31/08/2020 - 08:59

Por: Antonio Costa / Zakinews

Luiz Lacerda e seus mamandos e caducandos


 
Luiz Lacerda, o maior fazendeiro da história do Pantanal
Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews


   Ao iniciarmos o enfoque saudoso ainda das memórias bem ricas de antigos funcionários da Charqueada Descalvados, que merece capítulos no encerramento desta obra, fomos buscar pistas no trabalho da Historiadora da UFMT, Inês Portugal, que se encontra à disposição para pesquisas no NUDHEO, Núcleo de Documentação de História Escrita e Oral, da Unemat.

   A professora, em abril de 1991, teve talvez uma das últimas oportunidades de frente a frente ouvir a história deste que reconhecidamente foi o maior criador de gado do Pantanal Mato-grossense: Luiz Esteves Pinheiro de Lacerda, então com 80 anos.

   Peão desde aos 14 anos de idade, começou a trabalhar na Brazil Land, posteriormente foi arrendatário e proprietário a partir de 1952. A organização imposta pelo fazendeiro chama a atenção, pois o mesmo ordenava que tudo-tudo que acontecia na localidade teria que ser registrado. E assim foi feito desde 1950 até o ano de 1985, quando problemas diversos o afastaram da direção da mesma.

   “Foi uma “viagem” navegar pelos livros de registro do armazém. Pudemos conhecer como se vestiam, o que comiam, como se medicavam ou de onde vinham os chapéus dos peões pantaneiros que se espalhavam rio abaixo e rio acima e ver os preços do sal e do mel daquelas populações. São remarcantes os detalhes como que foram registrados o movimento dos navios e aviões que fazia o cotidiano dos transportes de Descalvados. Não me sai da memória aquela página do diário do Porto em que o funcionário de plantão registra a sua angústia em forma de oração, diante da ameaça das águas que não paravam de subir ameaçando a todos numa enchente no Pantanal”. – Relata a historiadora Inês Portugal.

   A Fazenda Descalvados fazia parte da Sesmaria doada ao veterano da Guerra do Paraguai, João Carlos Pereira Leite em retribuição à participação deste naquela luta. Nesta época, fazia parte das fronteiras ilimitadas da Jacobina. Mais tarde, já nos finais do século, após a morte de seu proprietário, ela foi comprada, em meio a um confuso processo judiciário. O comprador, Jaime Cibilis, argentino, era um dos maiores proprietários de fazendas de gado em toda Bacia do Prata. Descalvados vai aos poucos transformar-se em “saladeiro” no ponto mais ao norte da Bacia do Prata. Em 1895, Jaime Cibilis associa-se a um grupo belga e a exploração do “saladeiro” toma as feições de uma enorme indústria extrativa. São construídos os principais edifícios e até uma usina fabricada em Liege, produzia a energia necessária para tocar as máquinas. Descalvados torna-se uma concentração populacional significativa para a época. Seus trabalhadores eram recrutados entre populações vizinhas chiquitanas, correntinhas ou paraguaias e mesmo transportadas do longínquo Ceará.

Ciro Batista da Cruz, hoje com 89 anos. Foi trançador de laço e amansador de burro chucro quando trabalhou para o seo Luiz Lacerda
 

   Com a necessária introdução da referida historiadora que teve a oportunidade de ouvir o famoso fazendeiro, passamos ao depoimento de pessoas que com o Luiz Lacerda conviveram nos tempos áureos da charqueada, caso do peão Ciro Batista da Cruz.

   Lembra ele que o termo “mamando e caducando” servia também para ser exemplificado que de bezerro a gado adulto todos teriam que ser vacinados, conforme a ordem dada pelo fazendeiro.

   Ciro recorda que Lacerda exigia bastante dos funcionários o cumprimento de suas obrigações cotidianas, e afirmava que “ele fazia um homem virar dois”. Mas a fartura na hora da mesa, disso ninguém podia reclamar.

   “Ele não tinha dó de oferecer a comida pra nós, mas na hora de pegar no trampo todos tinham que estar afiados”, relata.

   O ex-peão volta ao tempo e recorda do famoso e inesquecível patrão e relata nunca ter ouvido este dizer que não havia vaga para trabalho na fazenda. Pelo contrário, serviço no local não acabava nunca. Ele revela também, a pouca importância que Luiz Lacerda dava, se o pretendente a um serviço tivesse dez ou doze filhos, que mesmo assim era contratado.

   As experiências de vida ele sempre estava oferecendo com os costumeiros jargões: “a cabeça não funciona e o corpo padece”.

   Houve certa época que correu comentário de que a fazenda seria vendida. Imediatamente a peonada ficou entristecida, foi procurar o patrão e este desistiu da ideia imediatamente. O zelo e a atenção dispensada aos funcionários mostrava a sintonia como a engrenagem do vultoso empreendimento funcionava no entendimento que o patrão e o subalterno cumpriam na busca do sucesso.

 

 

   As lembranças de antigos moradores da Charqueada  Descalvados remetem às mais diversas e ricas histórias desta que foi uma das maiores  indústrias de que se tem notícia, a funcionar por décadas encravada em pleno Pantanal Mato-grossense.

