06/02/2016 - 09:35

Por: Romilson Dourado

Doente e na esperança de “encurtar” o tempo de cadeia, Riva estuda delação


Rdnews

O ex-deputado José Riva, hoje em cárcere e doente, passou a avaliar a hipótese de aceitar fazer delação premiada. É o primeiro sinal de que, mais cedo ou mais tarde, pode ajudar a derrubar a República. Ele sabe muito ou (quase) tudo de acordos, contratos e pagamentos feitos pela Assembléia nos últimos tempos, legais e ilegais.

O Rdnews apurou que dois de seus advogados sondaram o Ministério Público sobre essa possibilidade. Querem saber, de fato, qual seria a vantagem para o cliente. Por enquanto, o MPE topa. É na Justiça estadual que concentram-se 90% das ações contra Riva. Já o MPF, por conta da operação Ararath e dos desdobramentos em etapas, entende que não deve negociar delação com o homem que mandou na Assembleia por duas décadas e contra o qual há provas robustas.

Como carrega um caminhão de processos e com nome envolvido em atos de improbidade, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e outros crimes, Riva não tem como escapar da cadeia tão cedo. A soma das possíveis condenações pode chegar a 300 anos. Para piorar, está com todos os bens bloqueados.

No próximo 8 de abril, o ex-deputado completa 57 anos. No caso de uma delação premiada, já apresentaram para Riva a seguinte vantagem: ficaria entre dois e três anos em regime fechado, por conta das primeiras condenações, e depois poderia cumprir o restante da pena em prisão domiciliar. Passaria o resto da vida no seio da família. Essa hipótese e mais o fato de estar doente levaram Riva a não mais resistir à delação. Até então ele batia no peito para dizer que é companheiro e que não entregaria ninguém.

Ex-prefeito de Juara e deputado por 24 anos, em praticamente todos eles com voz de comando na AL, Riva sabe muito. Se abrisse a boca à Justiça e apresentasse provas de alguns acordos de bastidores feitos com então colegas parlamentares, seja para ganhar a Mesa Diretora como presidente ou como primeiro-secretário, seja nas contribuições às campanhas eleitorais e outros acordos nada republicanos, muitas autoridades iriam também para a cadeia.

Por enquanto, Riva carrega o fardo sozinho. Mas, como não está agüentando, precisa aliviar o peso para seguir a jornada. E é nessa hora que entra a delação. Para tentar sair da cadeia, mandaria para lá outros figurões. A bomba pode estourar.

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