30/11/2020 - 09:00

Por: Redação Zakinews

Com 42.333 km² e 30 mil habitantes, assim era Cáceres em 1963; confira outros dados da gestão JRF


Acervo Adilson Reis
Prefeito de Cáceres, gestão 63/67, José Rodrigues Fontes (de óculos) e ao seu lado direito, o presidente da Câmara de Cáceres, vereador Raimundo Cândido dos Reis, presentes no 6º Congresso Nacional de Municípios, em Curitiba-PR

 


Encerrado o período eleitoral, o momento é de transição entre um governo que está se findando para outro que assume o destino do município a partir do primeiro dia do ano de 2021. Neste contexto, Zakinews traz até você, leitor, uma rica informação sobre a Princesinha do Paraguai da década de 60, mais precisamente no ano de 1963, quando o prefeito era o Dr. José Rodrigues Fontes (JRF), que exercia já o seu 5º mandato naquele cargo.

No mês seguinte a sua posse, o prefeito marcou presença na cidade de Curitiba-PR, para participar do VI CONGRESSO NACIONAL DE MUNICÍPIOS, realizado nos dias 19 a 23 de março de 1963. Naquela oportunidade, o alcaide cacerense foi acompanhado pelo então presidente da Câmara Municipal de Cáceres, o vereador Raimundo Cândido dos Reis. O vice-prefeito era o sr. Airton Fonseca Montecchi.

O grande encontro de representantes dos municípios brasileiros foi a oportunidade que Rodrigues Fontes e Raimundo dos Reis tiveram para mostrar as potencialidades de Cáceres para as autoridades federais ali presentes no evento. O documento levado pelo prefeito foi reproduzido em primeira mão, pelo jornal PIONEIRO, na sua edição nº 1, de 21 de abril de 1963, e agora, Zakinews traz até você para que tome conhecimento de como era Cáceres naquela época.

Abaixo, está a íntegra do documento sobre Cáceres que foi entregue no VI Congresso Nacional de Municípios e publicado no jornal PIONEIRO. São dados interessantes que oportuniza fazermos uma avaliação sobre o avanço de desenvolvimento desta cidade nos últimos 57 anos.

Publicado na primeira edição do Jornal PIONEIRO, datado em 21 de abril de 1963. Publicação semanal e custava Cr$ 20,00. Funcionou na Rua Riachuelo, 8. A Direção e Redação do jornal PIONEIRO estava a cargo do Dr. Nelson Ferreira Mendes, Cypriano Pereira Santiago e Joaquim I. Souto Fontes


Cáceres, pelo seu prefeito, Dr. José Rodrigues Fontes, e presidente da Câmara Municipal, Sr. Raimundo Cândido dos Reis, apresentou-se ao VI Congresso Nacional de Municípios, realizado de 19 a 23 de março último (1963), em Curitiba, com as informações que abaixo publicamos:

I – O MUNICÍPIO

Situação Geográfica - Ocupa a posição centro-oeste de Mato Grosso, limitando-se ao ocidente, com a Bolívia, com o qual possui uma linha de Fronteira de cerca de 375 quilômetros; ao Norte, com o município de Barra do Bugres; ao Nordeste, como município de Livramento; a Leste, com o município de Poconé; ao Sul, com a Lagoa de Uberaba; e a Noroeste, com o município de Mato Grosso (antiga Vila Bela).

Histórico – Cáceres foi fundada a 6 de outubro de 1778 pelo bravo português, então Governador de Mato Grosso, Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, com o nome de Vila Maria do Paraguai. Em 1874, foi elevado à categoria de cidade com a denominação de São Luiz de Cáceres, passando a denominar-se simplesmente Cáceres por Decreto-lei estadual nº 208 de 26 de outubro de 1938. Compõe-se atualmente de dois distritos: da sede e de Porto Esperidião.

Superfície – Sua superfície é de 42.333 quilômetros quadrados, correspondente a 3,67% da superfície do Estado, sendo: 1) da União, terras denominadas “Caiçara” com a área de 740 mil hectares; 2) do rocio da cidade, 3.600 hectares; 3) o restante da superfície do município constitui patrimônio do Estado, cujas terras são vendidas a particulares.

