13/04/2020 - 09:00

Por: Antonio Costa / Zakinews

Estádio Geraldão, 45 anos de inesquecíveis emoções


 

Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews


   Ao complentar 242 anos no próximo 06 de outubro, Cáceres também estará comemorando os 46 anos do Estádio Luiz Geraldo da Silva, ou simplesmente Geraldão, uma das principais praças esportivas do estado, e que num passado recente sediou grandes eventos.

   Através dos registros obtidos pela reportagem, o nosso diretor Wilson Kishi conseguiu levantar em seu primoroso banco de dados, incluindo material inédito do seu saudoso pai, fotógrafo Akio, fontes fotográficas e impressas importantíssimas, verdadeiras relíquias históricas, que encerram dúvidas até então, a respeito da construção da principal praça de esportes de Cáceres.

   Conforme página do mais antigo jornal do estado em circulação, o Correio Cacerense, que nasceu do lema - Unir para Construir - de seu fundador, médico veterinário José Wilson de Campos, a ideia de se construir um estádio de futebol para Cáceres, teve a decisão do então prefeito o médico José Monteiro da Silva, que veio a falecer no ano de 1971.

Edição do Jornal Correio Cacerense, nº 121, de 05 de março de 1970


O novo estádio se chamaria O Cacerense

   Através do saudoso cronista esportivo Eduardo Benevides Lindote (professor de História da rede estadual), o Correio noticiou em 05 de março de 1970, edição 121, que o prefeito José Monteiro e um grupo de desportistas entre os quais o presidente da Liga Esportiva Cacerense, dr. Ernani Lelis; Luiz Antonio Pouso, Juracy Marcelino de França, Aroldo Leite, Delamares de Matos, Adalton Macedo, fotógrafo Akio Kishi, e a imprensa, visitaram no bairro do Junco a ampla área aonde o novo estádio de Cáceres, “O Cacerense” seria construído.

   Ainda conforme a matéria, de cinquenta anos atrás, foi no dia 28 de fevereiro de 1970, a solenidade que marcou o ato em que o prefeito José Monteiro repassou a área de 140 metros de frente, por 250 metros de fundo, localizada no bairro do Junco, em frente a extinta Indústria Mogno, à Liga Esportiva Cacerense. Deveria a Codemat - Companhia de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso, entrar com uma ajuda de 96 milhões de Cruzeiros velhos para as obras iniciais da construção do estádio Cacerense.

Edição do Jornal Correio Cacerense, nº 258, de 16 de julho de 1971



Antigas atas da Liga trazem preciosas informações

   A confecção deste material acerca da historicidade do Estádio Luiz Geraldo da Silva (Geraldão), nasceu do conhecimento deste próprio jornalista, que inclusive, esteve no dia da inauguração. “Lembro-me perfeitamente que o primo de minha saudosa mãe Odete, Ivo Lopes era funcionário da Prefeitura de Poconé, e coube ao mesmo, chefiar a delegação poconeana para cumprir nesta cidade o jogo festivo da inauguração do estádio. Lembro-me também das precárias condições do terreno de jogo, completamente enlameado, haja vista, a grama ter sido plantada recente. Recordo também de uma marcante e inesquecível festa que até hoje é considerada uma das maiores da história de Cáceres”.

Imagens das Atas da LEC, enviadas via WhatsApp pelo historiador Sandro Miguel de Paula. A história do futebol cacerense estão nesses registros da Liga Esportiva Cacerense, fundada em 31 de março de 1947



  
Conforme já foi revelado no início da matéria, o pai do nosso diretor Wilson Kishi, como fotógrafo profissional, fez no dia da inauguração preciosos registros, que vieram servir de fontes de informação.

   Assim como os recortes do jornal Correio Cacerense onde por anos o editor esportivo, professor Eduardo Benevides Lindote atuou como um ferrenho defensor da construção do estádio.