   Numa mistura de melancolia e saudades, antigos funcionários recordam das conversas, das pescarias, caçadas e piqueniques à beira do rio Paraguai, tendo bem perto a companhia de capivaras (cuja gordura curava tosse e até mesmo tuberculose) e jacarés. Farta pescaria de pintados que fincavam “estivados” de todos os tamanhos. Um amplo batelão de madeira araputanga transportava duas a três famílias na subida do rio até o conhecido Gumercindo, abaixo do Porto Presidente, onde lauto piquenique com peixe à vontade era degustado pelas amizades.

   Isso nos rápidos descansos e nos poucos dias de folga, pois o empreendimento funcionava a todo vapor durante, aproximadamente de seis a sete meses, de maio a outubro; após, a cheia tomava conta de todo Pantanal e não tinha como lidar com o gado.


Alcebíades da Veiga, 73 anos. Viveu na fazenda desde os cinco anos de idade. Aposentado pela Cemat, ainda assim, exercita a profissão de eletricista atendendo seus clientes.


   As revelações são de Alcebíades Cândia da Veiga, 74 anos, natural de Cáceres. Ele, aos cinco anos – na década de 60 – se mudou na companhia do pai, José Manoel da Veiga e dos irmãos, para a Fazenda Descalvados.

   Aos doze anos, já trabalhava como auxiliar do pai na carpintaria, onde ajudava a fazer brete, cancelas e tudo quanto havia necessidade para garantir plenamente as condições de funcionabilidade da fábrica.

   Alcebíades ali conheceu outras profissões, como ajudante de ferreiro, do famoso profissional Ezequiel Picolomini; também foi operador de caldeira, mecânico, motorista e tratorista.

   Conta que mais de trezentas famílias ali viviam e cuja maioria, na labuta diária para manter em funcionamento a charqueada. A matança das reses iniciava-se por volta da uma hora da manhã, se estendendo até perto das nove horas do dia. O trabalho no horário noturno era uma estratégia para se livrar do sufocante calor que castigava muito, em outras horas do dia. Um total próximo de vinte a trinta mil reses anualmente, do rebanho estimado em duzentos mil, eram mortas.

   Quase tudo era aproveitado. A carne virava charque, que era transportado até Corumbá-MS, através das lanchas Cabixi, Piquiri, São Paulo, Cidade de Corumbá e Agaxi. De lá era exportado para países da América do Sul.

   Ossos e sebo iam parar em duas gigantescas tinas aquecidas com caldeiras a vapor, onde eram separadas a gordura (o sebo depositado em tonéis de duzentos litros que também seguiam para exportação), a exemplo do couro, enquanto a graxa restante servia para a manutenção da fazenda.

   O gado da marca ferradura, do pecuarista Luiz Esteves Pinheiro de Lacerda, se revezava nas invernadas dos retiros de engorda: Quebra Prato, Figueirinha e na Fazenda Santa Rosa. Além do abundante pasto nativo, o sal em abundância complementava a alimentação do numeroso rebanho na preparação para o abate. Além do gado trabalhado (ferrado/marcado), mais de cem mil anotados no caderno, os baguás corriam soltos pelos campos. Pela volta dos seus chifres, dava-se para imaginar a idade dessas centenas de erados que até chegavam a brilhar de tão gordos.

   Na época da seca o gado bebia água dos tanques/açudes no Retiro Sucuri, construídos numa extensão de 100 x 70 metros escavados por trator CBT com Lâmina.

   Na época da cheia a peonada sofria bastante com nuvens de mosquitos que os atormentavam. Para se livrar das ferroadas, somente abrigando em mosquiteiros, inclusive até mesmo durante o momento das refeições, caso contrário, o alimento era acrescido com os insetos.

   Alcebíades lembra também das constantes visitas à Charqueada, de um hidroavião que pousava no porto da fazenda quinzenalmente, para levantar voo carregado com vinte bois abatidos, num total aproximado de seis mil quilos de carne fresca e tendo como destino o Acre.

   A manutenção da fazenda contava com um amplo e bem abastecido armazém que fornecia a alimentação dos empregados. Uma escola ensinava as primeiras letras do alfabeto às crianças, cujas professoras Terezinha, filha do conhecido guarda livro (espécie de contador) Zé Otávio; e ainda Alice e Cleide, filhas do também guarda livro Filinho. Todas elas, bastante dedicadas com a profissão e cuidadosas no trato com os filhos dos funcionários.

   Estes, quando eram acometidos de alguma doença, quase sempre eram trazidos de avião da própria fazenda até Cáceres, Corumbá ou até mesmo Cuiabá, onde recebiam assistência médica até estarem totalmente recuperados para retornarem ao estafante trabalho no campo, na lida com o rebanho, ou na indústria de charques.