População – A população de Cáceres é de 30.000 habitantes, sendo 20.000, na zona rural e 10.000, na zona urbana e suburbana.

O Solo – “Ao sul, desde os seus limites na Lagoa Uberaba, em ambas as margens do Rio Paraguai, até encontrar os primeiros contrafortes região serrana e as terras altas e firmes, é pantanoso. Ao norte cidade, até os seus extremos limites setentrionais, as terras são firmes, saudáveis e férteis. É esta a parte mais povoada. Percorrem esta vastíssima área, extensas serras e morros que são quais formidáveis tentáculos da Serra dos Parecis que por sua vez é um desdobramento da grande cadeia Central. (“Um Trecho do Oeste Brasileiro, do Dr. Gabriel Pinto de Arruda”).

Os pantanais são verdadeiros presentes do Rio Paraguai e seus afluentes, constituem colossais reservas de pastagens para o gado, na época seca podendo ser criadas ali, sem grande esforço, centenas de milhares de cabeças.

Em épocas passadas, só a Fazenda Descalvados, localizada na margem direita do Rio Paraguai, na zona do pantanal, contava em seus campos cerca de 150 mil cabeças de bovinos, sendo, na época uma das maiores fazendas de gado de Mato Grosso e, quiçá, do Brasil.

Na zona alta, de serranias, campos férteis e matas frondosas, a terra é fértil e se presta excelentemente para a agricultura.



Nas terras da margem direta do Rio Paraguai, entre os Rios Sepotuba e Cabaçal, estende-se a mata da poaia (Ipecacuanha), preciosa rubiácea que sempre foi e ainda é, grande fonte de riqueza do Município.

As terras do oeste cacerense, entre os Rios Cabaçal e Jauru, são excelentes para a agricultura. Sua fama já transpôs as lides do Município e do Estado. Agricultores de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Espírito Santo aqui têm chegado em grande número à procura de boas terras e a encontram e nelas fixam residências para a faina de produção.

Não só nacionais aqui se têm fixado, mas também alemães, italianos e japoneses, surgindo núcleos agrícolas batizados com o nome de gleba:

GLEBA JAURU, a 216 km da cidade, com 136 famílias, num total de 723 pessoas.

GLEBA ÁGUA SUJA, a 173 km da cidade, com 55 famílias, num total de 250 pessoas.

GLEBA PAIXÃO, a 127 km da cidade, com 30 famílias, num total de 130 pessoas.

GLEBA RIO BRANCO, a 103 km da cidade, com 80 famílias, num total de 350 pessoas.

GLEBA MIRASSOL, a ? km, com 52 famílias, num total de 250 pessoas.

GLEBA ATLÂNTICA, a ? km, com 30 famílias, num total de 120 pessoas.

Produção -  Essas glebas apresentam já culturas permanentes como café (cerca de 500 mil pés de 1 a 4 anos) e algodão, estimativa para 1963: 120 mil arrobas, e culturas anuais, como arroz, produção de 50 mil sacas de 60 kg; feijão, 6 mil sacas de 60 kg; milho, 60 mil sacas de 60 kg.

Um grande obstáculo impede maior desenvolvimento da nossa agricultura e chega, às vezes, a desanimar os nossos agricultores – é a falta de estradas, de boas estradas, transitáveis na estação da seca e na das chuvas. Produção sem escoamento fácil; acarreta prejuízos que levam o homem do campo a desistir dos seus empreendimentos que viriam beneficiar Cáceres e concomitantemente Mato Grosso e o Brasil.

Quedas d´água – Possui o município cachoeiras de grande valor potencial capazes, se aproveitadas, de fornecer energia para o município e os vizinhos.

Destacam-se os seguintes:

Salto da Fumaça, no Rio Jauru, a cerca de 140 km de Cáceres. Possibilidades Hidroelétricas da cachoeira da FUMAÇA, localizada no Rio Jauru, município de Cáceres-MT.

Localização: Como ponto de referência, toma-se a Gleba Jauru, que está situada na margem direita do rio que lhe empresta o nome.