   No fechamento da edição, veio a descoberta de antigas atas da Liga Esportiva Cacerense, que historiador Sandro Miguel de Paula nos disponibilizou prontamente. A reportagem agradece a disponibilidade do mesmo em fornecer as preciosas informações que possibilitaram tirar algumas dúvidas além de enriquecer a matéria comemorativa dos 45 anos do estádio.

   As atas da Liga Esportiva Cacerense apontam que: em 25 de janeiro de 1970, assumiu a entidade o advogado Ernani Lucas Lélis; o vice também advogado, o cacerense Hênio Maldonado. Na oportunidade este sugere que o novo estádio de Cáceres se chamaria Alberto da Silva Zattar. Atuante e destacado desportista.

   Ao final do ano a Liga passa a ser presidida pelo militar do EB, subtenente Valter Ricarde Sander. Este continua a campanha pela construção do estádio, mas sugere que a nova praça de esportes se chamaria “O Cacerense”.

   Os registros apontam que do ano de 1969 para 1970, ganhou impulso o sonho dos antigos desportistas pela construção do estádio. Inclusive, lembro-me que o advogado Hênio Maldonado me revelou que coube a ele procurar uma área aonde o estádio pudesse ser erguido, e o terreno escolhido foi o da Avenida São Luiz com o Junco, ao lado da BR.

A área doada foi totalmente murada para a inauguração


  
A princípio a área era considerada imprópria. Alagava, tinha muitos murundus e necessitava ser desmatada. Mas com precisas e definitivas intervenções do DNER e da Codemat, que fizeram trabalho de canalização e aterro nas proximidades, e no bairro Marajoara e no Jardim do Trevo, tornou viável a construção na área anteriormente escolhida.

   Das verbas iniciais prometidas pela extinta Codemat, ficou só na promessa. O único recurso garantido para o início da construção, veio graças a primordial ajuda do então governador José Fragelli. Em telegrama enviado ao presidente da Liga, Edvard França do Amaral, datado de 26 de setembro de 1972, o presidente da Federação Mato-grossense de Desportos, Agripino Bonilha Filho, comunicava ao dirigente que em almoço com o governador, este havia garantido 100 mil cruzeiros para as obras iniciais do novo estádio de Cáceres.

   Verba liberada a prefeitura gerenciou o referido recurso. Um outro convênio com o Ministério dos Esportes em Brasília, foi fundamental para a concretização da tão sonhada obra.

Placa de identificação da obra, com Convênio com o Ministério da Educação e Cultura (MEC)



  
Lançada a pedra fundamental daquela que mais tarde viria a ser a principal praça esportiva de Cáceres, o prefeito que teve a ideia original da histórica construção, veio a falecer no ano de 1971. Em seu lugar assumiu o então vereador e presidente da Câmara, farmacêutico José Souto Faria (Zefão), que somente permaneceu no cargo durante quinze dias, até que fosse nomeado o dr. Luiz Marques Ambrósio.

   Zefão voltou a assumir a prefeitura em 15 de setembro de 1973, ainda na condição de presidente da Câmara, em razão do dr. Luiz Ambrósio ter sido nomeado para Conselheiro do Tribunal de Contas de MT. Em 16 de setembro de 1974, o governador José Fragelli, oficializa a nomeação de Souto Faria como prefeito de Cáceres, até um ano depois, ou seja, 1975.

Prefeito Zefão recebe a missão de erguer o novo estádio

   Ao deixar a Câmara Municipal e ter que assumir a prefeitura, José Souto Faria deu continuidade aos projetos já em andamento deixados pelo seu antecessor, o médico José Monteiro, entre os quais estavam a construção do tão sonhado estádio de futebol para Cáceres. Como desportista e amante do futebol, Zefão teve a ajuda primordial do seu secretário de Obras, Renato Vidal Garcia, outro grande incentivador do futebol amador de Cáceres, fundador do Esporte Clube São Vicente, “terror” do bairro do Junco, equipe alvinegra do centroavante Geraldão, do goleiro Formigão, meio campista Quequé e tantos outros.

