07/12/2020 - 09:00

Por: Antonio Costa / Zakinews

Francisco Eduardo Rangel Torres - médico, idealista, humanitário


Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews
Fotografias extraídas do vídeo da FAMÍLIA TORRES

Ao vasculhar os anais da história, o site zakinews foi buscar as respostas para as indagações que se sucedem acerca do nome que aparece em ruas e escolas de Cáceres e da região: Francisco Eduardo Rangel Torres. Quem foi e o que teria sido o referido personagem inserido na história de Mato Grosso...

Francisco Eduardo na formatura do curso de Medicina, concluído no Rio de Janeiro


FRANCISCO EDUARDO RANGEL TORRES

Natural do Estado da Paraíba, nasceu em 13/10/1882
Pais: José Vicente e de Maria da Conceição Rangel.
Seus pais tiveram sete filhos: Francisco Eduardo, Ana Augusta, José dos Passos, Joaquim Soter, Zulima Cândida, João Paulino e Maria das Dores.
Faleceu em Cáceres28 de dezembro de 1958
Sepultado: Cemitério São João Batista

 

O homenageado (in-memorian), como todo Francisco, tinha o apelido de “Chico”. Passou a sua infância na companhia dos pais trabalhando no Sítio Gravatá. Na Paraíba fez o primário e o ginasial; trabalhou em escola para juntar dinheiro que possibilitou a dar início ao sonho de tornar-se médico. O que mais tarde se concretizou com os estudos que começaram em Salvador-BA e foram concluídos no Rio de Janeiro, à época, Capital da República Federativa do Brasil. Formou-se médico, cirurgião clínico, especialista em doenças tropicais.

Rangel Torres, na época da residência médica, teve um relacionamento de onde nasceu a sua primeira filha, Maria do Carmo.


                                                          Serviu o Exército Brasileiro e participou da Comissão Rondon

Convidado pelo Marechal Rondon

Posteriormente, já formado, ele através de concurso público é aprovado e entra como médico do Exército Brasileiro. Foi aí que recebeu convite do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon para participar da Comissão Rondon.

A referida comissão que tinha no comando o militar mato-grossense natural de Mimoso, Marechal Rondon, tinha a missão de implantar as linhas telegráficas para unir os estados de Mato Grosso e Amazonas, interligando as cidades mato-grossenses de Cuiabá e Santo Antonio do rio Madeira, esta última hoje pertencente ao estado de Rondônia. Seu lema no contato com os silvícolas era: “morrer se preciso for, matar nunca! ”.

Nessa época foi que Francisco Eduardo Rangel Torres conheceu Cáceres, o Pantanal, e ficou encantado com as suas belezas naturais como também pela receptividade da gente cacerense.

Em continuidade a sua missão militar, foi nomeado pelo Marechal Rondon para instalar três enfermarias de campanha em suas frentes de trabalho, mas precisamente na região de Tapirapuã.

Acometido pela beribéri

Consta que foi um período de enormes dificuldades e bastante desgastante. Cuidava das flechadas de índios, a falta de medicamentos para seus pacientes dificultava em muito a execução do seu trabalho médico.

A região inóspita e de densas matas habitadas por insetos, contribuíram para que o mesmo viesse a ser cometido pela doença conhecida como beribéri. Veio buscar tratamento médico em Cáceres e posteriormente foi para o Rio de Janeiro.

Recuperado, voltou a integrar a linha de frente sob o comando do Marechal Rondon na missão que estava cumprindo. Eis que novamente volta a ser cometido por doença tropical. De volta ao Rio de Janeiro foi aconselhado por médicos a deixar a área de matas onde trabalhava.

Foi então transferido para a Guarnição Militar da Paraíba do Norte, alistado na Coluna Federal ajudou a combater cangaceiros.

Thereza Villanova e Francisco Eduardo

Com Thereza, Francisco Eduardo teve três filhos: Francisco, Hélio e José


Casou-se com Thereza Villanova

Posteriormente ainda tenente, mudou-se para Mato Grosso e se radicou em Cáceres-MT, onde veio a formar sua própria família. Casou-se com Thereza Villanova (ela nascida em 8/10/1893, e pertencente a já tradicional família da região, que passou a assinar Thereza Villanova Torres) com quem teve quatro filhos. São eles: Hélio Villanova Torres, que veio a ser coronel do Exército Brasileiro na arma de Infantaria; José Villanova Torres, que veio a ser prefeito de Cuiabá e vice governador de MT; Francisco Villanova Torres, que se tornou pecuarista em Cáceres, Fazenda Acoriza; e Ênio Villanova Torres, cirurgião dentista, tenente coronel do Serviço de Saúde do EB, residente em Campo Grande, hoje estado de MS.