Via de acesso: Partindo-se de Cáceres pela BR 30 atinge-se a localidade de Porto Esperidião, daí então segue-se pela referida estrada até o entroncamento da estrada do Santíssimo seguindo por ela passando pela ponte do Santíssimo segue-se por estrada de penetração até o núcleo colonial do Jauru.

Do referido núcleo colonial segue-se por uma picada de exploração ao rumo de 88º 00´ NE e 11.000 metros de distância, daí então, com rumo de 77º 00`NE e 10.000 metros de comprimento atinge-se a margem do referido rio onde está localizada a cachoeira.

DADOS TÉCNICOS DO LEVANTAMENTO

Largura média do Jauru: 20 metros

Volume d´água: 16 m

Altura da queda: 43 metros

Velocidade da água em m/seg: 2,38 m/seg

Profundidade média: 80 cm

CÁLCULO:

Vasão = Q = Vol X Vol. – 2,38m/seg = 38,08m/seg

Potência efetiva em HP = Q X H X 10 = 38,08 X 43 X 10 = 16.734 HP

 

Possibilidade de dragagem - Devido a formação de rocha granítica do leito do rio e a velocidade da água não se cogita tal hipótese.

Tipo de solo no local – O solo apresenta-se de constituição argilo-silicosa.

Cobertura – Matas densas com vegetação característica da região com inúmeras variedades de madeiras, assim como: Araputanga, peroba, aroeira, cedro, jatobá, figueira e outras essências que caracterizam terras ótimas para exploração agro-pecuaria.

Salto das Nuvens, no Rio Sepotuba, aproximadamente 200 km de Cáceres, com calculadamente 50 metros de altura.

Salto do Juba, no rio do mesmo nome, afluente do Rio Sepotuba.

Santo do Engenho, no ribeirão Piraputangas, a 12 km da cidade.

Santo do Facão, no ribeirão do mesmo nome, a 12 km da cidade. É um potencial enorme aguardando o seu aproveitamento, enquanto a cidade, sede do município, carece de energia elétrica para a sua expansão.

A Usina Elétrica da prefeitura tem em funcionamento, atualmente, um motor Fairbanks Morse de 150 HP, 97 KW, que fornece às energia por zonas, somente às casas, permanecendo a cidade escura, isto há mais de dez meses. Este mesmo motor Fairbanks, montado há onze anos, encontra-se em estado precário, tendo fundido seus mancais mais de 15 vezes.

Muitas pequenas indústrias, que poderiam formar-se aqui, encontram forte obstáculo na falta de energia elétrica. E o município, gigante em potencial, queda-se imobilizado, falta de recursos para exploração de suas reservas.

RIOS – O principal rio do município é o Paraguai que o corta de norte a sul, passando pela cidade de Cáceres. Com alguns serviços de dragagem de limpeza, terá condições francas de navegabilidade até o vizinho muniípio de Barra do Bugres, ao norte (cerca de 550 km). Este rio põe Cáceres em ligação fácil com Corumbá, ponto final das estradas de Ferro Noroeste do Brasil inicial da Estrada de Ferro Brasil-Bolívia, ferrovias essas que, unidas constituirão a transcontinental, ligando o Atlântico ao Pacífico.

“Corumbá (diz Fausto Vieira de Campos em seu livro ‘Retrato de Mato Grosso’), pela posição que ocupa, adquire o prestígio de entreposto de comércio exterior e de fonte produtora de divisa”. E Cáceres disso se beneficiará pela fácil ligação que pode manter com aquela cidade fronteiriça, através do Rio Paraguai, navegável em qualquer estação do ano, nesse trecho, cerca de 720 km.

Destacam-se, também, pelo volume d água e pelas terras que banham, os rios Sepotuba, o Cabaçal e o Jauru.

Vias de Comunicação – Cáceres comunica-se com Corumbá pelo Rio Paraguai; com os municípios de Poconé e Cuiabá, pela estrada federal BR-30; também passando pelo distrito de Porto Esperidião. A BR-30 liga as duas maiores bacias fluviais do Brasil – Prata e Amazônica, ligação essa sonhada, há séculos, pelos desbravadores, portugueses, e de grande importância econômica e estratégica para esta zona. Transpõe ela o Rio Paraguai, em Cáceres, por uma ponte de concreto, de 300 metros de comprimento, recentemente construída.