Secretário de Obras, Renato Widal Garcia, acompanhando os serviços de plantio de grama no campo de futebol



   
A pressa pela construção da nova praça esportiva aumentava ainda mais pelo fato das equipes locais não terem um campo oficial para a prática futebolística. O até então estádio Alfredo Dulce, que se localizava na área central de Cáceres nos cruzamentos da Rua Padre Casimiro com a Marechal Deodoro, palco de memoráveis jornadas com tradicionais equipes como Rei, Momento, Cacerense, Humaitá, Mato Grosso, Oriente, UBSSC, Mixto e Comercial, havia sido vendido pela família Dulce.

   Local de tantas glórias a área do antigo estádio foi vendida ao empresário Manoel Jorge Ribeiro (Manoel Português) para que mais tarde fosse construído em Cáceres o primeiro Supermercado Juba, da família empreendedora.

   Órfãos de um estádio, as equipes locais se perambulavam pelos campos do 6º. BFron, do Junco, e Manoel Bernardes de Assunção (DNER), para cumprirem jogos da Liga Esportiva Cacerense.

Antes da inauguração, o prefeito José Souto Faria faz pose em frente a entrada principal do Estádio Geraldão, acompanhado do secretário de Obras, Renato Widal Garcia (com chapéu na mão) e o então suplente de vereador Yoshio Hayashida (Mário Japonês), acompanhando os retoques finais da obra.


  
Com o firme propósito de dar um basta nessa incômoda situação dos times, Souto Faria e o seu homem forte na Obras, Renato Garcia, passaram a se dedicar intensamente nas obras de construção do novo estádio para Cáceres. O craque Carlos César Ourives, o Canhento, um dos principais atletas da história cacerense, recorda que ele esteve ao lado do prefeito José Souto Faria, secretário Renato Garcia, do então presidente da Liga Esportiva Cacerense, sargento Sander, Antonio Dias do Espírito Santo (Totó Caramujo), e Alberto Zattar, delimitando os quatro cantos da ampla área onde seria erguido o estádio, fincando as estacas demarcatórias.

Sonhos e luta de grandes desportistas

   A ideia de construção do novo estádio, como se observa através da história, contou com sonhos e desejos de muitos desportistas entre autoridades e outros abnegados quase sempre mantiveram acessa a chama do progresso e do desenvolvimento local, alimentando o foco e a luta quanto puderam para essa concretização. Foram muitos os registros do professor Eduardo Benevides Lindote, sempre cobrando a construção do estádio... ele conseguia ter outros seguidores na caminhada por esse ideal.

Edição do Jornal Correio Cacerense, nº 258, de 18 de julho de 1971



  
Basta lembrar que foi o antigo cronista esportivo que incentivou o atleta número um da história de Cáceres, o maratonista e boxeador Aloísio Ângelo Garcia, Xá Rozona, ou o Kid Relâmpago do Pantanal, em 19 de julho de 1971 a percorrer a pé o trecho entre Cáceres a Cuiabá, para reivindicar um estádio para Cáceres. (Essa histórica passagem do referido atleta foi contada nas páginas de Zakinews, recentemente. Veja AQUI).

   Campanhas foram veiculadas nas páginas do jornal Correio Cacerense, onde setores do comércio abraçavam a proposta de construção pedindo que todos acreditassem na ideia e somassem forças por esse objetivo que era de todos os amantes do futebol. Tanta insistência o sonho virou realidade.

06 de outubro de 1974 o grande dia da inauguração

   Finalmente chegou o grande dia do esporte de Cáceres receber o maior presente de sua história até os dias atuais. Coroado o esforço de autoridades, desportistas e a população que souberam engajar definitivamente na proposta da construção da obra do sonhado estádio.

   No dia que a cidade completava seus 196 anos foi a inauguração que ganhou todas as manchetes do estado e da extensa região. Cáceres ainda era mãe de toda região Oeste, pois as chamadas glebas ainda não haviam sido emancipadas. Desse modo a população do município girava em torno de 90 mil habitantes, a terceira do estado. Um público estimado em quatro mil pessoas lotou as dependências do estádio, o semblante era de uma felicidade sem tamanho.