A união com Thereza foi como um amor à primeira vista. A mulher o atraiu “pelos dotes de nobreza e caráter”, fatores primordiais para conquistar seu coração.

O homenageado prosperou como fazendeiro e empresário rural nesta região de MT. Se associou a Usina da Ressaca e pôde acompanhar de perto a ascensão do empreendimento que marcou época por décadas na história de Cáceres e de resto, todo o rico estado, como produtora de aguardente. Ele também tinha como sua propriedade uma outra próspera fazenda, a Facão.

Com o falecimento prematuro da esposa a 06 de julho de 1922, passou a dedicar sua vida ao atendimento dos doentes, sem cobrar nada em troca.

Casou-se em segunda núpcias com Hermínia de Arruda Torres, com quem teve o filho Fernando de Arruda Torres, que se tornou médico. Além de Cáceres, também passou a residir em Campo Grande, MS.

Francisco Eduardo casou-se pela segunda vez, com Hermíia


Participante ativo da vida política

Dinâmico e dedicado às mais diversas frentes de atividade, a exemplo de militar, médico, pecuarista, Francisco Rangel Torres também foi participante ativo na política mato-grossense. Se elegeu por quatro mandatos à Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Eleito em 01/11/1917 para o triênio 1918, 1919 e 1920. Instalada a legislatura em 13/05/1918. Se reelegeu em 01/12/1920 para o triênio seguinte: 1921, 1922 e 1923. Instalada a legislatura em 07/09/1921.

O deputado Dr. Rangel Torres toma posse somente a 25/10/1921. Novamente eleito ao parlamento estadual em 01/12/1926 para o triênio 1927, 1928 e 1929. Instalada a legislatura em 12/05/1927. Nessa legislatura, foi o 3º. Secretário da Mesa Diretora do Legislativo Estadual, eleito em 13/05/1928. Reeleito no pleito seguinte a 01/11/1929, para o triênio 1930, 1931 e 1932. Instalada a legislatura em 13/05/1930, foi o presidente da Comissão de Agricultura, Indústria, Comércio, Viação e Obras Públicas, naquele ano.

Em 06/05/1937, por decreto do Ministro da Guerra, foi promovido a Tenente Coronel médico do Exército Brasileiro.  

Os últimos anos de sua vida, ele, forçosamente, teve que ficar recluso na Fazenda Facão. Acometido por uma enfermidade que o privou totalmente da visão. Antes de morrer, ele deixou alguns hectares de uma valiosa área de terra de sua propriedade, para edificação de uma escola agrícola. Sonho acalentado que mais tarde veio a tornar-se realidade com a construção da Escola Agro técnica Federal de Cáceres, atualmente IFMT.

Deputado Estadual Francisco Eduardo Rangel Torres - teve 4 mandatos na ALMT

Os netos que moram aqui...

Um dos netos que mora em Cáceres, o funcionário público aposentado da Sefaz, Ruse Torres (ex-vereador no período de 2001 a 2004), recorda que o seu avô homenageado nesta oportunidade, também doou uma área de terra para o 2º. Batalhão de Fronteira, na localidade do Bom Jardim, construir o seu estande de tiro.

Ruse Torres revela que coube ao seu tio José Villanova Torres (ex-prefeito de Cuiabá, e vice-governador de MT), dar início a montagem da árvore genealógica da família Torres. Trabalho esse concluído com muito carinho por uma das netas, a dra. Silvana Sgaib, e, que pode ser visto no Youtube, no link https://www.youtube.com/watch?v=gQNrquxhEh0

Da linhagem familiar do Dr. Rangel Torres, em Cáceres além do Ruse Torres, estão os seus filhos, Dr. Torres (médico), e o vereador José Eduardo Torres (mandato 2016 a 2020). Também aqui reside um outro neto do homenageado (Rangel Torres), trata-se do pecuarista José Anibal Mota Torres, o conhecido Biriba.

Ao finalizar, a história registra que o Dr. Francisco Eduardo Rangel Torres, foi morador da Rua Treze de Junho na esquina que coincide com os fundos da Catedral São Luiz. Ele faleceu em Cáceres, a 28 de dezembro de 1958. Seu corpo está sepultado no jazigo da família no cemitério São João Batista.

