13/09/2021 - 07:00

Por: Antonio Costa / Zakinews

Pomba de Melo: Cacerense, Guarda Livros formado por correspondência


Raymundo Correa de Mello, o Pomba de Mello

 

Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews

O registro semanal enfoca um cacerense que faleceu no ano de 1962 na cidade de Lins-SP aos 56 anos de idade, vítima de Leishmaniose. Seu nome: Raymundo Correa de Mello, conhecidíssimo como Pomba de Mello. Guarda Livros da conceituada Casa Fontes, empreendimento que funcionou por longos anos no bairro da Cavalhada, estimado por uma legião de amigos.

Este registro só foi possível, graças ao pronto atendimento que o filho, Antonio João de Mello, o Tutu, prestou ao disponibilizar preciosas informações acerca do saudoso pai.

Aposentado como Gerente Geral do Banco do Brasil em 1994 na cidade de Conchas- SP, Tutu atualmente reside em Catanduva-SP, tem 80 anos, goza de privilegiada memória. Cita alguns contemporâneos de sua época, inclusive, até mesmo alguns que já faleceram: Célia Tortorelli, Bete Maldonado, Elina Rondon, Jonas Gato, Rubens Alt, Tidinho, Ronei, Everaldo Pouso, Alaidinha.

Pomba de Mello e Dejuty de Campos Widal

Raymundo Correa de Mello

Natural de Cáceres; filho de Pedro Correa de Mello e Francisca Rondon de Mello, filha do lendário Maneco Rondon.

Casado com Dejuty de Campos Widal, filha de João de Campos Widal, Intendente de Cáceres e Chefe da Guarda.

Era proprietário do armazém que se iniciava na Rua Antônio Maria, Cine ART Palácio e ia verticalmente até o fim do quarteirão.                

Pomba de Mello e Dejuty tiveram os filhos: Zayra, Lenita, Lolina, Ruderico, Zomar e Antônio João.                                         

Antonio João de Mello, o Tutu, revela a determinação e luta do pai em se tornar alguém na vida. A começar pela coragem... Foi faxineiro do armazém do Coronel  Widal, se apaixonou pela sua filha Dejuty, com quem acabou se casando. 

Posteriormente trabalhou como carroceiro.

Pomba de Mello foi um grande e querido "Guarda livros" na década de 50 em Cáceres - Foto: Acervo Lenita e plano de fundo, da Net

Contabilidade por correspondência

Pomba de Mello estudou por correspondência no Rio de Janeiro e se formou Contabilista. Foi Guarda livros da Casa Fontes, na Cavalhada. Da Usina Ressaca. Da Casa Balança. Dos pecuaristas Vitório de Lara, Nharinha Gomes, Aristides Leite, Farmácia Santa Terezinha.

O escritório de Contabilidade ficava à Rua Coronel Farias esquina com a Marechal Deodoro. Além de atender grandes e conceituados comerciantes e pecuaristas da época, como o Matadouro Barranco Vermelho, Sapataria Santana, entre outros. O Raymundo Pomba de Mello, também prestava trabalho contábil a outros comerciantes pequenos e na maioria das vezes, de custo baixo ou sem custo algum, pois, gostava de ajudar o próximo.

Tutu se recorda que houve um determinado tempo em que o Estado doava gleba de terras àqueles que estavam dispostos a trabalhar com a agricultura.

Seu pai encaminhou muitos pedidos de amigos e conhecidos que se beneficiaram dessa regalia oferecida pelo governo estadual.

Relembra que o saudoso pai participava de eventos da comunidade exercendo o cargo de Tesoureiro, a exemplo do Matogrosso E. C; participou ativamente da Loja União e Força; era membro da União Democrática Nacional - UDN.

No rol de seus amigos, se destacavam: Dr. Fontes, o Dr. Nito, Francisco Santana, Raimundo Reis, os Tortorelli, Dr Rigoberto, Dormevil Faria, Zé da Lapa, Tantaje Reys Maldonado, Ponce, Mestre Quintino, Davi  Atala e muitos outros.

