Zaki News

23/12/2015 - 18:41

Por: Janio Macedo

A greve dos peritos na margem do que possa parecer


   Já escrevemos um artigo sobre este assunto. A greve começou em 4 de Setembro/2015 e já são mais de 100 dias parados que os médicos peritos do INSS cobram a efetivação em lei da carga horária de 30 horas, o fim da terceirização da perícia médica e reposição das perdas salariais de 27% divididos em dois anos. Do outro lado opróprio INSSinforma que cerca de 1 milhão de perícias deixaram de ser realizadas desde o início da paralisação. É mole...?

   Depois que os servidores do INSS terminarem a sua greve, em seguida os médicos peritos pararam de trabalhar. Transtornos irreparáveis para milhares de trabalhadores que estavam agendados para as perícias medicam. De lá até hoje a situação se agravou de tal forma que o INSS informou que, entre setembro e novembro deste ano, 1.047.239 perícias foram marcadas em todo o país, mas o órgão calcula que cerca de 730 mil pedidos de concessão de benefícios como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez estejam represados. Ainda segundo o instituto, o tempo médio de espera para o agendamento da perícia passou de 20 dias (antes do início da greve) para 63 dias ou mais.

   O presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos, Francisco Eduardo Cardoso, garantiu em varias entrevistas que 30% dos médicos peritos de cada gerência espalhadas no Brasil estão trabalhando. A dificuldade, segundo ele, é que muitos profissionais estão sendo mantidos nos cargos que exerciam antes do início da greve e que não envolvem a realização de perícia. O dirigente da entidade representativa dos Médicos Peritos acusa ainda que o INSSpor não colocar os profissionais para atender às perícias. Ele diz queINSS não está aproveitando esses 30% para beneficiar a população nesse caso,não está obedecendo ao interesse público. (Jogo de “emburra”- que eu gosto).

   E por meio de nota, o INSS reconhece todas as dificuldades impostas à população pela não regularização do atendimento da perícia médica e espera que as negociações entre o Ministério do Planejamento e os servidores da carreira de perito médico previdenciário sejam concluídas com brevidade para a pronta retomada dos serviços. O comunicado destacou ainda que, para todo benefício concedido, o que vale é a data de entrada do requerimento. Isso significa que, se um segurado tinha uma perícia marcada para novembro, por exemplo, mas será atendido apenas em janeiro/2016, se o benefício for aprovado, passa a valer, para efeitos financeiros, a data de entrada do requerimento e não a data em que ele foi concedido.

   Na verdade quem sofre com a greve são os beneficiários que precisavam fazer as pericias, para receber os seus benefícios.  Mesmo que a greve não tenha interrompido os pagamentos dos benefícios de que já vinha recebendo,diminuiu, no entanto a concessão de novos benefícios.

   Mas a corda sempre arrebenta sempre no lado mais fraco- nesse caso,os contribuintes. O INSS leva tudo em “banho maria” por que economiza com os benefícios não pagos aos novos beneficiários. (o valor é bem grande). Na greve dos servidores, a que antecedeu dos peritos o Governo Federalteve uma economia de R$ 2,6 bilhões com benefícios que deixaram de ser pagos e de quebra ajudou a equipe econômica da Dilma na época conter o crescimento das despesas obrigatórias. Estamos fazendo as contas para ver o resultado financeiro da greve dos Médicos Peritos. Infelizmente o trabalhador que precisa do atendimento nunca consegue ver o que está por traz de toda essa “engrenagem”.Como diz a letra da canção “ vida de gado” do Zé Ramalho: “...Eh, ôôô, vida de gado povo marcado, ê povo feliz...!” 

Prof. Jânio Batista de Macedo – Coordenador Estadual do SINDNAPI MS(www.sindicatodosaposentados.org.br)

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