Zaki News

19/12/2017 - 20:03

Por: Sérgio Cintra

O que será…


   Faz tempo que não me atrevo em fazer qualquer tipo de análise política e assim tenho me comportado por dois motivos óbvios: primeiro, por mais que se tente, ser completamente isento é dificílimo; segundo, porque, infelizmente, a internet possibilita o anonimato de quase todos e com ele vêm os detratores que abusam dos níveis mais baixos da “Pirâmide de Grahan”, desvirtuando, dessa forma, o intuito do opúsculo que é estabelecer o debate de ideias.

   Mas como a situação é ímpar e o cenário turbilíssimo, cito Einstein: “Se minha Teoria da Relatividade estiver correta, a Alemanha dirá que sou alemão e a França me declarará um cidadão do mundo. Mas, se não estiver, a França dirá que sou alemão e os alemães dirão que sou judeu”.

   A recente pesquisa do Ibope sobre a corrida ao Paiaguás pautou todos os jornais e sites de Mato Grosso.

   Nela, os números apontam para um contexto político extremamente complexo e que exige análises bastante aprofundadas.

   Vou tecer algumas considerações sobre essa pesquisa, mas antes é preciso deixar claro que toda e qualquer tomada de opinião é pontual, portanto, circunscrita a um dado momento: um, a população mato-grossense parece não querer ninguém novo a governandor; dois, os efeitos do desgoverno Silval e das consequentes prisões, ao que tudo indica, não serão desencadeadores de mudanças significativas; três, Cuiabá e Rondonópolis polarizam a política estadual quando o assunto é eleição majoritária.

   Mesmo sem ter tido acesso à amostra do Ibope, pode-se deduzir que o governador Pedro Taques, mesmo atravessando seu pior momento, goza de credibilidade eleitoral interessante e isso não era esperado nem mesmo por seus aliados mais próximos.

   Por outro lado, o ex-prefeito Mauro Mendes parece não ter a capilaridade necessária para catapultar sua candidatura ao Governo de Mato Grosso, ainda que sua recente administração seja vista com bons olhos pela mídia e por parte significativa da população.

   Por último, em águas tranquilas, nada o ministro Blairo Maggi, único a aparecer na frente do atual governador, apesar de ter seu nome envolvido em situações nada republicanas.

   Um quesito importante a ser analisada é a rejeição dos pretensos candidatos, pois nisso reside o segredo de uma campanha vitoriosa.

   Todos sabemos do velho clichê “o poder desgasta”, porém o importante, na realidade, é qual o tamanho do desgaste.

   Não consegui encontrar os índices de todos os pré-candidatos, apenas do atual ocupante do paço estadual – algo pra lá de esquisito –, mesmo assim, por dedução, mais de 60% da rejeição paira sobre os demais concorrentes. Isso faz com que a situaçao de José Pedro, embora inspire intensos cuidados, seja ainda mais animadora.

   Excetuando Blairo, que está no poder, tanto Mauro como Jaime só possuem bônus por, no momento, não estarem desfrutando de mandato eletivo e, ainda assim, devem ter números expressivos de rejeição e pelo fato de não serem detentores de mandatos, o problema é um tanto mais árduo.

   Em linhas gerais, temos quatro vagas nas próximas eleições: governador, vice-governador e dois senadores.

   Além disso, há pouco mais de nove meses (com uma Copa do Mundo no meio) para que sejam definidas essas posições e, no frigir dos ovos, apenas quatro nomes se destacam: o governador Pedro Taques, o ministro Maggi, o ex-senador Jayme e o ex- prefeito Mendes, o resto é figurante.

   Mas, como, provavelmente, não entrarão em um consenso, só nos resta cantar: “O que será, que será?/ Que andam suspirando pelas alcovas/ Que andam sussurrando em versos e trovas/ Que andam combinando no breu das tocas/ Que anda nas cabeças, anda nas bocas/ Que andam acendendo velas nos becos/ Que estão falando alto pelos botecos/ E gritam nos mercados que com certeza…“

SÉRGIO CINTRA é professor em Cuiabá e
está servidor da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
sergiocintraprof@gmail.com

 

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