02/12/2019 - 09:00

Por: Antonio Costa / Zakinews

Aos 80 anos, Juventino Barbeiro leva o dia a dia na tesoura, pente e sanfona


 

Antonio Costa, EXCLUSIVO ao Zakinews
 

JUVENTINO PEDROSO DA SILVA
Natural de Rosário Oeste-MT.
Data de nascimento: 12/09/1939.
Pais: André Avelino da Silva
Mãe: Ana Pedrosa da Silva.
Nove irmãos, dos quais 5 estão vivos

 

   Em continuação ao nosso desfile de personagens que fazem o dia a dia de Cáceres, a reportagem do Zakinews foi procurar o conhecido Juventino Barbeiro, cujo salão simples e acolhedor pela maneira cordial como o profissional atende todos que ali vão fazer barba e cabelo, se localiza à Rua Quinze de Novembro em frente ao 2º. Batalhão de Fronteira.

   Juventino Pedroso da Silva nos oferece água e café. Demonstra contentamento em nos receber para que o registro de sua história de vida fosse feito. Aos poucos vai se soltando na sua fala mansa e demonstra uma incrível capacidade de raciocínio com as datas precisas que guardam na mente.

   Revela que com quatorze anos aprendeu cortar cabelo vendo o pai André Avelino trabalhar na profissão. Em 05 de maio de 1962 deixou Rosário Oeste para servir o exército no histórico 2º. Batalhão de Fronteira, onde permaneceu com a honrosa farda durante três anos.

   Na caserna pertenceu à 1ª. Cia, foi lenhador, auxiliar de padaria, ajudante no rancho, ordenança. Cita que o comandante do Batalhão era o Cel. Austragésilo Homem de Mello (conhecido como Barão). Nessa época, no batalhão, ninguém sabia que ele, Juventino, cortava cabelo. Certo dia estava o barbeiro Eurides, de Cuiabá, atendendo os soldados da 1ª. Cia, foi aí que Juventino disse que sabia cortar cabelo. Eurides entregou a tesoura, e, Juventino executou com muita perfeição o trabalho.

   Imediatamente a façanha chegou ao comandante da companhia, Capitão Edson Vicente Cezetti, isso em março de 1964, que tomou conhecimento da arte do soldado Juventino, e o apresentou ao sargentiando, para que a partir daquele dia Juventino fosse oficialmente responsável por fazer barba e cabelo da tropa.

   Foi assim durante três anos na companhia, cortando cabelo de aproximadamente 250 militares. Deu baixa e não largou mais da profissão que ostenta até os dias atuais, mesmo estando aposentado. Assim que deixou o quartel foi trabalhar com o conhecido Acácio Monteiro, pai do Totó Alfaiate, cujo salão localizava no cruzamento das ruas General Osório e a Tiradentes.

   Posteriormente decide abrir o próprio salão à Rua Sabino Vieira, foi quando arrendou a barbearia de Dionísio Pedroso. Dalí mudou-se para o Restaurante do Zé Otávio, local onde atualmente se localiza o Hotel Caiçara. Juventino tinha uma sala onde atendia a clientela do restaurante, que fazia as refeições e já aproveitava para dar um trato no cabelo.

   Passados alguns anos dividindo o trabalho de barbeiro com outros profissionais estabelecidos na praça, cita o próprio Acácio Monteiro, Corumbá, Bugre, Bartolo, Elói, Zenóbi, Juventino Pedroso deixa a tesoura e o pente no período entre 26 março a 15 de maio de 1966.

   Tempo em que foi atender Osvaldo Faria nas festividades da tradicional festa de Nossa Senhora de Fátima em Porto Esperidião. Evento religioso que ganhou destaque estadual por décadas, dada a devoção e fé da comunidade católica cacerense e região que visitavam a localidade do Porto para festar e pagar promessas.

   Lembra que foi nessa época que passou a tocar sanfona nas festas de santo. Cita que tudo começou ainda em Rosário Oeste na data de 05 de abril de 1960 quando começou a executar “pé de bode” (oito baixos), na Festa do Divino Pai Eterno. Revela ter tocado a noite inteira o hino do santo e rasqueado.

   Em Cáceres adquiriu o primeiro acordeom na Casa Ideal, do saudoso comerciante José da Lapa, que se localizava na Praça Barão do Rio Branco. Foi um Hering 80 baixos. Lembra que nessa época poucos tinham o referido instrumento. Cita Neto, do Banco do Brasil como um deles.

   Interessante que Juventino Pedroso aprendeu executar o referido instrumento observando atentamente o colega de farda Macedo, assim como o próprio Neto, funcionário do Banco do Brasil. “Sempre fui muito bom de ouvido”, vangloria.

   Dividindo a profissão de barbeiro com o som da sanfona\acordeom em apresentações de festividades de santo, até chegar à montagem da Banda Jovem, que durante um bom tempo atendeu convites para festas de réveillon e carnaval em Cáceres, Glória Doeste, e até mesmo na vizinha San Mathias em solo boliviano. A referida banda encerrou as atividades no ano de 1994.