De terra comprimida como é com aterros e encascalhamento, oferece ainda a BR-30 dificuldades de trânsito na estação chuvosa. Só o asfaltamento resolverá definitivamente o problema.

Com o município de Barra do Bugres, Cáceres está ligada pelo Rio Paraguai (a navegação, neste trecho, oferece dificuldade devido ao atravancamento do leito por madeira, troncos de árvores abatidas, etc. e algumas corredeiras que oferece nas estiagens) e por uma estrada carroçável, permitindo o trânsito somente na estação seca.

Finalmente, liga-se a outras praças, por via aérea, havendo, atualmente, apenas uma companhia em atividade – a Cruzeiro do Sul S.A., cujas reservas de passagens estão sempre esgotadas, pois o movimento é intenso.

No setor – comunicações – as nossas necessidades são: dragagem e limpeza dos Rios Paraguai e seus afluentes; asfaltamento da BR-30 trecho Cáceres – Cuiabá, construção da estrada para Barra do Bugres e melhoramento e ampliação do nosso aeroporto para receber aviões “Convair”.

PECUÁRIA – A maior riqueza do município é a pecuária, com um rebanho superior a 300 mil cabeças.

Existem duas charqueadas, Descalvados e Barranco Vermelho, ambas firmas individuais. Produzem e exportam charque.

Raças bovinas predominantes: Zebu, Nelore, Guzerat, Gir e Crioulo.

AGRICULTURA – A agricultura já passou da fase experimental. Atualmente está produzindo para exportação.

Para incentivo de lavoura, há um Posto Agropecuário, que ainda não está completamente aparelhado para o fim a que se destina, faltando meios materiais e técnicos. E para defesa e cultivo da poaia (Ipecacuanha) foi criada a Estação Experimental de Ipeca, com uma área de 10.800 Há. Está em trabalhos de instalação atualmente.

É preciso que o governo facilite a aquisição de máquinas agrícolas, aparelhe o Posto Agropecuário dotando-o de técnicos e uma patrulha mecanizada e aproveite, no mais curto prazo, o terreno reservado para a Estação Experimental de Ipeca, defendendo assim essa riqueza do município e do Brasil.

OUTRAS ATIVIDADES DO MUNICÍPIO – Produção de couros vacuns e peles de animais silvestres, sendo as mais procuradas as de caititu, capivara, jaguatirica, queixadas, onça, lontra e ariranha. São exportadas para Corumbá, São Paulo, Rio de Janeiro, para industrialização.

Produção de madeira, destacando-se o cedro, a Araputanga, a peroba, ipê.

NÚCLEOS DE PRODUÇÃO MAIS ANTIGA – Além das glebas mencionadas anteriormente neste trabalho, existem os seguintes núcleos de produção mais antigos de Cáceres:

USINA DA RESSACA, ligada a Cáceres por estrada de rodagem, com 18 km. Produz açúcar aguardente e cereais.

COLÔNIA DO NORTE

JACOBINA, a 40 km da cidade pela BR-30. Produz aguardente, açúcar e cereais.

CACHOEIRA, no Rio Jauru, a 95 km da cidade. Produz cereais.

BARRANCO VERMELHO, na margem esquerda do Rio Paraguai. Atividades: - pecuária (charqueada). É servido também por estrada de rodagem. É uma das mais bem montadas charqueadas de Mato Grosso.

DESCALVADOS, a 120 km desta cidade; mantém uma charqueada de grande capacidade. Seus campos tem uma superfície de 881.053 hectares.

Quando de propriedade da Companhia Belga, “Produits Cibilis” chegou a produzir anualmente 200 mil quilos de extrato de carne que era enviado para a Europa.

 

Chegou de ser abatido ali, durante a Primeira Grande Guerra, o número elevado de 25 mil bois por safra.

