16/11/2014 - 19:13

Por: Wilson Carlos Fuah

O Instrumentista Alyson


   Durante a nossa vida passamos por sobe e desce naquilo que chamamos de oportunidades de ouro e nesse “vai-e-vem” das nossas caminhadas encontramos pessoas que fazem parte verdadeiramente da nossa vida, do nosso coração e com quem sabe da nossa história.

   Certa vez o instrumentista cuiabano Alyson, andando pelo centro da cidade encontrou enfrente a catedral um cigano cantor de rua, solando a sua guitarra TAGIMA-TELECASTER, e parou encantado pelo som vindo daquele instrumento, aproximou-se  do cigano e perguntou a ele se poderia  tocar na sua guitarra, e este prontamente passou o instrumento ao Alyson que  passou a examinar cada detalhe da guitarra:  o formato; o acabamento; a afinação e  nas costas tinha uma cicatriz, vinda dos tombos registrados pelo tempo e pelas andanças pelo mundo.

   O instrumentista Alyson da inocência e  na ingenuidade do seu encanto pelo instrumento, perguntou ao cigano cantor de rua: -  o Sr. quer vender este instrumento?

   O cantor de rua olhou no fundo dos olhos de Alyson, e este recebeu uma sentença:  - “Podemos vender a nossa arte e a nossa voz. Mas, é impossível  vender a minha guitarra TAGIMA, pois se assim eu fizer,  seria como vender as minhas pernas, seria o fim da minha caminhada,  pois  ninguém caminha sem as pernas”.

   Foi tão decepcionante que Alyson, sai andando pelas ruas da cidade contemplando os detalhes das belezas que só a sensibilidade dos artistas tem o poder verem. Mas aquela guitarra TAGIMA não saia dos seus pensamentos.

   Talvez aquele querer sem fim do Alyson pela guitarra do cantor cigano, tenha trazido um grande dissabor transformado em azar, pois  um ladrão entrou em sua casa e levou todos os seus instrumentos: guitarra solo e baixo; pedestais e microfones; cavaquinho e violão. A tristeza se abateu sobre a vida do Instrumentista Alyson, e este ficou sem poder exercer a sua profissão de músico por  noites e noites, e essa dor fez com que pudesse entender o sentimento vindo dos olhos e da voz do Cigano cantor que disse: “Podemos vender a nossa arte e a nossa voz. Mas, é impossível  vender a minha guitarra TAGIMA, pois se assim eu fizer,  seria como vender minhas pernas, seria o fim da minha caminhada,  pois  ninguém caminha sem as pernas”.

   O orgulho e a força negativa da inveja, provocou várias  interferências  na  vida do instrumentista, fez com que ao apaixonar pela beleza de um instrumento e uma breve conversa com o cantor de rua,  transformasse em um sinal fazendo que Alyson entendesse os códigos da vida e repensasse  o seu caminho. Talvez uma conversa com o cantor Cigano fosse a  mais importante da sua  vida, e por ser curta foi desprezada, mas na verdade este cidadão do mundo poderia lhe oferecer grandes orientações de um experiente guitarrista, somadas  a anos vividos por um cantor de rua.

   Fica a lição: a capacidade do ser humano é inimaginável, a força do querer do instrumentista Alyson foi muito forte e o poder da sua voz foi espalhado fortemente pelo ouvido do mundo: essa TAGIMA será minha, a força  capital se torna imprevisível praticando o imaginável e sem que ele próprio pudesse entender,  em suas andança pela noite teve dois encontros com a TAGIMA:

  No primeiro encontro um Jovem fazia o seu som na noitada, solando uma velha guitarra e o Alyson ao vê-la não teve dúvida: - é ela.

   Pediu a aquele jovem: posso tocá-la. Ao virar as costas da TAGIMA e confirmou a cicatriz, é ela.  Perguntou ao jovem guitarrista: - quer vendê-la?

   Mas recebeu outro, não.

   O tempo passou, e veio o segundo encontro:   um velho guitarrista estava a fazer lindos acordes numa velha guitarra, o amor de Alyson pelo instrumento do cigano, fez com que está estivesse outra vez pelo seu caminho.

   O Alyson ao vê-la não teve dúvida: - é ela. Pediu a aquele velho guitarrista: posso tocá-la. Virou as costas da TAGIMA e confirmou a cicatriz: - é ela.

   Perguntou ao velho guitarrista: - quer vendê-la?

   Com a vida cansada e com pouco recurso financeiro, o velho vendeu a aquela guitarra mágica e que era a paixão do Alyson.

       Pobre de quem desiste facilmente e tem medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra com um sonho não realizado ou um amor não conquistado. O importante é lutar por tudo aquilo que é importante para a nossa realização e nossa felicidade. Querer é poder para aqueles que não desistem nunca, porque ao buscar pelos nossos objetivos faz-nos sentir vivo, pois durante a nossa vida os milagres que Deus semeia em todos os nossos  dias,  estão sempre a nossa disposição, basta saber colhê-los .

        Hoje Alyson toca na noite e usa a Guitarra TAGIMA-TELECASTER como um troféu e com todo  talento que teu Mestre te confiou, preenchendo a sua vida com os prazeres da música. Mesmo, que muitas vezes tenha a necessidade de mostrar para os olhos da noite que sua vida “é uma festa”  e que é tudo está sempre perfeito, mas na realidade não é bem assim, sua história revela isso.
      No entanto em cada mesa, o jovem guitarrista vê  pessoas em busca de pacto de amor, e quando este começa a  atentar para os detalhes, percebemos que não há festa nenhuma na vida dessas pessoas. Trata-se apenas do velho jogo de aparência e prazeres artificiais.

             O amor do Alyson pela velha guitarra, o fez entender que  é inútil achar  que temos a certeza de tudo daquilo que ainda não aconteceu, a agonia de conquistar  aquela TAGIMA-TELECASTER, por meses da sua vida, fez com que o impossível passasse a escravizar a sua vida ao estado permanente de ansiedade. Hoje o guitarrista cuiabano vive ancorado no presente. Sabe muito mais que ninguém que a vida é a felicidade do possível e às vezes até  do impossível. Hoje vive a comemorar sua existência, porque agora entende que o importante é amar a vida e agradecer a Deus, por ter recebido a graça de fazer parte do espetáculo das noites e dos dias.

Economista Wilson Carlos Fuáh
É Especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas.
Fale com o Autor: wilsonfua@gmail.com

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