   Hoje ele ainda executa o acordeom em apresentações do Grupo Folclórico Tradição comandado pela professora Lenir Antunes do qual é integrante a mais de vinte anos. Também reúne os familiares na companhia da esposa Maria Augusta Caetano Silva com a qual teve sete filhos -três homens e quatro mulheres – todos vivos.

Por mais de 20 anos, Juventino fez parte do Grupo Folclórico Tradição

   Mas o que ele mais gosta mesmo é de atender a sua clientela no seu simples mais aconchegante salão. Antigamente lembra que cortou cabelo de “gente importante”, cita os ex-prefeitos José Monteiro da Silva, José Souto Faria, Antonio Fontes (que dizia tirar o chapéu) para o Juventino, pois era o único na cidade a cortar com perfeição o seu bem cuidado cabelo. Aloísio de Barros também foi seu freguês.

   Os médicos de antigamente Tuffi Haddad, Piragibe Serrano, Marcio Curvo; além do advogado Everaldo Filgueira também foram seus clientes por longos anos.

   Juventino que também já foi garimpeiro, colhedor de poaia, concorreu as eleições para vereador. Candidatou-se pelo PDT de Cáceres, obteve mais de 300 votos ficou na suplência. “Foi uma ótima experiência”, oportunidade que segundo ele, pôde sentir a amizade e o carinho de parte dos cacerenses.  

Fotografia que Juventino usou na sua campanha eleitoral quando concorreu ao cargo de vereador 

   Revela ter sido o fundador da Escola Bairro Santo Antonio, 09 de fevereiro de 1988. Reconhecimento dos moradores do bairro que por ele tem apreço e carinho. Basta dizer que o presidente Manoel Leopoldo Pires, pioneiro no local, ainda não está satisfeito enquanto não ver uma placa para homenagear o fundador da escola.

   Cortar cabelo para o Juventino Pedroso da Silva, é uma “diversão, terapia”. “Profissão que amo muito e vou continuar enquanto estiver gozando de boa saúde; honro a minha profissão”.

   Realmente ele ama muito a profissão, tanto é que não tem domingos ou feriados, está sempre no salão esperando a freguesia. No local recebe amigos, a clientela, ouve rádio e assiste TV para passar o tempo; vive na simplicidade com a consciência tranquila do dever cumprido. Juventino cidadão de Cáceres. A vida agradece.

Juventino está ao lado do Comandante do 2º BFron, Antonio Hervé e com dezenas de ex-militares do Batalhão em solenidade alusiva ao Dia do Soldado, realizado no dia 22 de agosto de 2019
Solenidade alusiva ao Dia do Soldado realizado no dia 22 de agosto de 2019 na Praça Duque de Caxias

Comentários: ( 10 ) cadastrados.
Por: Anônimo

Felicidada joventino voce é abensoado por Deus
02/12/2019 10:11:50

Por: Luciano Master
Cáceres_MT
Um grande artista que nos representa como trabalhadores dessa arte, parabéns Senhor Juventino um exemplo a ser seguido, história magnífica 👏🏽👏🏽👏🏽
02/12/2019 10:17:49

Por: Julever F.C.da Silva
Sinop
Tenho orgulho em ser NETO desse homem honrado e trabalhador e que sente orgulho e satisfação ao exercer sua profissão.Parabéns a equipe de reportagem.
02/12/2019 11:37:10

Por: Marionely Viegas
Caceres
Parabens pela materia. Estamos resgatando a historia de nossa cidade Eu, particularmente,nao c9nhecia o Sr Juventino !!!!!
02/12/2019 11:51:40

Por: Rosimar Cristina
Caceres
Parabéns seu Juventino, por viver com alegria e entusiasmo esses 80 anos de vida. Sua história de vida emociona e encoraja o nosso viver.
02/12/2019 12:42:10

Por: Carlinhos Silva
Cáceres
Grande Juventino. Ilustre personalidade da cidade e cidadão sempre presente nas solenidades militares. É um exemplo de civismo para ser mostrado aos jovens de hoje.
02/12/2019 14:09:58

Por: Paulo César
Cáceres
ele tem a cara da hostidade e simplicidade. parabens pela materia.
02/12/2019 14:12:37

Por: Sebastião Quirino Mendes
Reserva do Cabaçal MT
Para mim é um orgulho conhecer o sr Juventino,sou tio de netos dele por isso tenho algumas vezes a casa dele e na barbearia. Para mim uma referência em Cáceres MT
02/12/2019 14:18:25

Por: Olga Castrillon
Caceres-MT
Belíssima reportagem. Memória viva sendo revitalizada! Que privilégio para Cáceres!!! Parabéns, Kishi!
02/12/2019 17:00:28

Por: Josué Correa
Cáceres
Quantos cidadãos ocultos em nossa cidade e que de alguma forma contribuiram com o desenvolvimento da cidade de Cáceres
06/12/2019 07:28:57

Faça o comentário para a noticia: Aos 80 anos, Juventino Barbeiro leva o dia a dia na tesoura, pente e sanfona

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade do autor.
As mensagens com conteúdo abusivo poderão ser vetados da publicação.