   Mas não era só de trabalho que vivia a peonada. Nas folgas, como já foi dito, aproveitavam para passear de batelão, na maioria das vezes pescando pacus, pintados e até mesmo bagres, pois era fundamental diversificar o cardápio, quase sempre constituído de carne bovina. Nessa diversificação, patos selvagens, jaó, arancuã e mutum eram muito bem-vindos numa panelada de dar água na boca.

   A caça às aves acontecia também, quando da visita de alguma autoridade, ou pessoas da amizade do proprietário da fazenda. Essas espécies eram abatidas, fritas e adicionadas em latas com gordura para conservar e levadas pelo visitante para serem degustadas, no retorno ao Rio de Janeiro ou São Paulo.

   Alcebíades lembra com água na boca da bagrada que constantemente a companheirada fazia nas noites. Numa enorme panela eram colocados aproximadamente setenta dessa espécie. Primeiramente, num sistema de mutirão, o bagre era limpo e preparado com acompanhamento de pirão, que todos serviam à vontade. Para quem apreciava a cachaça, ela não podia faltar, mas isso era escondida do patrão, “ele não permitia bebida entre a pionada”.

   Como então conseguir o destilado? Ele era adquirido nas lanchas dos mascates que frequentemente visitavam o porto da fazenda e traziam de tudo. Aí a pinga ficava escondida no rio mesmo. Na hora do banho os goles eram sagrados e muito bem vindos.

 

Festança de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira da fazenda

   As festas de São Sebastião, São João e da Padroeira da fazenda, principalmente, Nossa Senhora do Carmo, eram bastante concorridas. Até seis vacas eram abatidas e transformadas num gigantesco churrasco, assado em lenha de angico – fogo de chão – onde todos podiam saborear à vontade.

   Uma confraternização, onde o clima de companheirismo prevalecia entre patrões e empregados. “Seo” Luiz era bastante devoto de Nossa Senhora do Carmo. Consta que alguns milagres a santa havia lhe concedido, e ele, então, como forma de agradecer a graça concedida, jamais deixaria passar em branco o dia 16 de julho. Feriado santo, dedicado a uma das maiores festanças que o Pantanal experimentou até hoje.

   Com a fé na santa padroeira da fazenda, dá para se imaginar o quanto o abastado fazendeiro pediu para que Ela lhe socorresse num dos talvez, seus maiores apuros. Como seu motorista, Alcebíades ouviu certa vez o inconformismo do patrão, quando andavam pelo campo, ao lhe confidenciar que os bancos Suíços lhe haviam confiscado uma vultosa soma. Não dava para imaginar o montante, mas segundo o entrevistado, pelo inconformismo do fazendeiro, imagina-se que “era muito, mas muito dinheiro mesmo”.

   O fazendeiro tinha até mesmo o seu calendário santo para comemorar as datas: 20 de janeiro – São Sebastião; 19 de março – São José; 03 de maio – Santa Cruz; 24 de junho – São João; 16 de julho – Nossa Senhora do Carmo; 25 de agosto – São Luiz; 30 de agosto – Santa Rosa, data de aniversário também do proprietário da Descalvados; 12 de outubro – Nossa Senhora Aparecida.

Nessas datas sempre eram comemorados também os aniversariantes entre os funcionários.

   No dia de Nossa Senhora do Carmo, a presença do Padre Geraldo na celebração era imprescindível. Ele realizava inúmeros batizados e até mesmo casamentos, na comunidade pantaneira.

   O tirador de reza era sempre o solicitado Manoel Rodrigues de Paula, o Carioca, sogro do mecânico Clarindo (Careca). Ganhou o apelido Carioca dos amigos de “Seo” Luiz Lacerda, que eram eles: Brigadeiro Jataí, Comandante Lacerda e o Comandante Fontes. Eles eram do Rio de Janeiro, e logo acharam por bem chamar o cicerone que os acompanhava nos passeios pela fazenda, de Carioca. E o apelido pegou, mesmo não tendo o tal tirador de reza, nenhuma ligação com a cidade do Rio, pois ele é mesmo um cacerense.

   Sete a oito aviões pousavam com convidados das cidades e das fazendas próximas nas festanças, onde a fartura de churrasco, bolos e doces caseiros prevalecia.

   Quanto ao preferido para ganhar afilhados por ocasião dos batizados, era, disparadamente, o Clarindo Carvalho. Afirma categórico que durante os anos que permaneceu na fazenda, batizou mais de cem, entre crianças, adolescentes e até mesmo adultos. Na localidade conseguia atrair as atenções pela camaradagem como costumava tratar as famílias ali residentes. Em resposta ganhava o carinho dos pais que lhe davam os filhos para batizar.

   Ele recorda de uma aposta que fez com a Benedita Picolomini, filha do ferreiro Ezequiel. Ela com a amiga Magui estavam inconformadas, com a preferência das crianças pelo Careca como padrinho. Resolveram apostar que no ano seguinte, por ocasião da festa de Nossa Senhora do Carmo, ganhariam do Careca na preferência dos afilhados. Perderam: tiveram oito, enquanto o campeão batizou dezessete.

Sebo produzido no Pantanal virava sabonete nos grandes centros

   A história de vida do também cacerense Clarindo Martins Carvalho, ou simplesmente Careca, funde-se com a existência áurea da Fazenda Descalvados.


