Zaki News

14/07/2017 - 07:19

Por: Clóvis de Almeida

Mudar fatos ou ignorá-los é covardia


   Um copo com água pela metade está meio cheio ou meio vazio. A opinião correta não é uma coisa nem outra, mas sim a visão de cada um. Assim é a maioria dos acontecimentos do dia a dia. Mas, não é de hoje que quem mais coloca em evidência esse paradoxo é a imprensa, ao evidenciar um fato ou simplesmente ignorá-lo, quando muito, ao amenizar o que a opinião contrária gostaria de ver em manchetes garrafais.

   O papel do jornalismo deveria ser como o que seu código de ética ensina: ser imparcial ao extremo, procurar ver a verdade e só a verdade lhe interessar. Mas isso é utopia e vai contra o que a maioria dos estudantes de jornalismo imaginam fazer ao terminar a faculdade. Descobrem no primeiro emprego que o sonho de mudar o mundo contando somente a verdade dos fatos é um sonho que se sonha só, impossível, pois é nesta hora que ele descobre que a imprensa tem dono: o patrão que o emprega, pois essa “entidade” tem lados, tem amigos no poder ou aliados contra quem manda no mundo ao seu redor. Ao descobrir que não pode nadar ir contra a maré, só tem um jeito: nadar a favor dela ou sair da água.

   Todo esse “floreio” é para explicar as razões do porque muitas emissoras de televisão, rádio, jornais e revistas deixam de mostrar as manifestações públicas e greves como elas realmente são. Quando certas mídias usam eufemismos em palavras ou simplesmente deletam fatos importantes, elas estão, simplesmente, atendendo aos interesses do patrão, que, jamais permitiria contrariar uma fonte de renda. Está errado do ponto de vista ético, porém, a democracia permite que se diga que o dia está lindo ou que poderia ser mais bonito.

   Quando vemos propagandas aos montes, umas seguidas de outras, falando de conquistas de um governo ou mostrando suas entidades com seus produtos e serviços, estamos diante de uma enxurrada de dinheiro que não mora nas casas decimais, mais e um monte de zeros que mantém os canais de comunicação. É muito dinheiro para ter quem os paga contrariado. É por isso que nas manifestações são mostrados apenas o que ameniza ou tenta neutralizar os fatos. Para essas mídias, a briga isolada merece mais tempo na televisão do que os discursos inflamados com apoio de milhões de ouvintes. Uma rua vazia com alguns gatos pingados já indo embora com bandeiras nas costas podem ser mostrados como os “únicos” a aparecerem na greve. A ação policial com bombas é mais importante que os cartazes, faixas e gritos de desaprovação aos governos.

   A imprensa precisa continuar a ser livre para dizer o que pensa, desde que não mude ou tente mudar os fatos. Mas também não podemos esquecer de que a liberdade que nos trouxe o fim da Ditadura garante a todos o direito de noticiar, ou não, aquilo que lhe interessa ou deixa de interessar. Respeito é bom e todo mundo gosta, mas o que ninguém aceita é a mutilação dos fatos. Isso sim é repudiável, pois, ignorar é um direito, apesar de ser também atitude covarde de quem se propõe a ser notícia, mas tentar a realidade com manipulações de fatos é covardia ainda maio.

Clóvis de Almeida é Jornalista em Cáceres
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