29/10/2014 - 17:11

Por: Neusa Baptista

30% dos acidentes resultam em perda da capacidade laborativa


Foto: Neusa Baptista
    Cerca de 30% dos 711.164 acidentes de trabalho ocorridos no ano de 2011 resultaram em perda da capacidade laborativa, segundo o juiz Paulo Brescovici, coordenador do Grupo de Trabalho Interinstitucional de Mato Grosso (Getrin/MT), entidade presidida pelo TRT-MT.

   A segurança e a saúde no trabalho foram temas de uma palestra proferida pelo juiz na manhã de terça (28), no canteiro de obras do edifício Torres de VG, na cidade industrial. Cerca de 100 operários participaram do evento, que integra um ciclo de palestras que está sendo realizado pelo Getrin nos canteiros de obras de Cuiabá e Várzea Grande.

   De acordo com Brescovici, o Brasil gasta anualmente R$ 71 bilhões com os cuidados aos trabalhadores acidentados, valor equivalente a 9% da folha salarial forma do país. Além das mortes, a incapacidade temporária é um grande entrave na vida do trabalhador. “Após o acidente, ele tem um período de estabilidade, mas seu destino quase sempre é ser mandado embora, pois não tem condições de desempenhar mais a mesma função. A partir daí, a busca por um novo emprego se torna ainda mais difícil”.

   De acordo com dados do Programa Trabalho Seguro, desenvolvido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), ocorreram 711.164 acidentes, com 2.884 mortes no Brasil em 2011. Entre os anos de 2010 e 2012, foram 3.257 acidentes típicos e 610 de trajeto.

   Em Mato Grosso, em 2013, houve 1.903 acidentes causadores de incapacidade temporária, dos quais 1.337 obtiveram recuperação; 237 geraram incapacidade parcial e 167 acabaram em morte.

   Cerca de 35 mil trabalhadores atuam nos canteiros de obras de Cuiabá e Baixada Cuiabana. O objetivo das palestras é orientar os operários sobre o tema, já que a construção civil ocupa os primeiros lugares em acidentes de trabalho em todo o país. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Cuiabá e Municípios (SINTRAICCCM), Joaquim Santana, a entidade realiza cerca de 200 palestras orientativas anualmente, o que tem refletido na diminuição dos acidentes fatais. “Temos um trabalho sistemático de prevenção de acidentes nos canteiros de obras, pois entendemos que grande parte do problema é a falta de informação”.

   Esta também é a opinião do pedreiro Raimundo Nonato Ribeiro Silva, que há 10 anos atua no ramo. “Falta capacitação, palestras como estas, para os trabalhadores. Se for informado, ele vai se ligar nas situações de risco”. O encarregado de obra Benedito Neves, que há 30 anos trabalha no setor, concorda com a falta de noção do risco que muitos trabalhadores têm. “Antigamente, a gente trabalhava contando somente com a sorte. Hoje temos muitas normas de segurança, mas ainda assim, muita gente se arrisca. Acha que não vai acontecer com ela”.

   As palestras seguem até novembro. O próximo canteiro de obras a ser visitado será o do Edifício Jardim Olívia, no próximo dia 7 de novembro.

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