07/04/2021 - 08:07

Por: Jânio Batista

Mensagem de Quarta-feira (7)



BOM DIA PRA VOCÊ...!

Estamos vivendo um tempo de pandemia com muitas notícias de mortes de pessoas conhecidas e até próximas de nós. E só quem já perdeu alguém próximo sabe a dor e a confusão emocional que é lidar com essa ausência. Vários sentimentos (como tristeza, raiva, saudade, frustração, impotência, solidão), se misturam em uma coisa só, que chega a doer fisicamente. E em meio a esse caos, vem a necessidade de reconstruir o mundo sem essa pessoa. São situações nas quais, no primeiro momento, parece, para a pessoa que sofre, como se fosse o “fim do mundo”...Cada pessoa lida de uma forma diferente com seus sentimentos, e cada um tem seu jeito de reagir ao luto, mas os especialistas advertem: tentar enganar, driblar o luto, sermos ‘fortes’, fingir que não é nada não é o mais adequado; é melhor aprendermos com a dor da perda, buscarmos as estratégias de superação e consideramos que a maioria de nós passa pelo luto, sem necessidade de apoio de especialista...

Há sim quem, aparentemente, não é afetado pelo impacto do luto, são pessoas que não choram, mostram-se fortes, resilientes, com retorno à vida cotidiana em pouco tempo. Dentre esses, porém, há pessoas que, depois de um tempo, passam a apresentar sintomas emocionais e físicos que podem evoluir para a depressão. No luto, tanto os sintomas quanto a disposição da pessoa afetada são parecidos com o da depressão, com a diferença que o luto é transitório e, nele, não temos a autorrecriminação típica da depressão. Vários especialistas que trataram do tema, como Sigmund Freud, o pai da psicanálise, filósofos, médicos e escritores, mas foi a psiquiatra suíça Elizabeth Kübler-Ross, psiquiatra suíça, que, em seu livro de 1969, apontou os possíveis cinco estágios da morte, do luto, da perda: 1-) Negação e isolamento, quando temos a sensação de que aquela pessoa que perdemos pode entrar a qualquer momento pela porta. É um mecanismo de defesa, momento em que temos dificuldade em aceitar, acreditar que realmente aconteceu. Nessa fase, são comuns frases como: “Isso não pode estar acontecendo...!” 2-) Cólera ou raiva, quando a inconformidade dá lugar à revolta, a sentimentos como raiva e ressentimento, quase sempre projetados no ambiente externo, como se o mundo, os outros, Deus, fossem causadores do sofrimento. Nesse momento são comuns frases como: “Por que eu...? Não é justo...!” 3-) Negociação, fase em que faríamos tudo que as coisas voltassem a ser como eram antes, sem perda, sem dor. Fazemos aqui um tipo de negociação, muitas vezes apenas interna, algumas vezes de cunho religiosa. As frases mais comuns da negociação são do tipo: "...Me deixe viver apenas até meus filhos crescerem", “...Vou mudar, vou parar de beber e fazer tudo certo agora”. 4-) Depressão, o momento de tristeza profunda, desolação, desesperança, medo. Ocorre aqui um período de introspecção e necessidade de isolamento. O choro constante muitas vezes vem acompanhado de pensamentos como: "...Nada mais vale à pena”, ou “Não consigo lidar com isso”. 5-) Aceitação, quando o sofrimento não é tão debilitante, e aprendemos com a dor, nos preparamos para seguir em frente, para voltarmos às nossas atividades. A mente, mais clara, abre espaço para pensamentos como “...tudo vai acabar bem”. No período do luto, é desaconselhável tomar qualquer decisão importante. Mas é bom que haja espaço para cada um. “...Podemos falar, ler, trocar experiências e, principalmente, não termos vergonha de nossa dor. Ela não é exagerada, ela é do nosso tamanho...! E é transitória. A sombra do luto pode ficar em nós, mas a dor pode ser amenizada. As pessoas próximas podem acolher, procurar compreender, sem negar a condição do luto; devem ser tolerantes, permanecendo ao lado, em condição de apoio ou disponibilidade à pessoa enlutada, permitindo que essa pessoa possa falar e se abrir e não se sentir sozinha”...! Em 2019 perdi no dia 30 de Maio minha irmã. E 13 dias depois meu filho caçula de 23 anos. Foi uma dor que precisei ler muito, me agarrar aos amigos e com o tempo superar...! Não é fácil. É preciso ter esperança e fé... Desejo-lhe um bom dia de paz e serenidade. Cuide-se...!

(Prof.Jânio Batista de Macedo)

 

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