03/10/2019 - 20:30

Por: Wilson Kishi

A história de Emília Darci de Souza Cuyabano


Álbum de família


   
Na noite de hoje (3), foi inaugurado o Novo Museu Histórico de Cáceres que, a partir desta data, recebeu a denominação de “Museu Histórico de Cáceres Professora Emília Darci de Souza Cuyabano”, uma justa homenagem a um ícone da educação no município de Cáceres e referência dentro da Universidade Estadual de Mato Grosso, a UNEMAT.

   Professora Emília Darci teve seu nome lembrado para ficar registrado na história de Cáceres pelos seus relevantes serviços prestados na área educacional e pela dedicação e amor ao trabalho executado de forma brilhante na organização do museu visando a sua inauguração no dia 3 de outubro de 1978, ano do bicentenário de fundação da cidade de Cáceres.

   Coube ao vereador Rubens Macedo ser o autor dessa propositura que foi aprovada por unanimidade pelos vereadores e sancionada pelo prefeito Francis Maris Cruz. A Lei Municipal nº 2758, de 04 de junho de 2019, é o dispositivo legal que registra o novo museu de "Museu Histórico de Cáceres Professora Emília Darci de Souza Cuyabano”.

   Abaixo, o Zakinews traz a biografia da homenageada, escrita por duas representantes da Unemat e do Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres (IHGC), professoras Olga Maria Castrillon Mendes e Maria do Socorro Araújo.

 

Emília Darci de Souza Cuyabano em sua memória biográfica

Professora Doutora Emília Darci de Souza Cuyabano é um nome para ser gravado na memória cacerense. Não é sem motivo que a municipalidade a escolheu para ser homenageada e nomear as novas dependências do Museu Histórico Municipal (Lei Municipal nº 2758 de 04 de junho de 2019, de autoria do Vereador Rubens Macedo). Estamos todos, pois, familiares e povo cacerense, orgulhosos desta mulher que representa uma parte importante da história da cidade pelas muitas funções públicas que exerceu e pela vigorosa atuação como professora e orientadora educacional.

Professora Emília, como carinhosamente a nomeamos, nasceu em Cáceres no dia 08 de março de 1948 e há oito anos nos deixou, no dia 16 de outubro de 2011, mas o seu nome ecoa em cada aluno e em muitos lugares desta terra de Luís de Albuquerque. A filha de José Octávio de Souza e Lila Hill de Souza teve uma vida totalmente dedicada à administração pública e às instituições educacionais da cidade. Formou-se Pedagoga na Universidade Federal de Mato Grosso UFMT, em 1979; especializou-se em Metodologia do Ensino Superior, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Presidente Venceslau, em 1985, e Mestrado em Educação na UFMT, em 2000.

Em sua dissertação de Mestrado defendeu as implicações das atividades lúdicas no cotidiano escolar do Ensino Fundamental. Em 2005 conclui o seu doutoramento na USP/SP com tese sobre o estudo sócio antropológico de alunos ribeirinhos do Alto Pantanal de Mato Grosso, fronteira Brasil-Bolívia. Na sua produção acadêmica fez 35 publicações, 42 Conferências e Palestras, 33 Trabalhos Técnicos e 55 Orientações de Pesquisa. Ainda participou de 45 Bancas Examinadoras, 48 Congressos e Workshops.

Atuou como professora do Ensino Fundamental e Médio e na Educação Superior e em Programa de Pós-Graduação como Professora Adjunta da UNEMAT, de 1994 a 2011. Foi ainda Secretária Municipal de Educação e Cultura (1983-1985) e Delegada Regional de Educação e Cultura (1985-1987), cargos que a notabilizaram. 

Em 45 anos de atuação profissional destacou-se em cargos de muitas responsabilidades. Habituada às grandes missões participou da criação e implantação do Museu Histórico e Arquivo Municipal de Cáceres, no ano do bicentenário da cidade, em 1978. Um grande desafio que ela deixa gravado de próprio punho:

“Não fosse o apoio da comunidade, Dona Estela, Sr. Hugolino, Dr. Luís-Philippe e outros, acho que não teria conseguido. No dia 04/10/1978, o então Prefeito Ernani Martins inaugurava o Museu Histórico e Arquivo Municipal de Cáceres, à Rua 13 de junho. Em 1980, mudamos para o prédio da Secretaria de Desenvolvimento Social, à Praça Major João Carlos”, onde funcionou até à mudança para as novas instalações. E conclui: “Estudei como nunca a história de Cáceres”[1].