Clarindo de Carvalho (Careca), 84 anos. Viveu intensamente os tempos áureos da fazenda, na profissão de mecânico.


   Esse personagem hoje com 84 anos, prontamente nos atendeu nas entrevistas quando revelou um pouco da história da charqueada comandada por Luiz Lacerda. Clarindo passou parte de sua vida trabalhando na fazenda, onde desempenhou as funções de mecânico, motorista, operador de caldeira, entre outras funções.

   Lembra que seguiu para trabalhar na referida localidade em 03 de fevereiro de 1958, num monomotor pilotado por Itamar, em companhia do fazendeiro José Lacerda, irmão do proprietário da charqueada. Chegou, combinou o salário, e ali permaneceu por trinta anos, de onde só saiu uma única vez, justamente para se casar, logo, porém, retornando ao batente onde dava conta de quase tudo que era tipo de mecânica.

   Na fazenda existiam dois caminhões, duas peruas Wiliams, um veículo pesado canadense com três diferenciais; um outro traçado. Tratores de Lâmina e esteira. Além de três aviões (que pousavam numa pista de 1.150 metros de extensão), três motores de popa (Archimedes e Johnson 35HP), diversos batelões, duas balsas.

   O carregamento de óleo diesel, gasolina, para abastecer os veículos e as máquinas, além de querosene, vinha de Corumbá, através do rio Paraguai. Também por água chegavam os gêneros alimentícios para abastecer o armazém, que também possuía muitas roupas.

   Quatro mil quilos de erva mate eram desembarcados no porto para ser vendidos aos peões, bem como para outras fazendas vizinhas. Durante os trabalhos no retiro e na lida com o gado, a erva era fornecida gratuitamente. O hábito de tomar o chimarrão e o tereré, nas localidades do Pantanal entre os peões e familiares, se explica as toneladas do produto no estoque da propriedade.

   Só de sal para alimentar o rebanho, eram compradas constantemente duas chatas, com 75 toneladas cada uma.

   Um total de 33 pessoas trabalhavam na matança, que começava sempre na madrugada. A grande maioria do charque produzido seguia para o Nordeste, especialmente a Bahia. Ao passo que os tambores, cada um com duzentos quilos de sebo, iam parar em São Paulo, onde viravam sabonetes, nas fábricas da Gessy e Levys.

   A Descalvados também atendia com o seu gigantesco rebanho outras localidades, a exemplo da Fazenda Coqueirão, pertencente ao abastado pecuarista Herculano Ribas, no interior de São Paulo, que chegava a adquirir de três a quatro mil cabeças.

   O Frigorífico Nossa Senhora Aparecida, de Bauru-SP, era outro que comprava o gado da fazenda, mil reses mensalmente para o abate. Todo o gado seguia por água nos boieiros e de Corumbá, nos vagões de trem pela estrada de ferro.

   Clarindo, o Careca, conta que “Seo” Luiz Lacerda certa vez quis saber como ele havia conseguido tirar 24 quilos de sebo de um animal, sendo que normalmente cada boi abatido ficava em torno de 21 quilos do produto. E, na dúvida, mandou então que fossem furados dez tambores para verificar se o sebo continha água. Qual não foi a sua surpresa, ao constatar que nenhum dos tambores inspecionados continha água. Era, segundo Careca, ao explicar ao patrão a tal façanha, “jeito e paciência na hora de colher o sebo”.

   Os empregados da fazenda moravam em várias casas de alvenaria com a cobertura em zinco. Sendo que os casados, residiam com a família separados, num total de quinze moradias, conhecidas por “galera”.

   Lembra que numa de suas viagens a São Paulo, transportou, em companhia do Sr. Nilo Rosa, no caminhão, cem porcos crioulos, entre machos e fêmeas para a Fazenda de Herculano Ribas. Lá chegando, foi recebido por Ene Lacerda, um dos herdeiros da Descalvados, que os esperava para levá-los para conhecer o Rio de Janeiro.

   Seguiram num veraneio, numa viagem bastante divertida e repleta de enorme expectativa, pois finalmente iriam conhecer a tal Cidade Maravilhosa.

   Clarindo ainda consegue aparentar entusiasmo com o passeio, em que pese o tempo em que ele ocorreu. Conheceu o mar, mas preferiu não entrar na água, só “molhou os pés”, e justifica: “O Ene evitava aquela imensidão d’água toda”.

   Bebeu cerveja na praia de Copacabana, conheceu o Estádio do Maracanã, onde assistiu o Santos de Pelé contra o Flamengo, time de coração do filho do patrão (Ene). Conheceu algumas boates. Em resumo, curtiu a valer a estada na Cidade Maravilhosa.

   Na volta à fazenda teve a oportunidade de apresentar toda sua inteligência, quando fez uma peça em ferro fundido para manter em funcionamento o motor Buda, responsável pela iluminação de toda área da matança.

