05/08/2014 - 08:08

Por: Airton Reis

Vida longa à Democracia!


      Língua portuguesa em nascente caudalosa. Letras Mato-Grossenses em verso e em prosa. Poesia em firmamento estrelado. Cidadania em pavimento edificado. Colunas da liberdade de expressão. Templo da cultura de geração em geração. Casa de um Barão. Sodalício da literatura regional. Acervo e memorial. Nossa obra quiçá um dia imortal. Academia Mato-Grossense de Letras em continuado ideal. Porto do conhecimento aplicado. Portal do saber mais do que ilustrado. Cotidiano cidadão em página de opinião. Liberdade de expressão. Poesia em formatação.

      Centro Oeste do Brasil republicano. Faroeste constatado por mais de um cidadão cuiabano. Caos urbano. Periferia em crescimento desordenado. Infante marginalizado. Pedestre assaltado. Estabelecimento comercial saqueado. Fogo cruzado. Ação e reação. Vítima corriqueira. Banalidade brasileira. Calamidade mais do que social. Deformidade mais do que institucional. Liberdade ameaçada em tempo real. Vida sem valia existencial. Segurança deveras primordial.

      Centro Geodésico da América do Sul. Testemunha arrolada de um planeta outrora azul. Serras e colinas. Planaltos e Planícies. Nascentes e afluentes. Florestas e clareiras. Novas entradas. Antigas porteiras. Renovadas pastagens. Campos cultivados ampliados. Meandros de um Pantanal abandonado em degradação mais do que pontual. Fumaça de um Cerrado em combustão anual.

      Ai de ti Educação Ambiental! Ai te ti paisagem natural! Ai ti Mato-Grosso incinerado por mais de um foco em ardente chama com fim comercial! Ai de ti Pantanal imerso e submerso em resíduo que se faz lama e lamaçal! Ai te Cerrado, em floração resumida às margens de uma colina na área central da capital!

      Quem cantará por vós ecossistemas agonizantes em mais de uma realidade? Quem conservará as nascentes espoliadas pela modernidade? Com quantas árvores convivemos em nossa cidade? Em que palmeira imperial o sabiá pousou? Em que Parque Municipal a legislação ambiental vigorou? Continuará o córrego do Barbado o depósito de espumas flutuantes? Quais serão as promessas dos atuais postulantes a cargos políticos eletivos em ocasião vindoura?

     Seremos o balde de água fria na democracia ou seremos a vassoura da Madame Mim? Pularemos amarelinha ou ilustraremos a lâmpada de Aladim? Comeremos a maça envenenada pela corrupção ou lavaremos como Pilatos, as nossas mãos? Livraremos a Rapunzel escalando as suas tranças ou apontando escudos e lanças? Quantos dragões fictícios num mesmo dia? Quantos impostos reais devorados em mais de uma mordomia?

     Quantas panelas vazias? Quantas bolsas remediadas? Quantas balas trocadas? Quantas Arenas edificadas? Quantas escolas valorizadas? Quantos presídios decadentes? Quantos pacientes não socorridos? Quantos eleitores preteridos? Quantos deputados dormentes? Quantos senadores inoperantes? Quantos presidentes equivocados? Quantos indigentes ignorados? Quantos habitantes em dignificada moradia? Quantos civis alistados em cidadania? Quantos fardados além de uma periferia? Quantos Estados federados que nos efetiva em Democracia?

     Certamente, somos além de uma unidade em crescimento mais do que populacional. Certamente, somos um todo eleitoral em voto livre, secreto e universal. Certamente, ora somos governo, ora somos oposição nem sempre radical. Certamente, ora somos politicamente representados, ora somos socialmente relegados em mais de uma exclusão no território nacional. Certamente, a maioria dos votos validos vencerá e confirmará a mesma predileção. Certamente, nós votaremos confiantes na necessária e emergencial renovação. Chega de chover no molhado. Guarda-chuva é melhor do que qualquer peneira, estando ou não o céu nublado. Todavia, o sol da liberdade, mesmo que tardia, igualmente iluminará todo e qualquer eleitora e eleitor devidamente alistado, e prontamente bem informado.

     Chega de um Brasil rabiscado! Basta do dever público ignorado! Não somos rebanho, não somos gado. Somos brasileiros. Somos mato-grossenses. Somos cacerenses. Somos professores. Somos poetas. Temos fome, temos nome, temos pressa, temos urgência, temos preferência, temos direito, temos obrigação. Temos o sim em bis e em refrão. Temos o não resguardado pela justiça e adornado pela busca continuada da perfeição. Chega de erros. Basta de calamidades. Findemos as indignas arbitrariedades. Finalizemos as intrigas e as meias verdades. Ampliemos as oportunidades.

     Vida pela Pátria Brasil em todo o território nacional! Vida pela família humana em tempo integral. Vida longa aos nossos bosques sem qualquer lobo mau! Vida livre em todas as nossas cidades, sem nenhum usurpador oficial! Vida pela ética revestida da mais ilibada moral! Vida pela vida em graça e louvor Divinal. Vida pela validade da egrégia Carta Magna Constitucional! Vida longa à Democracia sem ponto final!

Airton Reis, professor e poeta em Cuiabá-MT. airtonries.poeta@gmail.com

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