumas imagens de mascates sírio-libaneses no Brasil.


Imagens (4)


Não há registro de que Miguel Ibrahim tenha seguido o caminho natural dos demais sírio-libaneses, ou seja, de abrir uma loja no ramo de tecidos e armarinhos nas ruas centrais de São Paulo, ou se continuou apenas na condição de mascate. Embora charmoso, durante o tempo que passou em São Paulo permaneceu solteiro.

Miguel Ibrahim Zattar, aos 40 anos aproximadamente (5)

A incursão pelo interior

Depois de muito tempo trabalhando na cidade de São Paulo, e com os recursos que conseguiu juntar, deixou a cidade grande e migrou, juntamente com a irmã e o cunhado para o interior do Brasil. Mato Grosso foi o estado escolhido para o qual se deslocou de navio, passando pela costa leste do Brasil até atingir a rota dos países platinos, e num porto da Argentina, desembarcaram e tomaram outro barco a vapor que os levou pelo rio Paraguai até Corumbá. Como não havia linha regular das embarcações para o porto de Cáceres, os imigrantes tiveram que esperar por muitos dias para seguir viagem.

Por quê Mato Grosso?

Duas questões atraíram a vinda de Miguel Ibrahim para o interior de Mato Grosso, a primeira, pela possibilidade de criar uma casa comercial, a partir de seus contatos em São Paulo e, a segunda surgiu durante a sua permanência na cidade de Corumbá, ao observar, com muito interesse, o grande movimento comercial entre os produtos importados e exportados que chegavam e saiam pelo porto de Corumbá, bem como as muitas firmas da cidade que faziam esse comércio. A possibilidade de investir na comercialização e exportação da poaia o levou a fazer contatos e a entender a rede produtiva da poaia, desde a colheita até a comercialização interna e externa.

Vislumbrando lucros na comercialização da poaia como fonte de produção rentável, Miguel Ibrahim mudou a rota de sua viagem, dirigindo-se, inicialmente, ao distrito de Barra do Rio dos Bugres(6) (hoje Barra do Bugres), local promissor da poaia à época.  

Segundo alguns historiadores, no final do século XIX, a extração da poaia ganha destaque em Mato Grosso, com o declínio da atividade mineradora, atraindo grande fluxo migratório para a região sudoeste de Mato Grosso formada pelo município de Cáceres e seu distrito Barra do Rio dos Bugres (hoje Barra do Bugres).  

Chegando ao distrito de Barra do Rio do Bugres, Miguel Ibrahim permaneceu pouco tempo até conhecer os produtores da poaia ou ipecacuanha e os mecanismos da produção, colheita, armazenamento e comercialização, e se enamorar da jovem viúva, Etudiges Campos Borges, filha de Manoel Correa de Campos Borges e Idalina da Rocha de Campos Borges.  Ao encontrar a sua alma-gêmea brasileira, mudou-se para Cáceres, onde comprou um imóvel na Rua Coronel Faria esquina com a Rua Tiradentes (Praça Duque de Caxias) e ali se estabeleceu com a minha avó Etudiges e os enteados Mário, José, Demétrio e Edith.

Da união de Ibrahim Miguel com Etudiges nasceram 06 (seis) filhos: Ibrahim (1920) Alberto (1921), Odir (1925), Rui (faleceu ainda criança), Miguel Filho (Nhoca] 1929) e Najla (1933). Em 23 de outubro de 1932, oficializaram a união na presença do Juiz de Direito Dr. Gabriel Pinto de Arruda, e das testemunhas Manoel Pedroso da Silva Rondon e Francisco Affonso Ramires.

Miguel Ibrahim Zattar e Etudiges Borges Zattar (7)

Na ampla casa da Rua Coronel Faria esquina com a Praça Duque de Caxias, instalou a família e abriu, no salão da esquina, a Casa Zattar, a qual vendia desde fazendas finas, armarinho, calçados, ferragens até estivas etc. Além de comerciante nato, era também um notável comprador de ipecacuanha, couros vacum e silvestre(8), que exportava para São Paulo e para o exterior.  Negociar estava no sangue, e a experiência comercial de mascate, adquirida na cidade de São Paulo, contribuiu para o seu crescimento como comerciante.