   Contou na invenção da peça, com a ajuda do irmão Juca. Ambos passaram um dia inteiro lixando a nova peça, incrustando-a com um pedaço de bronze retirado de uma torneira.

   Pois bem, a invenção deu certo. Na primeira batida o motor voltou a funcionar para o bem da continuidade da indústria de charque que novamente voltou em ação, em pleno Pantanal.

   Antes, porém, ouviu o patrão lhe informar que já havia encomendado uma peça dos Estados Unidos. Ela chegou dias após, quando a construída pelo mecânico cacerense já estava funcionando, e muito bem. Ouviu do Lacerda a seguinte frase: “Você é mesmo um doutor”. Desde então, ganhou o apelido de “doutor Clarindo”

   Sua criatividade e inteligência nata, sempre estiveram ao lado de proprietários de lanchas, mascates que vez por outra estavam em dificuldade e chegavam na zinga para pedir socorro ao Careca no Porto da fazenda.

   Foi assim que socorreu Sebastião Cabeça – comprador de peles –, cuja embarcação havia pifado próximo à sede. Antes, deu um certo “cansaço” nele, pois segundo Careca, “Cabeça” anteriormente não lhe quisera vender um garrafão de vinho. “Só com ordem de “Seo Luiz”. Mas com a intervenção de dona Leilá mulher do patrão, a situação foi contornada, e ele, Careca, pode apreciar a sua bebida predileta.

   Desde então sempre que estava de passagem pela fazenda, Sebastião Cabeça lhe presenteava com uma caixa de vinho “Clarete Único”, fabricado no Sul.

Clarindo ao lado da filha


Posto de Correios e CEP próprios

   Descalvados foi certamente a única propriedade rural a ter Código de Endereçamento Postal, e Pista de Pouso homologada. O CEP era o 78.700, hoje pertencente à Rondonópolis.

   Hélio Vilasboas era o responsável pelo Posto do Correio Porto Descalvados que transmitia os comunicados recebidos nos bilhetinhos dos moradores, inclusive das fazendas próximas; comunicação transmitida para a agência central de Cuiabá, de onde era retransmitida para os destinos: Cáceres, Corumbá, Cuiabá, e até mesmo o Rio de Janeiro, onde residiam os familiares do fazendeiro.

   Dois horários em que as mensagens eram transmitidas: às 8 horas e às 15. Sistema de código Morse e posteriormente telefonia rural.

   O cacerense Hélio Vilasboas, com seus 84 anos, antes de partir, revelou que com quinze anos começou a trabalhar nos Correios, indicado pelo primo João Miralles Marinho, chefe da agência de Cáceres. Começou como mensageiro, entregador de correspondências.

   A seguir fez carreira. Transferido para Cuiabá, onde trabalhou por mais de seis anos, sendo que aos 25 anos foi transferido para a Fazenda Descalvados, por ser o único funcionário solteiro. Ali desempenhou as funções de telegrafista, sempre transmitindo e recebendo mensagens, num trabalho bastante rotineiro e tranquilo, segundo ele próprio revela.

   Constantemente se comunicava para pedir navios boiadeiros da Bacia do Prata, quando a boiada já estava presa, pronta para ser transportada para Ladário-MS, e de lá, seguir para São Paulo através de vagões de trem.

   Na Fazenda, Hélio trabalhou por trinta e dois anos, onde inclusive, acumulou também as funções de gerente da Fazenda, em substituição ao Sr. José Otávio Brant, que com a idade avançada, deixou as funções na fazenda e se mudou definitivamente para Cáceres.

   Além de atuar nas transmissões, o dedicado funcionário tinha a incumbência de diariamente verificar a altura do nível das águas do rio Paraguai e a densidade das chuvas (pluviometria). Esses dados eram enviados para a Estação Meteorológica em Campo Grande.

   Lembra que a estação das cheias se verificava regularmente nos meses de janeiro, fevereiro e março, época da chuvarada, quando segundo ele, o Pantanal “bufava”, mas nem por isso, causava maiores transtornos à localidade.

   Algumas fazendas próximas ficavam completamente ilhadas, e aí, os proprietários recorriam à sede da Descalvados para adquirir gêneros alimentícios que eram transportados em enormes batelões.

   Se a situação ameaçava complicar, entrava em ação uma bem montada patrulha composta por doze tratores de esteira, que na maior parte do ano, ficava encostada. Somente na chuvarada as máquinas eram acionadas para promover desvios das águas, elevar o nível próximo às invernadas, evitando assim, que o gado perecesse.

   Durante dez anos Hélio Vilasboas comandou a gerência da fazenda. Fazia a folha de pagamento dos empregados, distribuía o dinheiro em envelope, repassava as ordens do patrão, quando este se encontrava no Rio de Janeiro, e tinha a posse dos talões de cheques assinados, numa evidência da confiança que a direção da fazenda tinha para com o mesmo.

   Com essas funções, ele ainda tinha tempo para transmitir e receber as mensagens telegráficas, e ajudar no período noturno na matança; era o responsável pela pesagem de toda carne e do couro das reses abatidas. Ainda socorria os enfermos aplicando injeção, pois conforme revela, tinha alguma noção de enfermagem. Controlava o estoque do armazém e algumas vezes ainda fazia a compra das mercadorias.