A Seleção Cacerense e o Comercial de Poconé adentram ao Estádio para a solenidade de inauguração do Estádio Geraldão
Prefeito José Souto Faria cumprimenta a Seleção Cacerense no jogo de Inauguração do Estádio Geraldão


  
O prefeito José Souto Faria, secretário de Obras Renato Widal Garcia, se dirigiram aos vestiários para convidar as Seleções de Cáceres e a de Poconé para adentrarem ao gramado, ainda em formação. Na noite que antecedeu a inauguração choveu bastante, isso contribuiu para que o terreno de jogo ficasse bastante enlameado, e, em outras situações, certamente que a arbitragem não daria condição de jogo.

Na grande festa, houve desfile de equipes amadoras de futebol masculino e feminino, time de beisebol de Cáceres e fanfarras da cidade e do Colégio São Gonçalo de Cuiabá, além de salto de para-quedas. A Banda do 2º Batalhão de Fronteira também abrilhantou o evento



  
Coube ao francês padre Ives Terral, dar a benção ao novo estádio, as duas seleções, assim como autoridades, torcedores e equipes locais que participaram de um histórico desfile antes da bola rolar. Houve também salto de paraquedas e um grande foguetório.

Padre Ives Terral, vigário da Paróquia de São Luiz, ao lado do secretário de Obras, Renato Widal Garcia na solenidade de Inauguração


  
Frente a frente estavam orgulhosos os atletas integrantes das duas seleções representativas das cidades irmãs Cáceres-Poconé. Goleiros Odair e Hugo; João Batista, Brito, Nélio Boião, Dito Porcaria, Luiz Ribeiro (Três Nariz), tenente Souza, Canhento, Gilberto Mineiro, Saci... Do lado poconeano sobre o comando do maestro Quatá desfilavam os talentos de seus irmãos Zé Eres e Joãozinho; além de Joanil, Rondon, e outros.

   Partida equilibrada e muito disputada mostrou equilíbrio de forças ao longo dos noventa minutos, ninguém mexeu no placar. Na cobrança das penalidades máximas, vitória de Poconé por 3 x 2.   

Após empate sem gol e vitória nos pênaltis por 3 X 2, Quatá da Seleção de Poconé recebendo a Taça de Inauguração do Estádio



Os ex-atletas se lembram emocionados do festivo dia

   A reportagem do Zakinews procurou ouvir alguns atletas do passado que participaram da grande festa inaugural do estádio de Cáceres, que pelo menos naquele festivo dia pela manhã.

   Carlos César Ourives, o Canhento, craque do passado, recorda emocionado daquela festiva data. “Todos tivemos orgulho de participar da seleção. Recordo da festa até hoje...a nossa cidade fazia por merecer o estádio”. Canhento, 68 anos, não se conforma com a atual situação de abandono com que toda a estrutura do Geraldão está a cada dia se deteriorando.

   Outro ex-atleta que participou da inauguração do estádio foi o ex-goleiro Odair Egues, estreou no gol da seleção cacerense nem mesmo sabendo se seria o titular. Conta que ao entrar em campo foi saudado por alguns amigos e familiares que gritavam “Odair-Odair-Odair”. Vendo aquela manifestação o treinador sargento Edson decidiu; “você vai pro jogo”. Ele era o mais novo da turma, 18 anos. Odair é atualmente o Gerente-executivo do INSS em Mato Grosso, hoje é só saudade dos tempos da bola quando fechava o gol das equipes locais, a começar na adolescência quando já se destacava no Campinho do Fede-fede.

   Vem de Poconé a recordação da memorável data de 06 de outubro de 1974. No dia da inauguração com 24 anos de idade, Gonçalo Martins da Silva, ou simplesmente Quatá era o capitão dos poconeanos. Meio campista de muito talento, está para o futebol de sua querida Poconé, assim como Canhento está para Cáceres.

   Aos 68 anos de idade, Quatá disse lembrar muito do dia da inauguração: “travamos um duelo interessante no meio de campo. Eu já conhecia o Canhento no 2º. Batalhão de Fronteira aonde eu servi. Eu era da CPP e ele da CCS”.  Em meio a emoção e saudade dessa época, Quatá garante ter feito muitos amigos em Cáceres, Canhento é um deles.