No livro Um Trecho do Oeste Brasileiro, publicado em 1938, o autor Gabriel Pinto de Arruda, ao discorrer sobre as casas comerciais de Cáceres à época, diz sobre a Casa Zattar, da qual recorto o seguinte trecho:

A Firma Ibrahim Zattar, de propriedade de Miguel Ibrahim Zattar, foi fundada há muitos anos pelo proprietário e mantém animado comércio de importação e exportação. (Idem, p. 213).

Fonte: Anuário de Corumbá (MS), 1943, p.78

À direita, o imóvel pertencente a Miguel Ibrahim, localizado à Rua Coronel Faria esquina com a Praça Duque de Caxias (9)

Ibrahim Miguel, preocupado com a formação dos filhos, encaminhou os dois primeiros, Ibrahim e Alberto(10), para cursarem o ginásio no Liceu Cuiabano, em Cuiabá. Os jovens irmãos, assim como outros estudantes da cidade, iam de Etrúria para Cuiabá e ficavam hospedados na residência de Hildebrando Augusto Esteves e Maria Josepha Pereira Leite para estudar, como consta no relato que Luís Fhilippe Pereira Leite faz de seu padrinho Hildebrando, publicado no jornal O Estado de Mato Grosso, de 12 de fevereiro de 1934.

Em 17 de março de 1933 pelo vapor Etrúria chegava em Cuiabá com a família, trazendo em sua companhia os jovens cacerenses que pretendiam buscar os estudos secundários: José Hugo Sala, Francisco Torres, Marino Dulce, José Antônio Vilanova, Airton Marques Fontes. A estes juntar-se-iam outros como Ênio Torres, José de Mesquita Bossay, Ibrahim e Alberto Zattar. (Grifo nosso).  

Segundo a matéria do jornal, Ildebrando alugou duas casas na Rua de Baixo, em frente à tipografia de Avelino de Siqueira, ao lado da Igreja Senhor dos Passos, para alojar a família e os rapazes. Ele e a esposa seriam corresponsáveis pela permanência e pelos estudos desses jovens cacerenses em Cuiabá.

Ibrahim, o primeiro filho, continuou os estudos na cidade do Rio de Janeiro; Alberto deixou o Liceu Cuiabano, retornou a Cáceres, passou a trabalhar com o pai no comércio e, mais tarde alistou-se no serviço obrigatório do 2º Batalhão de Fronteira, passando à reservista de 1ª categoria em 1944; Odir(11) estudou na cidade de Santos (SP), onde se alistou na Aeronáutica, fez carreira e reformou-se como Coronel. Antes de se reformar, concluiu o curso de Engenharia Civil em 1977, na cidade do Rio de Janeiro; os mais jovens permaneceram na cidade de Cáceres com os pais, Najla(12) estudou no Colégio Imaculada Conceição e Miguel Filho, no Grupo Escolar Esperidião Marques.

Em Cáceres, da união da irmã Sara com Rachid, nasceram 08 (oito)(13) filhos, 06 (seis) homens, José, Waldomiro, Fauze, Ciro, Leopoldo e Luiz, e 02 (duas) mulheres, Ângela e Julieta. Depois de uma longa temporada em Cáceres, Rachid, na condição de viúvo, mudou com os filhos para a cidade de Corumbá, onde permaneceram, com exceção de Leopoldo e Luiz que optaram por permanecer em Cáceres, onde constituíram família.

Miguel Ibrahim não se tornou um homem rico, mas abastado, e com o que construiu sabia desfrutar do que era bom. Vestia-se com elegância e, além de saborear pratos típicos do Líbano que a minha avó fazia, gostava de caçar com os amigos, e para esse hobby adquiriu um automóvel de passeio. Gostava também de passear de lancha, ora com a família ora com os amigos. Uma de suas lanchas, com o nome sugestivo de Sereia, é registrada na poesia Desfile Fluvial, de autoria de Natalino Ferreira Mendes (2010), que diz sobre os desfiles de barcos e lanchas no Rio Paraguai, que banha a cidade de Cáceres. Eis os pequenos versos: Presente também está / A SEREIA, de Miguel Zattar.

