25/01/2016 - 17:57

Por: Assessoria

Safra recebeu maior investimento próprio dos últimos 8 anos


Imagem: Web

   O produtor mato-grossense nunca investiu tanto para produzir soja como fez na safra 2015/16. E o sentido do ‘mais’, vale tanto pelo volume global de recursos aplicados, como também, para os percentuais que saíram do próprio bolso. Neste ciclo, a sojicultura custou 10% a mais que em 2014/15, somando cerca de R$ 16,16 bilhões e desse total, 40% foram financiados por capital dos sojicultores, ou seja, recursos próprios, um percentual inédito nas últimas oito safras, conforme levantamento realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). 

   Na série de 2008 a 2015, o chamado funding (financiamento) da soja, em Mato Grosso, apresentou na safra 2015/16 uma configuração bem diferente do que o Imea vinha registrando nos ciclos passados, especialmente, em relação às participações dos recursos próprios e das multinacionais no custeio da sojicultura. Ambos ampliaram, e muito, a performance dentro da composição do funding. De uma safra para outra, por exemplo, a parcela de recursos próprios passou de 35% em 2014/15 para atuais 40%. 

   As multinacionais passaram de 5% para 17% de participação, sendo os maiores agentes financiadores desta nova safra estadual. Juntos, eles foram responsáveis pela injeção de 57% dos recursos, ou pouco mais de R$ 9,21 bilhões dos R$ 16,16 bilhões aplicados. O funding da sojicultura estadual é composto por cinco agentes: multinacionais, sistema financeiro, recursos próprios, revendas e bancos com recursos federais (a juros controlados). 

   Como explicam os técnicos do Imea, essa mudança na composição do financiamento se deu em razão da expectativa de área inédita, aliada a custos de produção jamais vistos no Estado, custos que chegaram à casa dos R$ 3 mil por hectare. “Essa realidade culminou para uma maior necessidade de capital para custear a safra 2015/16 da soja em Mato Grosso. O valor do financiamento do custeio cresceu 10% em relação ao ciclo anterior e isso demandou maior participação das multinacionais e do uso do capital próprio”.

   Outro ponto destacado ainda pelos analistas está atrelado à conjuntura econômica fragilizada em 2015, que acabou refletindo sobre a oferta de crédito das revendas, que acabaram reduzindo em quase 50% a sua participação no fomento do custeio da produção. “Com isso, as tradings (as multinacionais) voltaram a protagonizar o financiamento da safra, comportamento que víamos na primeira década dos anos 2.000”. Na safra 2008/09, por exemplo, as multinacionais participavam com 50% do financiamento e o capital próprio com 22%. 

   Além da questão macroeconômica, o segmento sofreu com a falta de recursos de pré-custeio no primeiro trimestre do ano passado. O dinheiro que não foi liberado pelo governo federal represou as compras, pressionou ainda mais os preços dos insumos e fez com que os produtores fossem obrigados a lançar mão de recursos próprios para tentar driblar a alta dos custos de produção, bem como da valorização do câmbio. “Percebe-se o aumento da competitividade das multinacionais no funding da soja, podendo virar uma tendência nas próximas safras no Estado”.

 


Por Diário de Cuiabá

Comentários: ( 0 ) cadastrados.

Faça o comentário para a noticia: Safra recebeu maior investimento próprio dos últimos 8 anos

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade do autor.
As mensagens com conteúdo abusivo poderão ser vetados da publicação.