Quem foi Luiz Geraldo da Silva...

3º Sargento do Exército Brasileiro, Luiz Geraldo da Silva



  
A homenagem do nome Luiz Geraldo da Silva, (Geraldão) ao estádio, foi uma indicação do, então vereador, Dr. Hênio Maldonado, como forma de gratidão ao sargento militar que serviu no 2º. Batalhão de Fronteira. Mineiro, destacado atleta, filho de Walter Jeffery e Silva, e de Cemírames Silva. Integrou a Força Expedicionária Brasileira e foi lutar na Itália durante a 2ª. Guerra Mundial.

   Consta nos arquivos do exército, que o militar estava comandando uma patrulha na constatação de posições inimigas, quando foi alvejado por rajadas de metralhadora, isto em 25 de março de 1945. Seu corpo está sepultado no Cemitério Militar de Pistoia, quadra 3, fileira 6, sepultura 64.

 

Rogério Ceni estreou no Geraldão com 17 anos

Web
Rogério Ceni

   
O paranaense de Pato Branco, Rogério Ceni, que se tornou o goleiro artilheiro, com 131 gols na carreira e titular absoluto do São Paulo por duas décadas. Ele, com apenas 17 anos de idade, em 1990, fez sua esteia no futebol profissional defendendo o Sinop FC em jogo do Estadual Mato-grossense no Geraldão frente ao Cáceres EC.

   Era o terceiro goleiro do time do Norte de Mato Grosso, mas em razão de uma urgência, o então técnico Nilo Neves foi obrigado a lançar o jovem goleiro justamente no Estádio Geraldão, Rogério Ceni saiu-se tão bem na oportunidade que acabou pegando um pênalti batido por Jacildo. O Sinop venceu por 1 a 0 no dia 15 de abril de 1990, dia de sua primeira partida no futebol profissional e conquistando o título estadual daquele ano. Em 1991 foi adquirido pelo São Paulo FC onde permaneceu até se aposentar.

 

As transformações ao longo dos anos

   Em seus 45 anos de existência, o Geraldão passou por transformações que lhe colocaram no topo do interior como um dos melhores do estado. Em 1991, quando o Geraldão completava 17 anos, o governador Jaime Campos, atendeu pedido do então vereador Wilson Kishi, e colocou o estádio em condições de receber jogos noturnos. Vale lembrança, de uma partida noturna no Geraldão, da emocionante vitória do Cacerense Esporte Clube contra o Atlético-GO, válido pelo Campeonato Brasileiro - Série C, por 2 X 1, de virada.

 
Indicação do vereador Wilson Kishi é atendida pelo governador Jayme Campos e o Estádio Geraldão ganha sua iluminação no dia quem que comemora 17 anos da sua inauguração e 213 anos de aniversário de Cáceres



 
  Outras ações, principalmente no período dos anos 2000 até 2012, o município recebeu emendas parlamentares do deputado federal Pedro Henry, do senador Antero Paes de Barros e atenção especial do governador Dante de Oliveira. As arquibancadas com pranchões de madeira da época da inauguração e a cobertura de zinco, deram lugar a amplas arquibancadas de cimento nos quatro lados do estádio; vestiários subterrâneos; cabines de imprensa; ampla área de estacionamento em toda área externa; praças externas na entrada principal assim como também aos fundos.

   Foram intervenções de representantes políticos locais a exemplo do ex-prefeito Walter Fidelis, Túlio Fontes e Ricardo Henry, e de vereadores desportistas, como José de Souza Brandão e Antonio José Ferreira da Costa, também contribuíram para o melhoramento da estrutura física do Geraldão.

Palco de inesquecíveis eventos

   O estádio sediou grandes eventos: a estreia da primeira equipe profissional da cidade, o Cáceres EC no ano de 1977. Jogos com equipes profissionais de Campo Grande, a exemplo do Operário FC e Comercial, tempo em que o estado não era dividido.

