Zaki News

07/11/2015 - 09:06

Por: Assessoria

Rio Paraguai já fomentou a economia e hoje alavanca o turismo


Foto: Reprodução TVCA

   Exuberante, o Rio Paraguai tem 2.600 km de extensão e nasce na Serra do Parecis, no norte de Mato Grosso. As águas banham ainda Mato Grosso do Sul, Bolívia, Paraguai e segue até desembocar no Rio Paraná já na Argentina. A importância desse rio para o progresso da região e na história são mostrada na quarta e última reportagem da série Rios de Mato Grosso, exibida nesta sexta-feira (6) pela TV Centro América.

   O local exato onde nasce o rio seria na antiga Fazenda Sete Lagoas, no município de Alto Paraguai, a 219 km de Cuiabá, como cita a literatura. Antigo morador de Diamantino, a 209 km de Cuiabá, Jamil Nasser, levou a equipe de reportagem até um local no meio do mato onde a água brota da terra.

   Naquela área, tem uma das nascentes do Rio Paraguaizinho, um dos formadores do Rio Paraguai. "Isso não seca, corre a vida toda", afirmou.

   O professor da Universidade de Mato Grosso (Unemat), Rodolfo Curvo, afirma que o rio é formado por um complexo de nascentes. "É o conjunto de todas as vertentes que vão formar o Rio Paraguaizinho em um ambiente propício para o acúmulo de água, a geração desta água. E essa água que vai formar o Rio Paraguaizinho e futuramente o Rio Paraguai", explicou.

   O conjunto de nascentes não está livre da ação do homem. A ação é cercada de lavouras e já sofreu com atividades econômicas, como garimpos que deixaram marcas profundas, e a extração de minhocas.

   O solo no município de Alto Paraguai mais parece um queijo suíço, com buracos por todas as partes. "Todo esse sistema hidrológico tem sofrido uma pressão muito grande antrópico, uma pressão do homem devido às suas atividades econômicas, da agricultura, pecuária, do garimpo, então essas regiões estão sendo impactadas devido à essas ações.", disse o professor Rodolfo Curvo.

Foto: Reprodução TVCA

   Algumas iniciativas, ainda que tímidas, tentam amenizar esses impactos. em 2006, o estado decretou como Área de Proteção Ambiental quase 78 mil hectares entre os municípios de Diamantino e Alto Paraguai. Um grupo de assentados que vive dentro desta área se uniu para plantar sementes e fazer reflorestamento em mutirão.

   Em todo o percurso, o Rio Paraguai tem apenas uma cachoeira que fica na divisa dos municípios Alto Paraguai e Diamantino. É uma queda de cerca de 30 metros em vários degraus. A água é usada também por uma Pequena Central Hidrelétrica que gera energia para cerca de 20 mil habitantes.

   Descendo a região das nascentes, é possível chegar a Barra do Bugres, município com pouco mais de 30 mil habitantes e que tem sua história atrelada ao Rio Paraguai. As águas que banham a cidade contribuíram para o desenvolvimento da economia. Pelo porto, chegavam produtos, como alimentos e roupas, e saía tudo que era produzido na região, como a planta Ipecacunhanha, conhecida como Poaia, que tem poderes terapêuticos.

   "São produtos que eles tiram para fazer medicamentos e para que serve estes medicamentos? para desinteria, para xarope, para coqueluche, para tirar catarro do peito. Ela tem propriedades medicinais que são conhecidas no mundo inteiro", disse o professor de ciências biológicas Manoel José Farias de Oliveira.

Foto: Reprodução TVCA

   Os chamados 'poaeiros' passavam longos períodos acampados no meio do mato à procura da planta, nativa da região e descoberta no início do século XX. Vários trabalhadores foram atraídos para a região para a extração da planta. A maior parte da produção era exportada para os Estados Unidos e para a Europa, até entrar em declínio pelo desinteresse dos compradores.

   As águas que ajudaram a trazer o progresso também testemunharam um conflito violento que marcou a história de Barra do Bugres. Em 1926, a Coluna Prestes tentava fugir do país e se dividiu e um grupo passou pela região rumo à Bolívia. Num confronto às margens do Rio Paraguai, 15 poaeiros foram assassinados.

   "Este conflito aconteceu porque a coluna prestes, ao chegar aqui em Barra do Bugres precisava de armas, precisava de munição, precisava de alimentos. A população então vai fazer resistência a esta solicitação da Coluna Prestes, acontecendo um conflito armado", disse o historiador da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), Carlos Eudnei de Oliveira.

   Os poaeiros mortos foram considerados heróis por defenderem a população. Um monumento em homenagem a eles foi construído no local do conflito, mantendo viva a história desse povo. 

   Seguindo o curso do rio, chega-se ao município de Porto Estrela, onde está localizada a Estação Ecológica das Araras, com uma área de 28.600 hectares preservados e que virou refúgio dos animais. 

   A pesquisa da Embrapa Zilca Campos estuda e monitora o jacaré-paguá, uma das seis espécies existentes no Brasil e que encontrou no Rio Paraguai e afluentes um habitat propício para se desenvolver. O animal é airsco. Em duas horas de caminhada, a equipe de reportagem encontrou dois jacarés. A pesquisadora coloca esparadrapo na boca do animal  para evitar acidentes. Entre as diferentes espécies de jacarés, esta é considerada a menor do mundo.

   "Esse jacaré já passou por várias ameaças, desde a fase de ovo com predadores, com mamíferos também", afirmou. Todos os jacarés capturados são marcados, o que permite comparar os dados no futuro e garantir a preservação da espécie. "Esses dados de recaptura são muito valiosos porque vai nos dar informações de crescimento, de movimento, daí a gente pode avaliar como está o estado do animal. Então, essas informações são muito valiosas. Um esforço a longo prazo", explicou a pesquisadora.

Foto: Web

Cáceres.

   À medida que vai cumprindo o seu curso, o Rio Paraguai vai ganhando mais corpo. A partir de Cáceres, a navegação já comporta grandes embarcações. Atualmente, proporciona a Cáceres uma importante fonte de renda através do turismo. De lá, saem grupos de outros estados e até de outros países para pescar ou simplesmente para pescar ou simplesmente para contemplar a paisagem do Pantanal.

   O sonho dos moradores é que o Porto de Morrinhos na Fazenda Santo Antônio das Lendas se transforme num entreposto de embarque de grãos. A ideia é ter um porto que recolha a produção de Mato Grosso e Rondônia e a leve até o oceano. Para de lá, seguir para o resto do mundo.

   A cidade que faz fronteira com a Bolívia ganhou fama de cidade mais européis do estado graças ao Rio Paraguai, que durante muito tempo foi a principal ligação entre os moradores e o resto do mundo. As embarcações levavam produtos, como borracha e charque transportavam tudo que a indústria produzia em outros países.

   A Fazenda Barranco Vermelho foi uma grande produtora de charque e carne seca. A atual proprietária, Ana Fontes, luta para reformar a pousada, enquanto a criação de gado ajuda nas despesas.

   Já a Fazenda Descalvados chegou a ter uma área de quase um milhão de hectares e quase 300 mil cabeças de gado. Na primeira metade do século passado, quando produzia e embalava carne em lata para mercados na Europa, foi o período mais movimentado da propriedade, que tinha fábrica, igreja e casa para funcionários.

 


Por G1 MT

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