De pé, da esquerda para direita: Dr. Fernando e Gracinda, Hermínia e Francisco Eduardo, padre, José Rodrigues Fontes, Li, Hélio e Francisco. As crianças são: Maria Tereza, Eliane, Márcio e Ruse Torres. MISSA NA CAPELA DA FAZENDA FACÃO
De pé, da esquerda para direita: José, Hélio, Francisco, Fernando e Enio. O casal, Francisco Eduardo e Hermínia, está sentado
Wilson Kishi 
Casarão construído em 1918, onde foi a residência do senhor Francisco Eduardo Rangel Torres
 
Cemitério São João Batista, local onde está sepultado Francisco Eduardo.
Ao lado direito está a sua primeira esposa, Thereza Villanova

 

 

Comentários: ( 13 ) cadastrados.
Por: Francisco Camargo
Poconé
Esse foi muito mais cacerense do que paraibano. Francisco Eduardo honrou o nome que tinha e deixou um legado para a sua família que mantém viva a dignidade e honradez.
10/12/2020 07:27:42

Por: José Eduardo Fardim da Silva
Campo Grande ms
Dr torres criou minha mãe na fazenda facão Luzia meu pai também que no dia que ele faleceu ele que foi avisar o comandante do 2Btf
09/12/2020 21:54:12

Por: Horácio Santos
Cáceres
Com tantos casarões e famílias tradicionais, Cáceres é um encanto e de uma cultura sem tamanho.
09/12/2020 18:10:18

Por: Luisinho
Cáceres
Uma das mais tradicionais famílias de Cáceres. Essa família tem história pra contar. Parabáns aos Torres.
09/12/2020 17:08:42

Por: Fátima Jorge Rangel Torres
Campo Grande /MS
Muito feliz em conhecer a história do meu avô. Não o conheci. Quando nasci ele já havia falecido, mas via o brilho nos olhos do meu pai toda a as vezes que falava dele. É quando viajamos para Cuiabá para visitar a família e íamos até Cáceres, me lembro do Acorizal e de uma visita que fizemos a Ressaca, não posso esquecer a expressão no rosto do meu pai!
08/12/2020 06:55:41

Por: Neuza Zattar
Cáceres
Muito válida a pesquisa sobre a Família Torres.
07/12/2020 20:59:21

Por: ROOSEVELT RAMSAY TORRES
Cáceres MT
Meus agradecimento a Dra.Silvana Torres Sgaib Borges (Bisneta do Dr. Francisco Eduardo ) por ter dado sequências no trabalho iniciado pelo Saudoso Tio José Villanova Torres .👏👏👏
07/12/2020 19:08:18

Por: Silvanna Torres Esgaib Borges
São Paulo
Muito feliz em ler a história sonhei bisavô Francisco Eduardo Rangel Torres. Eu não o conheço, mas sempre ouvi falar delete de toda sua história linda de vida. O meu avô querido, José Villanova Torres, deixou muitos registros sobre o seu pai é isso foi maravilhoso. Em 2018 fizemos o primeiro grande encontro da Família Torres em João Pessoa e, espero que, assim que as coisas melhorarem, possamos nos reunir novamente.
07/12/2020 17:38:06

Por: Francisco Eduardo Torres Esgaib
Cuiabá - MT
Emocionado a agradecido pelos registros históricos sobre meu bisavô materno. Homem de grande valor, assim como seus filhos, dentre eles o meu saudoso avô Torres (José Villanova Torres). Tenho a responsabilidade e o dever de honrar o nome e a descendência de Francisco Eduardo Rangel Torres.
07/12/2020 15:27:00

Por: Almir
Caceres
Muito bom!!! Da onde voces tiram tantos detalhes? Incrível! Sucesso.
07/12/2020 14:02:20

Por: Ana lucia
Cáceres
Que pessoa incrível, qta dedicação ao próximo, linda história de vida. São pessoas assim que o mundo está precisando, Parabéns aos familiares que ainda estão aqui em Cáceres por ter um exemplo assim na família.
07/12/2020 11:56:17

Por: Geraldo
Cáceres
Quantos personagens históricos que nossa cidade ja teve, pessoas que fizeram a diferença e marcaram sua história aqui. Fico feliz em ver que o site esta revivendo e valorizando a passagem desses, já que nossos bens, como os casarões que são histórias físicas, estão abandonadas. Um abraço Kishi e Toninho
07/12/2020 11:41:12

Por: Josué Cândido
Cáceres
Mais uma história incrível, como Cáceres é rica em bagagem cultural. Parabéns ao site pelas homenagens e por nos trazer informações tão importantes que ficam apenas guardadas.
07/12/2020 10:35:28

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