Sino anunciava horários das atividades na fazenda

   Com inúmeros funcionários e diversas equipes de trabalho, a religiosidade no horário era fundamental para o bom andamento das atividades cotidianas da grande indústria.

   Assim que às 06 horas acontecia o primeiro toque de um pesado sino, anunciando o início das atividades do dia.

   Às 08 horas, novamente se ouvia o estridente sino, anunciando que todos estavam sendo convidados para o quebra-torto. Numa enorme mesa à disposição dos empregados, leite, café, bolacha, carne com arroz, farofa de ovo, paçoca e outras sustâncias eram servidos.

   A parada para o reforçado primeiro alimento do dia durava trinta minutos. Às 8h30, novamente o sino entrava em ação, era o momento do retorno às atividades.

   Às 11 horas, o almoço, seguido da sesta. Às 13 horas, início das atividades no período da tarde. Às 15 horas parada para café, tereré e o guaraná, cada um livre para fazer a opção, conforme o gosto. Às 17 horas, encerramento da jornada do dia quando o numeroso grupo de trabalhadores se dirigia de retorno às suas casas.

Como se observa, os funcionários/peões eram mesmos guiados pelo sino.


Ene Freire de Lacerda. Um dos filhos do abastado fazendeiro. Aqui ao lado da primeira mulher, a corumbaense Dona Leilá. Ambos falecidos.

   No período noturno, as residências que já contavam com o serviço de água encanada, recebiam também energia elétrica, através de potentes geradores. Estes só eram desligados por volta das 23 horas, ou melhor, somente quando tudo estivesse em ordem e organizado na Casa Grande (sede). Agora se no amplo e bem arejado salão o carteado estivesse em ação, o gerador só parava de roncar por volta das duas ou três da manhã. Ficava um funcionário de plantão, esperando a ordem partir do sempre disposto, alegre e divertido Ene Lacerda.



Trançador de laço e amansador de cavalo chucro

   A fala é mansa. A memória bastante precisa. Assim, primeiramente se observa o cacerense Ciro Batista da Cruz, aos 81 anos. Foi outro que nos recebeu para contar um pouco das ricas histórias, da sua não menos preciosa passagem como peão desta, que foi considerada a maior Charqueada do Pantanal Mato-grossense.

   Montou em cavalos desde os onze anos. Mas foi somente aos trinta, já homem feito e maduro, que foi convidado por Clarindo para trabalhar na fazenda de Luiz Lacerda. Integrava a comitiva dos capatazes Tomaz, Mané Costa Cruz, João Costinha, com mais outros onze companheiros.

   Já de madrugada, estava à espera de mais um dia da lida no campo, trançando laço. Era mesmo um especialista na arte de confeccionar a “traia” principal do vaqueiro. Ciro Cruz cansou de trançar laços de doze braças (aproximadamente vinte metros de comprimento), um trabalho artesanal que exigia sabedoria e paciência. As quatro tiras de cordas (tento) extraídas do couro do boi iam se ajeitando e dando forma a uma corda fortíssima, que quando pronta, suportava toda a fúria de um baguá numa espetacular laçada.

   Lembra “certa feita” de ter feito um laço para o filho do fazendeiro, Ene Lacerda, e ganhou deste um  pelego “bonito e bom” . Garante que o equipamento ficou pronto em vinte e quatro horas para a  surpresa de toda companheirada do galpão.

   Ciro também, a exemplo de outros peões da fazenda, foi “convocado” algumas vezes para amansar cavalos chucros. Segundo afirma categórico, nunca teve medo. Caía a primeira vez; na segunda montaria já conseguia segurar toda a fúria do “bicho” que na terceira montada já “tava quebrantado”, e pronto para ser utilizado no dia a dia de campo.

   O cotidiano da lida na Descalvados era bastante tranquilo, conforme se observa nas revelações e lembranças dos entrevistados. Na época da seca, as comitivas saiam na madrugada para trabalhar o gado. Algumas vezes Ciro Cruz ocupava o tempo, cuidando mil bois de três anos na engorda, que mantinha no Porto Coronel Gualter e ali permanecia até o rebanho adquirir o peso ideal para ser abatido na charqueada.

   Nesse local de calmaria total, garante ter visto muito réptil perigoso, a exemplo de boipeva, jararaca do brejo, cascavel. Porém, “graças a Deus nunca fui picado”. Ele conta que nesse local viu mais de uma vez, sucuri engolindo capivara, jacaré e pássaros. Segundo garante, a sucuri costuma atrair suas presas, que ficam inertes à sua frente até serem completamente engolidas.

   Época da cheia no Pantanal o gado disputa os locais mais altos dos capões onde passam a noite. Pela manhã, voltam a pastar o capim de dentro da água e nesse árduo exercício permanecem, até a aguada começar a baixar.

Nesse ínterim à espera da seca, a peonada transita pelo pântano em canoas e batelões fiscalizando os rebanhos. Tempo em que pescam pacu na flecha artesanal feita de paratudo ou jenipapo.