“A cidade era pequena e quase uma grande família. Muitos pelos laços sanguíneos e outros tantos pelo casamento ocorrido de membros de uma família com a da outra. Havia até mesmo festa coletiva como o tradicional São João da Dona Nharinha”, são as recordações do passado bem gravadas na memória do octogenário entrevistado.

Antonio João de Mello, o Tutu, um dos filhos de Pomba de Mello, que prestou as informações para esta matéria - Foto: perfil de Whatsapp

Tutu ainda se lembra que anualmente por ocasião do aniversário de seu pai, no mês de janeiro, na madrugada, a Dona Nharinha – abastada amicíssima da família - mandava o seu motorista em um caminhão buscar o aniversariante e familiares para baile e churrasco ao som da sanfona. Uma grande festança para o aniversariante muito querido na outrora comunidade cacerense.

Cáceres das antigas, vivia praticamente dos recursos advindos do comércio, do salário dos militares do 2o Befron, da venda do pescado e do mercado ambulante dos bolos de arroz, de queijo, doces de caju e outros que tinham venda imediata.         

Fatos marcantes

Ainda conforme relato do bancário aposentado, fatos marcantes foram registrados através dos tempos: Cita a conquista do título máximo da beleza mato-grossense através da cacerense Imera Senatore.

A instalação do CEOM no período vespertino no Esperidião Marques que foi denominado 11 de Março data de aniversário de um de seus fundadores, sargento do Befron.

Um fato pitoresco ainda gravado em sua memória, está o encontro dos tripulantes do Etrúria e de outra embarcação, que ele diz não se lembrar o nome, cujos tripulantes literalmente botaram o bloco na rua nos festejos carnavalescos bem defronte ao cais do Porto Mário Correa. “Era uma festa ver o esmero nessa competição carnavalesca sadia e que encantava a molecada de minha época”.

Trágico e fatal acidente na Corrida de Cavalos

Também em sua mente ainda paira um trágico acidente ocorrido na cancha de corrida de cavalos que demandava até as imediações do Cemitério São João Batista.

Menino, Tutu estava naquela fatídica tarde de domingo, quando um acidente com o animal em que montava uma linda moça de família abastada da cidade competindo na categoria feminina, veio entristecer toda a cidade.

A moça se acidentou violentamente e acabou por falecer. Fato que enlutou Cáceres.

Outras revelações....

Distante de sua cidade natal, Tutu de Mello aproveita o contato com a reportagem para fazer algumas interessantes revelações:

Após a Segunda Guerra Mundial (1945 em diante), a população cacerense era estimada em cerca de cinco mil pessoas.

O comércio da ipecacuanha (poaia) e dos bovinos constituíam em sua fonte de receitas. As ruas estreitas e sem asfalto, no período noturno, recebiam deficiente iluminação de lampiões acesos e apagados pelo cidadão conhecido por Nhonhô Bem Cedo.

A eleição de Dormevil Faria para deputado estadual, causou muitos comentários e expectativa no seio de toda cidade pacata de outrora.

Cáceres e seus filhos ilustres – Pomba de Mello foi um deles!

Última foto de Lenita Garcia, registrado em 20 de maio de 2021, antes de se mudar para Piracicaba-SP - Foto: Wilson Kishi


Hoje, dos filhos de Pomba de Mello com Dejuty, ainda vivos, além de Tutu de Mello, a sua irmã mais velho, Lenita, que se encontra residindo em Piracicaba-SP com uma de suas filhas.

