30/10/2014 - 12:16

Por: G1 MT

UFMT abre processo para investigar estudante que teria ameaçado alunas


Foto: Assessoria

   Um grupo de alunas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Cuiabá, denuncia que vem sofrendo ameaças de um estudante da própria instituição. Os casos estariam ocorrendo desde março de 2013 e, conforme as vítimas relatam, o aluno supostamente faria ameaças de jogar ácido nas estudantes e até mesmo comprar uma arma para atirar contra elas. Em um caso mais grave, uma das vítimas diz que o estudante chegou a mostrar os órgãos genitais para ela no campus. A diretora do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), local onde a situação supostamente ocorre, Imar Queiroz, reconhece a situação e diz que a universidade tem tomado medidas preventivas para tentar coibir os atos do estudante.

   De acordo com Imar, um procedimento administrativo disciplinar foi instaurado para investigar o caso e uma comissão foi formada para apurar as denúncias. “A comissão já ouviu todas as partes envolvidas e deve dar um parecer final ainda nesta semana”, adiantou a diretora ao G1. Ela ainda explica que até o momento a universidade tem se preocupado em reforçar a segurança naquele bloco e tem orientado as alunas a ficarem mais atentas com relação ao estudante. “Nós temos a resolução 17 que prevê vários passos de punição, desde advertência até a expulsão, mas entendemos que já não está mais nessa fase. Embora do ponto de vista jurídico não possa ser uma simples advertência, não podemos fazer muita coisa enquanto o processo tramitar”, frisou.

   A diretora ainda ressalta que, segundo a comissão, outros processo contra esse mesmo aluno foram descobertos durante o período de investigação. “Não é uma situação exclusiva do ICHS. Já teve situações em outros institutos da universidade, que eu também não sei no que deu. Mas a comissão tem autonomia para apurar”, revelou Imar Queiroz.

   A professora e coordenadora do curso de serviço social, Maria de Souza Rodrigues, também relata os mesmos acontecimentos. “Nós temos um estudante do curso de filosofia que tem tido um comportamento inadequado. Ele vai ao banheiro e mostra as partes íntimas para as meninas. Lá tem um espelho, que reflete para o lado de fora. Fizemos uma assembleia para retirar o espelho, mas até agora ele está lá”, informou. “A gente tem visto muitos casos de violência. Pode ser que não seja nada, mas pode ser que sim. Em outubro teve um dia que ninguém veio à aula porque ele tinha dito que jogaria uma bomba na sala, mas nada aconteceu”, relatou a professora.

   A investigadora da Polícia Civil Maria Rosymeire de Souza disse que pelo menos três boletins de ocorrência foram registrados nesse ano com as mesmas características na UFMT. O delegado Waldeck Duarte, titular do Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do Bairro Planalto, ressaltou que após registrar o boletim de ocorrência as vítimas deveriam ter feito uma representação formal contra o estudante para que um inquérito seja instaurado, fato que não aconteceu. “Esse é um crime de ação privada condicionada à representação. Sem a representação, a polícia não pode fazer nada”, explicou o delegado. Waldeck Duarte reiterou que o boletim prescreve em um prazo de seis meses. Passado esse tempo sem que a vítima faça a representação o boletim perde a validade e nada mais pode ser feito.

  Uma das vítimas, uma aluna de 21 anos, que prefere não ter o nome divulgado, conta que ela e outras estudantes tentaram registrar o boletim pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, mas não conseguiram, pois não havendo um vínculo familiar com o suspeito ambas as partes seriam encaminhadas para uma audiência de conciliação. “A gente foi na intenção de conseguir alguma medida protetiva, mas isso iria nos expor. Teríamos que ir na audiência e ficar de frente com ele. Ele assinaria um papel se comprometendo a não fazer mais, mas ele poderia sair de lá e fazer qualquer coisa contra a gente”, observou.

   Outra aluna, que também preferiu não se identificar, reclama da lentidão do processo administrativo. “A universidade só protela esse processo com o argumento da doença psíquica. Dizem que se ele tiver distúrbio, não há possibilidade de expulsão”, reclamou. Essa aluna diz ter sido ameaçada de morte pelo aluno durante uma reunião estudantil, pois na época ela estaria orientando uma garota sobre como registrar o boletim. “Existem momentos em que ele parece muito lúcido com o que está falando, mas em outros momentos ele sai de si totalmente”, frisou.

   Uma estudante do curso de ciências sociais acredita que apenas punir o aluno não resolverá o problema. “A gente acredita que não é punindo com cadeia que vai resolver, porque ele tem consciência do que está fazendo e muitas vezes o sistema carcerário piora a pessoa. Mas também não é expulsando que vai fazer com que ele pare. A universidade precisa criar programas de apoio. A gente fica com medo de vir estudar, procura andar em grupos, não responder aos assédios, xingamentos”, comentou. “A gente precisa exigir que a administração tome alguma providência”, completou.

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