Palavras que lidas hoje, após o seu falecimento, soam como estímulo às novas gerações em busca de mundos e de pessoas melhores, como sempre acreditava.

Na UNEMAT fez um extenso currículo, tanto como docente, quanto como pesquisadora, chegando a ocupar cargos de gestão, de assessoramento, conselhos, comissões e consultorias, além de orientações de pesquisas de Mestres e Doutores em Educação. Não se aposentou destas funções e é em sala de aula e pelos corredores das escolas e das Universidades que nos acostumamos a vê-la com seus passos ligeiros e sorriso largo constantemente estampado no rosto. Em todas as suas ações profissionais, sempre expressou preocupações e compromissos incondicionais com a educação.

Seus Projetos de Pesquisa abrangem estudos de identidade, de práticas culturais da população de Mato Grosso e de políticas pedagógicas das escolas do município de Cáceres, de diagnóstico e perspectivas para a prática da Matemática nas séries iniciais e Gestão de escolas como prática simbólico-educativa. Resultantes desses e outros Projetos, bem como de sua participação em eventos de natureza pedagógica, a Professora Emília possui uma vasta bibliografia de publicações em periódicos e capítulos de livros que podem facilmente ser encontrados nos Bancos de Dissertações e Teses, em Revistas de circulação nacional e Anais de Congressos. Somam-se a estas produções, contribuições em Assessorias e Consultorias, como também em trabalhos técnicos e Cursos de curta duração. Como professora contribuiu na formação de várias gerações de alunos; como orientadora de Monografias e Trabalhos de Iniciação Científica, deixou-nos indeléveis marcas da sua concepção de escola, de educação e de mundo. Basta pronunciar o seu nome para que muitos dela se recordem com carinho e admiração.

Professora Emília é uma personagem da história de Mato Grosso que se imortaliza na memória cacerense engrandecendo o quadro das figuras de homens e mulheres que muito contribuiu para pensar a cidade, participar da sua construção e, principalmente, formar o coletivo responsável pela manutenção do bem-estar comum e acessível a todos.

De parabéns está o Prefeito Francis Maris Cruz por mais esta obra que hoje é entregue ao povo de Cáceres e traz gravado o nome da Professora Emília Darci. De Parabéns a família Souza Cuyabano aqui representada por nos dar o presente de tê-la participando da vida desta cidade.

A professora Emília Darci de Souza Cuyabano muito se empenhou na organização e implantação deste Museu Histórico, entre 15 de abril de 1978 até a sua inauguração em 03 de outubro de 1978, ano do Bicentenário de fundação de Cáceres. Ela foi a primeira diretora do Museu Histórico e do Arquivo Municipal de Cáceres. Nada mais justo que homenageá-la nesse belíssimo espaço de memória da cidade.

Que possamos honrá-la por seus méritos; acima de tudo que consigamos manter acesa a chama da utopia possível que sempre fez parte da vida desta mulher que acreditava no presente com os olhos do futuro. 

Cáceres-MT, setembro de 2019

 

*Autoria do Texto; Associados do Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres/IHGC (Professoras Olga Maria Castrilon Mendes e Maria do Socorro Araújo)

**Informações fornecidas por Dr. Alex Cuyabano (filho da professora Emília Darcy de Souza Cuyabano)

 



[1] Publicação Profa. Dra. Emília Darci de Souza Cuyabano: um breve histórico, gentilmente cedida pelo filho Dr. Alex Cuyabano.

Comentários: ( 2 ) cadastrados.
Por: Nilcely
Caceres
Homenagem merecida!
04/10/2019 08:08:53

Por: miguel soares
cáceres
nos dias atuais, não percebemos professora que tem o reconhecimento de uma sociedade como a professora emília darci. muita diferença no sistema de ensino e de postura dos profissionais de hoje. parabéns ao vereador rubens macedo pela lembrança dela
05/10/2019 07:40:47

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