Comentários: ( 9 ) cadastrados.
Por: Edilson Viana
Caceres
É sempre inriquecedor ler essas suas histórias tão bem contadas!
14/09/2021 21:07:19

Por: Helena de Souza dias
Cáceres
Como é bom ler essas histórias de nossa cidade ,e assim saber um pouco mais dos ilustres do passado cacerense muito linda .
14/09/2021 20:12:30

Por: Maria Sueli Vieira Mattiello
Cáceres MT
Obrigada...Obrigada.....Pela excelente oportunidade de conhecer tão belas histórias de pessoas , que não conheci , só cheguei em Cáceres em 1973, como amo HISTÓRIA, nada mais lindo do que conhecer histórias de vida de pessoas de nossa cidade. - Toninho Costa e Wilson , que Deus os abençoe sempre pelo trabalho de vocês. - Só uma curiosidade....A Senhora Lenitta , aqui citada seria parente do Sr. José Carlos ??




14/09/2021 11:12:21

Por: Rita
Cáceres
Que história linda, de uma época marcante, esse ilustre cacerense digno dessa linda homenagem, que Deus ilumine esses seus queridos filhos, que fizeram muito pelo seus aqui na terra.
13/09/2021 19:06:16

Por: Francisco do prado e silva junior
Cáceres
Meu caríssimo Kishi, e equipe, mais uma vez parabéns , não conhecia esse personagem real, que teve relevante importância para nossa querida Cáceres , são acontecimentos como esse que levá-nos a conhecer melhor a nossa história.
13/09/2021 18:56:36

Por: Antônio Mello
Catanduva
Batia, Paulo Cesar e Adilson, amigos do coração. Obrigado pelos imerecidos elogios. Continuo eterno devedor da atenção e do carinho que sempre tiveram com minha humilde pessoa. Espero continuar a merecer osculo dessa amizade gerada no ventre da terra cacerense, berço de nossos ancestrais que nos transmitiram os gens da honestidade sinceridade e da humildade inatas a gente ordeira e benfazeja da outrora São Luiz.
13/09/2021 11:43:29

Por: Paulo Cesar Homem de Melo
Cuiabá
Sempre ouvi histórias de Pomba de Mello, , irmão de Dona Oliva e tio de Tia Elina, e convivi com os filhos, principalmente o amigo de infância Tutú, livro de História de Cáceres, ao vivo. A última grande resenha foi numa madrugada indo para Cuiabá com destino à Igreja Boa Morte, para participarmos da missa de Bodas de Ouro de Tio José e Tia Elina. Morando há mais de 50 anos longe de Cáceres, ainda é um cacerense raiz . Parabéns a Antonio Costa e Wilson Kishi, por zelarem pela história duma familia tão representativa de nossa cidade, e ao querido Tutú, por ser portador de memória tão brilhante.
13/09/2021 08:48:17

Por: Aparecida Natia Pinto de Arruda
cuiaba MT
Que resgate memoravel dessa familia tao querida. O senhor Pomba de Melo era irnao da minha avo materrna dona Olivia. Essas lembrancas me remetem a um passado muito alegre e feliz. Todos os filhos eram primos da minha mae Elina, me lembro dos nossos encontros, almocos la em casa em Caceres. Como eram agradaveis. Hoje temos vivo o nosso querido Tutu e a wuerida Lenitta. Que Deus os abencoem pena que a vida nos afastou.. Muitas saudades de voces queridos primos. Obrigada Toninho e Kishi por nos trazer essa lembranca tao linda e querida para nossa familia.
13/09/2021 08:19:58

Por: ADILSON DOMINGOS DOS REIS
Cáceres
Grande Tutu, amigo de meus irmãos Airton e Amilton dos Reis, com quem minha memória de menino jamais esquece, encenavam na casa de seus pais, algumas cenas de teatro...e para mim ficou gravada a cena da "operação" que eles "cirurgiões" fizeram de um paciente (filho de um alemão que tinha loja ali na Cel José Dulce), que aos gritos teve sua apendice extraída...representada por uma bananinha, que foi expremida na frente se uma incrédula platéia, a gurizada da antoga Rua Nova, hoje Marechal Deodoro...kkkkkk, Forte abraço Amigo Tutu
13/09/2021 07:56:33

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