As fazendas (estâncias de criação de gados) são em número de uma e meia centenas espalhadas pela vasta área do município. Em todas elas há atividade agrícola para consumo próprio e, algumas, para comércio.

CLIMA – O clima é em geral quente. Há duas estações definidas: a seca e a chuvosa. Esta começa em novembro e vai até março-abril. A época do frio, ocasionado pelo vento sul, é geralmente de abril a agosto.

II – A CIDADE SEDE DO MUNICÍPIO

Situada na margem esquerda do Rio Paraguai, Cáceres é até hoje um atestado do arrojo dos portugueses do século XVIII.

É sede de um bispado, ocupado atualmente, por Dom Máximo Biennes, Administrador Apostólico.

É sede de um batalhão do nosso Exército – o Segundo Batalhão de Fronteira.

Possui cinco agências bancárias: Banco do Brasil S.A.; Banco da Lavoura de Minas Gerais S.A; Banco de Crédito da Amazônia S.A.; Banco Agro-Pecuário S.A.; e Banco Financial S.A.

Clubes Recreativos: Esporte Clube Humaitá; Esporte Clube Mato Grosso; União Beneficiente dos Subtenentes e Sargentos de Cáceres e união Operária Cacerense.

Associação de classe: Associação Rural de Cáceres e Associação Comercial de Cáceres.

III – INSTRUÇÃO

Conta Cáceres com cursos primário, secundário e normal (segundo ciclo). O ensino primário é ministrado pelo Grupo Escolar Esperidião Marques (Estadual) com uma matrícula (em 1962) de 771 alunos de ambos os sexos; escolas municipais, com 258 alunos; escolas particulares, com 1.068 alunos, num total de 2.097 alunos na cidade e cercanias, mais 900 alunos das 28 escolas estaduais rurais espalhadas pela vasta área do município.

O ensino secundário é ministrado por dois ginásios: a) Ginásio Estadual Onze de Março, com 158 alunos de ambos os sexos. B) Ginásio Imaculada Conceição, particular, com 120 alunas.

O Curso Normal, particular, tem 24 alunas.

Uma das escolas primárias, a Duque de Caxias, da cidade, mantida pela União Social de Assistência (Sociedade Beneficente) possui ensino profissional: carpintaria, alfaiataria, sapataria.

IV – PLANOS DO ATUAL PREFEITO

Os planos da atual administração municipal foram elaborados tendo em vista as quatro funções essenciais do homem: habitar, trabalhar, cultivar o corpo, o espírito e circular.

Medidas administrativas para o município: a) construção da estrada que ligará Cáceres com o vizinho município de Barra do Bugres. Atravessará essa estrada a rica região nordeste do município, numa extensão de 150 km. Desde os tempos mais remotos, essa região abasteceu Cáceres de cereais; b) melhoramentos das estradas pioneiras que ligam as diversas glebas e núcleos de produção do município; c) incentivar a produção e promover a fixação do agricultor nas terras do município, cuidando da sua saúde e da educação dos filhos.

Medidas administrativas para a cidade: a) reabilitação da Usina Elétrica cuja capacidade está esgotada e início de estudos para o aproveitamento de uma das nossas quedas d´água; b) melhorar e ampliar a rede de abastecimento d´água em colaboração como Serviço Especial de Saúde Pública; c) fazer o estudo e o plano de esgoto da cidade e atacar o serviço de acordo com as possibilidades; d) melhorar o aspecto das ruas e praças com serviços de drenagem, nivelamento e compressão do leito das nossas vias públicas a fim de torna-las facilmente transitáveis em qualquer época do ano, ficando o calçamento definitivo para depois de feita a rede de esgotos; e) recuperar nossas áreas livres, as praças, e ajardina-las para recreio da população; f) criar escolas em todos os núcleos populacionais que as comportem, em colaboração com o Governo do Estado, intensificando a alfabetização da nossa gente do campo.

Para empreendimentos de monta como os que pretendemos e de que carece o nosso município, insuficiente é a nossa arrecadação. A receita orçada para 1963 é de apenas Cr$ 31.754.800,00; mal dá para os nossos serviços ordinários da pública administração.