Era proprietário também da lancha à gasolina denominada Sant’Ana, comprada do Sr. Coronel Manoel Pedroso da Silva Rondon pela quantia de quatro contos de réis, conforme consta no livro de receita da Collectoria de Cáceres, em 21 de março de 1927. A venda foi escriturada no Cartório do II Ofício, Livro n. 34 de Escrituras, às folhas 96.(14)

 A lancha Sant’Ana, como tantas outras que havia na cidade, “fazia viagens não só entre o porto de Cáceres e o de Corumbá, como viagens quinzenais nos rios Alto Paraguai, Sepotuba, Cabaçal e Jauru”. (ARRUDA, 1938, p. 185).

Miguel Ibrahim viajava muito para Corumbá, por questões comerciais, visto que pelo porto de Corumbá chegavam os produtos adquiridos em São Paulo; viajava também para São Paulo, onde mantinha contatos com os “patrícios”, que lhe davam notícias de sua família em Zahle; e com os compradores de ipecacuanha, couros vacum e silvestre que exportava para o exterior, e também com os atacadistas dos quais comprava as mercadorias que seriam comercializadas em sua loja em Cáceres.

Miguel Ibrahim tinha uma vida social tranquila, além das caçadas, gostava de futebol e, em 1929, ofertou uma Taça à equipe campeã de futebol no Torneio Taça Independência, realizado em 7 de setembro de 1929, em comemoração à Independência do Brasil. Em 1935 (A Razão de 16/06/35), foi sorteado festeiro Embaixador do Senhor Divino Santo juntamente com a Imperatriz D. Thereza Gomes da Silva.


Taça Independência oferecida por Miguel Ibrahim Zattar, em 7 de setembro de 1929

 

Entre 1924 e 1940, a cidade de São Luiz de Cáceres contava com muitas firmas e casa comerciais. E muitas delas, principalmente as firmas de exportação e importação, investiam fortemente nas propagandas, conforme vários exemplares do Jornal A Razão(15).

Além do comércio de Ibrahim Zattar, havia outros comércios pertencentes a seus conterrâneos, como a Firma Gattass, a Casa Saab, de Jorge Saab, e a casa comercial de Rachid Massad.  

Neste espaço, vamos destacar as propagandas da Casa Zattar que circularam nos jornais A Razão.

Em 05 de junho de 1926

Em 31 de julho de 1926

Em 06 de junho de 1936

Em 10 de outubro de 1936

Em 03 de outubro de 1936

 

O pressuposto de que os filhos imigrados deveriam retornar ao país de origem com recursos ou enviar remessas de dinheiro era verdadeiro, com relação ao meu avô, ele não só retornou a Zahle, como também enviou recursos à família no Líbano para aquisição de terras e ampliação da cultura de uvas.  

Com os filhos criados e dois deles já casados, num certo dia, pelas razões que defendia, Miguel Ibrahim deixou a cidade, a família e retornou a Zahle, onde viveu alguns anos até o seu passamento. Como antigamente as notícias do exterior demoravam a chegar, a família, em Cáceres, só tomou conhecimento de seu falecimento semanas depois, por meio de um advogado que o representava no Líbano.

Os cinco filhos que deixou em Mato Grosso ampliaram a sua descendência, com os seguintes netos: Ibrahim (Tânia e José Augusto); Alberto (Eni, Neuza, Luíz Alberto e Enio); Odir (Haroldo, Andreia, Eduardo e Janaína); Nhoca (Luiza, Regina, Miguel e Ana Cristina) e Najla (Ana Rúbia, Maria Helena e Benedito).

 

1 TAJRA, Marta.  Em Zahle, encontro as minhas raízes. Instituto da Cultura Árabe Disponível em: https://icarabe.org/geral/libano-uma-joia-do-oriente Acesso em: maio 2020.

