27/05/2015 - 06:20

Por: Lorrana Carvalho

Atendimentos ambulatoriais e cirurgias do Pé Torto são retomados pelo Estado


Foto: Lorrana Carvalho

   "Desde que ele nasceu vou de hospital em hospital buscando ajuda, só quero ver meu filho crescer e andar como as outras crianças", contou Fernanda Gonçalves que aguarda com seu filho de 1 ano e 8 meses a primeira consulta no Centro de Reabilitação Integral dom Aquino Corrêa (Cridac). Moradores do município de Juína (735 km a Noroeste), eles esperam pela cirurgia há um ano para corrigir a deformidade congênita bilateral com a qual a criança nasceu.

   Esse é apenas um dos casos encontrados no Cridac, unidade da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT), que retomou as cirurgias do "Pé Torto" no mês de maio. O projeto do "Pé Torto", implantado pelo Cridac desde 2005, oferece serviços de consultas, ambulatório e cirurgia por meio da equipe médica, além das órteses Denis Browne. Porém, desde 2013 somente as consultas médicas eram realizadas.

   Para o médico ortopedista Miguel Alito, responsável pelo setor, a retomada das cirurgias do "Pé Torto" é um ganho para todos. "A realização desse procedimento gera ganhos importantes tanto para o Centro de Reabilitação quanto para o paciente, assim como para nossa equipe médica que comemora com cada resultado obtido e com a satisfação dos pais".

   O ortopedista explicou ainda que os procedimentos foram suspensos por falta de estrutura. "Não tínhamos nem a estrutura mínima para atender os pacientes", contou o médico, que afirmou retomar as cirurgias como um voto de confiança na atual gestão do Estado. "Desde que voltamos com os atendimentos todas nossas solicitações foram atendidas. Hoje, temos o apoio e o suporte necessário para realizar nosso trabalho, o saldo tem sido positivo e acreditamos que irá permanecer assim", declarou.

   Mãe de duas crianças com deformidade congênita, Luana Santiana, de 19 anos, estava feliz com o atendimento prestado. "Quando vi que minha filha mais nova também tinha os pezinhos tortos fiquei preocupada, porque ainda não tinha conseguido ninguém para atender a outra, que também tem problema nas pernas e na coluna. Resolvi procurar o Cridac e logo no primeiro contato já consegui marcar a consulta para elas, agora sei que elas vão ter uma vida normal", afirmou.

   Para o diretor geral do Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Corrêa, o médico Vicente Herculano, ao retomar as cirurgias o Estado cumpre com a política de inclusão social, evitando que essas crianças se tornem vitimas de preconceitos, além de proporcionar saúde a elas.

   Herculano informou que pretende zerar a demanda reprimida e, a partir daí, começar a implantar a segunda fase que é a institucionalização do projeto "Pé Torto". "Com o total apoio do Governo do Estado demos o primeiro passo que foi reabrir o projeto e voltar a confeccionar as órteses, agora iremos trabalhar para atender a demanda reprimida e manter o serviço funcionando", explicou.

   O pé torto congênito é um dos problemas mais comuns nos recém-nascidos, um em cada mil bebês nascem com a má formação. Apesar de ser um susto para os pais, a patologia tem cura desde que o tratamento seja realizado corretamente e ainda nos primeiros meses de vida, antes da criança começar a andar. "Até os cinco meses é possível corrigir a deformação, com o uso de gessos, após isso é necessário intervenção cirúrgica", explicou o ortopedista Miguel Alito, que alerta que os pais devem ficar atentos e encaminhar seus filhos ao Centro de Reabilitação assim que notarem alguma deformidade.

   Para a realização das cirurgias, a equipe médica do Cridac conta com a estrutura física, como centro cirúrgico e leito de retaguarda para os cuidados pós-operatórios por um período aproximado de 48 horas, do Hospital Geral Universitário (HGU). Posteriormente, o paciente retorna ao Centro de Reabilitação para a assistência pós-hospitalar e reabilitação física.

   Na unidade o paciente também recebe a órtese de Denis Browne, fundamental no tratamento, pois impede a recidiva e a perda da correção obtida com as manipulações e o gesso. A órtese é usada nos primeiros três meses subsequentes da cirurgia, utilizada 23 horas por dia. Após este período, deve ser utilizada apenas no período noturno, por cerca de 3 anos.

   Desde a retomada das cirurgias, Cridac já atendeu 104 crianças, 14 foram encaminhadas para cirurgias e mais 117 estão agendadas para consultas até o mês de julho. Os atendimentos aos pacientes, consultas e ambulatório, são realizados nas quintas-feiras, no período vespertino e as cirurgias são realizadas aos sábados.

 

 

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