O recurso tem de vir de fora, do Governo do Estado e do Governo Federal. Esses recurso será como que um empréstimo para o município e servirá de remédio para os seus males.

Uma vez recuperado, o município crescerá, tornar-se-á forte e autossuficiente, compondo, unidos todos eles, o corpo sadio de uma nação sadia e forte.

Município de vastas possibilidades em potencial, Cáceres apresenta-se ao VI Congresso Nacional dos Municípios fazendo coro com outras Comunas de Mato Grosso e do Brasil no sentido de atrair as vistas dos Poderes Competentes da Nação para os Municípios, principalmente para os mais afastados no oeste brasileiro, os quais devem ser, além de sentinelas da nossa soberania, um atestado eloquente da capacidade administrativa e da fibra do povo brasileiro.

Aproveitar a energia que flui inaproveitada no leito dos rios encachoeirados, fazer produzir a terra ubérrima que a natureza nos prodigalizou; fomentar a agricultura e a pecuária; construir estradas para os homens da gleba – eis o que nos anima e o que nos traz a este Conclave.

Vimos em busca de orientações dos especialistas nas cousas públicas municipais para reformar e melhorar a administração. E, para as grandes obras, energia elétrica, água esgotos, saúde e educação, procuramos unir esforços e conseguir os recursos necessários. Só assim teremos municípios fortes – células vivas e sadias – que farão um Brasil forte e respeitado.

 

Comentários: ( 8 ) cadastrados.
Por: Claudomiro
Glória D'Oeste - MT
O saudoso Dom Maximo, cravou com precisão no livro Uma Igreja na Fronteira - " A inauguração da ponte Marechal Rondon sobre o rio Paraguai, em Cáceres (janeiro de 1961) libertou o caminho para o oeste...". E destacando CACHOEIRA, como núcleo de produção mais antigo, situada as margens do rio Jauru, fazenda essa fundada em sertão provinciano pelo casal Jorge da Cunha e Benedita Oliveira Jorge, sito hoje o município de Glória D'Oeste.
01/12/2020 10:11:34

Por: Adilson Reis
Cáceres
Parabéns Confrade Kishi, por tornar público neste momento o o “DNA” da nossa tão querida e penalizada cidade de Cáceres, que com esse enorme potencial continua, até hoje, a duras penas, na busca de consolidar/implantar seus instrumentos de desenvolvimento, que claramente extrapola fronteiras, mas desde sempre esbarra na falta de informação e entendimento do alcance social que isso traz... Assim, com grande esforço coletivo, devemos continuar a remover barreiras colocadas por interesses impublicáveis, que sob diversas peles, são colocadas por aqueles que são contra porque “são contra”...manipulando o bom caráter e a ingenuidade da nossa gente, mas Deus é maior! Abraços
01/12/2020 06:28:20

Por: Carmelita
Mirassol D'Oeste-MT
É uma viagem no tempo...quanta história... saudades da minha terrinha,abraços Kishi
30/11/2020 18:47:32

Por: alvasir ferreira de Alencar
cáceres
É muito gratificante relembrarmos a história de nossa pujante município,pude acompanhar parte de nossa história, quando aqui me instalei em setembro de 1970 mais precisamente em jauru,onde n'quela era cáceres,( gleba jauru).
30/11/2020 17:33:03

Por: Francisco Do Prado S. Junior
Caceres
Parabéns kishi e equipe, Suas informações, são sempre de muita relevância para toda comunidade Cacerense.
30/11/2020 12:40:04

Por: linara
caceres
bacana!!!
30/11/2020 11:16:36

Por: Marcus
Cáceres
Kisshi sempre contando aquilo que nunca nos contaram, muito bom o trabalho que vc exerce meu amigo, nem escolas sabem passar tanto conhecimento de Caceres quanto vc. Parabéns Kishi!
30/11/2020 10:49:01

Por: Sergio Cunha
Cáceres
E ainda tem gente que diz que Cáceres não avança, nossa cidade sempre esteve em constante aperfeiçoamento, tem muito valor essa terra. Obrigado Zakinews por trazer as memórias que precisamos.
30/11/2020 10:04:38

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