2 Idem.

https://www.google.com/search?q=O+MAPA+POL%C3%8DTICO+DE+LIBANO&rlz=1C1GCEA_enBR909BR909&sxsrf=ALeKk01j7uqwooEAMkkijOejTocyzOmK0g:1616081148857&tbm=isch&source=iu&ictx=1&fir=YUstlTXy6NKQ_M%252CwyjgDpxQACy-WM%252C_&vet=1&usg=AI4_-kQLB0olzjUphNCUIiLu8A0BCHiK2A&sa=X&ved=2ahUKEwjn17i2k7rvAhVHGLkGHXy0D78Q9QF6BAgWEAE#imgrc=RQV2hfJq46sjQMGoogle – Mapa do Líbano.

4  Imagens disponíveis em:

https://www.google.com/search?q=fotos+dos+tipoos+de+mascate+em+sp&tbm=isch&ved=2ahUKEwiig4z11qLpAhUcMbkGHRi9ClIQ2-cCegQIABAA&oq=fotos+dos+tipoos+de+mascate+em+sp&gs_lcp=CgNpbWcQA1DDbFi3pAFg3awBaAFwAHgAgAHlAYgBvCGSAQYwLjE3LjWYAQCgAQGqAQtnd3Mtd2l6LWltZw&sclient=img&ei=UHu0XqKbJpzi5OUPmPqqkAU&bih=657&biw=1349&hl=pt-BR#imgrc=T-9twSIoK54qmM&imgdii=UDWFxSfpO8rI0M Acesso em: maio 2020.

5 Arquivo de Alberto Zattar.

6 Cf. SILVA (2012), o distrito de Barra do Rio dos Bugres, criado pela Lei estadual nº 145 de 08-04-1896, pertencia   ao município de São Luiz de Cáceres, pelo   Decreto-Lei estadual nº 208, de 26-10-1938.

7 Foto cedida pela neta Ana Rubia Ribeiro Cardozo.

8 Cf. Anuário de Corumbá, 1943, p. 78.

9 Imagem disponível  na internet. Acesso em: março 2010.

10 Alberto fez o 4º ano no Colégio Sant’Anna (A Razão de 9/11/35).  

11 Cf. informações de seu filho Haroldo Zattar (Cuiabá/MT).

12  Cf. informações de sua filha Ana Rubia Ribeiro Cardozo (Rondonópolis/MT).

13 Cf. informações dadas por Dilza Chami Gattass (Cáceres/MT). 

14 Conforme acervo de Alberto  Zattar.

15 Propagandas  disponíveis  no site Digital Biblioteca Nacional do Brasil do Brasil . Periódico:  A Razão – Órgão do Partido Republicano Matto-Grossense. Pesquisa realizada em 20 de março de 2021.

 

 

Bibliografia

ANDRADE, Sara Freire Simões de. (Des)Orientes no Brasil: visto de permanência dos libaneses na ficção brasileira. 101 f. Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira), UnB, Brasília-DF, 2007.

ARRUDA, Gabriel Pinto. Um trecho do oeste brasileiro. Biblioteca Von Hager-Gintner, Rio de Janeiro, 1938.

GATTAZ, André. Do Líbano ao Brasil: história oral de imigrantes. 2. ed. Salvador: Pontocom, 2012.

MENDES, Natalino Ferreira. Pássaro Vim-vim: poesias da terra. Cáceres/MT: Editora UNEMAT, 2010.

OLIVEIRA, Márcia Reginha Cassanho de. Imigração sírio-libanesa em Campo Grande e o Clube Libanês. 216f. Dissertação (Mestrado em História). UFGD, Dourados-MS, 2010.

SILVA, Edil Pedroso da. O cotidiano dos viajantes nos caminhos fluviais de Mato Grosso no século XIX. Navigator 4. Disponível em:

http://www.revistanavigator.com.br/navig4/art/N4_art2.pdf Acesso em: abr. 2020.

TAJRA, Marta.  Em Zahle, encontro as minhas raízes. Instituto da Cultura Árabe Disponível em: https://icarabe.org/geral/libano-uma-joia-do-oriente Acesso em: maio 2010.

TRUZZI, OSWALDO. A vinda de libaneses e sírios ao Brasil. Painel VII. Cultura e Imigração árabes: influência na sociedade brasileira. In: Relações entre o Brasil e o mundo árabe: construções e perspectivas. MRE/Funag. Brasília: DF, 2001.