   Em mais de trinta anos do estafante trabalho de sol a sol, Ciro Cruz ainda se emociona e diz ficar arrepiado em trazer novamente à memória, uma cena terrível que vivenciou. Foi quando um avião monomotor que vinha de Corumbá pilotado por Walter, o guarda livro José Otávio e o mecânico Elídio Picolomini caiu na cabeceira da pista da fazenda. Mesmo tendo a aeronave batendo de bico ao chão, a vida de seus ocupantes foi preservada num lance de pura sorte.

   Ele para, pensa e volta a recordar dos primeiros anos de luta na fazenda. Tempo que os nativos ficavam desconfiados com a presença de um “intruso” entre eles. Aí segundo revela, teria que desdobrar ainda mais na lida com o gado até ganhar também, a confiança deles, que passavam a ser de fato, companheiros na pesada e estafante lida diária. Antes segundo ele, “puxava de um lado e a turma da casa puxava pra outro lado”, risos.

   Eles comentavam indignados que o patrão tinha era que colocar o “criolo de capataz, não esses que vêm de lá”.

   Ciro Cruz sacode a cabeça e parece inconformado. E está mesmo: “duma hora pra outra acabou tudo, não sei por quê”, certamente não terá resposta para esse seu inconformismo que também foi de outros que com ele, viveram os dias de glória da grande charqueada.

   Principalmente daqueles nativos que nasceram e se criaram na fazenda e nunca saíram do lugar onde tinham de tudo que precisavam para a manutenção. De uma hora pra outra estavam sem nada, e, a maioria deles em idade já avançada, teria então que começar do zero uma vida, num lugar onde jamais pensaram um dia morar, a cidade.

Urnas funerárias encontradas nos campos do Pantanal

   As urnas funerárias deixam à mostra um passado ainda intrigante na Fazenda Descalvados, conforme revelações de antigos funcionários da localidade, especialmente alguns peões que deram a vida no lugar.

   Próximo à sede onde era a leiteria na localidade conhecida como “Jacaré”, enormes urnas eram vistas e os locais demarcados com paus e galhos para mostrar o iminente perigo de acidentes com os animais montados.

   No campo da Fazenda Santa Rosa, por exemplo, foram vistos vestígios humanos, como ossos e crânios além de adereços indígenas que poderiam ser colares. Curiosas pedras, “cristais” avermelhadas. Conforme relatos de moradores antigos dessas localidades.

   Alguns nativos aproveitavam as urnas menores – talvez as utilizadas para os funerais de crianças –, as desenterravam e passavam a utilizar no armazenamento da chicha (bebida típica dos indígenas, que utiliza a mandioca puvada numa mistura com água, açúcar e milho torrado).

   O recipiente era fabricado com barro super-resistente que chama atenção pela dureza com que suportava ficar enterrado em área alagadiça, por anos e anos e permanecer intacto, sem deteriorar com a umidade do local.

Registro de Nascimento garantiu a cidadania

   Uma parcela considerada, da população da fazenda, entre velhos e crianças, não tinha sequer o registro de nascimento, portanto, inexistia como gente.

   Foi então que o fazendeiro solicitou o empenho do tabelião do Cartório do 2º. Ofício, Edgar da Silva Rondon que prontamente o atendeu, enviando as funcionárias Helena Ferreira da Costa e Joaquina Mendes, que de avião voaram para a movimentada sede e lá passaram a promover o registro daqueles que até então não eram reconhecidos como gente.

   Velhos, crianças de todas as idades e até mesmo os recém-nascidos, foram catalogados no livro próprio e a partir de então, passaram a ser de fato e de direito cidadãos descalvadenses. Aproximadamente umas duzentas pessoas ganharam o importante documento, que as reconheciam finalmente como verdadeiros cidadãos do Pantanal Mato-grossense.

   O ato evidenciou o trato como o patrão costumava lidar com os seus empregados e a família destes. Todos ficaram bastante orgulhosos com o documento obtido e lavrado, do punho das duas cartorárias, que promoveram verdadeiro mutirão da cidadania em pleno Pantanal no ano de 1973.


João Costa, o João Costinha, 83 anos – trabalhou na Fazenda Descalvados no período de 1963 a 1968. Segundo ele, ganhava um ótimo salário: 3.000 cruzeiros por mês na lida com o gado.