Fotografia extraída da revista PLACAR, nº 375, de 01 de julho de 1977, mostrando o Geraldão e citando uma grande renda de 44.500 Cruzeiros na partida entre Cáceres e Operário de Campo Grande/MS



  
O público também pôde acompanhar a participação do Milionários FC (equipe formada por ex-atletas profissionais dos grandes clubes do país), a exemplo de Garrincha, Dudu, Edu, etc. O craque Zico também desfilou seu talento no estádio, oportunidade em que veio lançar aqui a sua escolinha de futebol.

Paulo César, Capitão do Cáceres, Garrinha, goleiro Nelson e o garoto é Marcelinho Fanaia, formado em engenharia florestal e é funcionário do Indea/MT


  
Mas as duas marcas de destaque na maior praça esportiva de Cáceres e de toda região Oeste, aconteceu com as duas conquistas estaduais do Cacerense; campeão da Copa Mato Grosso em 2006; campeão Mato-grossense de 2007, oportunidade em que aproximadamente 10 mil pessoas viram o jogo em que a fera da fronteira bateu o Grêmio de Jaciara por 2 a 0 e ficou com o título estadual.

Time do Cacerense Esporte Clube, do presidente Clóves dos Santos, conquista dois títulos estaduais dentro do Estádio Geraldão> Em 2006 é Campeão da Copa Governador do Estado e 2007 levanta a Taça de Campeão Estadual com público estimado em 10 mil torcedores


  
Muitos atletas revelados por equipes amadoras locais se destacaram ao longo desses anos no referido estádio: Canhento, Brito, Florentino, Gilberto Mineiro, Dito Sthil, Baianinho, Jacildo, Rivair, Jonizinho, Gringo (Capacete), Everaldo Lipi, Roney, Lopes, Valmir da PM (in memorian), João Batista, João Mário, Claudinho, Marciano, Chicão, Tuca, Valdecir e Lôlo, além de vários outros que fizeram a alegria da galera, como o soldado da Polícia Militar, Curió, autor do primeiro gol de uma equipe profissional de Cáceres no Estadual e foi no Geraldão em 1977.

   A imprensa falada, escrita e a televisada de Cáceres sempre presente divulgando os eventos esportivos dessa que é a maior praça de esportes da história de Cáceres. Geraldão, 45 anos de vitórias, alegrias; sonho que se tornou realidade.

OUTRAS FOTOS DA INAUGURAÇÃO DO ESTÁDIO GERALDÃO

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Minutos antes do corte da fita, simbolizando o ato de inauguraçao, o prefeito José Souto Faria faz discurso para autoridades, desportistas e convidados, sob o olhar atento de todos. Ao fundo, de frente para a fotografia, presença do Sr. Lindote, um dos baluartes na luta pela construção do estádio de futebol
 
OUTRAS IMAGENS DO ESTÁDIO LUIZ GERALDO DA SILVA 
 
Foto aérea do estádio Geraldão registrada da década de 90, já contando com o sistema de iluminação
 
 
 
 
 

Comentários: ( 8 ) cadastrados.
Por: PÉRICLES GONÇALVES
RIO GRANDE-RS
Mais um excelente trabalho jornalístico-retrospectivo. Muito interessante saber sobre a história do Geraldão, onde várias vezes estive torcendo e participando de cerimônias cívicas. Cheguei em Cáceres em Janeiro de 1975. Geraldão era um recém-nascido. Espero que não o abandonem. Parabéns aos envolvidos(muitos meus conhecidos) nas atividades que antecederam a inauguração e a vocês que trouxeram essa história tão bem contada para todos nós. Abrs.
13/04/2020 11:15:34