TRUZZI, OSWALDO. Imigrantes no Brasil: Sírios e Libaneses – Narrativas de história e cultura. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 2005. (Série Lazuli: imigrantes no Brasil).

TRUZZI, OSWALDO. Patrícios sírios e libaneses em São Paulo. São Paulo: Unesp, 2009.

 

Comentários: ( 15 ) cadastrados.
Por: Paulo Cesar Homem de Melo
Cuiabá
Neuza Zattar, que belo trabalho você fez sobre a história da Família Zattar ,a sua Família. Quem dera que cada Família tivesse um membro com tanta capacidade para resgatar sua história. Meus parabéns a você ,Neuza e também ao Kishi e Toninho Costa ,que criaram este espaço que será primordial na criação da História do Século XX de Cáceres.
22/04/2021 08:24:47

Por: Sammy Souza
Cáceres
Ótima matéria meu amigo, não conta só a história de uma família conhecida, como a história da nossa Querida Cáceres em tempos vindouros. Como parte da História Geral. Parabéns, q venham mais belas matérias assim!!!
15/04/2021 01:55:18

Por: Ageo Luiz Bastos Villanova
Cuiabá
Parabéns Kishi, por manter um site, que enriquece a Cidades, falando dos seus valores, e Parabéns 👏👏👏👏 para a pesquisa da Professora Neuza Zattar
14/04/2021 01:22:10

Por: Daici Forgiarini Bastos
Cáceres
Que história Linda!! Parabéns pelo texto professora Neuza. Cheguei a conhecer seu pai, Alberto. Que pessoa simpática!! Viva os imigrantes!!!
13/04/2021 13:05:33

Por: Benedita
Cáceres
Que texto incrível, riquíssimo de detalhes. Parabéns Neuza..
12/04/2021 17:09:13

Por: Antonio Carlos
Cáceres
Parabéns Neuza, pela matéria e pela história de sua família. Parabéns ao site por contribuir positivamente com matérias que agregam os nossos conhecimentos.
12/04/2021 15:04:55

Por: Carlos Roberto Bolzan
Campinas - SP
Artigo brilhante sobre um imigrante libanês que adotou a nossa querida Cáceres!
12/04/2021 14:56:16

Por: nilsen
caceres
parabens meu amigo por abrir espaço aos nomes que marcaram a historia de nossa cidade!
12/04/2021 13:42:30

Por: Edilson
Caceres
👏👏👏👏👏
12/04/2021 13:11:31

Por: Ana Maria Rocha
Cáceres
respeitosa família Zattar, não conhecia a trajetória do Miguel Zattar, muito especial manter tantos detalhes dos membros da nossa familia...
12/04/2021 11:37:59

Por: Francisco Do Prado S. Junior
Cáceres
Bom dia ! Obrigado kishi e equipe, por oportunizar a comunidade um trabalho digno de uma pesquisadora culta e competente, professora Dra. Neusa Zattar, parabéns, essas informações nos enriquece, afaga o conhecimentos, a história é sempre viva.
12/04/2021 10:48:47

Por: Geraldo Coelho
Cuiabá
Uma matéria rica de história e detalhes, parabéns! Gostaria de ter me aprofundado sobre os meus antepassados também
12/04/2021 09:54:45

Por: Regina
Cáceres-MT
Sou apaixonada por este trabalho que vem fazendo Kishi, nossa cidade não é só pescaria, temos histórias importantes e muito especiais que não podemos deixar morrer no tempo. Essa do Miguel Zattar foi mais uma... Sensacional! Obrigada!
12/04/2021 09:20:01

Por: Carmem
Caceres
Uma verdadeira aula...obrigado Neuza por compartilhar parte da sua historia conosco.
12/04/2021 09:19:53

Por: VANILDA CASTRILLON MENDES DANTAS
Cáceres
Mais um lindo trabalho que a professora Neuza Zattar deixa para a posteridade. MT recebeu muitos estrangeiros e todos se deram bem. Parabéns pelo excelente texto. Aguardaremos com ansiedade por outros relatos de familias como do confrade Taisir, os Saab, Scaf, Gattas, não esquecendo o nosso querido Misleh.
12/04/2021 08:17:50

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