Comentários: ( 13 ) cadastrados.
Por: Abel Donato Deluqui
São Fidélis/RJ
Li e me lembrei das férias estudantis de julho/dezembro quando eu viajava nas Lanchas do meu saudoso pai Zulmiro Deluqui(Itapoa/Reptilia/Oceania) e paravamos na Fazenda Descalvados, Santa Rosa e sendo que o meu pai fazia o percurso constantemente entre Cáceres/Corumbá/Cáceres exercendo a atividade de transporte, mascate e comora de peles de animais. Ja por outro lado tambem conheco o Clarindo, que é também o padrinho de minha irmã Zilda, que reside em Ariquemes/Rondônia.
12/09/2020 21:05:16

Por: Augusto Ribeiro Neto
Itajaí SC
Que alegria ler sobre esse lugar em que passei os melhores anos da minha infância. Conheci da Pescaria (próximo à Caceres) até o retiro São Jorge após Descalvados no rumo de Corumbá. Eu e Ene crescemos juntos. Tantas histórias vivemos, quanta aventura e quantos porres depois de adultos. Ene foi um irmão muito querido. Seu Luiz e D Alicinha, amigos queridos, tivemos aventuras juntos, também, nessa fazenda. Vc citou alguns retiros mas eram tantos: São Jorge, Santo Antônio, São Sebastião, São Pedro, Santa Rosa, Quebra Prato, Bombilha, Retirinho, São Judas, Presidente, Pescaria, Bracinho, Sucuri de São Salvador. Por todos andei a cavalo, de avião,Jeep ou caminhão. Muitas lembranças e saudades imensas.
03/09/2020 19:18:49

Por: Beto de Oliveira.
Cáceres MT
Parabéns Belíssima História, tive o previlegio de conhecer a fazenda Descalvados pessoalmente. "in loco".
03/09/2020 01:37:49

Por: Suzanna Jatahy
Rio de Janeiro
Esse relato de Descalvados me emocionou. Papai, amigo do “Seo “Lacerda,brigadeiro Jatahy , sempre nos contava, suas filhas, a beleza de Descalvados e do carinho que ele e mamãe tinham pela família Lacerda.
Estive uma vez, como caçula e criança, lembro muito da casa , do banho no rio e dá criançada com quem brincava. Minhas irmãs voltaram mais vezes. Muitas vezes estive com Seu Lacerda e Dona Alicinha aqui no Rio e em NYC onde morei.
Eles partiram, mas deixaram nossas familias unidas para sempre.
02/09/2020 18:03:28

Por: Anônimo

Fantástica esta narrativa!
Não conheço a fazenda Descalvado, mas, já ouvi falar da família Lacerda.
Isso tem que virar uma novela de primeira grandeza.
Mato Grosso tem uma cidade chamada de Pontes e Lacerda. Isto tem tudo a ver com a familia lacerda.
Que tal aprofundar no seio dessa família?
Familia Lacerda, vamos em frente!!!!!
01/09/2020 20:42:45

Por: Evanildo Aguirre
Cuiaba/MT
O meu pai (Comandante Orlando Aguirre)foi um dos pilotos dos avioes citados nesta narrativa.Tinha grande admiracao e razoes de agradecimento pelo e ao Sr.Luiz Lacerda razoes pelas quais convidei este ultimo para ser meu padrinho de casamento em1979.Ele compareceu vindo especialmente do Rio de Janeiro cujo fato muito me alegrou pois meu pai já havia falecido nessa data.Compreendi com esse provilegio a admiracao do meu genitor pelo Sr Luiz Lacerda.Lembro de tudo isso (hj conto com 66 anos) com muita ccrateza e saudades.
01/09/2020 20:33:43

Por: Nivaldo Teodoro de Mello
Cáceres MT
Parabéns pelo resgate histórico. Temos acolhido no Lar das Servas de Maria dois ex funcionários da Fazenda Descalvado na era Luiz Lacerda: dona iria foi cozinheira e seu Leonardo peão de campo. Ambos falam muito bem de Luiz Lacerda.
01/09/2020 19:07:10

Por: LUIS EUGENIO LACERDA DE BARROS
Angra dos Reis
Ene nao é o filho mais velho, e sim o mais querido...A filha mais velha igualmente querida é Eny Lacerda...Ainda viva e a matriarca de tds os descendentes
01/09/2020 17:29:33

Por: Salvador C. Arruda
elo Horizonte-MG
Com essa reportagem um filme passou pela minha cabeça...Fazenda Santa Rosa, São Judas, Quebra Prato...Porto Lacerda...Meu pai Ventura, minha mãe...campos e boiada. Conhecí todos da reportagem e tinha muita gente que trabalhava nessas fazendas.. Valeu pela reportagem.

01/09/2020 04:06:55

Por: Luis Eugenio Lacerda de Barros
Rio de Janeiro
Boa noite ! Ótima e verdadeira matéria ... sou filho da falecida Edi lacerda de Barros , filha do Luiz Lacerda ...OBGD.
31/08/2020 18:09:43

Por: LUCAS RIBEIRO
RESENDE RJ
TONINHO ,ESTA REPORTAGEM SOBRE A FAZENDA DESCALVADO E TAMBÉM SOBRE SEU MAIOR PROPRIETÁRIO, LUIZ LACERDA É UMA VIAGEM NO TEMPO
PARABÉNS.
31/08/2020 16:03:05

Por: Neuza Zattar

Parabéns ao Toninho pelas narrativas dos entrevistados que fizeram história na fazenda Descalvados.
31/08/2020 13:31:15

Por: Emilson Pires de Souza
Cáceres Mt
Trabalho de fôlego. Parabéns Toninho e Wilson
31/08/2020 10:49:47

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