Por: Irineu de Araujo
Cuiabá-MT
As belíssimas matérias da Zakinews escritas pelo Jornalista Antônio Costa tem mexido com minha memória me reportando para esses períodos que marcaram a minha infância e adolescência nos fatos narrados que antecederam e vividos na minha querida Cáceres. O Estádio que era o sonho dos que praticavam e gostavam do futebol naquela época. Infelizmente não participei e nem presenciei sua inauguração, mas fiquei muito feliz com a realização do sonho daqueles que lutaram pela pela sua construção, como o meu amigo Aluísio Angelo Garcia que tive a honra de jogar ao seu lado no 1º Campeonato Estadual de futebol de salão, no Ginásio da Escola Técnica Federal, No dia seguinte dele ter chegado da maratona Caceres-Cuiabá, onde não teve a recepção esperada e prometida. Parabéns todos que não mediram esforços pelo feito. Peço aos meus amigos e as novas gerações que não deixem abandonado esse Patrimônio, para que ele não tenha o mesmo destino do CEOM que por decisão de autoridades que não fizeram questão de preservar a nossa história.
13/04/2020 18:42:40

Por: Everaldo lippi
Obidos
Parabéns pela reportagem ,boas lembranças
13/04/2020 08:37:49

Por: Luiz Emanuel Monteiro da Silva
Cáceres. MT
Parabéns Kishi e a toda a sua equipe que produziu está bela matéria com detalhes da história do Geraldão para quem não conhecia, como eu, a árdua luta para construir esse Estádio esportivo, fica aqui o nosso reconhecimento a todos que participaram dessa luta.
13/04/2020 08:31:49

Por: Jorge Sandro
Cáceres
Trabalho exemplar! Abrçs Kishi
13/04/2020 14:39:40

Por: LOURIVAL ALVES SOARES
POCONÉ/MT
Vendo a reportagem desse site sobre o Estádio Geraldão, fiquei impressionado com a riqueza da matéria, com detalhes impressionante. Muitos arquivos antigos que retratam a importância desse Estádio para a Cidade de Cáceres. Uma pena que hoje ele não está recebendo a atenção merecida pelos governantes. Também lendo os comentários, dentre eles fala de grande amigo cacerense: ODAIR EGUES, que foi um atleta do cacerense. Hoje ocupa um importante cargo federal, ou seja, Gerente Executivo do INSS/MT, que por sinal foi o nosso primeiro Chefe da Agência de Poconé, pessoa que o povo poconeano nunca esqueceu, pois a sua humildade e o espírito humanitário nas suas ações lhe fêz uma pessoa muito querida entre nós, pois só deixou boas recordações. Quando chefe da Agência do INSS de Poconé nunca deixou de bater uma bolinha com os amigos daqui, jogando futebol de salão. Esse cacerense e amigo nós faz muita falta aqui, mas com certeza, no cargo que ocupa, com a sua grandiosa inteligência e competência, está fazendo muito mais para o povo matogrossense.
13/04/2020 11:29:33

Por: Camila Souza
Cáceres
Sensacional a história contada pelo jornalista Antonio Costa. Parabéns para este site que traz toda uma história e é emocionante saber que os grandes figurões da cidade daquela época levava as coisas sérias em busca de um objetivo. Pelo que eu entendi, foram quase 10 anos de sonho sonhado e realizado. Vejam que eram médicos, militares e advogados envolvidos diretarmente no futebol da cidade.Hoje não se vê esse envolvimento como antes. Uma pena, porque o estádio está se deteriorando e nem time de futebol temos mais.
13/04/2020 20:26:34

Por: Benedito Fernandes de Souza
Atualmente Nobres-MT
Boa parte desses personagens que fizeram a história dessa praça esportiva eu conheci, entre os quais o professor Lindote. O ten Souza (Benedito Deovaldo de Souza, de Santo Antonio de Leverger - ex-Dom Bosco)); Brito e o meu velho amigo Canhento, do Dom Bosco e de Cáceres, uma lenda do futebol local. Além dos velhos companheiros do Viracopos, com os quais joguei nesse estádio e no grande time da ponte Preta, do DNER, onde fizemos memoráveis jogos contra o São Vicente e grandes equipes local. Mas, nada tão brilhante como esse resgate histórico revelado pelo site Zakinews. Muito bacana e de um embasamento extraordinário e emocionante.
14/04/2020 12:12:52

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